A Coreia do Norte é uma democracia, Bolsonaro dixit

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A designação oficial da Coreia do Norte é República Popular Democrática da Coreia. Lamentavelmente, tal nomenclatura nunca garantiu grande popularidade, fora ou dentro de portas, com a excepção da pequena cúpula do poder que dirige o regime com mão de ferro. Muito menos se trata de uma democracia. É, aliás, a sua antítese.

Não obstante, segundo a lógica bolsonariana da coisa, lógica essa que parece ter por cá cada vez mais fãs, a Coreia do Norte é agora uma democracia. O que de resto não causa surpresa, ou não fosse Kim Jong-un o novo BFF de Donald Trump, por quem o presidente norte-americano já admitiu estar apaixonado. E se é amigo de Trump, com certeza será também do seu novo pet, Jair Bolsonaro.

A novilíngua que assiste ao neofascismo, em todo o seu palerma esplendor, decidiu reescrever a história para redefinir o Terceiro Reich como um regime socialista, apoiada no mais robusto dos argumentos: o partido de Hitler tinha “socialista” no nome. Chegados ao ponto em que os nomes definem, por si, toda a natureza ideológica de um regime, não há então como negar a natureza democrática do regime norte-coreano. Se está no nome, é porque é. E se até agora não era, deveu-se aos bandalhos dos historiadores e dos cientistas políticos, que durante anos nos andaram a enganar sobre a Alemanha nazi.

Comments

  1. Maria Caeiro says:

    Gostei do seu texto. Mas, reflectindo sobre isto, sinto medo. Medo da propagação destas “narrativas” que moldam a história e os factos, esta novilíngua que se aproveita do alheamento e da ignorância. E do medo.


    • Exactamente como eu estava pensando, Maria Caeiro !

      E exactamente o que está já acontecendo, como lama viscosa que vai invadindo e conquistando espaços, qual baba do monstro predador prestes a acordar,
      a ” novilíngua que assiste ao neofascismo em todo o seu palerma esplendor ” mas real, João Mendes.

  2. Marcelo says:

    O Nacional Socialismo é de direita porque o senhor diz que é?

    • Paulo Marques says:

      Sim, tem toda a razão, é o João que diz, é isso.

    • Carlos Almeida says:

      Com estes iluminados da politica, corríamos ainda o risco de se ele ainda fosse vivo, vir aqui o Inspector Sachetti, colocar um post a explicar muito convicto que o Governo para quem trabalhou não era de direita.
      O mesmo o “botas” propriamente dito a explicar candidamente que a politica dele não era de direita.

      Quem estraga tudo é a múmia de Boliqueime

  3. Ana A. says:

    Rir para não chorar!

  4. JgMenos says:

    Os crimes do nazismo são uma espécie de abono de família dos socialistas, uma vez que serve de suporte a que se pense que dizer-se socialista não quer dizer socialismo.

    Socialista significa prosélito do socialismo, ou seja, fim da propriedade privada dos meios de produção ou, ao estilo nazi e fascista, podes ter propriedade mas fazes o que o Estado mandar, o que vai dar ao mesmo – em vez de um quadro do partido a f* a economia tem um mandatário que provou saber fazer alguma coisa de útil.

    No final tudo dá em totalitarismo, que sem propriedade privada só há um patrão, o que significa que não há liberdade.

    Ao que me dizem, já há decreto que põe a Autoridade Tributária a estabelecer os fundamentos do socialismo, coscuvilhando tudo em seu redor.

    Em conclusão, socialismo só há um, como bem diz quem sabe do assunto.

    • ZE LOPES says:

      Ora aqui está a habitual prédica de fim de semana do Apóstolo Menos na Igreja Universal do Reino da Coelha.

      Trata-se da habitual diatribe contra o totalitarismo anti-propriedade que, desta vez, estende o “socialismo totalitário” aos clientes do eminente contabeleiro salazareiro JgMenos que não gostam de pagar impostos e que confiam na sua habitual manha contabilística para os auxiliar.

      Ao que aprece a famigerada “geringonça” trocou o passo ao contabeleiro e estão, francamente, desorientados.

      Valha-lhes Nossa Senhora das Contas, padroeira dos relapsos fiscais. Ámen e Áopaie!

    • Paulo Marques says:

      Como se a desapropriação fosse coisa que não existe no capitalismo democrático.
      Como se a austeridade fosse coisa diferente.
      Como se destruir o planeta para os outros pagaram fosse algo a incentivar.

  5. Ricardo Almeida says:

    Não é a primeira vez que a direita, extrema ou não, tenta este argumento descabido. Porque quando os argumentos são fraquinhos, quando a inteligência não dá para muito mais, resta tentar mudar as regras do jogo.
    O Messias da Amazónia está a tentar convencer o resto dos jogadores que quem perder o dinheiro todo primeiro é o vencedor do Monopólio.
    Há poucas coisas mais claras hoje em dia que a noção de que Bolsonaro é fascista e nazi. É um facto e não há caracteres no Twitter que cheguem para convencer o mundo do contrário. Até mesmo a inteligência limitada dele já chegou à conclusão que dessa fama nunca se irá livrar. Que resta então? Aparentemente continuar a atirar areia para os olhos das pessoas e rezar (que é talvez a única coisa que Bolsonaro se pode gabar de fazer melhor que ninguém) para que resulte. Infelizmente (para ele) já não estamos em 1830 e a maioria das pessoas sabe ler. Chatice.
    Cá para mim, ele e o resto dos idiotas daquele lado andam chateados com o facto de não conseguirem jogar jogos de computador e o único filme que conseguem ver sem ferir as suas delicadas suscetibilidades é o “Der Untergang”. É que desde 1945 que o nazi é aquele eterno vilão, explorado q.b sempre que é preciso andar aos tiros num computador ou explorar a dualidade “bem-mal” em qualquer filme.
    Vai na volta o Resgate do Soldado Ryan até era o filme favorito do nabo… Temos pena.

  6. Policarpo says:

    Como sempre, os trapaceiros colocam na boca dos seus adversários palavras que eles não disseram. O que o Ernesto Araújo disse, e com o qual Bolsonaro concordou, foi: “o nazismo é de esquerda”. Isso é inegável. Em nenhum momento foi dito que o nazismo era socialista, nos termos marxistas. Aliás, se matar esquerdistas fosse um critério para definir o campo de uma ideologia … o marxismo seria o extremo da extrema-direita, já que ninguém assassinou tantos esquerdistas quanto os marxistas.

    • ZE LOPES says:

      Desculpe-me V. Exa. Bolsonaríssima, mas a resposta registada foi esta:

      “Não há dúvida, não é? Partido Nacional Socialista da Alemanha”, respondeu Jair Bolsonaro, com o nome do partido de Adolf Hitler, a um jornalista que o questionou se concordava com a opinião do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, de que o nazismo era de esquerda.

      V. Exa. Bolsonaríssima está, portanto, mal informado. Terá sido vítima de alguma “fake” que anda aí por casa. É melhor ter cuidado porque as “fakes”, quando andam à solta, às vezes mordem os próprios donos!

      • Policarpo says:

        Parece que você não sabe juntar lé com cré, então vou desenhar.

        Eis o que escreveu o autor do texto:
        “decidiu reescrever a história para redefinir o Terceiro Reich como um regime SOCIALISTA, apoiada no mais robusto dos argumentos: o partido de Hitler tinha “socialista” no nome”.

        Eis o que você citou no seu comentário:
        “se concordava com a opinião do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, de que o nazismo era de ESQUERDA.”

        Percebeu o embuste? Ou você também é outro embusteiro?

        • ZE LOPES says:

          ““Não há dúvida, não é? Partido Nacional Socialista da Alemanha”, respondeu Jair Bolsonaro, com o nome do partido de Adolf Hitler, a um jornalista(…)”

          Não há “embuste” nenhum. E, aliás, o alegado “embuste” é recorrente e circula há muito tempo entre Bolsoneiros de todos os matizes.. Já vários “policarpos” aqui tinham dito o mesmo. Vossa Alteza Bolsonara chegou muito atrasado..

          • Policarpo says:

            Ok, você venceu, está ‘serto’: Partidos Socialistas não são de esquerda.

          • ZE LOPES says:

            Para desempatar: solicito humildemente a Vossa Alteza Bolsonaria que pergunte aí ao próprio o que, afinal, quis dizer. Sim, porque Vossa excelência Bolsonara certamente será tu cá tu lá com tão eminente personagem. Nem poderia ser outra coisa.

            Eu até já tentei saber. Telefonei para a embaixada em Jerusalém mas só estava a mulher da limpeza que me disse que afinal era um gabinete. Um consulado? Não um gabinete, mas com casa de banho e tudo! Só que fiquei na mesma porque o 15º secretário não estava..

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