Há vida além da sexão: o regresso da seção

Now, some people call that a theory of everything. That’s wrong because the theory is quantum mechanical. And I won’t go into a lot of stuff about quantum mechanics and what it’s like, and so on. You’ve heard a lot of wrong things about it anyway.

Murray Gell-Mann (15/09/1929—24/05/2019)

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Efectivamente, depois das ocorrências de seção da semana passada, houve a habitual interrupção do fim-de-semana, com a irrupção dominical de sexão.

Hoje, tudo voltou ao normal, com o regresso da seção:

Os fatos também deram o habitual ar da sua graça:

Nada de novo a assinalar: tudo como dantes, no sítio do costume.

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Chama-se Democracia e Estado de Direito

Assédio moral: corticeira condenada a pagar 31 mil euros a trabalhadora. Os mercados devem ter ficado irritadíssimos.

Que se lixem as eleições!

A participação de Passos Coelho na campanha prejudicou ou beneficiou o PSD?

É hora de refazer as análises eleitorais

PS não elege 10.º deputado. CDU garante dois lugares no Parlamento Europeu

Agora que os votos estão contados

O International Consortium of Investigative Journalists foi a organização responsável pela investigação internacional que tomou o nome de Panama Papers.

Esta organização de jornalistas foi financiada por algumas instituições internacionais, entre as quais se encontram a Ford Foundation, a Hollywood Foreign Press Association e a conhecida Open Society Foundation, criada pelo filantropo húngaro George Soros.

A Open Society Foundation tem intensa actividade na Europa, particularmente junto das instituições da União Europeia. Leva o seu trabalho muito a sério. A prova disso é que encomendou a uma grande consultora internacional – a Kumquat – um estudo intitulado “Mapping – Reliable allies in the European Parliament (2014-2019)” com o propósito de, segundo as suas próprias palavras, “fornecer à Open Society European Policy Institute e à rede da Open Society, informações sobre os “Membros do 8º Parlamento Europeu susceptíveis de apoiar os valores da Open Society durante a legislatura 2014-2019”.

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Os resultados eleitorais das eleições europeias realizadas em Portugal a 26 de Maio de 2019

Distribuição dos votos:

PS
1.102.796 votos – 11,8%

PSD
723.209 votos – 7,7%

BE
324.143 votos – 3,4%

CDU
227.556 votos – 2,4%

CDS
204.209 votos – 2,1%

PAN
167.506 votos – 1,7%

BRANCOS E NULOS
229.643 votos – 2,4%

ABSTENÇÃO
6.044.089 – 64,6%

O Partido Socialista venceu claramente estas eleições europeias. A soma dos votos Brancos e Nulos equivale à votação da CDU. O Bloco de Esquerda teve metade dos votos do PSD e foi o terceiro partido mais votado. A brutalidade da Abstenção está profusamente explicada por todos os especialistas, sendo que nenhuma dessas explicações é verdadeira. A legitimidade formal de um acto não corresponde necessariamente à sua legitimidade social. Existem diferentes formas de ilegitimidade. Os mandatos de poder que resultam destas eleições são uma delas.

O custo do voto

Uma análise interessante.

Rescaldo eleitoral

Os resultados são o que são e não o que gostaríamos que fossem. A abstenção continua a crescer, mas existiu uma alteração técnica, porque ao inscrever de forma automática os titulares de cartão de cidadão, aumentou exponencialmente o número de eleitores. Faltando ainda contabilizar o voto nos consulados, os números não estão completamente fechados, na prática está em causa saber o número final da abstenção e o destino do último deputado eleito, provavelmente cairá para o PS, mas ainda existe a possibilidade de cair para a CDU.
À esquerda o PS cresceu em número de votos, apesar da abstenção e número de mandatos, muito provavelmente alcançará os dez deputados. Ficou em primeiro lugar, por isso ganhou as eleições, afirmar qualquer outra coisa é falsear os números.
O BE mais que dobra a votação anterior, dobra o número de deputados, passando de um para dois. Tem um resultado muito positivo.
A CDU perde quase metade dos votos, diminui de dois para um deputado, é o grande derrotado deste acto eleitoral.
O PAN quase triplica o número de votos, faz eleger pela primeira vez um deputado, é claramente um vencedor nestas eleições. Não sendo possível extrapolar resultados de europeias para legislativas, a verdade é que em caso de repetição destes números em Outubro, o PAN poderia eleger quatro deputados em Lisboa e dois no Porto. Têm legítimas razões para sonhar.
À direita existe uma dificuldade de comparar resultados, porque PSD e CDS agora concorreram separados, em 2014 foram coligados. Mas é permitido tirar algumas ilações. Considerando a soma dos votos em ambos os partidos, tivemos ontem um crescimento pífio de 25 mil votos. Pior, ambos os partidos estão agora na oposição, quando em 2014 governavam coligados, intervencionados pela troika. O resultado que obtiveram em 2014 foi o mínimo histórico, muito pior do que o obtido nas legislativas em 2015. Por isso reclamar qualquer razoabilidade quando se está perante este cenário, é enterrar a cabeça como a avestruz. Em número de mandatos ficaram iguais, o PSD com seis deputados, o CDS com um, menos que isto é caminhar para a irrelevância.
Uma última palavra para os pequenos partidos, Aliança, Livre e Basta, teriam ontem elegido deputados se estivéssemos em eleições legislativas. Iniciativa liberal e Nós cidadãos ficariam muito perto de o conseguir em Lisboa. Veremos o que conseguem em Outubro, mas boas campanhas em Lisboa e Porto podem aumentar o número de partidos representados no parlamento.

Longa vida ao PAN

PAN

Fotografia: Lusa@Sapo24

É oficial: o PAN elegeu Francisco Guerreiro, o primeiro eurodeputado português a sentar-se no grupo europeu dos Verdes. Um sinal claro de que as mudanças na política não se resumem à ascensão da decrepita extrema-direita, que em Portugal foi eleitoralmente reduzida à sua insignificância, mas também a novas sensibilidades e formas de abordar e fazer política. Longa vida ao PAN!