O princípio da igualdade como treta

O modo como a luta dos professores é comentada por uma mole de gente muito, pouco ou nada encartada merece algumas notas, mesmo se a distinção entre os vários tipos é difícil, tal é a ignorância, tantos são os preconceitos: no fundo, o que separa os encartados dos outros é o facto de que os primeiros são pagos para serem igualmente ignorantes.

Manuel Carvalho, o director do Público, regozijava-se, há pouco, na pele de comentador televisivo, com os recuos do PSD e do CDS no âmbito da recuperação do tempo de serviço dos professores. E regozijava-se porque a aceitação das reivindicações dos professores criaria desigualdades relativamente a outros trabalhadores, mesmo dentro da Função Pública.

Outros, diplomados em redes sociais, tão licenciados como Sócrates ou Relvas, acusam os professores de só se preocuparem com os problemas da sua própria classe, reclamando aquilo a que outros não têm direito, insensíveis diante dos dramas alheios. Esta reacção (porque não podemos chamar-lhe pensamento) estende-se a qualquer classe profissional que, de algum modo, proteste ou faça greve.

Vou confidenciar-vos algo da minha vida privada: já sofri várias entorses no mesmo pé. Peço antecipadamente perdão pelo meu egoísmo, pela minha insensibilidade, mas, naqueles momentos, estava tão concentrado na minha dor que não conseguia pensar, por exemplo, numa pessoa que tivesse partido as duas pernas. Mais: confesso que não pensava sequer em pensar. [Read more…]

O princípio do fim de Sérgio Conceição

Durante duas épocas, Sérgio Conceição inventou uma roda no fim de cada jogo em frente aos Super Dragões, como que agradecendo à claque pelo apoio dado.
Hoje, como resultado do empate da última jornada e respectiva contestação, Sérgio Conceição decidiu fazer a roda no centro do relvado. De forma ostensiva, agradeceu com aplausos a todas as bancadas menos à dos Super Dragões.
Estes recusaram-se a sair do estádio.
Meia hora depois do fim do jogo, os jogadores e o treinador voltaram ao relvado e dirigiram-se à claque, num estádio quase completamente vazio.
Não sei de quem partiu a ordem, mas bastava ver a azia de Sérgio Conceição para perceber que não foi dele.
O ex-treinador do Nantes, aquele que veio para ensinar e não para aprender, assinou hoje a sua sentença. O estado de graça já se foi. Se não for antes, na próxima época bastará que as coisas comecem a correr mal.
Culpa própria mas, acima de tudo, do octogenário que há 37 anos iniciou a construção de um FC Porto que hoje se empenha diariamente em destruir.
Com Jorge Nuno Pinto da Costa, vai ser isto até ao fim. Com o apoio de 79 por cento dos sócios, a patrocinarem o desvario constante, o FC Porto terá de esperar por melhores dias. A Justiça divina não falha.