Texto politicamente incorrecto


Na SICn o tema da noite é a “falha do Estado”. O que é curioso é que esta gentinha confunde Estado com Governo de um modo que está longe de ser inocente. Chegaram ao ponto de tentar que Pacheco Pereira afirmasse que Portugal era um “Estado falhado”! Claro que o sr. José – dotado de mais neurónios que o par de entrevistadores juntos – não foi na conversa e deu-lhes uma palmada no ego. Mas o tema atravessa a noite. Os convidados especiais estão, na sua maioria, na onda. O presidente da Câmara de Viseu bradava contra a falha do Estado, como se o Estado fosse uma entidade longínqua e com a qual ele próprio nada tivesse. Tem! Ele é Estado também e tem obrigações. Ele e todos os autarcas. E, por muito que isso seja doloroso, é bom que alguém, tarde ou cedo, dê um murro na mesa e pergunte pelas responsabilidades dos que, nas suas terras, têm obrigações a que muitos se furtam sistematicamente para não perder a popularidade e os votos. Essas obrigações estão claras na lei e são, em tantos lugares, sistematicamente incumpridas por acção ou omissão. Elas são descritas no famoso relatório da comissão independente, mas não se fala nelas para que não se pense que se está a culpar as vítimas de que alguns autarcas se fazem lídimos representantes, tentando esconder a sua parte da responsabilidade. Compreendo, mas não aceito. Como compreendo o embaraço dos partidos e governantes em tocarem neste assunto. Por isso aqui deixo esta palavra. Por ela só eu respondo. Sim, os governantes têm mais responsabilidade – eu não digo culpa – do que afirmam os seus representantes. Mas quem autorizou o fogo de artifício dos srs. padres não deve ter sido nenhum ministro. Para citar um micro-exemplo…

Comments

  1. José Feliciano Cunha de Sotto Mayor says:

    o presidente da CM de viseu fala inocentemente em falhas nacionais, … de falhas municipais não fala. quanto ao estado falhado, o proprio louco MST meteu-se nessa conversa, comparou portugal ao iraque.

    a sic. um antro nojento e parcial.

    quando governos anteriores liberalizaram o eucalipto ou propuseram que se rezasse por chuva, nao houve disto…

    • Rui Naldinho says:

      Têm-se dito muita boboseira nos jornais e nas televisões. E cada vez percebo melhor como este país só tem marteleiros a dissertar sobre assuntos que não dominam. Quando vejo o José Gomes Ferreira a comentar incêndios fico esclarecido.
      Mas há coisas inqualificáveis neste Governo que urge aflorar. E para isso não é preciso ser especialista.
      O ano era quente e seco. Já se vinha a falar no assunto há muito tempo. Desde Maio, pelo menos. Mas como o “burocrata” tinha assinado um contrato para começar a disponibilizar todos os meios de combate aos fogos, a partir de 30 de Junho de 2017, ficamo-nos pela fase anterior do nível de risco. Azar?
      Morreram 64 pessoas. Se calhar morreriam na mesma, com os meios na sua máxima força. Mas como não sabemos, natural é ficarmos na dúvida.
      Passado esse período, como precaução, devíamos ter aprendido, em vez de prolongarmos o nível de segurança máximo, com todos os meios disponíveis, pelo Outono dentro, até começar a chover a sério e o frio se começar a fazer-se sentir, como o contrato ia só até Setembro, voltamos a falhar.
      Continuo a dizer, que podiam ter morrido na mesma pessoas. Mas face aos riscos de incêndio que se mantêm, qual a razão objectiva para diminuir o nível de segurança e proteção, apenas porque no contrato está garantido só até Setembro?
      Não é possível fazer alterações ao contrato? Fazer um aditamento?
      O berreiro da direita não diminui a responsabilidade do Governo.
      Depois, o José Gabriel, fala numa coisa bem pertinente. As autarquias não cuidam da segurança dos seus munícipes. A maioria das vezes por negligência, mas também por receio de retaliação dos mesmos, “que não querem cortar o pinheiro na berma da estrada”, ou dizem não ter dinheiro para limpar os terrenos, mesmo que sejam só aqueles que estão encostados às habitações ou no perímetro de segurança das povoações. Quem elege os autarcas não são os Lisboetas, os Portuenses ou Conimbricenses. É o velho pastor, aldeão, ou o emigrante reformado regressado à aldeia.

  2. Luís Lavoura says:

    E o problema nem é somente o fogo de artifício. É também o autorizar a urbanização de zonas imediatamente contíguas a áreas florestais, sem acautelar que o proprietário que urbaniza seja dono de terrenos que possam proteger a urbanização. É também o permitir que pessoas idosas e sem recursos continuem a viver ao pé das suas hortinhas, em lugarzinhos no meio da serra, sem qualquer limpeza das matas circundantes.

  3. joão lopes says:

    é tambem o terem acabado com guardas florestais,sapadores florestais,patrulhamento pela gnr,o estado ter deixado que muitos privados tivessem plantado eucaliptos em tudo quanto é sitio,o proprio desleixo tipico do cidadão portugues que faz o petisco e literalmente não limpa(ver estado das praias por exemplo), o proprio estado que se demitiu no pinhal da leiria,deixado durante anos ao abandono(sim,isto aconteceu no tempo do Passos/troika)…e tudo aconteceu devido à austeridade para alem da troika,total responsabilidade do passos/portas,que foi imposta as autarquias

  4. JgMenos says:

    Estado falhado é aquele que incumpre deveres fundamentais para acudir às revindicações de todo o cão e gato, desde que suficientemente barulhentas e mediatizadas.
    Estado corrupto é aquele que afunda as críticas pelo incumprimento dos seus deveres fundamentais no lodo do ‘aproveitamento político’, subproduto da fossa da luta político-partidária.
    Estado de merda é aquele que se rege pelo calendário para definir os perigos de incêndio, e contra toda a evidência desativa os meios de defesa num pico de ameaça.

    • A.Silva says:

      Gente falhada, corrupta e de merda, é aquela que JgMenos bem representa.

    • José Peralta says:

      Ó “menos” !

      Acabas de fazer a “biografia” de 4 anos e meio pafiosos e destruidores !

      Sim, destruidores de património, destruidores de pilares fundamentais de um Estado democrático, destruidores da classe média, destruidores de um País ! Um Estado falhado que incumpriu com os deveres fundamentais para com os seus cidadãos, tendo como bandeira UMA MONSTRUOSA MENTIRA e como “conceito de País” um emblema de lapela ! O trump, não faria melhor…

      É a isto que, na tua sanha raivosa e incontinente definiste como Estado falhado !

      E estás tão cego ou vesgo, que nem te deste conta de estares a ver-te ao espelho…

      Tens toda a razão, ó “menos” ! De Estado falhado, sabes tu ! Conhece-lo como as tuas próprias mãos…

      Faz como o teu partido já está a fazer ! A “aparelhar os camelos” chamem-se eles santanas ou rios, para a longa travessia do deserto…

      Boa viagem !

      • joão lopes says:

        o estado(falhado ou não) podia simplesmente suspender a venda de madeira durante algumas semanas,e facilmente se percebia donde tudo isto vem.ou seja,os primeiros a queixarem-se(madeireiros,celuloses,etc) seriam os primeiros a serem investigados.ou seja,seguir o rasto do dinheiro/lucros astronomicos.

      • JgMenos says:

        Ó Peralta, que comentário tão falhado!
        Vê lá se montas melhor defesa da geringonça, e já agora sem aproveitamento das minhas muito rigorosas definições, a que não atribuí limites temporais mas, para esperneares dessa maneira, bem soubeste colocar no presente .

  5. Nefertiti says:

    Estive a ver e não percebo o ponto em que tentaram que afirmasse que Portugal era um “Estado Falhado”. Nunca em nenhum instante os ouvi falar em Estado Falhado.

  6. “Mas quem autorizou o fogo de artifício dos srs. padres não deve ter sido nenhum ministro”.
    Quem organiza as festas não são os srs padres, mas comissões de festas das aldeias.
    Os padres são chamados a realizar as cerimónias religiosas quando isso é da vontade das comissões de festas.
    Quem pede a licença para os foguetórios não são os padres.
    Fica a estirada jacobina…
    Sou desde há muito contra os foguetórios sem avaliação das condições da segurança por quem percebe de segurança.

  7. Luís says:

    Passei ontem pela SIC e ouvi o M.S. Tavares a falar de incêndios e dizer que Portugal era um estado falhado como a Síria e o Iraque.
    Este tipo está ao nível daqueles que acendem um isqueiro, olham para a chama, e já sabem tudo sobre incêndios.
    Pelo raciocínio deste fulano a Austrália é um estado falhado pois esteve a arder, em tempos próximos, durante meses seguidos.
    A Califórnia, para quem não sabe é um estado do estado falhado dos USA, anda a arder ciclicamente todos os anos e, as suas vinhas, que o tornam o 4º produtor mundial de vinho, já arderam em 80%.
    Isto não desculpa o governo e o CDS e PSD das largas culpas que têm no cartório, o que me leva a ficar varado com a indignação das ex-Ministra Cristas do PAF.

    Mas ontem, “en passant” pelas SICs, não pude deixar de notar a agressividade excessiva e bem afinada dos “pivots” em relação a tudo o que é culpa do governo em relação aos incêndios.
    Fez-me lembrar o coro unânime dos jornalistas/comentaristas do “GES não é o BES”.
    O BES acabou por cair…

    • joao lopes says:

      não demitiram o trump? isto é,os jornalistas da sic e expresso não demitiram o homem? melhor ainda:o proprio expresso não quer governar Portugal(já que sabem tudo sobre tudo,não é?)?

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