Dizem que teremos eleições europeias

Tenho acompanhado menos a campanha eleitoral para as eleições europeias e os ecos mediáticos dizem-me que não tenho perdido coisa alguma.

Na verdade, o pouco a que acabo exposto recorda-me Chernobyl. As radiações acabam por chegar e causam náusea.

Hoje estava a passar na rádio a cobertura da campanha. A reportagem da Antena 1 repita as palavras de Paulo Rangel: Sócrates, Sócrates, Sócrates. Chegado ao PS, o tom era, surpresa!, a irresponsabilidade da esquerda. O Bloco puxou o tema dos paraísos fiscais apadrinhados por Juncker. E o PCP apelou a que um amigo trouxesse outro amigo.

Quando forem legalmente entregues às prateleiras douradas por via da eleição, os senhores deputados, ou maioria deles, farão questão de evocar o programa eleitoral, como até agora têm feito, quando não quiserem debater algum tema. Esse documento que não faz parte da campanha eleitoral.

“Olá, sou a Lídia, tenho 27 anos e tenho muito orgulho de ser de Coimbra”, assim se apresentou a cabeça de lista do PSD por Coimbra, tendo passado, de seguida, à discussão dos problemas do foro da Junta de Freguesia. A “Europa” é uma ficção, ou nela se transformou, um lugar povoado de militantes partidários bem pagos, mandatados para decidir sem o apoio dos eleitores. Alguém se surpreende ainda que os nacionalismos ganhem terreno?

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Mas estavam à espera de quê?
    Anos a fio com esta Europa, depois de nos vender uma imensa dívida, contraída por nós, de facto, mas quase sempre a favor de alguns deles, em conluio com as nossas elites mamocráticas, nos chamaram despesistas, sim, foi isso que nos aconteceu; “queriam dar-nos o TGV”, mas tínhamos de comprar quase tudo aos franceses e alemães, venderam-nos os submarinos, eram alemães, e as contrapartidas “escafederam-se no oceano infinito”; deram-nos as eólicas, mas comprámos a tecnologia aos alemães e espanhóis, pelo menos no inicio, limitados a fazer as pás das hélices. Enfim, podia enumerar um cem número de investimentos feitos à pala da CEE, nesta terra, cujo pagante acabou por ser o contribuinte Português, sem que daí tenha extraído grandes benefícios, a não ser que pagar a electridade mais cara da Europa, seja uma benesse.
    A Europa do PS, PSD e CDS tem alguma coisa para nos oferecer, que não a austeridade e um chorrilho de alarvidades, onde nós acabamos por ser os malandros, e eles os bons da fita?
    Nada. Só de imaginar o Sr. Weber à frente da Comissão Europeia, já me dá arrepios, apesar do calor que já se faz sentir nesta altura.
    Um “gajo” pode nem ser de esquerda. Até pode achar que os partidos de esquerda querem oferecer aquilo que não temos. Blá blá blá, pardais ao ninho! Mas só de ver e ouvir o discurso dos partidos do regime, PS, PSD e CDS, fica-se logo a perceber, que ir votar neles, é votar no retrocesso.

  2. Julio Rolo Santos says:

    Insistirmos nos partidos tradicionais é o que dá, eles é que baralham e voltam a dar e nós a irmos na onda desvalorizando as alternativas que se apresentam a sufrágio. Se queremos sempre do mesmo, do que nos queixamos se os partidos tradicionais já não têm nada para nos oferecer? Insisto, votar é um direito mas também um dever. Abstenção, não é solução, Pois, VOTEMOS.

  3. Paulo Marques says:

    Quanto às eleições, nomeadamente as europeias, só há duas perguntas que interessam:
    – o que fazer face ao ecocídio do planeta inteiro?
    – há alternativa à economia a estar dependente de um stock elevado de desemprego que é sempre exagerado para fazer face a uma inflação que não existe?

    Infelizmente, as respostas são uma miséria. Principalmente porque a maioria são “o que a eurolândia quiser, tá tudo bem”.


  4. ” …Relembro também que não se pode votar em consciência. Agora que penso nisso, é o melhor nome para um partido. Partido Consciência. Tudo à porta das mesas de voto a dizer “tem de se votar em consciência”. E a Comissão Nacional de Eleições não podia fazer nada. ”

    : )

    in / Imprensa Falsa