Quando a carga fiscal se torna excessiva…

Não escondo que simpatizei com Emmanuel Macron, tendo considerado a sua eleição uma lufada de ar fresco na bafienta U.E., porque derrotou os partidos há muito instalados no sistema e prometia diminuir o peso do Estado na economia, reduzindo impostos. Mas como sempre acontece, perdeu a inocência e acabou sucumbindo às corporações e interesses múltiplos, aumentando os impostos sobre combustíveis.

Para um salário mínimo bruto de 1480 Euros em França, face aos 580 Euros em Portugal, o custo médio do gasóleo e gasolina são muito aproximados, ligeiramente mais elevado o gasóleo em terras gaulesas, já a gasolina é um pouco mais cara em Portugal, mas em ambos os casos com diferenças pouco significativas.
Revoltados com o agravamento fiscal dos combustíveis, os franceses saíram à rua, em protesto. Lamentando obviamente alguns episódios violentos e bloqueios de estrada, que seriam de todo dispensáveis, compreendo as razões do povo, revoltado com mais um esbulho aos seus rendimentos. Num comentário em post anterior, referiu-se um comentador que a carga fiscal não provoca populismos. O assunto agora é França, o país onde Marine Le Pen passou à segunda volta das presidenciais e aguarda há anos pela sua oportunidade. Perante a falência dos partidos da esquerda à direita, resta Macron, se também ele fracassar, os cidadãos fartos irão escolher quem lhe faça promessas e fale ao coração.
Obviamente que existem escolhas a fazer, mas há limites para o suportável, ninguém aguenta ou está disponível para pagar sempre mais. Porque os Estados teimam em não reduzir os gastos e como dizia uma senhora no final do século passado, “não existe dinheiro público, apenas existe o dinheiro do contribuinte…” Apenas em Portugal não se passa nada, os portugueses parecem satisfeitos ou anestesiados.

Comments

  1. ZE LOPES says:

    É comovente a notória simpatia de V. Exa. por “desordens” em que campeia a extrema-direita. Pois, é compreensível! Estão preocupados com a perda de “competitividade” que provocam os aumentos de impostos!

    Em contraste com a catástrofe que foi uma simples greve de um dia na Auroeuropa. Gravíssimo, porque eles ganham bem e não pagam impostos! E são comandados por “comunas” que o que querem é que a fábrica encerre para que o país vá para a miséria e venha a Revolução!

    Como diria o notório “pensateur liberalotte” Français Antoine D’Almeida “Le liberalisme Macronnel é bel, les impôts est que donne cap d’el”

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Fico admirado no que toca à sua ingenuidade – desculpe a frontalidade – no que toca a Macron.
    Macron representa exactamente o que tolhe a sociedade actual – o populismo, uma figura que é endeusada porque, num verdadeiro retorno civilizacional, a homem voltou aos tempos da Roma decadente e final, onde os imperadores eram endeusados, justamente na ânsia promover transformações que permitiriam a uma sociedade corrupta e moralmente destruída ganhar algum fôlego.
    Macron, para a nossa sociedade, é isso mesmo, um populista que só engana quem não conhecer o seu percurso, pois foi um dos braços direitos de Rotchild e politicamente, ocupou cargos nomeado por essa figura inenarrável de nome Sarkozy.
    Macron fez toda uma campanha voltada para o que os franceses gostavam de ouvir, como um qualquer populista faz.
    E os franceses foram na música. Resta-lhes “aparar o peão à unha”.
    Eu penso que esperar transformações vindas de pessoas que sempre beberam no “status”, se terminará numa espera ilimitada, sem futuro.
    Mas toca num ponto fundamental. De facto, não vejo solução para a actual crise, com toda a honestidade. A um Macron suceder-se-á outro Macron, tal como acontece em Portugal.
    Se as pessoas escolhem … pois que escolham pois ao que se diz estamos numa sociedade livre. Não devem é queixar-se depois….

  3. Paulo Marques says:

    Um empregado da Goldman a querer impostos indirectos baixos… lol.
    Ou
    Um eurófilo das contas certas a querer impostos indirectos baixos… lol.

  4. Antonio Medeiros says:

    Belas palavras Sr. Ernesto.

  5. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Anedotário da semana:
    1 – Macron=Lufada de ar fresco (cuidado, não se constipem). O menino querido dos bancos viria refrescar exactamente o quê??
    2 – Diminuir o peso do Estado na economia. Coisa muito boa para beneficiar quem?
    3 – Reduzir impostos! A quem? Aos Cum-Cum?
    4 – Bloqueios de estradas…dispensáveis. Se o povo não protestar, vai fazer o quê???
    5 – Ninguém está disponível para pagar sempre mais! Mas o capitalismo é isso mesmo, ou não? Se o querem, de que se queixam???
    6 – Os Estados teimam em não reduzir os gastos! = Se o fizessem todos viveríamos muito melhor. Boa! Fechem as escolas, os hospitais, as repartições de finanças, os tribunais, os ministérios, as polícias (bolas, a polícia não, que quero defender as minhas propriedades…)

  6. Rui Naldinho says:

    Também simpatizei com Macron, mas só por poucos minutos, quando o vi a “namorar” com a Senhora Brigitte Macron, sua esposa.
    Pensei cá para mim:
    “Boa! Este ao menos não é preconceituoso, e gosta de uma mulher mais velha uns bons anos. É cá dos meus. Quem não teve em miúdo uma paixão pela professora?”
    Contrariamente, os seus antecessores adoravam passear as suas gatinhas de estimação pela passadeira vermelha. Isto quando não fugiam de mota, altas horas da noite, tavestidos de agentes do KGB.
    Só que depois de o ouvir Macron a dar de si, fiquei a saber que o homem nem de História percebe.
    É verdade, sim senhor, a França tem um estado social super pesado, quase todo ele construído com base naquele pressuposto neo colonial, aceitemos os imigrantes porque necessitamos de mão de obra barata. Mas já agora, nós exploramos os recursos naturais e as várias riquezas, até o eco sistema, dos seus países de origem, para fazermos o pleno.
    Foi assim que o Magreb e a África Oriental, até à fronteira de Angola, se tornou num imenso negócio para a França. Sim, eles tiveram o melhor dos dois mundos, enquanto aquilo durou. talvez ainda dure.
    Só que o Mundo mudou: A tecnologia retirou empregos, e os que existem são já para gente bastante qualificada. O tempo do “aperta a rosca”, tende a acabar, e já pouco sobra para quem nas comunidades mais pobres, não ascende a um nível educacional superior. E mesmo esses, é o que se sabe.
    Macron nunca resolverá nada de fundo, como nenhum seu sucessor, enquanto não revisitarem a História. É por isso que em desespero de causa, muita boa gente se agarra aos populismos.
    Eu chama a isso, meterem-se na boca do lobo.

  7. JgMenos says:

    «acabou sucumbindo às corporações e interesses múltiplos, aumentando os impostos sobre combustíveis.»
    «os Estados teimam em não reduzir os gastos »

    Juntando uma coisa à outra pode até ter razão, mas enquanto o populismo se traduzir em que muitos acreditem que roubando aos poucos que têm muito dava muito para todos, as soluções populares e com verdade são nenhumas.

    Macron já foi fazendo alguma coisa para quebrar o corretês da ‘coisa pública’ francesa, mas o caminho é longuíssimo.

    • ZE LOPES says:

      “Macron já foi fazendo alguma coisa para quebrar o corretês da ‘coisa pública’ francesa, mas o caminho é longuíssimo”.

      Nem mais! Acabo de verificar que V. Exa. é amplamente conhecido em França como líder de um grande movimento, centrado na sua ilustre personalidade, nomeado carinhosamente (até no Eliseu!) “Un Con Pour Macron”

    • Paulo Marques says:

      Tem toda a razão, retira-se as rendas aos que têm muito para deixarem de distorcer e quebrarem a economia. Mas não se preocupe que o BCE não fica sem bits para criar mais dinheiro; aliás, não lhe têm faltado para pagar aos coitados que têm muito.

      • JgMenos says:

        Onde há visão estratégica, logo se nota!!!!

        • ZE LOPES says:

          Enquanto não vir em letra de lei a punição exemplar dos defuntos que não pouparam para o funeral V. Liberalota Excelência não descansa! É assim mesmo!

          • ZE LOPES says:

            Acabo de saber que, em Espanha, já lhe fizeram a vontade! Ao que parece o Franco vai diretamente do Vale dos Caídos para a cadeia. A família não quer pagar a exumação e o Governo não está para brincadeiras!

        • Paulo Marques says:

          Só o Bundesbank é que tem direito?

  8. ZE LOPES says:

    “Os Estados teimam em não reduzir os gastos”. Pois! Só espero que V. Exa. não venha a sofrer de um cancro quando, finalmente, lhe fizerem a vontade! Pior que isso: alguém da sua família que não tem culpa de ter um “liberteiro” em casa!

    Já agora: e os “exércitos europeus”, vão ser de borla? Será que bastará gritar “Trump!” e os inimigos morrem? Quanto custa o Regimento de Comandos? Deve ou não ser extinto para que todos os cidadãos liberteiros possam passar “umas feriazinhas”?

    Comme dirait le penseur liberalotte & libertériotte français D’Antoine d’Almeida: “La vie libertaire sans impôts est belle, mais le cancer et le terrorisme est que donne cap d’elle”.

  9. Nascimento says:

    Vai en marche ó meu ” ingénuo”…

    • ZE LOPES says:

      Ou seja, citando mais uma vez o “penseur libertériotte” francês D’Antoine d’Alameidá “le liberalisme Macronnel etait bel, Macron est qui à donné cap d’el”.

      Ou, em versão portuguesa: “La societé liberteriotte portugaise pourrait être aussi bel, mais les portugais semble satisfaits et anéstesiés e se marinbent d’elle”.

      Croiez, vraimment, Mr. Almeidá: être liberteriotte au Portugal en e trés dificile! Beacoup plus que être sportinguiste! Ah! Quel horreur!

      • ZE LOPES says:

        Há aqui uns “erreurs”. Por exemplo, na sétima linha “est”. E também Ah! Afinal é Oh!

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