Texto politicamente incorrecto

Na SICn o tema da noite é a “falha do Estado”. O que é curioso é que esta gentinha confunde Estado com Governo de um modo que está longe de ser inocente. Chegaram ao ponto de tentar que Pacheco Pereira afirmasse que Portugal era um “Estado falhado”! Claro que o sr. José – dotado de mais neurónios que o par de entrevistadores juntos – não foi na conversa e deu-lhes uma palmada no ego. Mas o tema atravessa a noite. Os convidados especiais estão, na sua maioria, na onda. O presidente da Câmara de Viseu bradava contra a falha do Estado, como se o Estado fosse uma entidade longínqua e com a qual ele próprio nada tivesse. Tem! Ele é Estado também e tem obrigações. Ele e todos os autarcas. E, por muito que isso seja doloroso, é bom que alguém, tarde ou cedo, dê um murro na mesa e pergunte pelas responsabilidades dos que, nas suas terras, têm obrigações a que muitos se furtam sistematicamente para não perder a popularidade e os votos. Essas obrigações estão claras na lei e são, em tantos lugares, sistematicamente incumpridas por acção ou omissão. Elas são descritas no famoso relatório da comissão independente, mas não se fala nelas para que não se pense que se está a culpar as vítimas de que alguns autarcas se fazem lídimos representantes, tentando esconder a sua parte da responsabilidade. Compreendo, mas não aceito. Como compreendo o embaraço dos partidos e governantes em tocarem neste assunto. Por isso aqui deixo esta palavra. Por ela só eu respondo. Sim, os governantes têm mais responsabilidade – eu não digo culpa – do que afirmam os seus representantes. Mas quem autorizou o fogo de artifício dos srs. padres não deve ter sido nenhum ministro. Para citar um micro-exemplo…

Educação, municipalização, privatização, corrupção

A municipalização da educação é mais um meio utilizado por este governo, num processo iniciado anteriormente, para desresponsabilizar o Estado numa área estratégica em que deveria ter um peso muito forte, livre das pressões do lucro ou das ingerências dos caciques autárquicos.

Durante muitos anos, os senhores do mundo têm andado a propagar a ideia de que tudo o que é estatal é mau e inimigo da liberdade individual e, sobretudo, da liberdade dos mercados, essa entidade sumamente boa e sem mácula que, deixada em paz, trará, imagine-se!, os amanhãs que cantam, quando, na realidade, a busca descontrolada do lucro é mais de meio caminho andado para o desrespeito pelos direitos individuais e pelo bem comum.

Num país em que os autarcas condenados por corrupção são incensados e os professores são, também por culpa própria, constantemente vilipendiados, a municipalização da educação é uma realidade cada vez mais próxima, mesmo que se saiba que isso implicará mais uma machadada na autonomia das escolas, expressão esvaziada por ser tão repetida e nada praticada. [Read more…]

Autarkēs

epicuro

Reina alguma confusão – e desinformação – nos argumentos aduzidos em defesa da lei que pretende eximir os autarcas de responsabilidades financeiras reintegratórias que hoje lhes cabem e que deixarão de caber, no caso de serem possuidores de um parecer favorável à decisão ou omissão que tenha suscitado a responsabilidade, parecer esse que é produzido, como se sabe, por serviços técnico-jurídicos sob dependência hierárquica do próprio autarca.

Um dos argumentos usados em defesa da nova lei, refere a necessidade de equiparar os autarcas aos restantes titulares de cargos políticos, designadamente aos membros do Governo.

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A partir de uma certa idade, as pessoas ficam muito teimosas.

Autarca proíbe pessoas de morrer

A Fodinha

Trás-os-Montes – e nota-se mais desde que nos amarrámos à grande teta europeia – tem vindo a distanciar-se do resto de Portugal; cada vez mais longe (porque não mais perto, logo mais longe), cada vez mais sós, cada vez mais virados a Nascente (como pressagiou Cavaco, o Grande), cada vez com pior Escola e pior Saúde, desemprego e muito emigração sazonal. Os nossos mandantes, “escolhidos” a dedo pelos eleitores, têm-nos dito que vamos fechar aqui mais um serviço e acolá também mas vamos ter uns helicópteros que até tornam os serviços de saúde melhores e mais rápidos. E o povo – estúpido – diz amém. E os autarcas – pedantes – genuflectem e engolem a benesse.

Passa o tempo e, como sempre, vem uma desculpa qualquer, a crise, não há população, o caralho isto, o caralho aquilo. Já de lá riscaram todo o caminho de ferro, a esperança e a decência. Agora começam os helicópteros a ficar em terra. Transmontanos, não estais já cheios de serdes fodidos por esta gentalha que diz vos representar?

“INEM não enviou o helicóptero de Macedo de Cavaleiros para socorrer  dois acidentes, ontem, em Bragança e Valpaços, por estar inoperacional, devido à falta de médicos.”

O medo voltou!

Carmona Rodrigues foi afastado ou afastou-se no prosseguimento de uma acusação grave.Teria favorecido a empresa Bragarques em 10 milhões de euros na permuta de uns terrenos. O Ministério Público acusou, o Tribunal ao fim de três/quatro minutos de julgamento (na 1ª sessão), considerou inocentes todos os réus. O resultado só poderia ser a absolvição e, por isso, o julgamento seria um “procedimento inútil e como tal proíbido pela lei.” E agora?

Os autarcas do Norte do país face à imposição das SCUT (pagamento de portagens) não conseguiram contratar uma empresa da especialidade para fazer um estudo. Todas têm medo de perder o seu principal cliente. O Estado socialista! É a isto que chegou Portugal! Voltou o medo!

E, claro, daqui a pouco temos o futebol, terça- feira o Papa e, mais logo, uma sessão de fados numa qualquer viela. Recorda-vos algum tempo?

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Dizer mal dos autarcas e depressa

Há um discurso muito anti-autárquico e  alfacinha que veste o autarca de província com uma vontade incontrolável de fazer negócios e destruir o país verde  sossegado que vamos perdendo.

É recorrente, sobretudo quando se fala de regionalização.

E justifica-se, perante notícias como esta:

A Câmara de (…) decidiu ontem pôr à discussão pública a possibilidade de nascerem (…), junto à linha férrea e nas imediações do rio, sete torres de 18 ou 19 andares cada uma. O plano de pormenor em que se insere esta urbanização, que inclui outros prédios mais baixos, foi encomendado pela autarquia ao gabinete de arquitectura (…), que pertenceu até há pouco mais de dois anos ao actual vereador do Urbanismo (…), Manuel (…).

Público

Mais andar menos andar isto pode acontecer onde haja mar ou estuário em Portugal, porque no passado se assumiram compromissos de ocupação elevados, justifica-se o actual Presidente.

Neste caso a Câmara é de Lisboa, o gabinete chama-se Risco e o Manuel é Salgado.

Ah, e os terrenos pertencem “ao grupo Espírito Santo, à EDP e à Gás de Portugal, entre outros”.