Manuel Pinho: a minha humilde homenagem a um trabalhador singular

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No dia em que se celebra o Trabalhador, poucos portugueses serão tão dignos de homenagem como Manuel Pinho. O homem, o académico, o político independente, que se entregou de corpo e alma às funções ministeriais para as quais foi chamado, que desempenhou com mérito e distinção.

Porém, o ex-ministro foi mais do que um político excepcional. Durante o seu mandato, conta-nos a revista Visão, Manuel Pinho não se rendeu ao ócio ou à preguiça, nem nos raros momentos que lhe restavam, depois de toda a azáfama governativa e das coisas do dia-a-dia de um homem normal. Não. Nos tempos mortos, tão mortos que quase não se encontrava registo deles, Manuel Pinho trabalhava para ajudar a desenvolver e a elevar a banca portuguesa. Ministro durante o dia, consultor do BES nas horas vagas. Pela módica pechincha de 14 mil e tal euros mensais. O Ronaldo faz isso em duas horas. E o Capelo Rego está ali no canto a rir-se.

Mas nem só de heranças público-privadas se faz o percurso deste exemplar servidor público. Contra a direita reaccionária e a esquerda radical, Manuel Pinho enfrentou inúmeras batalhas parlamentares, com a força de um poderoso touro enraivecido, não se rendendo ao politicamente correcto. Mesmo quando os tempos mudaram, após o brilhante percurso bancário-ministerial, Manuel Pinho colocou de lado a pieguice e não hesitou em seguir o conselho de Passos Coelho, esse outro grande exemplo de uma vida dedicada ao trabalho e à causa pública, e emigrou.

Lá fora, por mares nunca dantes navegados, levou o nome de Portugal e da EDP até à reputada universidade de Columbia, onde leccionou para plateias de jovens promissores, que tiveram desta forma a oportunidade de participar na partilha do profundo conhecimento académico do professor Pinho, que passou ainda por Yale, Queensland e Renmin, facto que realça o rigor dos critérios de selecção que norteiam as escolhas dos fellows e scholars destas importantes universidades.

Hoje, neste país de ingratos, forças obscuras tentam denegrir o percurso singular e o enorme contributo do professor Pinho para o nosso país, para governação, para a economia nacional, para o conhecimento académico e para as artes performativas. Tal como fizeram com Dias Loureiro, Ricardo Salgado ou José Sócrates. Por isso, neste dia em que homenageamos o Trabalhador, não esqueçamos quem tanto fez por este país. Quem arregaçou as mangas e concretizou coisas.

E não se deixem iludir por fake news: se tudo o que dizem e escrevem sobre o que homens como Manuel Pinho alegadamente fizeram fosse verdade, já estariam todos na cadeia, que Portugal é um Estado de Direito e não um desses estados falhados da América Latina. Portanto, deixem-se lá de lamúrias e invejas e aprendam a reconhecer o talento, a dedicação à causa pública e o esforço de quem trabalha todos os dias por um país e, porque não, por um mundo melhor. Feliz Dia do Trabalhador a todos, apesar de já passar da meia-noite, e um cumprimento muito especial para Dr. Pinho.

Comments

  1. Bento Caeiro says:

    Vou mais além. Vou homenagear a Ínclica Geração – aquela de “homens-bons”, que o 25 de Abril também nos proporcionou.

    “Que de Herói tão ditoso se lograsse
    Portugal, mas os coros soberanos
    Do Céu supremo quis que povoasse.
    Mas, pera defensão dos Lusitanos,
    Deixou Quem o levou, quem governasse
    E aumentasse a terra mais que dantes.”

    Poder-se-ia pensar que o nosso poeta Luís de Camões estaria a falar de D. João e dos seus filhos, mas não, em premonição, estava já a falar de homens como Sócrates, Dias Loureiro, Ricardo Salgado, Bava, Granadeiro, Mexia e do Pinho.

    Que seria, como o João Mendes acima mostra, desta nação, se não tivesse filhos como os que a revolução lhes trouxe. Que seria de todos nós se não tivéssemos homens que, como Zeinal e Granadeiro, tão bem se movimentaram lá pelo Brasil e, com a ajuda do Ricardo e do Sócrates, tão bom trato deram à PT. Assim como o esforço e dedicação ao reino por parte de súbditos como Dias Loureiro e este, agora homenageado, que por tão parcos proventos tanto esforço ao engrandecimento da nação tem dedicado.

    Lamento Salgueiro Maia, mas isto também seria de esperar: quando se abre um casarão, há tanto tempo encerrado e cheio de mofo, entra o ar para arejar, mas também de lá sai todo o tipo de bicharada, mormente ratos e ratazanas.

  2. .?.?. says:

    Nem sei o que têm contra a “INICIATIVA PRIVADA.”

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