Vómito

Agora abriram-se as cortinas para o odioso espectáculo do lamaçal, enriquecido, à direita, pela bílis acumulada nos últimos anos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Toda a gente já percebeu que a Geringonça acabou. Quem dúvidas tivesse, fica agora a saber que o caminho para o Bloco Central está aberto.
    Vai começar com a aprovação da Lei de Bases da Saúde, por PS e PSD, e na próxima legislatura este Dec. Lei de reposição de tempo de serviço dos professores, agora alterado, ficará a marinar, da eternamente, como diz Fernando Negrão.
    Despachado PPCoelho e os seus acólitos, Costa e Rui Rio farão aquilo a que eles chamam acordos de regime.
    Nada a que não estejamos já habituados.

    • Ana Moreno says:

      Vire essa boca para lá, Rui! 🙂 Recuso-me a acreditar nisso.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Não gosto do Rio – acho-o incompetente e de vistas curtas. Mas se for como diz, menos mal. O país deixa de ficar refém dos imbecis da extrema-esquerda, e da sua agenda ideológica totalitária, e pode finalmente começar a tomar medidas em prol do futuro de todos.

      • Paulo Marques says:

        Acho bonito que cortar salários e pensões, privatizar tudo o que mexe, violar o direito d greve e mandar cargas polícias com agentes provocadores à mistura para quem protesta nem é totalitário nem é contra o futuro de todos. É tão pinturesca a luta intra-classe.

  2. Paulo Marques says:

    Tendo em conta que há muito acabou a mínima reposição de racionalidade económica que os monetaristas aceitam, parece-me bem. Ou isso ou a esquerda deixa as alternativas a outros, coisa que tem dado bons resultados.

  3. Julio Rolo Santos says:

    Que a direita saiba fazer o jogo sujo para alcançar o poder poder, já sabemos, pois faz parte do seu ADN. Agora que hajam pessoas que façam por esquecer o passado recente da governação PSD/CDS e continuem a dar-lhes crédito, é coisa que supera o meu entendimento.


  4. ” Vómito “, Ana Moreno, que tanto pode ser ” Náusea ” de Sartre

    como ” Metamorfose ” de Kafka !

    ….estou mais inclinada para a metamorfose, acreditando sempre que nos pode ser dado ainda acreditar noutros bichos-homem,
    por ex. como insectos tipo abelha e a maravilhosa e fascinante lição de sabedoria e harmonia da sua vida colectiva :

    ” A Vida das Abelhas” / Maurice Maeterlink

    ( O destino do homem e a natureza eram as matérias-primas do autor. Seus estudos sobre as flores, as abelhas, as formigas e as térmitas são trabalhos de extrema sabedoria e beleza. Nesta obra, o autor une a divulgação científica à metáfora sobre a sociedade humana, revelando ao leitor os segredos mais encantadores da natureza, mostrando o equilíbrio sábio entre os mundos em que a presença da inteligência é questionável e que, no entanto, a organização e ética parecem bastante superiores aos da vida a qual chamamos inteligente. )

    • Nuno M. P. Abreu says:

      Afinal a Isabela ao enaltecer “a maravilhosa e fascinante lição de sabedoria e harmonia da vida colectiva das abelhas” está a relevar uma misandria que me parecia oculta !
      Nessa sociedade que considera uma harmonia colectiva, os machos para além de não possuírem ferrão vêem a rainha a convidá-los à cópula e de seguida apreender o seu (deles) órgão genital provocando-lhe a morte!
      É! Muitas vezes uma análise exterior de um determinado tipo de sociedade faz-nos parecer vê-la cheia de harmonia e sabedoria mas quando se penetra nela vê-se que está cheia de egoísmo e, por vezes, mesmo de ódios.


      • Maurice Maeterlink foi, na dramaturgia, o principal representante da estética simbolista, tendência que surgiu na França no fim do século XIX, como reação à rigidez parnasiana e à crueza do naturalismo. Maeterlink foi um poeta-filósofo. O destino do homem e a natureza eram suas matérias-primas. Seus estudos sobre as flores, as abelhas, as formigas e as térmitas são trabalhos de extrema sabedoria e beleza. Em ”A Vida das Abelhas”, o autor une a divulgação científica à metáfora sobre a sociedade humana.

        Nuno Abreu, que deturpação despropositada qd afirma
        “…os machos para além de não possuírem ferrão vêem a rainha a convidá-los à cópula e de seguida apreender o seu (deles) órgão genital provocando-lhe a morte! …”

        Um dos capítulos mais belos do livro é o que M. M. nos descreve em observação rigorosa de cientista, escritor e poeta o voo nupcial da raínha numa manhã de Maio, que deita por terra isso tão cru e rude que afirma ! !

        Leia os livros do M. Maeterlink , universalmente consagrados desde há mais de um seculo, mas só se tem sensibilidade para o fascínio da observação de um mundo natural maravilhoso ( só para alguns ) !

        ! e vá opinar misandrias despropositadas para os fanáticos distorcidos das identidades de género !

        Sinto de novo o Aventar como um lugar pouco apetecível de frequentar !
        Cansei !
        Venho habituada a outro tipo e nível de tertúlias .: (
        E tenho mais que-fazeres .
        Lástima !……

        • Nuno M. P. Abreu says:

          Tenho pena que não suporte uma picadela de abelha! Cada vez mais me convenço que a emoção tolda a razão. Que cada um só vê aquilo que quer ver.
          Um pouco menos de preconceito ajuda a perceber os conceitos.
          Não sei quem é a Isabela que escreve.
          Sei o que a Isabela escreve.
          E o que ela escreve descreve uma pessoa independente, culta, honesta no pensamento, que gosta de acicatar o pensamento.
          Nesta resposta ao meu comentário revela contudo, para mim, uma hipersensibilidade ao levantamento de uma hipótese eventualmente hiperbólica.
          Isabela:
          Deixei a advocacia quando percebi que tinha de vender o pensamento. Quando tinha de concluir umas vezes que uma norma quereria dizer uma coisa e outras que quereria dizer o contrário, se isso fosse do interesse do cliente. O dono do escritório ainda me justificou que isso era a nossa função. O juiz depois decidiria.
          Acabei por comprar uma quinta e vir criar cavalos, vacas e ovelhas. No monte tenho vários cortiços de abelhas . É ai que ainda hoje vivo, ” olhando fascinado o mundo que me rodeia” com a serra do Marão como horizonte. Todos os dias, ao levantar-me, a primeira coisa que faço é levar dois agapornis que vivem em casa comigo que me pousam na cabeça e nos ombros, que respondem chiu quando lhes digo chiu, para um espaço maior para poderem voar. Há noite faço o inverso.
          Não conhecia Maeterlinck. Li que efectivamente foi, “na dramaturgia, o principal representante da estética simbolista, tendência que surgiu na França no fim do século XIX, como reação à rigidez parnasiana”
          Isabela:
          Quis no meu comentário, usando a misandria como instrumento, aventar a hipótese de por vezes as análises adjectivantemente laudatórios poderem esconder uma realidade penosa.
          Parece que Maeterlinck, publicou em 1889, o seu primeiro livro de poesia, Serres Chaudes. Como poeta ele vê naturalmente o voo nupcial da rainha das abelhas como um quadro de uma beleza magnifica. Não se pronuncia sobre a minoria que são os zangões, elementos fundamentais para a sobrevivência daquela sociedade e que têm um destino trágico. Quis tirar daí a analogia com sociedades que sustentadas por uma ideia aparentemente bela, em voos nupciais de reis e rainhas, escondem uma realidade trágica. Conheci realidades dessas e por isso escrevi.
          Isabela. Jamais quis apodá-la de misandrogenia. Tenho gravado a primeira intervenção sua a solicitar a Ana Moreno que me deixasse escrever. Isso revelava um carácter aberto .
          Mas, Isabela, não vou vender o meu pensamento. Procuro ser correcto, embora,sendo por vezes incisivo, possa criar atritos.
          Respeito os seus afazeres. Pela minha parte continuarei a dizer o que penso sempre que para isso tenha disposição, tentando fazer-me compreender mas sabendo que cada um pode entender coisa que não pretendi dizer.
          Au revoir!


          • Cuidado com o que aqui se escreve !

            Só pq é a opinião e pensamento pessoal não magoemos quem pode ser atingido,
            …que quando a ingenuidade é conspurcada por mentes embotadas e mal intencionadas, a ferida que fica dói demais!

            Não conhecendo na realidade não virtual as pessoas que por aqui pousam, não o lancemos aos ventos de aventares possivelmente malfazejos, essa é a minha sensibilidade e o meu pudor na defesa da esfera da privacidade familiar e pessoal de afectos que me é tão cara e sagrada.

            Já aqui o disse, não me exponho demasiado porque nada devo, mas temo !

            E por isso me dá vontade de abalar .

            Esta não é realmente a minha forma de ser alegre e participativa, não pertenço aqui.
            Nem para me divertir ou aprender algo e ganhar conhecimento seja do que for…..já não vale a pena,

            Gostaria somente de partilhar variado, o fazer melhor e mais bonito, tanto em ideias como em descoberta de acto criativo que é a inteligência a divertir-se.
            Mas não vale a pena, que aqui não dá,
            este não é para mim o melhor lugar nem a melhor forma de partilha e empatia com pessoas sem rosto numa realidade que experimentei somente aqui no Aventar ( que abomino redes sociais e NUNCA lá entraria ou entrarei )
            e que me assusta pois não é de todo o meu habitat .

            Nuno Abreu, aprecio a escolha de vida que descreve que fez, e até me faz inveja, pois quanto melhor me sinto em contacto directo com a natureza !

            Quando olhar para uma gota de mel atravessada pela luz solar pense no soberbo milagre de feitura de tal maravilha pequenina e dourada, elaborada por essa sociedade divina e grandiosamente organizada de insectos que até são imprescindíveis à manutenção de umanos no planeta ( Einstein dixit )

            Aqui lhe deixo em jeito de despedida um arejo de um dos meus melhores refúgios, a música, aqui com três dos maiores e grandes na partilha de musica universal :

          • Nuno M. P. Abreu says:

            Tenho muita, muita pena. Sinto-me muito, muito triste. Foi das poucas coisas boas que aqui encontrei.
            É bem mais fácil dialogar cara a cara.
            As palavras não têm expressão. Não têm olhos nem lábios que permitam sorrir.
            Mas aqui parece-me difícil, sem o sorriso que podem dar outro significado às palavras . Sobretudo com pessoas que vivem dos sentimentos.
            Se a magoei mil perdões.
            Definitivamente encerrei aqui a minha participação.
            Serei mais útil, no tempo que me resta, a dedicar-me à história da minha freguesia e das minhas gentes.
            Seja feliz!


  5. Entre as labaredas dos últimos dias, o rescaldo da melhor opinião/análise de alguém que muito prezo,
    Ricardo Paes Mamede :

    ” «Para quem vê a política como um campeonato de futebol, o fim-de-semana foi espectacular. Numa partida decisiva a jogar em casa, a equipa que lidera o campeonato entrou a marcar. Demasiado confiante, baixou a guarda e o adversário acreditou. O jogo foi para intervalo já empatado e recomeçou com uma pressão crescente sobre o primeiro classificado. Quando a viragem do resultado parecia iminente, o treinador chamou os jogadores e mudou de táctica. Numa decisão de risco, mandou-os avançar no campo. Ao primeiro erro do adversário, a poucos minutos do fim, a equipa da casa marcou, para gáudio dos apoiantes. A vitória no campeonato parece agora mais próxima e ninguém poupa elogios à genialidade do treinador.

    Claro que a política é mais complexa do que o futebol. Faria mais sentido compará-la ao weiqi, o jogo chinês em que cada jogador vai colocando peças num tabuleiro com o objectivo de rodear e evitar ser rodeado pelo adversário. Aqui a posição é tudo. É um jogo de estratégia, em que os movimentos de um jogador afectam o posicionamento mais acertado do outro.

    O que António Costa fez na sexta-feira passada não foi apenas uma alteração táctica. O líder socialista aproveitou uma movimentação do adversário para consolidar uma mudança estratégica em que estava a trabalhar há algum tempo.

    Em 2015 Costa precisou do PCP e do BE para formar governo. Sabia que, para isso, era necessário posicionar o seu partido e o seu governo mais à esquerda. Ajustou a retórica (“não tenhamos dúvidas: se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou”, afirmava pouco antes) e colocou a chamada ala esquerda do PS em posições-chave no partido e no governo. Com isto – e com algumas cedências ao PCP e ao BE – assegurou as condições para aprovar todos os orçamentos da legislatura.

    O aproximar das eleições tornou evidentes os riscos daquele posicionamento, parecendo validar o que muitos dentro do partido defenderam desde o início. Segundo essa tese (que na verdade está por demonstrar) a imagem de um PS à esquerda abre espaço aos partidos de direita para conquistarem o eleitorado mais volátil (dito de centro). Ao mesmo tempo, uma legislatura bem-sucedida baseada em acordos com o PCP e o BE dá ao eleitorado de esquerda motivos para manter ou reforçar o voto nestes partidos. Por outras palavras, o PS estaria eternamente condenado a depender de terceiros para governar.

    Daí que desde há uns meses o PS venha a ensaiar o seu reposicionamento, não perdendo uma oportunidade para sublinhar a distância que o separa dos partidos à sua esquerda. Fê-lo com a revisão das leis do trabalho, com as regras do alojamento local e com a nova lei de bases da saúde. Deste ponto de vista, o reconhecimento da progressão do tempo de serviço dos professores é só mais uma etapa no caminho do reposicionamento político.

    Neste contexto, os socialistas não se inibiram de recorrer a uma retórica típica da direita, que põe os funcionários públicos uns contra os outros, os trabalhadores do sector privado contra os do público, e em que todas as diferenças de opinião são reduzidas a uma divisão entre responsabilidade e irresponsabilidade orçamental.

    Ao nível estritamente eleitoral, o reposicionamento do PS convém também aos partidos mais à esquerda, que precisam de afirmar o seu espaço de intervenção marcando a diferença face ao governo. Também deste lado, ninguém perdeu a oportunidade para enfatizar os desacordos.

    Para quem se revê no caminho da concertação e governação à esquerda, como é o meu caso, tudo isto poderia ser boas notícias: cada um dos partidos estaria a fazer o que lhe cabe para reduzir o apoio eleitoral às forças de direita. Depois do que se passou este fim-de-semana, é mais difícil pensar assim.

    Já muito se escreveu sobre as imprecisões e incoerências na declaração de António Costa, que revelam predisposição para delapidar o capital de confiança entre parceiros. Mas o que sobressai deste episódio é mais do que excessos de linguagem ou o recurso a argumentos duvidosos, ao serviço de uma necessidade de reposicionamento simbólico.

    As intervenções de Costa e de outros líderes do PS visam transmitir uma mensagem que vai para lá da ideia das “contas certas”. O PS está a querer mostrar que não acredita na possibilidade de chegar a acordo com os partidos à sua esquerda sobre matérias essenciais como o serviço nacional de saúde, a escola pública, os direitos laborais, as carreiras dos funcionários públicos ou a organização do Estado.

    Não obstante a preocupação em não hostilizar demasiado o PCP e o BE – nunca se sabe o que o futuro reserva – o PS dá sinais crescentes de querer pôr fim a uma solução que trouxe estabilidade política e maior confiança na democracia, e que permitiu avanços evidentes na maturidade do sistema partidário português. Não admira que entre os principais entusiastas da ameaça de demissão do Primeiro-Ministro estejam os mais ferozes opositores dos acordos à esquerda.

    Os dirigentes do PS terão as suas razões para seguir este caminho. As sondagens dos próximos meses e as eleições que aí vêm mostrarão se os eleitores validam esta opção.»

    Ricardo Paes Mamede


  6. …” aqui parece-me difícil, sem o sorriso que podem dar outro significado às palavras . Sobretudo com pessoas que vivem dos sentimentos.
    Se a magoei mil perdões…”

    …” Foi das poucas coisas boas que aqui encontrei….”

    ….com o sorriso e talvez com a furtiva lágrima da emoção, escrevo :

    bem haja, Nuno Abreu, por estas palavras suas que acredito sinceras e nobres .
    Não me magoou, apenas facilitou que tal pudesse ter acontecido . Acontece, até entre quem se quer bem. ….incompreensões e diferenças de códigos que temos que relevar em nome desse bem nos querermos,
    que não a azia do azedume .

    Mas não me referia só a si.

    Esquecendo que ainda estamos na cx de comentários do Aventar ( “Vómito”, palavra feia…) apelo à sua sensibilidade e bom carácter para ser tb compreensivo e tolerante comigo na medida em que reconheço que tb eu o poderei ter magoado, pois reconheço que sou difícil de me fazer entender em mil e uma facetas de um interior feito de amarguras e caminhos de estória de vida .

    Não quero ficar a pensar que tive influência negativa na sua decisão de
    ” …Definitivamente encerrei aqui a minha participação….”

    Diga-me só que não, e ficarei melhor.

    Que as escolhas que faça possam ser ainda para si este
    “Seja feliz ” que me deseja no final.

    ” Au bout du chagrin…una fenêtre ouverte ”

    “Não eleger nem mar nem horizonte.

    E embarcar sem mapa até ao fim

    do escuro”. ( Ana Luisa Amaral )

    • Nuno M. P. Abreu says:

      Pode dormir descansada. Sinceramente nunca me senti magoado por si.
      Uma vez ou outra senti um certo cinismo para um eu que neste momento “não procura nem oiro nem glorias”
      Mas talvez resulte, como sugere, do uso de diferentes códigos, de diferentes vivências, até de um certo receio perante o desconhecido.
      Acredite que tudo que escrevi, dirigindo-me a si, foi de coração. Por vezes não consegui interpretar bem o que escreveu mas sempre senti nos seus escritos uma verdade camuflada por um véu como se tivesse medo que a vissem tal como é.
      Não não foi decisiva na minha decisão de abandonar este fórum. Sempre que era notificado de um comentário e ia ver ficava a matutar naquilo e perdia a concentração no que estava ler ou a tentar escrever.
      Vou continuar a minha vida pacata. A editar a revista. A preparar um trabalho sobre o inicio da nacionalidade. A ajudar os meus netos. A cuidar dos meus animais. A fazer o jantar à noite e a arrumar a cozinha, antes de me deitar.
      Depois de a sentir mais feliz, dou graças por a ter conhecido, sinto a consciência aliviada e vou para a cama bem mais leve.

      Nota. Parece-me ter alma de poeta. E não sei porquê, lembrei-me de uns versos de Florbela Espanca .

      “Sou aquela que passa e ninguém vê…
      Sou a que chamam triste sem o ser…
      Sou a que chora sem saber porquê…
      Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
      Alguém que veio ao mundo pra me ver,
      E que nunca na vida me encontrou!”

      • Ana Moreno says:

        Olá Nuno, claro que não faz sentido nenhum que fique incomodado com as conversas do Aventar. Apesar da sua curta estadia, tenho pena que se despeça. Mas cada um sabe o que é importante para si e o que sem sentido o desassossega e portanto cá fica um abraço de despedida, desejando tudo de bom para os seus afazeres e intentos e afectos (lamento usar a palavra do presidente, mas não me está a ocorrer outra).

        • Nuno M. P. Abreu says:

          Obrigado, Ana Moreno.
          Cheguei aqui por si. Saio daqui por mim.
          Gostei do Aventar, sinónimo de frescura, de arejamento, de fuga a ideias feitas, a etiquetas ou a rótulos.
          Mas, de repente, dei por ela que se não debitasse as ladainhas entronizadas como dogmas, passava a foragido, acossado pelos piquetes de segurança que furiosamente chegavam a “disliker” pedidos de desculpa meus.
          Como nada tinha a perder ou a conquistar, dei o peito às balas, não porque estivesse convencido ser dono da verdade, mas tão somente porque pensava que num sítio onde se “aventa”, a verdade constrói-se.
          Enganei-me redondamente. Com raras excepções, os corneteiros de Roma, insuflavam as cornetas, iniciando os cerimoniais fúnebres do gladiador sempre que este se recusava a dizer “Avé César”.
          Desde que assumi consciência politica jamais deixei de pensar pela minha cabeça, recusando o enfeudamento a partidos ou movimentos políticos e as mordomias com que me acenavam, ou as eventuais represálias com que me ameaçavam. Não seria nesta idade que inverteria o meu percurso.
          Aprendi aqui qualquer coisa. Não dou como perdido o tempo que aqui usei.
          Mas chegou a hora de o utilizar com bem mais proveito. Obrigado.

          Nota: Como neste espaço referi não vou muito à bola com Marcelo, que conheci em trabalho, há já quarenta anos. Pareceu-me extremamente vaidoso, “adorando ser adorado”.
          Mas que diabo Vou deixar de usar a palavra afectos? Porque carga de água ela é a palavra do presidente?
          Até que ponto se politizou a sintaxe? Não estaremos já perante um sintoma de uma nova doença, a marcelofobia?

          • Paulo Marques says:

            Presunção e água benta, cada um toma a que quer. VPV já há… carradas.


  7. Nuno Abreu, obrigada.
    …sim, sou sensível a pormenores/pormaiores que passam despercebidos à maioria das pessoas que conheço, pequenas grandes coisas do quotidiano e da vida que me enriquecem são refúgio aonde me divirto com a menina-mulher que fui e não deixei crescer para este mundão aonde me sinto desajustada e que não lhe pertenço.

    ! que essa menina que não deixei fugir foi crescendo e foi feliz demais a viver e a conviver e a amar a natureza na sua plenitude maravilhosa .
    tenho ainda comigo o cheiro das madrugadas de verão e o sabor do trincar o primeiro pêssego dourado ainda com o orvalho dos gnomos que brincaram durante a noite nas árvores, escondidos dos umanos ! a sesta, as tardes longas de leitura, as fugas com irmãos a banhos no rio nas férias grandes no meio do silêncio absoluto dos corvos e do rosmaninho !!……
    …o cheirar a grilos e a cerejas das férias da Páscoa, o leite fresco com morangos,
    o meu burrinho Platero que chorava de verdade quando vínhamos embora no fim das férias !

    Como havia de me dar bem a discutir política aqui no Aventar ??

    Fique bem ! na melhor opção de vida que é actualmente a sua .
    Que sorte !
    Que o homem quanto mais viver separado da natureza mais infeliz será .
    Inté /
    : )

    • Ana Moreno says:

      Olá Isabela,
      por afogamento em trabalho, passei uns dias sem vir aqui ao Aventar. E agora leio as suas despedidas e não percebo o que aconteceu. Claro que cada um sabe onde se sente bem, mas o Aventar é um espaço bem amplo e a Isabela já nos acompanhava há que tempos… Claro que as sensibilidades não se discutem e por isso só resta aceitar. Quando escrevo “vómito” Isabela, é propositado e é isso mesmo, é uma coisa comezinha e feia, que é exactamente o que o nível das politiquices lamacentas me provocam, sem espaço para as tornar mais literárias. Bem sabe que as causas sérias, políticas, cívicas, são as minhas. Mas quando se chega ao nível de arrastar pela lama o inimigo para subir na bitola dos eleitores, aí só sinto aversão. Lamento pois muito, mas não me parece que algo no Aventar tenha mudado. Ou por outra, mudará, porque faltarão os seus profundos e certeiros comentários. É uma pena, acredite.

    • Nuno M. P. Abreu says:

      “o meu burrinho Platero que chorava de verdade quando vínhamos embora no fim das férias !”
      Para finalizar diga-me para onde lhe posso enviar meia dúzia de fotos com animais da minha neta que vive comigo desde que nasceu e que penso será parecida consigo quando se aproximar da idade que presumo tenha.
      Pode ser um “sitio” qualquer onde não tenha que se identificar.
      De certa forma, ao vê-las, ficaria com a certeza da minha sinceridade. Tão só!
      Se quiser e porque nada tenho escondido dentro do armário pode ser através do meu email nunodoraso@gmail.com


  8. Ana Moreno, olá, bem haja por estar aí e sempre atenta !
    como vê ainda não fechei a porta e não consigo despedir-me do Aventar.
    Nem nunca esqueceria todo este caminhar consigo, que foi afinal a Ana que consolidou o meu chão aqui, em busca ambas e tantos mais de um mundo melhor e mais justo .
    Quando, como a Ana constatou, eu sinto o desajuste do meu estar aqui porque sim, é verdade que me apetece retirar, como agora, às vezes por desilusão, mágoa ou cansaço e uma certa falta de empatia e feed back com o meu modo de sentir e pensar.

    ….códigos e bagagens de vida diferentes !

    Fiquei sensibilizada com as sua palavras.

    referi-me a “Vómito” palavra feia somente por sentir já caricato o facto de estar e ter que manter o diálogo mais pessoal com alguém num espaço de cx de comentários de um post tão diferente já desse diálogo, somente por isso e não por crítica ao seu título do post, que bem compreendi o sentido que lhe deu !

    Por aqui nos veremos ainda, sim, Ana, que aqui deixei tb pegada e momentos de gostosura e entusiamo a “uivar” consigo aos quatro ventos …Aventando e não só !

    Não foi birra, foi um justo e especial sentir que faz de mim ser quem sou.

    Avante aventando consigo ao leme será mais positivo !
    ,,,que há mar e mar e ir e voltar !

    E repito :
    cuidando sempre serenamente as palavras, sem me expor demasiado, que nada devo, mas temo !

    Grande abraço, Ana Moreno, bem haja por ser assim !

    • Ana Moreno says:

      Um grande abraço solidário e amigo, Isabel. Para mim, o Aventar fica mais aconchegado com a sua presença. Obrigada!

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