João Vieira Pereira, um socrático inflitrado?

 

João Vieira Pereira, e julgo não haver grandes dúvidas quanto a isto, será um dos comentadores mais insuspeitos de nutrir qualquer tipo de simpatia pelos ideais de esquerda, pelos partidos de esquerda ou pelo acordo à esquerda que legitimou o governo de António Costa. De igual forma, não se lhe conhece qualquer ligação a José Sócrates, Armando Vara ou Carlos Santos Silva. Antes pelo contrário. Paulada na esquerda é coisa que o quadro do grupo Impresa tem feito com frequência e vigor.

Posto isto, e tratando-se apenas e só da opinião do comentador, altamente valorizada e respeitada pelos partidos de direita, pelos políticos de direita, pelos comentadores e blogues de direita, as declarações de João Vieira Pereira, contidas no vídeo em cima, poderão chocar os liberais e conservadores mais sensíveis. O resgate era inevitável? Pelos vistos não, e para isso bastaria o PSD ter abdicado do seu jogo político. À altura, importa relembrar, até Angela Merkel criticou a postura da direita parlamentar portuguesa, classificando-a de “lamentável”. E, por muito que o afundamento das contas púbicas possa ter sido obra dos socialistas, a inevitabilidade do resgate, segundo Vieira Pereira, foi consequência directa de uma decisão de Pedro Passos Coelho e restantes correlegionários. Uma decisão fundada nas ambições do PSD e do seu líder, não no superior interesse nacional. Era isso ou eleições dentro do partido. Passos não hesitou. E o resultado foi o que foi.

via Uma Página Numa Rede Social

Comments

  1. Ana A. says:

    Mas, só os distraídos ou mal-intencionados, é que precisam da chancela dos comentadores pró-direita! E eles só chancelam, porque não têm TINA…pois, contra factos não há (ou não deveria haver) argumentos!

  2. Rui Naldinho says:

    O país está cheio de Ses?
    Depois de muitas interrogações, poderíamos começar por aqui. Por exemplo:
    Se Guterres não tem abandonado o barco, haveria um Durão Barroso a Primeiro Ministro?
    Talvez!
    Admitindo que sim, que acabaria por haver, ele seria naquela altura chefe do governo, ou alguns anos depois, após o fim da legislatura?
    É que só essa mudança de timing seria o suficientecpara para nunca ter sido colocada a questão da sua ida para Bruxelas, porquecestaria fora de prazo. Outro se adiantaria.
    Mas, ainda assim, se Durão Barroso não tivesse sido aliciado para a Presidência da Comissão Europeia, haveria Santana Lopes a primeiro ministro?
    Se Sampaio não tivesse dado posse a Santana Lopes, é sim a Manuela Ferreira Leite, Sócrates teria alcançado uma maioria absoluta?
    E poderíamos ir por aqui fora, com respostas para tudo, e as mesmas dúvidas se colocariam para outras tantas pessoas. Não há volta a dar-lhe a vida dos povos é produto das suas escolhas e das suas dependências. Se quiserem, fragilidades.
    Agora, há uma coisa que temos de assumir em definitivo.
    Ou nós somos responsáveis pelas nossas escolhas, mesmo as más, e pagamos por isso, mas aceitamo-las como parte da massa existência e racionalidade, ou então nunca mais sairemos disto.
    A Alemanha, meteu-se em duas grandes guerras mundiais. Fez milhões de vítimas e sofreu também ela pesadas baixas. Acabou completamente arrasada e destruída, mas não foi por isso que vinte anos depois estava de novo no topo da economia europeia.
    Nos não somos obrigados a viver nisto. A escolha é sempre nossa, e nunca dos palpitadores que nos enchem a cabeça de menudências estéreis como o João Vieira Pereira e outros que tais.
    É que pimenta no cu dos outros, para mim é refresco!

Trackbacks


  1. […] Segundo Martim Silva, Passos Coelho está em alta porque assumiu o cargo me 2010 “e logo no ano seguinte assumiu o poder, numa altura muito delicada para o país”. Certo. Faltou ao director-executivo do Expresso referir as condições em que o líder do PSD ascendeu ao poder, com facadas nas costas dos adversários internos, um esquema oleado de produção laboratorial de opinião e até práticas de manipulação da opinião pública, nomeadamente através de bombardeamentos no Fórum TSF ou noutros programas de natureza idêntica. Faltou-lhe também referir o contributo de Passos Coelho para a “muito delicada” situação do país, ao escolher de forma calculada e calculista o momento para tirar o tapete ao executivo Sócrates com o chumbo do PEC IV, algo que de resto foi amplamente condenado por parceiros internacionais do PSD, com a chanceler Merkel à cabeça. Tão grave que até João Vieira Pereira caiu em cima da manobra passista. […]

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