Assim vai o PSD, e Portugal não lhe fica atrás…

É natural que em alturas como esta se recorde uma velha e instrutiva história de Churchil, o velho estadista inglês. Conta-se que certo dia recebeu, na bancada conservadora de Westminster, um jovem deputado do seu partido que tinha acabado de ser eleito pela primeira vez. Virando-se para a bancada oposta, onde se sentam os trabalhistas, o jovem deputado comentou: “é então ali que estão os nossos inimigos”. Churchil, com a sua imensa sabedoria, corrigiu-o de imediato: “ali sentam-se os nossos adversários; os nossos inimigos sentam-se ao nosso lado, nesta mesma bancada”.

Deixei de votar PSD há alguns anos, a última vez que o fiz em 2002, era líder um tal cherne de má memória, que prometeu um choque fiscal, que pressupunha uma significativa baixa de impostos, mas que chegado ao governo, logo tratou de contribuir para a asfixia dos cidadãos e empresas, aumentando a carga fiscal, pela mão da então ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite. Desconfiado face ao histórico, nem o suposto liberalismo de Passos Coelho me seduziu, o tempo acabou por justificar os meus receios, uma coisa foi o discurso, outra a prática, resultando num brutal aumento de impostos. Que apesar de todas as propagadas reposições e reversões, este governo manteve, apesar de aqui ou ali ter satisfeito alguma clientela política, na prática foi sempre tirar ao A para dar ao B, baixar o imposto X para subir o Y, tudo somado, no final a receita não pára de aumentar, porque o Estado precisa se financiar e sai cada vez mais caro ao bolso dos contribuintes, particulares ou empresas, tornando a economia anémica e pouco competitiva, se comparada por exemplo com países da nossa dimensão ou até inferior, como Irlanda ou Holanda.
O meu afastamento do partido laranja não impede que siga com curiosidade a sua vida política, também olho para outros partidos com algum interesse, mas o PSD sempre foi um caso à parte, pelas suas guerras internas. Para não ir mais longe, fico-me no presente milénio, quem não lembra o discurso da má moeda no consulado Santana Lopes? Os sucessivos ataques de Menezes a Marques Mendes? As setas viradas ao contrário de Pacheco Pereira na liderança de Menezes? O afastamento de toda a “ala liberal” por Manuela Ferreira Leite sob a influência do ideólogo da Marmeleira? Que posteriormente perante um mau resultado eleitoral, entregou de bandeja o partido a Miguel Relvas e Passos Coelho? Seria de esperar que o PSD aprendesse alguma coisa com a sua história, mas na verdade os laranjas continuam a proporcionar comédia da boa, praticamente a roçar o non-sense.
Numa disputa interna Rui Rio vence Santana Lopes, convida o rival para a direcção do partido, mas este acaba por sair e fundar um novo partido, para concorrer às eleições. Não subestimem o menino guerreiro, em campanhas eleitorais o homem é fortíssimo e pode bem conseguir fazer eleger um pequeno grupo parlamentas, às custas do PSD. Rui Rio, político de quem os portugueses até têm boa imagem, por ter sido presidente da Câmara do Porto e ter enfrentado Pinto da Costa, homem de rigor ao que dizem, começou por prometer um banho de ética política, arriscando-se a levar uma monumental banhada. Não lhe bastava o caso Feliciano Barreiras Duarte, tem agora um novo com José Silvano. Ficámos a saber que a deputada Emília Cerqueira acedeu ao computador do seu colega no parlamento, que o acesso contabiliza imediatamente uma presença no sistema da A.R., curioso que os restantes partidos não aproveitem este assunto, eles lá saberão porquê, mas não deve andar longe da razão porque também deixaram morrer a questão das ajudas de custo contabilizadas através da distância em kms entre a residência declarada e o parlamento. Mas como a deputada é do Alto Minho, está tudo bem, porque não se pode duvidar das pessoas do Alto Minho, segundo percebi das declarações da deputada.
Certo é que isto foi mais um episódio que nasceu no interior do PSD, o partido que volta e meia revive a noite das facas longas. O grupo parlamentar é próximo de Passos Coelho, mas leal a Luís Montenegro que tacticamente se resguardou para o pós-legislativas 2019, quando Rui Rio no rescaldo da derrota colocar o lugar à disposição. Será então a sua vez de lidar com um grupo parlamentar escolhido por diferente tendência, sim, porque cá se fazem, cá se pagam e o PSD nessa matéria não tem emenda. E cada vez tem menos adesão dos portugueses, pese embora ainda seja o principal partido da oposição em Portugal, porque não mostra ser uma alternativa credível ao actual governo, que com ou sem geringonça, tudo irá depender dos resultados eleitorais, irá continuar na próxima legislatura.
Com várias tendências desunidas no PSD, a cisão de Santana Lopes e previsível eleição de grupo parlamentar, a manutenção do peso eleitoral do CDS, que não parece ser capaz de crescer por aí além, existe a possibilidade de algum dos novos partidos conseguir fazer eleger deputados, mesmo que poucos, o espaço à direita do PS apresenta-se fragmentado, apesar do PS estar cada vez mais à esquerda, percebe-se a razão, pretende travar o crescimento do BE que considera a principal ameaça. Não será em 2019, estas coisas levam tempo e até agora ninguém se chegou à frente, mas a erosão dos partidos tradicionais também em Portugal, levará mais cedo ou mais tarde ao surgimento do populismo. A incógnita reside em saber quando virá e sob qual forma chegará ao rectângulo. Tal como noutras paragens, os partidos e políticos para isso muito terão contribuído.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Piso a mesma tecla.
    Os partidos não são nada sem as pessoas. São as pessoas que lhes dão lugar a existirem ou não.
    A sua análise é clara, mas eu tenho com uma dúvida no que toca ao denominado clima democrático: Que interessa a queda livre do PSD se isso se transforma na subida do PS que deixa tudo mais ou menos na mesma?
    Dito de outra forma, a camada eleitora – tipo tolo no meio da ponte – escolhe ora a frigideira, ora o frigorífico.

    O problema chama-se coragem ou falta dela, se preferir.
    O próprio presidente da república – não foge ao envolvimento embora, pelo menos, justiça seja feita aos seus hábitos que não são machucados por um qualquer Silvano – tem posto a tónica no modo como os jovens vêem os políticos.
    Sim, os jovens, porque os não jovens, é claro, passeiam-se entre PSD e PS para deixarem ficar tudo como dantes. Dá trabalho pensar em soluções (já agora a minha é simples: nunca deixo de votar, mas coloco-os, a todos, no mesmo saco. E não sou nada jovem…).
    E insisto: é preciso dizer aquela corja o que pensamos deles. E dizê-lo votando, mas dizer que o actual espectro partidário é mais que inútil.
    Quando ficarem a falar sozinhos, seguramente que pararão para pensar um pouco.

  2. amiguel says:

    Perfeitamente, clarinho, clarinho, clarinho. Será sempre muito importante discutir, saber, para nos cuidarmos, por que chegámos onde estamos ! conhecer as causas e nunca as olvidar.
    É importantíssimo, para nos acautelarmos, e termos bem presente os culpados do estado a que chegámos com a venda do património do Estado (o que é/era nosso) com a destruição da agricultura, das pescas e das conserveiras, do desvio de fundos europeus para a formação, o caso dos submarinos, da PT, BPN, BES, BCP, BPP, Setenave, Estaleiros, das PPP’s, dos escritórios dos advogados instalados na Assembleia da República, dos Jotas alapados nos partidos, dos favores da banca aos instalados na política, da destruição do Serviço Nacional de Saúde e do desmantelar do do Ensino, do desvio de cerca de 30 biliões de euros para a Banca e a manutenção dos professores, médicos e enfermeiros com salários baixíssimos, a manutenção de benefícios e regalias de muitos políticos no activo e fora do activo como os ex-presidentes, as reformas de muitos políticos que acumulam múltiplas funções, o abandono de muitos idosos, o compadrio e interesses cruzados na Justiça e o desleixo dos juízes, bem como o compadrio, interesses, incompetências em muitas autarquias, a não Reforma do Estado, os inoperantes Organismos do Estado que desviam milhões do SNS, e da Educação, a falta de reforma nas Forças Armadas onde imperam regalias e estruturas anquilosadas e/ou abandonadas, justificação e apontar os culpados do roubo que foi feito a funcionários públicos e a reformados, porque não foram confiscados os bens aos que desviaram fundos e a outros culpados, etc., etc., etc..
    A lista dos desaforos/crimes é muito, muito grande, por isso é fundamental conhecer os culpados, quem são e onde estão, apontá-los, para dificultar que eles se propaguem por via uterina ou não, para que possamos ver uma luz ao fundo do túnel, luz de esperança, para os mais carenciados, para os que mais contribuem para construir Portugal, pelos mais honestos, competentes e solidários, para um Portugal bem melhor.
    Por que chegámos a este estado? Não podemos abrir mão desta magna questão, para moralizar o sistema demasiado corrompido, para bem dos vindouros e para sermos respeitados pelos demais países, por uma verdadeira redistribuição da riqueza.
    Acabaremos, por culpa daqueles, cair nos braços do populismo, do fascismo…….? O que fazer já, agora?

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Para já, já, já, deixar de votar nesta reles classe política.
      E as eleições são já a seguir, pois no próximo ano há um grupo de exercícios eleitorais.
      A outra solução é deixar andar e manter estes crápulas – ou outros – no poder. Aí alguém virá, mais tarde ou mais cedo como aconteceu nos USA, em Itália e ultimamente no Brasil.
      Eu acho que nós ainda temos a resposta.

  3. Paulo Marques says:

    É extraordinário que ache que o grande defeito do PSD seja o aumento de impostos, como se a eurolândia não o mandatasse e, em grande medida, também a UE. Não será, certamente, o contabilista do norte que vai mudar alguma coisa.
    É mirabolante que alguém de esquerda seja a favor de trabalho precário, mal pago e à jorna ou o estado miserabilista dos hospitais, mas estamos nisto, alguém que expresse que não se deve trabalhar para sobreviver é um radical populista. Podia ser que o não encerramento dos estaleiros ou da aoto-europa ensinasse alguma coisa a alguém, mas enfim, ainda tem que piorar muito antes de melhorar.

    • Paulo Marques says:

      E quem diz a UE, diz os tratados que vai fazer assinar os nossos muito responsáveis e respeitáveis representantes… CETA, ISDS e TISA, o mercado “livre” a impor os custos da “liberdade” aos estados, sem os quais não existia (https://www.finance-watch.org/publication/financial-regulation-challenged-by-european-trade-policy/). Tudo, claro, enquanto não só fomenta a fuga liberalizada aos impostos dos “empreendedores”, como até o retorno de impostos que nunca foram pagos pelos “criadores de riqueza” (https://www.socialeurope.eu/europe-lets-take-back-control) .

      Por isso, se quer mesmo redução de impostos sem votar em populistas, boa sorte com isso.

      • António de Almeida says:

        As pessoas querem descer o cada vez mais absurdo nível de impostos. Para tudo, há limites. Os populistas e demagogos sempre existiram, mas a esmagadora maioria dos cidadãos nunca esteve disponível para votar neles. Até que, pasme-se, um dia acordamos com eles eleitos, sem perceber bem como. É o que pode acontecer quando as pessoas são ignoradas… Sim, a carga fiscal cada vez mais pesada, é um grave problema.

        • Paulo Marques says:

          E com a sua mui amada (e dos partidos responsáveis) UE, zona Euro e acordos de comércio, quer fazer isso como? Com muitos asteriscos no orçamento como o seu mui adorado Paul Ryan ( https://www.theatlantic.com/business/archive/2013/03/paul-ryans-57-trillion-magic-trick/274069/ )? A Eurolândia não deixa, lamento. Há certamente de reparar que os intitulados populistas de direita têm como parte significativa da plataforma mandar as contas equilibradas para as urtigas.
          Isso sem entrar em discussão em como a economia realmente funciona sequer.

          • António de Almeida says:

            Irlanda e Holanda dizem-lhe alguma coisa?
            Por outro lado, veja o preço que os portugueses pagam por combustíveis ou IVA, vs IRS e IRC. Para algumas coisas a comparação faz-se com os escandinavos para outras faz-se com quem dá jeito, à boa maneira da chico-espertice tuga.
            A eurolândia tem um lado positivo, não permitir a desvalorização cambial, tão ao jeito dos socialistas, que empobreciam a população sem dar muito nas vistas…

          • Paulo Marques says:

            Sim, aldrabam as contas para roubar ao resto da Eurolândia, até ao dia em que os call centers se mudam para, sei lá, países como Portugal onde o emprego é mais precário e os subsídios fresquinhos.
            Não sei onde está a ver impostos baixos na Escandinávia, a menos que esteja a dizer que são muito menos regressivos, mas isso lá batia com a coisa da esquerda ser perigosa. E mesmo assim, queixam-se e votam na extrema-direita, veja lá a loucura.
            Continuo sem saber que impostos descia sem bater no PEC, ou destruir serviços essenciais.

            Quanto à desvalorização levar à pobreza, isso as pessoas já têm quando não são capazes de ter casa ou meio de transporte.

          • António de Almeida says:

            Não escrevi que os impostos são baixos na Escandinávia. Eventualmente não percebeu, falha minha que não terei sido claro, que quando surgem rankings de tudo e mais alguma coisa, estamos sempre a meio e manipulamos os indicadores ao sabor da conveniência, comparando-nos com quem dá jeito. Para impostos, comparámo-nos aos escandinavos e dizemos que nem estamos assim tão mal. Para serviços como saúde ou educação a comparação vira para outras paragens, mais a Leste. Basta comparar com Espanha para perceber que não estamos assim tão bem. A não harmonização fiscal permite aos Estados concorrerem entre si. O protecionismo é mau, porque limita a liberdade de escolha do cidadão. Temos visões diferentes, eu quero um Estado que saia da minha frente, o Paulo Marques quer um Estado que lhe garanta quase tudo o que é essencial. São filosofias diferentes, que levadas ao limite, eu escolho como vivo, o Paulo entrega a sua vida nas mãos do burocrata…

          • Paulo Marques says:

            Manipular indicadores toda a gente faz, ainda estou à do colapso do Reino Unido logo a seguir ao referendo.
            O António acha que ser livre é poder fazer o que lhe apetecer se um dia ganhar a lotaria, tem o azar de achar que isso é uma escolha. A diferença vi-a bem explica ontem, por acaso, https://www.socialeurope.eu/the-liberal-conception-of-freedom-is-incapable-of-addressing-the-problems-of-contemporary-capitalism

            «An example, fairly extreme but frequent, is the relationship between workers on zero-hour or similar contracts and their employers, who have the discretion to decide how much they will work and earn.
            […]
            In its simplest form, liberal theory – equal rights for all citizens, which guarantee their freedom, which is in turn conceived as absence of interference – has no obvious answer to those problems. For if freedom is non-interference, then it is compatible with both inequality and private domination, at least within certain bounds, as neither directly interferes with people’s individual choices. ndeed, accepting precarious employment is a choice. And as liberals cannot say that Milanović’s four ‘troublesome features’ pose a fundamental challenge to their idea of a good society, their answer is a Ptolemaic one: sets of diverse, if potentially effective remedies such as redistribution, poverty relief, active labour market policies, civic education, and policing fake-news.
            […]
            I am free if I can look others in the eye without reason for fear or deference. People in precarious employment would hardly pass the test, for example: in this domain of their life they are unfree. Those who pass the test in most domains of their life can walk tall in society, conversely, and a good society is one in which all can hold their head high.»

  4. Rui Naldinho says:

    A ideia de que o populismo aparece porque o “país tem uma carga fiscal insuportável”, e daí não fazer crescer a sua economia, insuflando-a de dinheiro, é uma daquelas conversas de café, que em nada corresponde à realidade. Então por essa via, na Islândia, na Suécia ou na Noruega já lá devia estar um Bolsonaro.
    Se recuarmos ao fascismo e às Leis do Condicionamento Industrial, percebemos logo que a mão do Estado deu sempre a oportunidade de se sedimentarem neste retângulo minorca, meia dúzia de grandes grupos, sem que alguém lhes pudesse fazer concorrência, o tal liberalismo, que só serve na medida dos nossos interesses, como foi o caso dos Melos, Chapalimaud, etc.
    Só pelo o facto de estarmos diante de uma guerra colonial, e a visão tacanha de Salazar, com medo de perder os territórios ultramarinos, tal como aconteceu com o Brasil, no tempo da monarquia, mesmo que com um domínio branco, de caráter neo colonialista, condicionou sempre a implantação de empresas com grande capacidade industrial e comercial nessa colónias.
    O Liberalismo só servia na medida dis interesses do Regime. E das empresas do mesmo., diga-se.
    Foi nessa medida que nasceu por necessidade, a primeira versão do chamado Estado Social, ainda que, destinada quase exclusivamente aos servidores do Estado, que até eram muitos. E tinham algumas benesses. Como por exemplo, os funcionários públicos ultramarinos vinham de cinco em cinco anos à metrópole, com viagens pagas na TAP, e podiam acumular 45 dias de férias. Isto só para dar um exemplo.
    Veio o 25 de Abril e o país virou à esquerda. Numa primeira fase foi um regabofe, onde toda a gente era socialista ou social democrata, com o PSD por vezes a ultrapassar o próprio PS pela esquerda. “Liberalismo” passou a ser uma palavra proscrita, mesmo para o PSD. Proibida por lei, pois o Contituição da República apontava outro caminho.
    Entramos para a CEE, depois do Dr. Mário Soares meter o socialismo na gaveta, já com o país cheio de empresas privadas a concorrerem com as empresas públicas anteriormente nacionalizaras. Venha o liberalismo. Foi o caso da banca. Caricato, os primeiros bancos a falir, foram precisamente os privados, BPN e BPP. Coisas do diabo! O Liberalismo por vezes tem destas coisas. Só que a fatura desse liberalismo sem regras, nomeadamente a trafulhice dos banqueiros, a promiscuidade com os políticos, e a falta de uma fiscalização eficaz do BdP, acabou por dar em derrocada. Mas a fatura, pagamos todos nós, os não liberais, presumo. Os outros governaram-se e o dinheiro deve andar nuns quantos off shores.
    Podia continuar a falar depois nas privatizações, com os monopólios e as rendas garantidas por Lei, ou melhor, pela mão do Estado, “tudo fabricado com a cirurgia de um bisturi”, para que nada falhe, até a possibilidade remota de uma reversão obrigar a uma indemnização escomunal, desincentivando qualquer ousadia liberal, ficando este à porta. Mas não vou falar mais nada, porque já me habituei ao liberalismo de pacotilha, comprado e encomendado à medida das necessidades de cada grupo económico, sabem todos eles muito bem, que se não fosse a mão do Estado, hoje éramos uma possessão de um qualquer outro Estado cinco seus vezes maior que o nosso, a começar pela vizinha Espanha ou acabando nos Britânicos, sem esquecer o “boches”.
    O liberalismo em Portugal nunca existiu, nem existirá. Existe sim uma coisa bem diferente chamada amiguismo, ou corrupção, ou tráfico de influências, …
    Talvez por aí, possa um dia aparecer um populista. Por cansaço de tanto trafulha.

    • Paulo Marques says:

      “O liberalismo em Portugal nunca existiu, nem existirá. Existe sim uma coisa bem diferente chamada amiguismo, ou corrupção, ou tráfico de influências, …”

      O liberalismo nunca foi outra coisa e sempre viveu à custa do estado, quer em subsídios, quer em legislação. O resto é propaganda burguesa.

      • António de Almeida says:

        Confunde liberalismo com corporativismo, que de facto existiu oficialmente em Portugal e deixou raízes.

        • Paulo Marques says:

          Sem os estados serem cooptados a aceitar e proteger capital estrangeiro acima de si próprios e da democracia, não havia neoliberalismo. Sem o estado a criar, dar valor legal e proteger mercados especulativos não havia liberalismo. Sem o estado legalizar a criação de rendas de propriedade e ideias, não havia liberalismo.
          Não há liberalismo sem estado.

    • António de Almeida says:

      Caro Rui

      O populismo existe há muito. No entanto cresce quando as condições estão propícias. Quando as pessoas não encontram soluções nos partidos procuram-nas nos que têm a solução para tudo. Da corrupção à carga fiscal, passando pela falta de autoridade e má qualidade dos serviços prestados pelo Estado.

      • ZE LOPES says:

        Eu até diria mais! Um gajo descuida-se, dá um peido e aparece logo um populista! Dá dois e aparece o Ventura. Os brasileiros exageraram na flatulência e apanharam com o Bolsonaro! Quanto aos americanos, o problema é fruto do excesso de “donuts”. Daí o Trump! (que é o som que faz um americano depois de enfiar dois “donuts” e um litro de coca-cola)

        Cá pela Europa, os motivos são mais complexos. Na Hungria foi a perda de qualidade da pornografia que levou o Orban ao poder. Já na Polónia foi a proliferação do pecado da pornografia que impulsionou a Beata. Em ambos os casos uma leizinha eleitoral marota ajudou um bocadinho.

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