João Vieira Pereira, um socrático inflitrado?

 

João Vieira Pereira, e julgo não haver grandes dúvidas quanto a isto, será um dos comentadores mais insuspeitos de nutrir qualquer tipo de simpatia pelos ideais de esquerda, pelos partidos de esquerda ou pelo acordo à esquerda que legitimou o governo de António Costa. De igual forma, não se lhe conhece qualquer ligação a José Sócrates, Armando Vara ou Carlos Santos Silva. Antes pelo contrário. Paulada na esquerda é coisa que o quadro do grupo Impresa tem feito com frequência e vigor.

Posto isto, e tratando-se apenas e só da opinião do comentador, altamente valorizada e respeitada pelos partidos de direita, pelos políticos de direita, pelos comentadores e blogues de direita, as declarações de João Vieira Pereira, contidas no vídeo em cima, poderão chocar os liberais e conservadores mais sensíveis. O resgate era inevitável? Pelos vistos não, e para isso bastaria o PSD ter abdicado do seu jogo político. À altura, importa relembrar, até Angela Merkel criticou a postura da direita parlamentar portuguesa, classificando-a de “lamentável”. E, por muito que o afundamento das contas púbicas possa ter sido obra dos socialistas, a inevitabilidade do resgate, segundo Vieira Pereira, foi consequência directa de uma decisão de Pedro Passos Coelho e restantes correlegionários. Uma decisão fundada nas ambições do PSD e do seu líder, não no superior interesse nacional. Era isso ou eleições dentro do partido. Passos não hesitou. E o resultado foi o que foi.

via Uma Página Numa Rede Social

Uma verdade que os leitores do Expresso não estão a ver

No dia 25 de Junho de 2010 (ou seja, há muito tempo), o Expresso fez um anúncio. Nesse anúncio, o Expresso prometia isto, aquilo e aqueloutro. Já tínhamos percebido que as coisas não eram assim tão simples. Para que não haja dúvidas acerca da situação actual, temos o esclarecimento do director-adjunto:

vieira pereira

Exactamente: ‘espectáculo’ e ‘actuar’.

Não, o Expresso nunca adoptou o Acordo Ortográfico de 1990 — não o adoptou nem em 2013, nem em 2014. Obviamente, 2015 não iria constituir uma excepção.

Efectivamente, há um problema e a solução é muito simples.

Os Costas, o Expresso e a polémica SMS

Costas

Foto@LUSA/Público

O caso Antonio Costa VS João Vieira Pereira, na senda de outros clássicos como José Sócrates VS Mário Crespo, Miguel Relvas VS Maria José Oliveira e, numa vertente mais hardcore, Zeca Mendonça VS Paulo Spranger, é um caso que parece ilustrar a desorientação e o nervosismo de alguém que, apesar da conjuntura e da impopularidade do actual governo, não consegue descolar nas sondagens. Costa arrisca-se a ser o líder socialista que ficará na história como o primeiro da era da “pasokização” e ainda consegue perder tempo com guerras que apenas alargam o leque de argumentos disponíveis para a direita o atacar. Como se o passado socrático não fosse já suficiente.

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António Costa e o jornalismo contemporâneo

Se tenho a gabar uma atitude de António Costa, por sinal filho de uma notável jornalista portuguesa, destaco um virar de página na tradicional subserviência dos dirigentes políticos perante a comunicação social. Compreende-se, qualquer um por despeito pode meter uma vírgula onde não houve uma pausa e desmentir nunca resolve o assunto, mas está mal.

Primeiro foi a recusa em responder ao que agora é moda: fazer esperas e meter o microfone e perguntas à frente, mesmo que o assunto não tenha relevo de maior, num exemplo de violência jornalística que me recorda certos brasileiros, quando apanham um algemado pela frente. Todos temos o legítimo direito a não sermos chateados.

E agora soube reagir a um texto, de opinião, é certo, que uma voz dos donos no Expresso dirigiu ao PS e a si próprio. Fez muito bem, não faltava mais nada que um dirigente político não pudesse criticar a opinião alheia. Os jornalistas não são inimputáveis: podem e devem ser criticados, tanto no exercício da sua profissão como no seu, legítimo, direito a opinar. [Read more…]