A ausência de surpresa

Banqueiros defendem multibanco pago em Portugal

António Ramalho, do Novo Banco, considerou ainda que “20 euros” não são “caros” por um cartão “que faz um conjunto de funções notável”

(…) “Aqui em Portugal temos custos de contexto interessantes, não se paga taxas nas ATM (caixas multibanco automáticas) e isso tem custos para o banco, tal como o MB Way tem custos para o banco”, afirmou Pedro Castro e Almeida, na altura.

Qual é o valor que os banqueiros poupam em funcionários e em instalações porque os seus clientes vão ao Multibanco e usam a banca online? Não será por acaso que o número de agências tem vindo a fechar.

Já Paulo Macedo, da CGD, disse que o entendimento do banco “é que se é uma questão de prestação de serviço, se o serviço tem valor, deve ser pago”, porque “não é justo achar que os trabalhadores do banco não devem ser remunerados pelo serviço que prestam”.

Já que é para falar de serviços, qual é o pagamento do serviço que os clientes fazem ao banco em depositar as suas poupanças numa conta bancária, permitindo a existência do fabuloso negócio de emprestar dinheiro dos outros?

São velhas reivindicações da classe dos banqueiros (não confundir com a classe bancária). Talvez devessem fazer uma greve. E talvez, por uma vez, o Banco de Portugal pudesse ser o banco dos portugueses, em vez de ser o banco dos banqueiros.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    “Já que é para falar de serviços, qual é o pagamento do serviço que os clientes fazem ao banco em depositar as suas poupanças numa conta bancária, permitindo a existência do fabuloso negócio de emprestar dinheiro dos outros?”

    Antes de mais, quero já afirmar que sou contra o pagamento de qualquer taxa por utilização do multibanco, mesmo que de forma sistemática. “A não ser assim, então paguem-me o ordenado em numerário, que eu compro um colchão, e mando o banco às urtigas”.
    Como é óbvio, há custos que devem estar indexados à actividade ou prestação de serviços, de um banco.
    Dou um exemplo:
    Vou a um stand automóvel para comprar o carro. Sou muito bem atendido. Faço um test drive. O vendedor tenta durante largos minutos convencer-me dos benefícios daquele modelo e marca automóvel, mas eu, indeciso, venho-me embora sem o comprar.
    Houve ou não custos?
    Claro que houve. Mas o cliente seguinte, comprando ele o carro, vai suportar o meu custo de atendimento e o dele. E assim sucessivamente.
    Hoje não há grandes depósitos, Jorge. Os bancos pagam taxas tão ridículas por depósitos a prazo, que ninguém lá põe a massa, a não ser a curto prazo. Os velhotes ainda lá colocam algum. A malta mais nova prefere gastá-lo. Quem tem dinheiro prefere virar-se para o imobiliário.
    Mas os bancos fazem empréstimos, ou não? E ao fazê-los pedem júros e garantias. O normal são as hipotecas, mas não só. A maioria deles até obrigam ter fiadores. Quem pede dinheiro, paga juros. Ora, esses juros tem a obrigação de serem o suporte financeiro, dos custos de outras operações de rotina. Temos também as garantias bancárias e as cauções. Qualquer empreiteiro, ou fornecedor de bens e serviços, por exemplo ao Estado, tem de prestar caução bancária, no valor de 10% do montante contratado.
    Este problema só surge desde a moeda única. É que os bancos portugueses, antes, tinham taxas de intermediação, na ordem dos 3% a 4%. Essa taxa calcula-se entre o juro de depósito pago ao aforrador e o juro cobrado de empréstimos concedidos a clientes . Hoje essas taxas são de 1%.
    Tal como as farmácias, com o preço dos genéricos hoje, e dos medicamentos de marca, no passado, também os bancos viviam em com margens generosas.
    Acabou-se o tempo das vacas gordas!

    • Paulo Marques says:

      Os bancos continuam com margens generosas, vêm é de outro lado – aqueles ordenados e dividendos não se pagam sozinhos.
      Não há mercado nem transação que não seja financiarizada 2 ou 3 vezes em derivativos, futuros e coisas do género, onde o dinheiro é constantemente sugado da economia para tornar tudo mais instável, ao contrário da teoria.
      O que é que isso tem a ver com a função bancária? É uma boa pergunta…

  2. Julio Rolo Santos says:

    Os abutres estão sempre ao virar da esquina para se atirarem às canelas dos transeuntes. O que Antônio Ramalho quer dizer é que os utilizadores das caixas de multibanco contribuam para lhe aumentar o salário para poder continuar a fazer a trampa que faz no Novo Banco que não consegue fazê-lo sair do prejuízo.Os contribuintes já muito fazem, a favor do Novo Banco, e ainda mais vão ser obrigados a fazê-lo, porque a ganância dos banqueiros e a subserviência dos sucessivos governos, não têm limites. Devíamos era correr com essa corja porque senão, serão eles que nos põem a pão e água.

  3. JgMenos says:

    Tudo isso é treta de bancários a quererem recuperar os tradicionais índices de mordomia.
    E se há razão de princípio – há serviço, há direito a que seja pago – também é verdade que já se paga para ter lá o dinheiro (sem juros, com despesas e comissões) e o serviço de multibanco é maioritariamente feito por autómatos.

    • ZE LOPES says:

      Treta de…bancários? Ou será… banqueiros?

      “Índices de mordomia”! Que linguagem tão suave para a atividade de esmifre sistemático da clientela! V. Exa. fica sempre assim quando se fala de banqueiros. Fossem estes tipos funcionários públicos e lá vinham os coirões, a mama, o saque, etc. etc. etc. ,

      Sim, são eles que trabalham, mas há autómatos que exigem muito alimento! Conheço um que, só ao almoço, mama três pratos de Bacalhau à Braz (no antigo BES era de Bacalhau Espiritual, mas no Novo Banco mudaram a ementa, para disfarçar).

      Termino fazendo salientar que nada tenho contra os banqueiros. Aliás, penso que cada português devia ter um banqueiro.

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