De como as greves da IP estranhamente não afectam a Fertagus: Ou como transformar uma greve na IP numa greve na CP

fertagus

maquinistas.org

Segundo a Instrução de Exploração Técnica n.º 6 da IP, Infraestruturas de Portugal (IET 06), a mesa inserida na área suburbana de Lisboa, debaixo do controlo do Supervisor 1, que comanda a circulação entre a Estação de Coina e Pinhal Novo e entre o Barreiro e Pinhal Novo é a mesa 1.3. Debaixo do controlo do mesmo Supervisor 1, está a mesa 1.4 que comanda a circulação de comboios entre o Pinhal Novo (exclusive) e Vale da Rosa. Isto é, tanto os comboios da Fertagus que circulam entre Coina e Setúbal, como os comboios da CP Lisboa que circulam entre Barreiro e Praias do Sado, são controlados exactamente pelas mesmas mesas de operação e respectivos operadores.

ip

No passado dia 31 de Outubro, decorreu durante todo o dia uma acção de greve na IP, Infraestruturas de Portugal, para a qual não foram estabelecidos serviços mínimos além do habitual assegurar que os comboios em marcha à hora de início da greve chegassem a destino e a garantia de abertura de canais de socorro.
No que respeita ao controlo da circulação ferroviária, esta greve deveria, em princípio, se todos os trabalhadores a ela aderissem, afectar negativamente do mesmo modo todos os operadores ferroviários. Nos casos dos postos de trabalho/mesas de supervisão e operação em que existam trabalhadores não aderentes à greve, i.e., que estejam a operar normalmente as respectivas mesas, também se supõe que deveriam afectar do mesmo modo, agora positivamente, todos os operadores ferroviários que efectuem comboios nos troços controlados por esses trabalhadores ao serviço.

No entanto, estranhamente, assim não aconteceu.
Na área de supervisão das mesas citadas acima, e que são comuns aos comboios da Fertagus que passam além de Coina e aos comboios da CP Lisboa que circulam entre Barreiro e Praias do Sado, a Fertagus viu, até às 22h18 do dia 31 de Outubro de 2018 suprimidos 3 comboios num total de 46 circulações previstas (6,5%) enquanto a CP Lisboa, num total de 67 circulações previstas, viu suprimidas 22, i.e., 32,8%.
As supressões dos comboios Fertagus, apenas 7 em 148 circulações previstas em todos os troços em que opera, aconteceram, também estranhamente, apenas às primeiras horas da manhã enquanto os comboios da CP Lisboa foram sendo suprimidos ao longo do dia. A discrepância nos números é enorme e não existem razões técnicas que justifiquem tal disparidade.

Aqui chegados, algumas hipóteses se levantam:

1) houve favorecimento ao operador Fertagus por parte da IP no troço em causa?

2) houve negligência/incompetência por parte do operador CP que não foi capaz de optimizar a sua operação para efectuar o maior número de circulações possível?

3) houve uma mistura das duas hipóteses anteriores?

Obviamente, não temos respostas para dar. As hipóteses que levantamos são meros exercícios académicos. Mas gostaríamos que todos os agentes responsáveis envolvidos nos esclarecessem. Muitos passageiros, particularmente da CP Lisboa, acabaram prejudicados e têm direito a justificações cabais.

É que isto assim nem parece uma greve na IP. Acaba por ser uma greve na CP, contra a vontade dos trabalhadores desta empresa que não decretaram qualquer acção de greve.

Comments

  1. JgMenos says:

    Um putedo!

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