Em Portugal, só jogo no Benfica

«Contrariando rumores de que irei jogar no Sporting, e apesar do respeito que tenho pelos clubes portugueses, em Portugal só jogo no Benfica».

— Fábio Coentrão

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«A Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD informa que chegou a acordo com o Real Madrid CF para a transferência do jogador Fábio Coentrão por empréstimo na época desportiva de 2017/18.».

Benfica´s midfielder Fabio Coentrao (C) runs after scoring against Porto during a Portuguese Cup football match at Dragao Stadium in Porto, northern Portugal, on February 2, 2011. FRANCISCO LEONG/AFP/Getty Images (http://bit.ly/2tKf2kv)

Contratar mercenários para proteger a tropa

Escrevi um texto há quase dois anos acerca do facto de haver empresas privadas de segurança a tratar da segurança de forças de segurança do Estado. Parece um trocadilho, mas é também a realidade a ser mais tristemente cómica do que qualquer comédia. Confirma-se: não deve faltar muito para que um arremedo de ficção seja menos verosímil do que a verdade.

Dois anos depois, um paiol foi assaltado nas calmas, tão nas calmas que poderia ter sido eu o assaltante. Ainda por cima, verifica-se que, mais uma vez, o Estado comprou serviços, pagando a privados aquilo que deveria resolver com recursos próprios. Os engravatados que governam os governos chamam a isso outsourcing, que é uma coisa tão externa que só pode ser dita em inglês.

Tenho horror a simplismos, mas parece-me demasiado óbvio que também este problema resulta das negociatas feitas em nome do Estado por gente que dele se apropriou para o vender aos bocadinhos, numa actualização da metáfora em que a raposa toma conta do galinheiro. É assim nas Forças Armadas, é assim na Educação, é assim na Saúde. Ou como escreveu Saramago: “privatize-se também/a puta que os pariu a todos.”

Isabel de Aragão

A minha cidade festeja agora Isabel de Aragão à qual concedeu a condição de padroeira com o título de Rainha Santa. Das coisas do céu e da santidade, nada tenho a dizer, senão que respeito os meus concidadãos que nelas crêem. Porém, queria aqui confessar, com a humildade de quem muito ignora, que nunca me entendi com esta necessidade de, para elevar uma personagem feminina, lhe atribuir dotes sobrenaturais. Como se fosse estranho que a história de uma grande mulher – que indiscutivelmente Isabel foi – só fosse compreensível – digo mesmo, suportável -elevando-a à santidade e nesta lhe subsumindo a humanidade.

Isabel de Aragão foi uma mulher de dotes invulgares. Invulgarmente culta para o tempo – pelo menos tanto como o seu ilustre marido – foi firme, inteligente e hábil na sua acção política, diplomática e social, tal como foi sagaz e competente na administração das suas inúmeras propriedades. Interveio sem tibiezas, sem meias-tintas, escolhendo causas, mesmo que isso implicasse tomar partido na luta entre D. Dinis e seu filho, o futuro Afonso IV, coisa que fez de modo muito mais assertivo do que contam as piedosas lendas da doce esposa e mãe que, num burrinho, se interpõe entre as hostes de pai e filho. Com ela, aprendemos que bondade não é tepidez, que a coragem tem muitos rostos. [Read more…]

No comboio Lisboa-Porto

BlueTrain-South Africa

Márcio Candoso

Eu já vos contei as minhas sagas no comboio Lisboa-Porto-Lisboa. Uma das que mais gosto é que, em quase dois anos a fazer essa viagem pelo menos de 15 em 15 dias, nunca – eu repito, nunca – me calhou uma senhora minimamente ‘vizualizável’ como companheira de trajecto.
Agentes imobiliários, funcionários da embaixada da Guiné-Bissau com sapatos de origem duvidosa, fuzileiros navais, freiras que quase assistiram ao milagre de Fátima… essas são as minhas especialidades.
Hoje sentaram-se do outro lado quatro canadianas francófonas que, apesar das unhas compridas de cores inimagináveis, tinham tudo o que Deus, nos seus melhores dias, resolveu esculpir na fêmea do ser humano.

Quem me calhou mesmo ao lado? Uma senhora que disse que tinha 66 anos, mas que aparentava tão só 88… Estão-se a rir? Não se cansem já…
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