O irrevogável Sérgio Moro

Fotografia: Patrícia de Melo Moreira/AFP@O Globo

Em Junho de 2017, o juiz Sérgio Moro, próximo Ministro da Justiça do Brasil, deu uma entrevista ao Expresso:

Que vai fazer quando acabar a ‘Operação Lava-Jato’?
Satisfaço-me com pouco. Continuarei a trabalhar como magistrado. Não comecei com este caso, já tive outros processos relevantes e a vida de magistrado me dá satisfação profissional. Não preciso de estar na ribalta.

Mantém que não vai entrar para a política?
Sim, já repeti várias vezes. Não existe nenhuma possibilidade.

Nunca diga nunca é o ditado.
Não tenho nada contra a política, é uma profissão nobre e não nos devemos desiludir por eventuais agentes não honrarem esta atividade. Mas não tenho perfil profissional. Fiz outra escolha de vida.

Há coisas irrevogáveis, não há?

Comments

  1. Carlos Almeida says:

    Ser Ministro fazia parte do pagamento da avença,

    • JgMenos says:

      Explica lá isso,m treteiro.

      • Paulo Marques says:

        O cargo provavelmente já estaria prometido em troca da condenação. Bem, eu pessoalmente não acredito, mas nada me diz que não é verdade.

        • Carlos Almeida says:

          Mas eu sou sobre este assunto como o outro chaparro que dizia que não tinha duvidas e raramente se enganava. O Juioz Moro para o Governo foi contrapartida, sim.

          E isso está a ficar mais claro de dia para dia, mesmo quando os defensores do governo de extrema direita vêm aqui minimizar o papel do Juis Moro na condenação do Lula.
          Concerteza que tudo o que o Sr Dr Moro fez, para garantir o controlo absoluto da situação processo do Lula, foi dentro da lei. Mas vir agora para um governo que beneficiou do facto do maior concorrente ter sido colocado “offside, pode não ser a melhor coisa para a extrema direita.
          Se os votantes de primeira linha iriam votar sempre no Bolsonaro outra vez, haverá muita gente que votou nele e que vai começar a pensar e ter duvidas sobre a isenção de um Juiz que condena o principal concorrente do Presidente eleito para depois entrar para o governo, quando dizia que não iria para a politica.

          De certa maneira, O Juiz Moro no Governo, foi um favor que fez ao Lula e ao PT. Mas as ambições politicas do Juiz Moro falaram mais alto. Mas aguardemos.
          Para mim, não há fumo sem fogo.

      • ZE LOPES says:

        Parece que a desconfinça, lá na Igreja da Coelha é fortemente seletiva. JgMenos é um homem de fé, mas só em santos selecionados. São Moro é um deles. O primeiro santo a aceitar um lugar de ministro! Um “case study” para teólogos, cientistas políticos, agentes funerários,picheleiros e cortadores de carnes verdes.

  2. Fernando Antunes says:

    Quando daqui a 50 anos se escrever a história do Brasil, este será um dos momentos marcantes — Lula impedido de participar numas eleições que todas as sondagens indicavam que ganharia, com todos os atropelos possíveis e imagináveis num Estado de Direito “democrático” (sim, com aspas). Basta apenas dizer que Sérgio Moro foi o juiz que fez a investigação, que fez a instrução e que deduziu a acusação — e foi o mesmo juiz e o único que o condenou em 1a instância. Como é que isto é possível?!!!! Numa verdadeira democracia, não seria possível certamente.

    E culmina a pornografia que é a política brasileira neste momento (ou não fizesse Alexandre Frota também parte da entourage de Bolsonaro), com a nomeação de Moro para ministro — talvez para cumprir a promessa eleitoral de Bolsonaro de prender toda a “petralhada” (sic).

  3. Manuel Silva says:

    Confere:
    Normalmente os políticos dizem uma coisa e fazem outra.
    Mas até agora eram so os corruptos dos partidos do sistema.
    Agora vemos que o mesmo se passa com os «puros».
    E ainda agora a procissão vai no adro.
    Quando o novelo dos interesses económico-financeiros se começar a desfiar, outras surpresas? aparecerão.


  4. A gratidão de Bolsonaro é uma coisa linda… e de como este é o sonho húmido do Juiz Carlos Alexandre, o Brasil de facto não é Portugal…

  5. Rui Naldinho says:

    A minha preocupação com o fenómeno brasileiro é relativa. Custa-me a engolir tanta falta de senso comum, agregada a uma enorme massa humana. Sim, não há 48 milhões de ricos e remediados, no Brasil, nem coisa parecida, por essa razão, só pode ser insensatez. Mas a escolha foi deles. Só me doí os que não queriam, e tiveram que se sujeitar.
    Agora, isto lembra-me vagamente um caso que se passou connosco. E esse já tem a ver comigo e com os meus concidadãos.
    Aquele triunvirato entre Cavaco Silva, Passos Coelho e Joana Marques Vidal, personificado na figura de Carlos Alexandre. O homem que vive tal qual como um JMT, obcecado com José Sócrates. Ou seja, este país só tem dois supostos desonestos, José Sócrates e Armando Vara. Tudo o resto é gente séria.
    Ora, eu também gostava de ver o animal político a bailar num assento de uma cela, caso se prove aquilo de que dele se suspeita, mas antes quero ver o “Horta e Costa dias a fio, a mijar-se pernas abaixo pelos corredores duma penitenciária”.
    Quem diz este, diz mais de metade dos banqueiros, e muito “bom” CEO das empresas falidas que nos levaram à ruína.
    Quando isso acontecer, eu passo a acreditar na nossa Justiça.
    Já aqui escrevi e repito. Nós também temos os nossos Bolsonarinhos e os nossos Sérgio Moros. O azar deles é não sermos brasileiros.

  6. Fernando Manuel Rodrigues says:

    O que há de verdadeiramente irrevogável aqui é a eleição de Bolsonar, por muita azia que isso traga a muia gente. Sérgio Moro aceitou a pasta de Ministro da Justiça (o que deixa muita a gente a tremer… compreende-se). Lula vai continuar preso. E ao idiota que escreveu que “Sérgio Moro foi o juiz que fez a investigação (juízes são investigadores?), que fez a instrução e que deduziu a acusação — e foi o mesmo juiz e o único que o condenou em 1a instância” só lhe pergunto: Sabe qual foi a pena em 1ª Instância? E sabe qual foi a pena que foi aplicada a Lula em 1ª Instância (já não por Moro?). Deixo aqui o link para que confiram (para que percebam que não andamos todos a dormir: https://g1.globo.com/politica/noticia/julgamento-recurso-de-lula-no-trf-4-decisao-desembargadores-da-8-turma.ghtml

    Mas Olavo de Carvalho veio a público declarar que não aceitará a pasta de Ministro da Educação que alegadamente lhe queriam oferecer. E explicou porquê neste vídeo. Vejam, a talvez assim percebam o estado a que chegou o Brasil, e o porquê de Bolsonar ter ganho estas eleições. O diagnóstico é terrível – verdadeiramente de levar as mão à cabeça:

    • Fernando Antunes says:

      Você não contradisse o “idiota”, ao fim e ao cabo. Eu apenas mencionei a primeira instância e isso chega. Em nenhum país do mundo, salvo 3.º mundo ou ditaduras, pode o juiz que deduz a acusação ser o mesmo que produz a condenação. É uma charada, não é um processo judicial.

      • Fernando Manuel Rodrigues says:

        Não conheço a lei do Brasil o suficiente para saber se um juiz pode conduzir a instrução e o julgamento. Admito que, se foi o que aconteceu (também não sei), é porque a lei o permite. Logo, se a lei o permite, tudo foi feito dentro da legalidade. Aliás, se não tivesse sido, acho que o Supremo Tribunal Federal teria intervido, como fez noutros casos (vários processos abertos no âmbito da Lava Jato foram retirados a Moro).

        Agora, o senhor disse que ele fez a investigação, e isso desafio-o a comprovar. Tanto quanto sei, a investigação ainda é trabalho que compete à polícia. O trabalho de Moro, quando muito, teria sido o de autorizar as operações policiais, quando estas careciam de autrização judicial. Mas parece que nem isso é verdade:

        “Após a Polícia Federal deflagrar a Operação Lava Jato em março de 2014, o Ministério Público Federal em Curitiba criou uma equipe de procuradores para atuar no caso. A força-tarefa do Ministério Público Federal inicialmente era composta pelos procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando Lima, Roberson Henrique Pozzobon, entre outros.[24] Também são associados à operação um grupo de trabalho atuando junto à Procuradoria-Geral da República em Brasília, criado em janeiro de 2015 para auxiliar na investigação e acusação e dar ajuda ao procurador-geral na análise de processos em tramitação, e uma segunda força-tarefa, instituída em dezembro de 2015 pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal, que trabalha junto ao Superior Tribunal de Justiça.[25] Após quatro anos de operação, o procurador Carlos Fernando Lima anunciou que estaria próximo de sua aposentadoria e deixou a força-tarefa, sendo substituído pelo procurador Felipe D`Elia Camargo.”

        Onde está referenciado Moro?

        Por outro lado, parece insinuar que a Operação Lava Jato se circunscreveu a Lula, no que teria sido uma “perseguição política”. Mais uma MENTIRA. “Até abril de 2014, a operação contava com 46 pessoas indiciadas pelos crimes de formação de organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro”.

        Todas estas informações podem ser conferidas aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato

        Depois insinuou que Lula está preso porque Moro o condenou. NÃO É VERDADE. Lula está preso porque a sentença foi confirmada em 2ª instância POR UNANIMIDADE dos TRÊS juízes, e COM AGRAVAMENTO DA PENA.

        Chama-se a isto Estado de Direito. Admito que lhe doa, mas o Lula foi condenado por CORRUPÇÃO. Está preso e preso vai continuar.

        • Fernando Antunes says:

          Não entendeu, então repito: em nenhum país civilizado, pode o juiz que deduz a acusação ser o mesmo que decide a condenação. Chamar-me de idiota e de mentiroso e escrever em letras maiúsculas não é argumentar; e fala de coisas que eu insinuo ou que deixo de insinuar, como por exemplo “insinuar que a operação Lava Jato se circunscreveu a Lula” — onde é que eu disse isso? Em que parte do que escrevi é que vislumbrou essa insinuação?

          Já agora, a mim não me dói nada, obrigado pela preocupação. A Dilma foi destituída por qual crime?

          Estado de Direito, haha yeah right… “Em nome da memória de Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Roussef”, como tão justamente falou o seu querido Presidente. Estado de Direito é o que a memória de Ustra invoca, realmente.

          O Lula foi condenado por corrupção. Aécio? Temer? Renan Calheiros? Notável não é Lula estar preso, notável é a lista de nomes dos que não estão presos. Uma justiça selectiva pode ser justa? A nomeação do novo Ministro da Justiça já deu a resposta. A justiça enquanto instrumento de tomada de poder, nada mais! O resto é história para boi dormir, como dizem os brasileiros. Bem-vindos a 1964 (ou a 1933, o triste mesmo é que alguns nem se importam com a comparação)…

        • Elvimonte says:

          “The rule of law and the independence of the judiciary are fragile achievements in many countries — and susceptible to sharp reversals.
          (…)
          The trial judge, Sérgio Moro, has demonstrated his own partisanship on numerous occasions. He had to apologize to the Supreme Court in 2016 for releasing wiretapped conversations between Mr. da Silva and President Dilma Rousseff, his lawyer, and his wife and children. Judge Moro arranged a spectacle for the press in which the police showed up at Mr. da Silva’s home and took him away for questioning — even though Mr. da Silva had said he would report voluntarily for questioning.

          “The evidence against Mr. da Silva is far below the standards that would be taken seriously in, for example, the United States’ judicial system.

          He is accused of having accepted a bribe from a big construction company, called OAS, which was prosecuted in Brazil’s “Carwash” corruption scheme. That multibillion-dollar scandal involved companies paying large bribes to officials of the state-owned oil company, Petrobras, to obtain contracts at grossly inflated prices.

          The bribe alleged to have been received by Mr. da Silva is an apartment owned by OAS. But there is no documentary evidence that either Mr. da Silva or his wife ever received title to, rented or even stayed in the apartment, nor that they tried to accept this gift.

          The evidence against Mr. da Silva is based on the testimony of one convicted OAS executive, José Aldemário Pinheiro Filho, who had his prison sentence reduced in exchange for turning state’s evidence. According to reporting by the prominent Brazilian newspaper Folha de São Paulo, Mr. Pinheiro was blocked from plea bargaining when he originally told the same story as Mr. da Silva about the apartment. He also spent about six months in pretrial detention. (This evidence is discussed in the 238-page sentencing document.)”

          ( https://www.nytimes.com/2018/01/23/opinion/brazil-lula-democracy-corruption.html?referer= )

        • JgMenos says:

          Não perca muito tempo com a esquerdalhada.
          Vão destilar verrina por muito tempo e do que seja ser um político só têm uma única noção: ou é esquerdalho ou criminoso.

          • ZE LOPES says:

            JgMenos a dar conselhos a si próprio! Pudera! Está muito só lá na caverna.

            Citando menos, “e do que seja ser um político só têm uma única noção: ou é esquerdalho ou criminoso”. Que absurdo! Quem diz uma coisa destas, para mim, devia ir preso!.

          • João Mendes says:

            Um bom conselho vindo de um atrasado mental que passa o dia aqui enfiado, a perder tempo com a esquerdalhada. Deves ser um desgraçado solitário sem amigos, ó Menos. Nem 3 fachos para jogar sueca arranjas!

          • Paulo Marques says:

            Tendo em conta sobre quem é o post, o João prefere ao contrário, tolerante como é.

          • abaixoapadralhada says:

            O Padreca outra vez a vomitar ?

    • Paulo Marques says:

      Quando o Sérgio Moro, ou o próximo juíz-ministro, prender o Bolsonaro vou-me rir tanto…

  7. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Errata: Quando escrevi: “E sabe qual foi a pena que foi aplicada a Lula em 1ª Instância (já não por Moro?)” queria dizer 2ª Instância, obviamente.

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