Marinho e Pinto sabe do que fala

 

Há centenas de debates no Parlamento Europeu que são verdadeiros faz-de-conta“, diz Marinho e Pinto. E ele sabe do que fala, pois foi protagonista em vários deles quando se discutiram temas como a reforma dos direitos de “autor” levada a cabo pelo Parlamento Europeu (PE). Afirmou em certa altura que não viu nenhuma das cartas abertas que tinham sido divulgadas então, as quais explicavam porque eram erradas as medidas que o PE estava a preparar. O Sr. Eurodeputado tinha, certamente, mais que fazer do que informar-se e contribuir para que este debate não fosse um verdadeiro faz-de-conta. Fez-se de conta que se estavam a defender os direitos de autor, quando, na verdade, foram os interesses dos grupos editoriais que saíram reforçados.

A propósito, no domingo este senhor vai a votos.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    foram os interesses dos grupos editoriais que saíram reforçados

    Foram reforçados os interesses de quem detém os direitos de autor, seja lá quem fôr.

    Como Marinho e Pinto muito bem fez notar, é preferível reforçar os interesses de autores e/ou grupos editoriais europeus, do que reforçar os interesses de gigantescas e tentaculares companhias de internet norte-americanas.

    • j. manuel cordeiro says:

      Concordo que é preferível reforçar os interesses de autores e/ou grupos editoriais europeus, do que reforçar os interesses dos gigantes americanos. Mas esta legislação, na verdade, reforça o poder desses gigantes, pois só um gigante é que tem a capacidade de implementar os filtros de conteúdos.

      Quanto ao reforço dos direitos dos autores, estes filtros têm funcionado contra eles. Os grupos editoriais têm submetido tudo o que seja conteúdos, mesmo quando não têm verdadeiros direitos de autor sobre eles. Dei uns exemplos há tempos.

      • Luís Lavoura says:

        esta legislação reforça o poder desses gigantes, pois só um gigante é que tem a capacidade de implementar os filtros de conteúdos

        Não. Esta legislação o que faz é acabar com um modelo de negócio baseado na distribuição a esmo de conteúdos não verificados.

        Uma empresa que se dedique a espalhar conteúdos que ela própria compre ou produza (como por exemplo a Spotify ou a Amazon) pode continuar a funcionar.

        Há que entender que durante muito tempo as autoridades estatais, com o fim de desenvolverem a internet, permitiram que as empresas dela fizessem o que nenhuma empresa fora dela é autorizada a fazer. Por exemplo, um banco não é autorizado a coletar dados sobre os movimentos monetários de cada um dos seus clientes e a vender esses dados a uma outra empresa qualquer; uma empresa telefónica não é autorizada a coletar dados sobre as chamadas telefónicas dos seus clientes e a vender esses dados a outra empresa qualquer; mas as empresas da internet são autorizadas a fazer isso!!! Um jornal não é autorizado a publicar cartas ao editor contendo instruções sobre como fazer bombas, ou contendo calúnias sobre pessoas – o jornal é responsabilizado por aquilo que publica, mesmo quando aquilo que publica é escrito por outrém; mas as empresas da internet são autorizadas a fazer isso!!!

        Agora o forrobodó tem que acabar!

        • Paulo Marques says:

          Sim, uma empresa que permita comentários ou conversas de qualquer espécie ou os bloqueia ou paga ao Google para o fazer. Ponto final.
          Quanto aos dados pessoais, são questão da GDPR, não do artigo 13º e, adivinhe, ninguém respeita e nenhuma autoridade se importa.

        • j. manuel cordeiro says:

          Luís Lavoura, a sua premissa parece apontar para a perda de negócio devido à Internet. No entanto, esta fez aumentar as vendas. Ver o caso do streaming.

          https://www.theguardian.com/business/2018/jan/03/digital-streaming-behind-biggest-rise-in-uk-music-sales-for-two-decades

          Digital streaming behind biggest rise in UK music sales for two decades
          Platforms such as Apple Music and Spotify plus renaissance in vinyl records help fuel fastest annual growth since 1998

          Não dou para esse peditório das coitadinhas das editoras que perdem dinheiro com a pirataria e com os gigantes que lhes se aproveitam deles.

          Ao contrário do que diz, a lei aplica-se a todos, incluindo essa suposta categoria de empresas da Internet.

      • Luís Lavoura says:

        Os grupos editoriais têm submetido tudo o que seja conteúdos, mesmo quando não têm verdadeiros direitos de autor sobre eles.

        Se fazem isso estão a violar a lei. Ninguém pode divulgar conteúdos quando não tem direitos de autor sobre eles. Se um grupo editorial o faz, está a violar a lei e pode e deve ser punido.

        • Paulo Marques says:

          Punido? lol. Ninguém é punido por se “enganar” a fazer um pedido de takedown por excesso de zelo.

        • j. manuel cordeiro says:

          Luís Lavoura, sim, fazem isso. Repito um link que lhe tinha dado em resposta a um comentário seu num post anterior. Pelos vistos, não leu.
          https://torrentfreak.com/youtubes-copyright-protection-system-is-a-total-mess-can-it-be-fixed-181222/

          Até gravações de silêncio já foram registadas como contendo direito de autor.

          O problema é que os pedidos de DCMA não são validados judicialmente. Creio que saberá disso, dado o seu interesse pelo tema. O que as editoras fazem é agirem como trolls, submetendo milhares de registos para os Content ID, mesmo quando não têm direitos legais sobre esses materiais.

          Além disso, estes filtros não compreendem a lei que permite citar dentro da legalidade.

          Mas gasto o meu latim consigo, pois já por mais do que uma vez lhe dei estas respostas.

          Uma coisa é certa, não se resolve um problema criando outro problema. E é isso que esta lei aprovada por Marinho e Pinto fez.

          E o que está em causa neste post nem é a discussão dessa lei, mas sim o facto deste eurodeputado não ter procurado representar aqueles que o elegeram, tendo optado pelas suas convicções pessoais.

          Este sim, é o problema dessa coisa chamada parlamento europeu.

    • Paulo Marques says:

      «Foram reforçados os interesses de quem detém os direitos de autor, seja lá quem fôr.»
      Tendo em conta de onde vem a maior parte do que é consumido, faça as contas ao dinheiro que saia se a lei fosse cumprível. Felizmente, é só mais uma patetice de quem acha que é tudo tubos, mas a verdadeira censura vem já a seguir.


  2. E quanto às eleições europeias :

    ( e confessando a minha anterior ingenuidade mal informada sobre a figura de Macron…que da de Costa já a gente sabe ) :

    http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2019/05/diz-que-e-uma-especie-de-frente.html

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