A farsa do rating

O jornal Expresso avançou ontem que o Estado português paga a um consultor francês para fazer lóbi junto das agências de rating. Os plebeus convencidos que a economia e os mercados, acima das paixões e defeitos do comum dos mortais, funcionam sem necessidade de intervenção humana, e, vai-se a ver, é preciso sustentar um antigo economista-chefe da Moody’s para interceder pelo país junto dos terroristas de colarinho branco que comandam as agências de rating.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O Mundo está cheio de lobistas. Uns mais disfarçados do que outros, mas está. E para todos os gostos.
    Há lobistas pagos com o nosso dinheiro, para nos lixarem!
    Por exemplo:
    O Eduardo Catroga. Um lobista cuja função é encher os bolsos aos chinocas e a alguns amigos dele, à conta do Zé Tuga.
    E o falecido António Borges?
    Ele e mais quatro, papavam todos os meses 25.000€ ao Estado, como consultores para as privatizações, do governo de Passos Coelho. Sim, o tal da TSU!
    Agora até a Fundação Francisco Manuel dos Santos paga a um sociólogo, para demonstrar que não haverá português a passar à reforma, antes de fazer um 69.
    Não gosto de nenhum deles, mas mal por mal, ao menos que seja pago para nos fazer reduzir os juros da dívida.

  2. Nuno M. P. Abreu says:

    Portugal é um país que necessita de recorrer aos mercados financeiros para satisfazer os seus compromissos monetários.
    Os mercados são leilões onde se pede dinheiro e se oferece uma compensação financeira chamada juro.
    Naturalmente, a compensação financeira é tanto maior quanto maior for um risco.
    Quem empresta recolhe informações sobre a situação financeira do pais que solicita o financiamento.
    Existem empresas que recolhem informações e as fornecem aos potenciais financiadores.
    Portugal tem uma Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Publica que procura fornecer as informações mais favoráveis do país para diminuir os custos.

    Ora acontece que essa agência contratou um técnico de análise económica, antigo funcionário de uma dessas agências para, “em conjunto com o IGCP, preparar uma apresentação para cada uma das agências de rating que possa ser percecionada como positiva para Portugal”.
    Isso permitira que, nos leiloes para aquisição de financiamento, Portugal possa diminuir os respectivos custos financeiros e melhorar a situação económica dos Portugueses.
    Onde estará o crime? Onde estarão os fantasmas diabólicos dos terroristas financeiros?
    Nenhum plebeu, por mais inculto que seja, pode pensar que a economia e os mercados funcionam sem necessidade de intervenção humana. Os mercados e a economia ou, mais corretamente, a economia de mercado põe frente a frente os seres humanos com as suas potencialidade e o seu esforço na procura de uma vivência individual e colectiva que seja a melhor possível. Nas sociedades civilizadas conseguiu-se no, último século, com isso, um avanço civilizacional enorme, procurando garantir uma vivência mínima aos mais desfavorecidos
    Na lista do rendimento per capita dos países europeus, os primeiro dez países vivem em economia de mercado desde há mais de um século. Os últimos dez viveram durante setenta anos debaixo do domínio da União Soviética.
    Mesmo o plebeu menos informado poderá tirar daqui as suas ilações.

    • Paulo Marques says:

      O problema dos terroristas financeiros são (à partida): não serem precisos para nada, mas convenceram toda a gente de uma data de regras que não têm nada a ver com a realidade para viver à custa de rendas cada vez mais altas; o mercado de dívida nada tem a ver com um mercado livre, tal como muitos outros; a eminente destruição do planeta porque não há “dinheiro” para fazer nada; não há melhoria económica para Portugal, a dívida privada está igual e o estado com menos capacidade para intervir.
      E nada disso tem a ver com ser um país capitalista ou não, coisa que já nem o PCP protesta.

      • Nuno M. P. Abreu says:

        Muitas vezes as palavras tem o significado que cada um lhe quer dar. E por vezes basta constatar que significado um alguém lhe dá para perceber o meio social onde esse alguém se insere.
        No direito das obrigações há um artigo, o 1124, que define as obrigações do parceiro pensador. Quando jovem dei com ele e foi como se tivesse batido contra uma porta. Como pode alguém ter um parceiro pensador e ele ser obrigado a ser um pensador diligente? Se isso fosse aplicável a todos os participantes deste fórum viveríamos no melhor dos mundos. Só que, afinal, parceiro pensador é, no contexto daquele artigo, aquele que pensa, que alimenta uma hipotética vaca minha.
        Muitas palavras descrevem uma realidade e nós alteramos o sentido e passamos a usa-lá para descrever os efeitos. A palavra estafermo tem um significado tal que ninguém gosta de ser classificado com esse tal. Todavia, originalmente, a palavra não descrevia mais que um boneco que “esta fermo” apoiado num rolamento, encimado num pedestal que servia para treinar os cavaleiros na idade média. Tinha numa mão um escudo e na outra umas correntes. O cavaleiro batia com a sua lança no escudo e tentava desviar-se das correntes que com o movimento eram accionadas. E muitas vezes levava nas costas com elas. “Raio do estafermo”. comentava.
        Agora com os lobies passa-se a mesma coisa. Parece que na origem do termo está a palavra inglesa lobby que descreve a antecâmara de um salão principal. E parece ter surgido na época do presidente dos EUA, Ulysses S. Grant, que costumava dirigir-se ao lobby do Hotel Willard para fumar seus charutos e relaxar. Era ali abordado por diversas pessoas que queriam expor suas reivindicações e influenciar as suas decisões. Passou a designá-las pelos lobistas do Hotel Willard.
        Nada mais natural que alguém tente convencer alguém da sua razão ou contratar alguém para o fazer. Pode-se contratar um advogado para defender uma causa. Um economista para provar a validade do meu empreendimento ou mesmo um engenheiro agrónomo para sustenta a validade do projecto que gostaria ver financiado.
        Tudo isto é diabólico? Valha-me S. Lúcifer !
        Caro Paulo: Terroristas não são precisos no mundo seja em que área for. Não conheço mercado da divida e mercado livre Conheço mercados financeiros mais ou menos livres mais ou menos condicionados.
        Mas, insisto, o objectivo será lutarmos por uma legislação mais justa pensando pela nossa cabeça e não enfeudados a bandeiras ou credos, tão obtusos como a lei de talião.

        • Paulo Marques says:

          Ora bem, tanto são lobistas os dirigentes sindicais como os grandes empresários, o problema é que uns falam todos os dias, nem que seja pela comunicação social que controlam.
          E que se baseiam em bandeiras e credos escritos na bíblia do Mankiw como se aquilo tivesse aplicação no mundo real, quando o monetarismo está cheio de buracos que são ignorados porque não são relevantes. Nem um auto-proclamado progressista como Krugman ou Summer saem do esquema, inventam micro-modelos que são relevantes quando dizem que são e fora isso é radicalismo.
          Não vai lá com paliativos, nem as os eleitores estão para aí virados.

    • Miguel says:

      A economia de mercado permitiu-nos enormes avanços durante o último século. Seja. Mas sucessos passados não garantem sucessos análogos no futuro. O que é que permitiu à economia de mercado dar-nos tão belos presentes? Energia abundante ao preço da chuva. Acontece que o maná está a acabar e a economia de mercado, pelo menos na declinação actual, tem-se mostrado incapaz de integrar este novo dado e adaptar a sua dinâmica. Algo me diz que o futuro não é risonho.

  3. Paulo Marques says:

    Daquela coisa de a Eurolândia criar a sua agência de rating é que nunca mais se ouviu falar, como a reforma do Euro, o EPSR e demais amanhãs que cantam. A farsa monetarista continua, até as coisas deram mesmo para o torto.

  4. Julio Rolo Santos says:

    Não sei o que dizer a este respeito.Se é verdade o recurso do governo a este antigo economista-chefe da Moody’s para exercer loby sobre as agências de rating e poder colher benefícios disso, então estará a seguir o exemplo de outros países que já se lhe anteciparam. Enganar os outros paises que estamos melhor do que o pintam não é mal nenhum, antes pelo contrário, agora se é para enganar os próprios Portugas, aí já chia mais fino.

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