Crónicas do Rochedo XIX – Coisas de homens


capô

Ontem, na estrada MA-19 que liga Campos a Santanyi (Maiorca) vi algo que me é familiar: um carro parado na berma da estrada com o capô aberto e um homem a olhar para o seu interior.

Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Homem que é homem sempre que o carro avaria abre o capô e olha para o interior com ar de entendido. Eu, por exemplo, faço-o sempre. O bicho resolve parar sem avisar e imediatamente abro o capô e fico a olhar para o motor, a bateria e aquele emaranhado de cabos. Sim, é a única coisa que sei identificar entre as várias vísceras do bicharoco. Isso e aquela coisa a que chamam filtro de ar. E depois fica aquele olhar para o infinito, um misto de ignorância apavorante disfarçada de douta sabedoria destas coisas da mecânica. Juro que nunca entendi porque faço isto (eu e muitos outros). Não percebo nada de mecânica e mesmo assim abro o capô e olho as entranhas. Para quê? Não sei. Faz parte.

Porém, facilmente se reconhecem iguais. Sim, aquele homem na MA-19 a olhar para o animal de quatro rodas estava com o mesma expressão, o mesmo olhar para o infinito, a mesma angústia disfarçada. “Brothers in Arms”, é o que é…

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