António Arnaut: in memoriam

Sobre as qualidades pessoais de António Arnaut muitos têm falado, mesmo aqueles que, no fundo, no fundo, não apreciavam o político, gostando ou não do homem, se é que é possível distinguir aquilo que somos daquilo que fazemos ou que fizemos.

António Arnaut está ligado (indissoluvelmente, claro) à criação do Serviço Nacional de Saúde. Se aquele é pai deste, o avô será o 25 de Abril, esse dia aparentado com o Robin dos Bosques, não tanto contra os ricos, mas a favor dos pobres. É verdade que as democracias nem sempre acertam, mas as ditaduras nunca falham. Por isso, antes um Serviço Nacional de Saúde com deficiências a um abandono dos desfavorecidos à sua sorte, ou seja, ao seu azar.

O caminho em direcção à memória que aponto no título serve para que não nos esqueçamos de que houve, na altura, muitos deputados que votaram contra a criação do Serviço Nacional de Saúde. Desde então, esses partidos, a que o PS se foi aliando, têm prosseguido um trabalho de destruição coerente com o voto inicial, como, aliás, continuam a destruir tudo o que possa cheirar a Estado Social (Pedro Mota Soares, então ministro – sem rir, agora – da Solidariedade Social, chegou a criticar as famílias – famílias! –  que recebiam cerca de 950 € de ajudas do Estado).  Essa destruição passa, até, pela substituição de palavras, como demonstrou o Bruno Santos.

Se, neste momento, lamentamos o falecimento do pai do SNS, a verdade é que há muita gente a querer matar o filho, o que é, também, uma traição ao país, ou seja, aos cidadãos.

Comments

  1. É uma seca. says:

    e com os votos contra do PSD, do CDS e dos deputados independentes sociais democratas.

    Nem sei que “nomes” hei-de chamar a estes “senhores”.
    E ainda há gente que vota nestes nojos!

  2. alexandre barreira says:

    …..a “maltinha”….é de memória…..curta……!!!!


  3. A melhor homenagem que lhe pode ser feita!
    Alertar e dar a conhecer aos mais novos, que há sempre lobos
    interessados em vestir a pele de cordeiro!

  4. ZE LOPES says:

    Salvo erro,esta votação já foi no governo Pintassilgo. O SNS já existia na prática por via de uma Portaria do António Arnaut, ainda no governo PS-CDS, que estendia a todos a possibilidade de aceder aos “postos médicos” das Caixas de Previdência.

    Lembro-me do triste papel da Direita e da Ordem dos Médicos que dominava! A sua tática consistiu em propalar que a esquerda queria estatizar a medicina, afastando o paciente do”seu” médico. Fazendo de conta que não sabiam que a maior parte da população não tinha acesso a médico, a não ser porque pagava, muitas vezes com enorme sacrifício, ou por favor (conheci vários médicos que os faziam aos pobres. Alguns até lhes pagavam os medicamentos!).

    Depois veio aquela arruaceirada da AD e tentou acabar com aquilo tudo. O dr. Balsemão devia ser condecorado pela bela tentativa de acabar com o SNS, de preferência no próximo dia 28 de maio, ou então a 3 de agosto. Valeu o Tribunal Constitucional, na altura recentemente instalado, em 1984, que deu uma machadada na tentativa.

    Mas nunca desistiram. Pelo menos de fazer do SNS um negócio para privados encostados ao Estado.


  5. … divulgar, divulgar é preciso, AVISAR a malta !!!

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