[Rui Elias Maltez]
Desde há uma semana a ser feito com recurso às Automotoras 2240, não as adaptadas para o serviço da Covilhã, mas usando as vulgares automotoras para IR ou Regionais, leia-se suburbanos, que foi para isso que foram construídas em 1977, talvez comprometendo a capacidade do serviço regional de Tomar.
Existem hoje muitas causas possíveis para esta situação, como a falta de locomotivas, falta de carruagens, indisponibilidade da EMEF para libertar o material em intervenção mais cedo, também por falta de recursos humanos nesta empresa.
Um destes factores, ou a acumulação de todos , e o desastre acontece. Mais um desastre decorrente dos poucos recursos materiais de uma empresa que o Estado está a condenar a uma lenta e dolorosa morte, e que não permite à CP ganhar com uma publicidade agressiva e eficaz aos seus serviços e com bons resultados.
A tragédia de uma empresa pública de transporte ferroviário de passageiros que quer vender os seus serviços, angariar clientes através das suas políticas de marketing eficaz e, que no fim, não tem meios para responder à crescente procura.
Uma tragédia portuguesa.
Fotografia de Andrew Donnely, Oriente, 15 de Junho de 2018.
…”uma empresa que o Estado está a condenar a uma lenta e dolorosa morte….
A tragédia de uma empresa pública de transporte ferroviário de passageiros que quer vender os seus serviços, angariar clientes através das suas políticas de marketing eficaz e, que no fim, não tem meios para responder à crescente procura.
Uma tragédia portuguesa. ”
Pois que é tamanha e trágica sim essa verdade que afirma, Rui Maltez, e não só neste caso, em que o desinvestimento dos sucessivos governos na via ferroviária é uma realidade feita de incompetências e interesses lobistas (recorde-se o caso do ramal da Lousã ! ) e é revoltante .
Veja-se e compare-se com o que se passa em Espanha…aqui tão perto !
São as que ainda andam. Se fosse hoje, já não havia renovação, ficavam a enferrujar também.
Avé Scharze Null.
A procura é crescente? Tem dados para sustentar esta afirmação?
É público: a CP deixou de ter capacidade de responder à procura crescente, sobretudo nos serviços de longo curso (como é o caso do IC) e no serviço regional do Douro. Aliás, neste momento, nenhum operador de cruzeiros fluviais no Douro tem serviços contratados com a CP porque a empresa não tem comboios para responder aos pedidos. Os que lá andam são alugados a Espanha, são poucos, sujos e ruidosos.
No caso do Oeste, e diariamente, metade dos comboios ou já não circula ou são efectuados por autocarros. O mesmo acontece com as ligação a este serviço IC de Évora entre Casa Branca e Beja: vai um autocarro.
O tráfego de passageiros da CP tem vindo a crescer mas está ainda 30%… abaixo dos números dos anos 80.