Os patrulheiros do pensamento voltam à carga…

Não vejo TVI, tal como não vejo SIC ou RTP, à excepção dos noticiários às 20h e mesmo esses não é com regularidade diária, pelo que chego tarde à polémica do momento. Ao que parece um apresentador da TVI, entretido numa guerra de audiências, terá convidado Mário Machado, muito provavelmente na expectativa que este dissesse umas alarvidades. Nada de novo no formato, o que não falta são imbecilidades na televisão portuguesa, particularmente nos canais generalistas.

Desconheço o que possa ter sido dito no citado programa, nem me dei ao trabalho de pesquisar, porque honestamente, estou-me nas tintas para o Goucha, para os rivais que lhe disputam o share e já agora também para Mário Machado e suas ideias. Portugal é um país livre e cada um pode ser parvo se o entender, até porque ao que saiba, a parvoíce é das poucas coisas que ainda não paga imposto. O que já não posso deixar de apontar é a indignação selectiva que chega sempre pelos mesmos, os talibãs do pensamento, ou se preferirem, patrulheiros do pensamento correcto.
Que eu saiba, Mário Machado foi condenado e cumpriu pena, se a mesma deveria ter sido mais gravosa ou não é um assunto para a Justiça, que se quer independente do poder político, pelo que neste momento é um cidadão livre, no pleno gozo dos seus direitos, não devendo por isso ser censurado. No entanto os guardiões do pensamento assistem embevecidos no mesmo género de programas ao desfilar de Otelo, Mortágua ou Isabel do Carmo, entre outros, gente que também esteve a contas com a Justiça, mas que entretanto também as saldou.
Pessoalmente estou-me nas tintas que as televisões entrevistem qualquer personagem, venha de onde vier, não quero, não vejo, felizmente que tenho à disposição centenas de canais e muitas outras opções para preencher o tempo livre. O que detesto e registo uma vez mais ser o que está aqui em causa, é assistir uma vez mais à brigada do politicamente correcto a querer proibir tudo o que não segue a sua cartilha. Desta vez foi o programa do Goucha, noutras é a tourada, não tarda, por umas notícias que fui lendo nos últimos dias a fúria irá atingir o consumo de carne de vaca a propósito de mais umas teorias que por aí circulam. Pela parte que me toca, metam as proibições num certo sítio e vão se lixar, para ser soft nas palavras, mas jamais concordarei com qualquer tipo de censura, proibição ou saneamento, muito menos por parte de quem não tem qualquer autoridade moral para dar lições à sociedade.

Comments

  1. Emanuel says:

    Este é o Mário Machado que matou um “preto” aos chutos na cabeça, matou-o apenas pelo tom de pele e pelo ódio . É o mesmo Mário Machado traficante de armas e drogas que se envolve em rixas nos restaurantes. Se Portugal fosse justo e democrático este senhor já não devia respirar, pelo menos respirar em liberdade…….

    • António de Almeida says:

      Como escrevi, foi condenado e cumpriu pena. Sou dos que defende penas pesadas e prisão perpétua, mas isso é outro assunto. Sobre este senhor, não lhe dou 30 segundos de atenção, mas também não defendo censura sobre ele ou seja quem for…

      • Rui Naldinho says:

        António, há de facto uma diferença entre este Mário Machado e outro tipo de personalidades que se possam considerar-se fascistas, ou associadas à extrema direita.
        Por exemplo, nunca concordei com a desmarcação da palestra que Jaime Nogueira Pinto ia dar na UNova, mais precisamente no ISCSP, em 2017. Jaime Nogueira Pinto é uma personalidade que defende apenas as suas ideias, goste-se ou não delas. Não as impõe, muito menos pela violência.
        Há cerca de trinta anos, Carlos Cruz entrevistou na RTP 2, na altura com fortes índices de audiência, Blas Pinar, líder do partido Fuerza Nueva, deputado no Congresso Espanhol, que se declarava herdeiro do legado de Franco. Assumia-se um defensor da ditadura. Só que nunca defendeu ideias racistas ou homofónicas, mesmo que pudesse no seu íntimo sê-lo. Nunca participou em nenhum crime. Nunca foi acusado, e muito menos condenado. Poderá ter sido criticado, naturalmente, pelas ideias que defendia. Mas isso faz parte do debate democrático. A entrevista passou na Televisão, houve críticas, mas Carlos Cruz defendeu que era necessário conhecer o que pensavam estes homens, sobre a democracia e o Estado de Direito, para podermos distingui-los dos restantes.
        Neste caso concreto, nós estamos perante um homem violento e condenado por tráfico armas. Associado à morte de um indivíduo de cor. MMachado tem um perfil distinto de Blas Pinar e Jaime Nogueira Pinto.
        Mas o mais caricato é a entrevista ser patrocinada por um indivíduo que se queixou por diversas vezes, dos comportamentos homofóbicos de terceiros contra a sua pessoa. Tal como Judite de Sousa, depois de pedir de viva voz, que lhe poupassem a mais sofrimento com a exposição do filho, neste caso eventos e factos a ele associados, ir mais tarde fazer reportagem, no rescaldo dos incêndios, para uma área ainda com cadáveres por retirar.
        Eu a isto chamo sede de protagonismo. Eu a isto chamo não olhar a meios para se atingir os fins a que se propõem. Na minha aldeia dá-se outro nome. Mas eu não lhe digo, por respeito aos cães.

        • António de Almeida says:

          Caro Rui
          O mau gosto do programa, já o sabemos, mas ao que parece é dos que mais rendem nas audiências. Quanto ao apresentador, enfim, as contradições que aponta saltam à vista e não me custa adjectivar este episódio como ridículo.
          Mas proibir é que não, aqui vamos com calma, se o indivíduo foi condenado e cumpriu pena, onde é que fica a reinserção social? Além de nomes que também cumpriram pena por questões políticas que apontei, temos todos os outros ex-condenados pelos mais diversos delitos. Não falta quem aponte que a sociedade estigmatiza ex-reclusos e depois querem estigmatizar um em particular?
          Já em tempos defendi que nenhuma ideia deve ser censurada, ao contrário do comportamento. Dito isto, espero que Mário Machado nunca consiga que as suas ideias sejam levadas à prática, o que só aconteceria se os portugueses as sufragassem. Daí a existir necessidade de calar o indivíduo, vai uma distância enorme, seria até patético considerarmos que temos que silenciar seja quem for, antes que as suas teorias tenham acolhimento no país. Julgo que isso até provoca um efeito contrário. Quanto ao mau gosto das televisões, há pelo menos 25 anos que é sempre a descer…

  2. ZE LOPES says:

    Bem faz V. Exa em patrulhar os patrulheiros do pensamento. Há que notar que, nisto de gangs de escoteiros, há os virtuosos e os malvados! Saúdo V. Exa. como supremo guia dos primeiros!

    Temos que levar a luta contra os “patrulheiros” às últimas consequências! Para a próxima o Goucha pode levar o “califa” do Daesh, para equilibrar!

    Aproveito ainda para saudar o fim da greve na Autoeuropa! Comandados pelos comunistas, os trabalhadores resolveram passar o Natal e fim-de-ano sem fazer nada! Oito (oito!) dias de greve que quase colapsaram a empresa! Não admira que os alemães só estejam a entreter a malta deixando-lhes apertar uns parafusos enquanto empacotam as linhas de montagem para, disfarçadamente, as enviarem para as Filipinas onde um presidente fortemente liberal mete os operários na ordem!

    E o resultado? T-Rocs em Manila agora é mato!


  3. Impressionante como concordo com tudo e estou na mesma situação. Só ontem no Twitter e à noite a ver o Goucha a justificar-se na TV é que me apercebi do “problema”. As pessoas que falem o que quiserem. E mais vale falarem em jeito de contraditório e num ambiente controlado. Seria pior se tivesse um canal da youtube em que aí sim diria o que queria e corríamos o risco de pessoas que não estão preparadas para perceber o que é certo ou errado começarem a seguir a sua ideologia.

    • António de Almeida says:

      Custa-me acreditar que as pessoas sigam o primeiro alarve que lhes apareça à frente.


      • podem não perceber que é um alarve…

        • António de Almeida says:

          Serão sempre poucos, uma minoria. Preocupa-me sim que um dia, os eleitores considerem razoável ou menos má essa minoria porque todos os outros, os razoáveis e moderados, desiludiram, por exemplo descobrirmos um dia que governo e oposição é tudo igual, permeável à corrupção. Então sim, receiem estes fenómenos e não vai ser o programa do Goucha que lhes deu o palco…


      • “Custa-me acreditar que as pessoas sigam o primeiro alarve que lhes apareça à frente.”

        Não é propriamente inédito. Hitler não tomou o poder pela força, foi eleito.

        • António de Almeida says:

          Óbvio, mas existia um contexto, que favorecia à época a proliferação de ditaduras…


          • E o contexto politico da nossa época é muito diferente do dos anos 30?
            Olhando para o resto do mundo e confrontando-nos com a eleição de figuras como o Duerte ou o Bolsonaro (só para dar uns exemplos) não me surpreenderia que Hitler tivesse de novo uma vitoria eleitoral.

          • António de Almeida says:

            Bolsonaro anda por aí há décadas, mas só agora conseguiu uma eleição, mantendo o discurso. Para que isso possa ter acontecido, foi necessário que os eleitores tenham ficado fartos do governo e também da alternativa, porque consideraram tudo farinha do mesmo saco… sobre Duterte não sei dizer muito, outra cultura, onde alguns pela Páscoa até se deixam crucificar, tenho dificuldade de comentar o que desconheço. Mas sim, estamos completamente fora da realidade dos anos 30, não compare fake news ou redes sociais com polícias políticas ou censura…

  4. Carlos Vila Verde says:

    Excelente artigo do António Almeida, com o qual concordo plenamente.
    Lembro-me do Arnaldo Matos, do MRPP, no programa “Governo Sombra” fazer a apologia do extremismo esquerdista e, no entanto, ninguém se indignou.

    • António de Almeida says:

      Insuspeito de concordar com Arnaldo Matos, até vi o programa e gostei. Em primeiro lugar porque Arnaldo Matos é, goste-se ou não, um figurão. Querer proibir é também catalogar os espectadores de fracos de espírito, coitadinhos, uns tolos fracos de espírito, prontos a seguir quem lhes aparecer à frente debitando alarvidades. Ao ponto de precisarem que alguém, uma vez mais o Estado os venha salvar…

      • Carlos Vila Verde says:

        Com que então o Arnaldo Matos é um figurão???
        E o Mário Machado não é?
        Qual é o critério para se ser, ou não um figurão??

        • António de Almeida says:

          O critério será obviamente o de cada um, dito isto Arnaldo Matos a meu ver tem piada, mas não o levo a sério, como político fica tudo dito, também já não mobiliza nem representa qualquer ameaça…

    • Carlos Vila Verde says:

      E mais: Arnaldo Matos chamou monhe ao primeiro ministro, numa clara demonstração de racismo, e ninguém se indignou.
      O que seria se fosse o Mário Machado a chamar monhe ao primeiro ministro?

  5. Fernando says:

    Nesta posta António de Almeida expõe (sem se dar conta), mais uma vez, como a sua ideologia fundamentalista talibã de mercado não é aquilo que ele e outros defendem!

    Então as TVs estão nunca guerra pelas audiências e pilim da publicidade!? E essa guerra em vez de gerar conteúdos com cada vez mais qualidade, está a fazer exactamente o oposto!?!?
    Quem diria…

    • António de Almeida says:

      As televisões generalistas estão numa guerra de audiências, o voyeurismo existe na sociedade, quer isso dizer que o Estado deve intervir? Nem pensar, cada um consuma o que entender… eu não gosto, logo não vejo estes programas, daí a proibir vai uma distância enorme. E sim, o mercado produz qualidade ao mesmo tempo que produz lixo, mas quero continuar a ser eu quem decide o que vejo, longe vão os abomináveis tempos que não tínhamos escolha, com 2 canais que não emitiam durante as 24 horas e volta e meia ainda nos brindavam com uma execrável mira técnica. Graças à concorrência o panorama melhorou e muito…

      • Fernando says:

        Os canais generalistas de sinal aberto são hoje melhores que há 20 anos?

        Não é a minha opinião, a minha opinião é que houve uma degradação de conteúdos, e na liderança de degradação de conteúdos está o canal privado TVI.

        A SIC tenta competir com a TVI e o resultado é a degradação da sua programação, mais grave é o caso da RTP1 que, supostamente, devia ser mais responsável e resistir à tentação de criar conteúdos de menor qualidade ou baixa criatividade para competir com os outros 2 canais privados.

        O António de Almeida tem, obviamente, o direito a achar que houve uma melhoria mas não é isso que transparece no seu comentário lá em cima…

        E mais quantidade não garante mais qualidade.
        “Vejam! Tenho a liberdade de escolher entre 100 bostas, continuam a ser bostas, todas elas!”

  6. ZE LOPES says:

    Cá p’ra mim o Mário Machado ainda vai acabar a criar galinhas no “Big Brother”. Ou a contracenar com dois “Hells Angels” na Casa dos Segredos. Só pode!

    • ZE LOPES says:

      Aliás, iria jurar que o vi hoje de colete amarelo a lutar por uma sociedade libertária, contra o sufoco do Estado e os impostos.

  7. António de Almeida says:

    O António de Almeida tem, obviamente, o direito a achar que houve uma melhoria mas não é isso que transparece no seu comentário lá em cima…

    Referia-me obviamente ao fornecimento do serviço televisão, agora disponível durante 24 horas por todos os canais. Quanto a conteúdos, existem excelentes programas nos canais temáticos.

  8. Jovem Sexagenário says:

    os alpeidas, ze lopes, myown:cp e outros cobardolas que não conseguem assumir que são iguais aos machados é que é pena não serem pretos e terem o nome de alcides que só enriquecia a democracia não andarem por cá. o goucha já saiu do armário há muitos anos, está na vossa vez, assumam que tem saudades do padrinho marcelo. democracia é dar o troco na mesma moeda com que nos presenteiam, liberdade para essa gente não quer dizer o mesmo que diz para Otelo, Mortágua ou Isabel do Carmo.

    • ZE LOPES says:

      O seu problema está corretamente diagnosticado: Jovem Sexagenário parece-me que não existe. Assuma V. Exa. que é um velhadas e ficamos assim..

      Até porque, e salvo melhor opinião, o nome Jovem não pode ser aplicado a ninguém decente porque os Registos não deixam.

      Agora Sexagenário, só se for descendente dos Sexagenários de Cascais que ainda são parentes dos Septuagenários de Caneças e dos Octogenários de Guimarães, parentes do Conde de Caria que, por sua vez era parente de uns senhores que se davam muito bem com os Duques de Santa Comba que, por sua vez, eram primos afastados, mas próximos de um tal António de Oliveira Qualquer Coisa Salazar.

      O seu problema é de família. Assuma-se V. Exa!

    • ZE LOPES says:

      E já agora: apesar de Sexagenário ainda vai a tempo de escrever em Português! A quarta classe dos adultos ainda está ao seu alcance! Se precisar de informação pergunte, que eu esclareço!

      • ZE LOPES says:

        A menos que esteja a escrever a caminho de um encontro “motard” com algum “bandido” pelas costas!

  9. Paulo Marques says:

    A muito custo, concordo com o princípio que o António afirma. Contudo… não ficou por aí, como também não fica o tema nem o contexto. Enfim, como não tou para os disparates de comparar a M Mortágua com o Machado ou com o Otelo, vamos ao resto.
    Primeiro, não estou a ver qual é o problema do produto… perdão, os consumidores da TVI queixarem-se que querem que a programação seja outra, até porque o António faz o mesmo em relação à RTP. É que se, a custo, respeito (discordando) quem defende que a constituição não devia proibir discursos fascistas, aqui não há censura do estado, só o mercado, em toda a sua amplitude a funcionar (da qual a sociedade e a cultura fazem parte, por muito que ache que os mercados são livres e racionais).
    A outra questão é que um meio de comunicação social, que tem vários privilégios pelo seu estatuto, tem deixado os seus deveres para trás. É inconcebível que alguém ache que uma entrevista é deixar a outra pessoa dizer o que lhe apetece sem um mínimo de contraditório de verificação de factos. Sei que lhe custa, mas vou citar a Fernanda Câncio:
    «Não sei se Machado e a TVI violaram alguma lei; não sei se faz sentido “resolver” isto com queixas à ERC, alimentando a sua estratégia de vitimização. Não se trata, para mim, de o impedir de ser o nazi e o racista repelente que é e de defender essas “ideias” – direito que lhe reconheço, desde que sem apelar à violência (se bem que ser nazi sem apelar à violência seja difícil); sequer de querer impedir alguém de o entrevistar. Trata-se de tornar claro o que a TVI fez: branqueou uma carreira de duas décadas de crime (no programa de Goucha) para a seguir dar tempo de antena, no SOS24, ao discurso de ódio que enforma essas duas décadas de crimes. Quis dar “respeitabilidade” e “seriedade” a um criminoso cúmplice de assassinos permitindo-lhe intoxicar milhões com as suas mentiras. E tanto que o conseguiu que está tudo, para variar, a falar de “liberdade de expressão”. Parabéns a todos.»

    • António de Almeida says:

      A comparação que fiz foi entre pessoas todas elas condenadas, mas que cumpriram pena. O Mortágua que falei foi o Camilo. Não ligo pevide a Mário Machado, mas se nada houver contra ele após a saída da prisão, não se deve recorrer a factos pelos quais foi julgado, condenado e cumpriu pena. Volto a dizer que não me interessa o que tal personagem possa dizer, só não defendo que o censurem. Quanto ao SOS24, é outro daqueles programas que mudo de canal se por acaso estiver a ver a TVI24, o que por vezes acontece. Lixo para concorrer com a CMTV, não consumo. Verdadeiramente me parece que todo este episódio seja mais que guerra pelas audiências…


  10. …”O Mortágua que falei foi o Camilo. ” !

    correcção que se impunha, sim, A. Almeida,

    ! já que foi gravosamente compreendido por Paulo Marques :

    “… comparar a M Mortágua com o Machado …”

  11. A.Silva says:

    António Almeida a propósito de “liberdade”, o que eu gostava de jogar futebol com a merda da tua cabeça.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.