Crónicas do Rochedo XIX – Coisas de homens

capô

Ontem, na estrada MA-19 que liga Campos a Santanyi (Maiorca) vi algo que me é familiar: um carro parado na berma da estrada com o capô aberto e um homem a olhar para o seu interior.

Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Homem que é homem sempre que o carro avaria abre o capô e olha para o interior com ar de entendido. Eu, por exemplo, faço-o sempre. O bicho resolve parar sem avisar e imediatamente abro o capô e fico a olhar para o motor, a bateria e aquele emaranhado de cabos. Sim, é a única coisa que sei identificar entre as várias vísceras do bicharoco. Isso e aquela coisa a que chamam filtro de ar. E depois fica aquele olhar para o infinito, um misto de ignorância apavorante disfarçada de douta sabedoria destas coisas da mecânica. Juro que nunca entendi porque faço isto (eu e muitos outros). Não percebo nada de mecânica e mesmo assim abro o capô e olho as entranhas. Para quê? Não sei. Faz parte.

Porém, facilmente se reconhecem iguais. Sim, aquele homem na MA-19 a olhar para o animal de quatro rodas estava com o mesma expressão, o mesmo olhar para o infinito, a mesma angústia disfarçada. “Brothers in Arms”, é o que é…

A face oculta da violência doméstica

Um excelente trabalho do jornalista Miguel Carvalho sobre a violência doméstica, onde é desmontado o mito segundo o qual as vítimas são quase sempre as mulheres. Há estudos que apontam para cerca de 50% de vítimas do sexo masculino. A ler com muita atenção.

im_visao

Imagem: Visão

Respeito

Confesso que não conheço o Rui. A cara dele não me é estranha, mas distraído como sou, é natural que o tenha visto na tv…

Tropecei hoje num texto que ele escreveu e que merece ser lido. Aqui ficam as palavras do Rui: [Read more…]

Duo olho negro

duo olho negro

(composição retirada do Face sem autor conhecido)

aquele que sabe que vai morrer

Quando se olha um homem que sabe que vai morrer – não num qualquer dia incerto, mas em breve e inexoravelmente – não é a morte que contemplamos, mas a vida que nele resiste, essa vida que nos desconcerta porque a achávamos impossível quando o futuro, a redentora ideia de futuro, desaparece. Um homem que sabe que vai morrer já só tem o presente e tudo o que a ele conduziu, tem o tempo – contado, escasso, precioso –, tem um corpo que talvez já não domine, tem fé ou não a tem, tem gente à sua volta ou está sozinho, tem-se a si mesmo – inteiro, desmascarado, definitivo. [Read more…]

As palavras

(Adão Cruz)

 Tenho muito respeito pelas palavras e pela verdade nuclear que as constitui.

Tenho muito medo de poder esvaziá-las ou atraiçoá-las.

As palavras, elas mesmas, têm necessidade de serem ditas, senão não passam de palavras, e eu tenho necessidade de as saber dizer, senão não passo de mero dizente.

Por outro lado, se as palavras têm um sentido para aquele que as diz ou escreve, podem não o ter para aquele que as ouve ou as lê.

O conceito de sentido é fundamental na comunicação. [Read more…]

A ponte

(Adão Cruz) 

   O Homem é um ser uno e indivisível, muito complexo. Ele é, no entanto, composto por uma infinidade de sub – unidades, todas elas intimamente ligadas entre si. A mais importante de todas, se assim podemos dizer, a unidade soberana, é o cérebro. Este órgão, bem guardado numa caixa óssea, feita da substância mais dura do corpo humano, é constituído por cerca de cem biliões de neurónios em permanente actividade, através dos quais se processam em cada momento, provavelmente, triliões de neuro – transmissões. O nosso esquema cerebral é idêntico em todos nós mas o conteúdo de cada cérebro é totalmente diferente. [Read more…]

ninguém toca na minha mulher. eu preciso dela como ela de mim

eu precisso dela como ela de mim

Para nossa desgraça, hoje de manhã, enquanto tratava de cumprir os meus deveres com Aventar, a irmã de uma amiga de minha mulher foi assassinada. Não sabemos nem o motivo, nem o nome nem esse porquê necessário para entender a nossa vida. Apenas sabemos que ela colaborava comigo para Aventar, a presa, para sermos capazes de entregar um texto solicitado para hoje antes do meio-dia. Era impossível cumprir o pedido. Como é natural, Maria da Graça que sabe ironizar bem, perguntou-se com tristeza: como é que as mulheres não se sabem defender? Ripostei: nem todas, mas há muitas, como escrevi no texto que reproduzo cá para não esquecer

[Read more…]

Os grelos

(Pormenor de quadro de adão cruz)

Eu seguia rua abaixo, pelo lado esquerdo de Sá da Bandeira. À minha frente ia um casal, ela de meia idade, gordinha, ele mais velho, hemiplégico, de bengala na mão direita, arrastando a perna esquerda, pendendo sempre para a direita, trajectória que a mulher ia corrigindo com um pequeno toque na mão dele. Se assim não fosse, as sequelas do seu AVC, à semelhança de um GPS, obrigavam-no a tombar para fora do passeio.

Lá mais ao fundo, frente ao Pingo Doce, o homem, como se uma mola o puxasse sempre para aquele lado, faz, com toda a facilidade um rodopio de noventa graus para a direita, ficando em linha recta com a porta do supermercado. A mulher olha para a direita e para a esquerda (look right  and look left, à londrina) e atravessa a rua, tendo o cuidado de pegar na mão do marido, pois de outra forma, com a sua pendência para a direita, ele iria desembocar dez ou vinte metros acima.

Já dentro do Pingo Doce, resolvi seguir os passos daquele par amoroso, ao mesmo tempo que ia dando uma olhadela às prateleiras que me interessavam. A dada altura verifiquei que o homem parou, olhando insistentemente para o sítio onde estavam as carnes de porco. A mulher puxou-o mas ele resistiu. Apoiou-se na prateleira, encostou a bengala, e com a mão direita pegou numa embalagem contendo uma orelha de porco. Imediatamente a mulher gordinha o dissuadiu dizendo-lhe:

 – nem penses, vou-te comprar uns grelinhos que vi ali e que têm um aspecto do carago!

– Que se fodam os grelos, respondeu ele de forma bem entendível, apesar da fala meia entaramelada.

Só tive tempo de dar meia volta e tapar a boca com a mão, a fim de abafar uma explosiva gargalhada, que eu não saberia explicar aos circundantes.

amar uma mulher

o amor dos meus amores, pela sua doçura, paciência e dcompanhia

…para a mulher que trata de mim… ela sabe quem é

 

Não é simples definir a palavra amor. Ainda mais, se estamos apaixonados por ela.

Por ser um sentimento, é capaz de não precisar definição. Os sentimentos vivem em nós, multiplicam-se em nós, fuzilam-nos sem morrer e fazem de nós seres felizes, especialmente se tratam da nossa saúde, não no sentido calão de ironia, mas na realidade tomam conta de nós e ficam tristes se vêm que nos próprios, aparentemente, não cuidamos estes corpos doentes e envelhecidos, que, não entanto, ainda têm a força de trabalhar com ímpeto e gracejo.

Amar uma mulher hoje em dia, e que o amor permaneça ao longo do tempo, com a fiel companheira da nossa cronologia, que apenas tem um homem, esse que a ama e mais nenhum, que eu saiba. Não pior felonia que as mulheres que amamos, por causa da sua libido, andem também com outros, esse amor que em todos os meus textos, denomino amor de meia hora, que não exprime sentimentos nem apoio. Se assim for, seria uma prostitua e era mais fácil pagar às senhoras de rua que amar a nossa

[Read more…]

Fim da Linha

(adão cruz)

Texto de Marcos Cruz

Será que os pássaros vivem a crise? Será que há menos gente a dar-lhes migalhas nos jardins? E todos os outros animais? Será que partilham as angústias do Homem sobre o estado do mundo? Será que sofrem de forma indirecta? Pelo que me é dado ver, não. A generalidade dos animais ditos não racionais habituou-se a viver em liberdade, coisa de que o Homem, no exercício da razão, quis prescindir. Cioso da sua mais-valia, despediu-se da cadeia de ADN global para se fazer a uma vida destacada, para escrever uma história acima do universo, mero contexto, paisagem, folha lisa. Capítulo após capítulo, encontra-se hoje perante a realidade irrefutável de ter criado um Deus à sua imagem, chamado dinheiro, Deus esse que, cada vez menos, por ser filho de um Homem desligado, de um recorte físico do infinito, está em todo o lado. Ora, se a ideia de que a salvação e a felicidade se baseiam na posse é hoje do domínio da lógica, do código subjacente à vida da espécie, há então que lutar com unhas e dentes por esse Deus. A este raciocínio interpõe-se, no entanto, um problema: o que fazer com as pessoas que se sentem felizes sem possuir ou querer possuir a dita felicidade? Pois excomungá-las, atirá-las para outra espécie, uma espécie inventada, uma espécie nova, que, tendo em conta a teoria evolucionista, quem sabe justificaria a reciclagem do termo super-homem. Hum…, não, não faria sentido evocar anacronicamente uma estrutura mítica cuja falência teve, aliás, expressão retumbante na realidade. Fosse ele um pássaro, como admitia a célebre pergunta dos homens que o viam pela primeira vez a rasgar os céus, e ainda andaria aí, imune à crise, mesmo que não a salvar pessoas, mesmo que não a aliar-se ou a substituir-se ao Deus dinheiro. Mas, enfim, talvez lhe assentasse bem a designação de supra-homem, um “supra” ligado à superação, à sublimação, à transcendência – uma transcendência inclusiva, porém, não uma transcendência irresponsavelmente mística, magicamente religiosa. Cumprida essa limpeza, deixada a nova espécie ao sabor dos pássaros, aprendendo a voar, a ser livre, o Homem poderia retomar a escrita da sua obra-prima, do seu grandiloquente livro técnico, sem romance, com menos personagens e mais Deus disponível para cada uma delas, e tirando proveito de, através do erro, ter aprendido uma lição extraordinária, imprescindível ao desejado final feliz: reprodução, jamais.

Materialismo e Espiritualismo

(adão Cruz)

O mal do homem não está em pensar e ter ideias, o mal do homem está em não pensar e não ter ideias.

Por isso, na sequência de um artigo anterior aqui publicado, sinto necessidade de correr um pouco mais atrás de ideias e de fazer mais algumas reflexões em relação a este tão aliciante tema. Os que acham que sou tolo e desprovido de senso têm uma solução fácil, não leiam. Mantenham as suas valiosas ideias fechadas no cofre do deixa andar e não te rales. [Read more…]

In memoriam a José Saramago: O Serralheiro/Escritor

Insubmisso.
Interventivo…
Jamais Omisso,
Genuflectido!

Homem de Crenças
Homem Sofrido
Nas Desavenças
Sempre Temido…

Homem do Povo
Sua Condição
Sempre e de novo
Homem do Não…

De Proletário
A prémio Nobel
Tão Solidário
Quão admirável

Génio das Letras
Obra que medra
Sem meias Tretas
“Jangada de Pedra”

Palavra em riste
Sempre em peleja
Fácies Triste
Postura castreja

Com Portugal
Palavra ao vento
“Memorial
“De” um “Convento”

“Pequenas Memórias”
De tão ruim
Velhas histórias
Desse “Caim”

Adeus, José
Lá nesse assento
Retoma o pé
Para novo alento!

Que contributo
Ante o fastio
Preenche o luto
Deste vazio?

(Mário Frota)

O olho da rua

(Texto do meu filho do meio, Marcos Cruz, que me parece com interesse para qualquer um de nós)
O OLHO DA RUA
Tenho uma loja na Baixa do Porto, uma loja de mobiliário intervencionado. Chama-se Meioconto. Abri-a no fim do passado Verão, pouco depois de ter sido despedido de um jornal em que trabalhei quase vinte anos. Durante esse tempo, confesso, não me preocupei significativamente com o comércio: queria era informar as pessoas, contar-lhes coisas que não soubessem, intervir de forma construtiva na sociedade, contribuir à minha maneira e na escala que me estivesse destinada para democratizar os conhecimentos e os instrumentos individuais e colectivos de análise e de participação cívica, ajudar a cimentar os pilares em que quase todos, no discurso, concordamos que uma sociedade desenvolvida se sustenta. Não me foi possível. Admito que me tenha faltado inteligência, sensibilidade, empenho, capacidade, talento e paciência para contornar os obstáculos com que diariamente deparava na procura de tais propósitos, mas sei bem que, mesmo “viagrando” todas essas qualidades e mais algumas, jamais estaria ao meu alcance perturbar o normal funcionamento da máquina, cada vez mais exclusivamente virada para o comércio. [Read more…]

hoje nem sequer é um de maio

Tinha uma coisa alusiva  para vir aqui contar.

Uma conversa com um casal de trabalhadores

(trabalhadores é para dizer como diz o zé mário branco no fmi, discretamente soletrado e a ressoar cada sílaba)

onde aprendi como uma pequeno-burguesa trabalhando por conta própria puxa por um operário que não pede aumento ao patrão porque o patrão responde tenho 1500 inscritos para entrar na fábrica, queres ir embora?

uma cabeleireira e um fiel de armazém classificado no privilégio do quadro dos efectivos da fábrica como operário geral, muito mais barato, foi ela que falou com o patrão na única vez em que foi aumentado, ele não queria ouvir aquela parte dos 1500 inscritos para entrar para a fábrica, queres ir embora? mas a ela o patrão não disse do mercado de trabalho, uma flexibilidade que falhou na parte dos tomates, patrão também é homem,

a ele, uma vez em que pediu para mudar para outra secção onde podia ganhar mais tinha respondido para o teu lugar precisava de 2 ou 3, nem nas penses, deve ser a isto que chamam uma relação

  • empresário / colaborador, que substituiu
  • o patrão / trabalhador do antigamente,

estive com eles e achei que era o 1º de maio de 2010,

em cores alternativas, ela quer ter outra criança, ele espera por melhores dias, tipo só haver 150 inscrições na fábrica à espera de uma vaga, a vaga de um deles,

isto ilustrado com umas imagens da conversa e tudo, isto numa fábrica muito visitada pelo governo, tá no youtube e tudo, achei bem alusiva, bués mesmo. Vinha aqui contar.

Não conto. Ia pôr em risco alguns postos de trabalho, e hoje é dia mundial do mesmo.

Aqui jaz um homem mau

Aqui jaz um homem mau, há perto de cem anos parido de um resquício de mãe.

O homem mau morreu.

Não berrou nem tossiu, e cinquenta anos depois mijou e respirou.

Vomitou a mãe dez meses de gravidez de toda a gente indecente.

As pontas do corpo mirraram na avalanche de tripas inchadas.

O homem mau morreu.

Fez do ferrado retenção, dizem, para ter o gosto de borrifar as ventas do irmão.

Os olhos escorreram pus que os gatos lamberam e as moscas sugaram quando nasceu.

O homem mau morreu.

Expulso às avessas, o feto imundo deste caixão de há cem anos saiu enforcado no cordão, borrado e roxo, roxo e borrado até mais não.

O homem mau morreu.

O sangue da mãe correu, correu e o leite secou.

Aqui jaz um homem mau, alguém o conheceu?

Dizem vozes, reza a lenda, que a cor que o desfeou e a morte que o matou foi a ideia de ser quem era, e não o que os outros queriam.

Mulher

Ideal de mulher, rara na sociedade capitalista

Para a nossa neta May Malen, de três meses e três dias, e para o meu bebé, Maria da Graça

Quem saiba de gramática e sintaxes, dir-me-ia que escrever esta palavra, este substantivo, ficava pendurado por não ter artigo, adjectivo qualificativo, estar no meio de uma frase ou revelar a intenção de colocar a palavra no meio, como se diz no castelhano castiço, da nada e da coisa nenhuma. Ou dicionário que me apoia diz ser uma pessoa adulta do sexo feminino.

E os problemas começam. O que será sexo feminino. Sabemos que o substantivo sexo representa órgãos genitais diferentes dentro da mesma espécie do género humano ou diferença física ou conformação especial que distingue o macho da fêmea. E os problemas continuam entre macho e fêmea. Não deve ser preciso consultar o dicionário para nada. É necessário deixar falar ao coração, aos nossos sentimentos, as idades de vida. A mulher começa por ser a pessoa que nos amamenta, que satisfaz o apetite do corpo que cresce. Matar essa fome que o crescimento causa. A energia do se desenvolvimento, precisa ser alimentada com litros de leite para os décimos de centímetros que a criança usa na vida até a sua autonomia total.

Autonomia heterogénea: ou gatinhar, ou se agarrar ao corpo dos pais porque confia

[Read more…]

As diferentes avaliações dos homens e das mulheres

Será que o homem é o ser mais desenvolvido da terra?

Será que o homem é o ser mais desenvolvido na terra?

 Com base no que escreve D’Onofrio Rebelión, eu intuo que é pouco provável que as crenças sejam um plano orquestrado por pessoas geniais e lúcidas. É mais provável que as crenças resultem de um processo cumulativo, através dos tempos, no qual confluem pessoas, políticas, religiões, interesses, ritos e costumes. Para a maioria dos humanos, aceitar as crenças que vêm dos antepassados, sem as questionar, é o resultado da grande estratégia de todos aqueles que não têm interesse na evolução mental do ser humano.

 Para uma pessoa de ideologia naturalista e científica do mundo, nada pode ser afirmado ou negado com certeza absoluta. Esta a grande honestidade da ciência. Há coisas que não sendo consideradas impossíveis, podem ser muito improváveis, e há coisas que parecendo improváveis, podem ser, à luz dos conhecimentos, muito possíveis. A probabilidade ou improbabilidade dependem da informação disponível. Sem qualquer dúvida, a informação disponível actualmente contradiz uma grande parte das crenças e dos conceitos mais ou menos cristalizados que nos acompanharam através da vida.

 Os conhecimentos sobre a evolução por selecção natural dos seres vivos explicam a existência destes seres de uma maneira muito mais coerente, muito mais evidente, muito mais lógica e realista do que as crenças ou outras explicações mais ou menos criacionistas. Isto é hoje um facto científico situado ao mais elevado nível dos factos científicos que consideramos praticamente inegáveis. Por outro lado, é impossível que uma observação contradiga a ciência porque a ciência se baseia na elaboração de teorias que não contradizem as observações. [Read more…]

O homem não é o centro de nada

O homem não é o centro de nada e poderá não ser, tão pouco, o ser mais desenvolvido do planeta

 Todo o indivíduo está envolvido em sistemas de redes culturais e sociais que têm uma profunda influência no ser e no saber dos próprios indivíduos, criando identidades, visões do mundo e das coisas, convicções culturais e sentimentos muito diversos.

Na metafísica tradicional, todos os níveis “superiores” à matéria são realmente “metafísicos” isto é, estão para além da física e da matéria. Estes grandes pensamentos metafísicos constituíram estruturas interpretativas que os homens mais sábios foram dando às suas experiências mentais, também ditas espirituais.

 À medida que a evolução se desenvolve, novos horizontes são usados para recontextualizar e remodelar o saber, através dos resultados científicos das experiências modernas. Em minha opinião, todas as mentes racionais e lúcidas foram abandonando as interpretações metafísicas, por incongruentes e desnecessárias, e por não conseguirem uma aceitação perante o juízo do pensamento moderno. [Read more…]

Procuramos Aventador M/F

O Aventar é um blogue plural, onde coexistem todas as tendências políticas. Cada um é responsável única e exclusivamente pelo que escreve, e pode escrever tudo, menos difamar ou ser ordinário. Em franca expansão, procuramos;

Homem/mulher capaz de fazer uma defesa facciosa e determinada do actual governo e de José Sócrates

Que tenha tarimba em discussões profundas mas que não guarde rancor

Que consiga coexistir com opiniões diferentes

Que escreva um poste por dia mesmo que não tenha assunto

De preferência com uma fugaz passagem pelas jotas

Não aceitamos :

Que copie os textos da Jugular

Que face aos contínuos problemas em que se afunda Sócrates, não perca nunca a força e a capacidade de intervir

Que siga “ipsis verbis” o deputado Assis (estamos necessitados mas não estamos desesperados.)

As propostas podem ser deixadas no endereço do Aventar e serão publicadas. Em 31 de Dezembro, os nossos leitores escolherão o mais firme, mais faccioso e mais brilhante pró-Sócrates.

Homem velho e mulher nova filhos até à cova

Sempre se viu homens mais velhos apaixonarem-se e darem um piparote na vida, largarem tudo, por amor a uma mulher mais nova.

 

Uma das mulheres mais bonitas que vi estava casada com um homem muito mais velho (conhecido por ter belos programas de educação física na TV) e tinham duas belas crianças. felizmente parecidas com a mãe.

 

A primeira reação para quem na altura tinha trinta e cinco anos, foi de incompreensão, ciúme, o que lhe queiram chamar, mas o tipo apesar da idade era bem parecido e culto.

 

Outro caso muito conhecido, entre outros foi o de Sofia Lauren e a de Carlo Ponti, ela era só uma das mais belas mulheres e ele era baixote, gordo e careca.

 

Mas o que vos quero contar é o caso de um dos políticos mais conhecidos de Espanha, poderoso, banqueiro, economista e que tinha uma bela família com filhos, um palacete e uma mulher que era só dele. Um belo dia deixou tudo para se casar com uma mulher que ía no terceiro casamento, com filhos de dois homens, cheia de plásticas apesar de muito mais nova, uma cabecita tonta mas muito bela.

 

Alguém se interrogou na sua frente sobre tal decisão, e o poderoso devia estar na fase do desencanto e respondeu : "é como estar na última estação, a ver passar o último comboio e a decidir se agarro ou não a última carruagem."

 

Eu por mim, dou comigo a ver as "teens" na Guerra Junqueiro e a justificar-me. No amor tambem alguem tem que ser capaz de se mexer.

 

Ora…

 

Esmiúçar o Aventar

O Carlos Loures ama a literatura, os livros, como a si mesmo (é Biblico e é verdade).

 

O Adão Cruz , abomina a sociedade do desperdício, da injustiça social  e acredita que há sistemas de organização política da sociedade mais capazes.

 

O Luis Moreira e outros Aventadores, não esquecem que a vida pública de Saramago não é uma lição de cidadania, e não gostam do homem, pronto!

 

A ponderação destas três verdades levam à posição individual de cada um deles quanto a Saramago.

 

O Carlos, dá prioridade ao escritor que Saramago é, o Adão, dá prioridade ao comunista que Saramago nunca escondeu ser, e eu dou prioridade ao facto de Saramago ser um homem cheio de ódios e de problemas mal resolvidos, com a sua gente e o seu país!

 

Desengane-se quem julga que algum de nós se converte, ou que tomemos esta divergência, como insanável. Nem uma coisa nem outra. Ficamos assim!

%d bloggers like this: