Problema de expressão: Open Conventos

Devia ser como no cinema
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém

Carlos Tê

 

Há uns tempos, escrevi sobre o Pordata Kids. Recentemente, descobri que uma outra iniciativa igualmente meritória foi baptizada e lançada no mundo com o nome Open Conventos.

Se o objectivo é chamar o turista estrangeiro, o que está ali a fazer, desavergonhada, uma palavra portuguesa? Se o alvo é o português, para quê uma palavra inglesa? “Conventos abertos” ou “Abrir os conventos” ou “Conventos desconhecidos” seriam disparates? Tu, leitor, sentir-te-ias menos cosmopolita e, ao mesmo tempo, menos português?

Enquanto se conhece o magnífico património arquitectónico, por que razão se desconsidera o linguístico? Será que somos tão saloios que não podemos participar em iniciativas anunciadas exclusivamente em português? Em vez de uma expressão que não está em nenhuma língua, não seria melhor publicar um anúncio com a mesma expressão em duas línguas, apelando ao indígena e chamando o estrangeiro?

Não sei, talvez já não seja o timing certo para fazer estas perguntas. Fico a aguardar o vosso feedback.

 

Comments

  1. dariosilva says:

    Falta o pitch certo a “Conventos abertos”.

  2. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Na minha terra, havia uma expressão usada para os parolos que se armavam em espertos: “esperteza saloia”. Na altura, não sabia quem eram os “saloios”, mas para mim, saloio passou a ser sinónimo de parolo.

    Sobre os “Open Conventos”, só tenho a dizer que o(a) ou os(as) autores(as) revelaram-se detentores de um elevado grau de “esperteza saloia”, e que a denominação não passa de mais um exemplo de parolice, ou saloice.

  3. João Barroca says:

    Modernismo saloio é o que é…
    E de caminho, abatem uns vocábulos portugueses. É a novilíngua!

  4. Ana A. says:

    “Não sei, talvez já não seja o timing certo para fazer estas perguntas. Fico a aguardar o vosso feedback.”

    Começamos com esta saloiice para captar os estranjas, e já estamos naquela fase de, querendo agradar a gregos e a troianos, já nem na nossa própria língua nos entendemos. Pelo menos no que à escrita diz respeito…


  5. Para os mais distraídos, é um ‘trend’ da linguagem publicitária ‘made in USA’, que invadiu todos os campos da sociedade – e não apenas a promoção cultural e turística (lembram-se do famoso ‘Allgarve’?). Os estrangeirismos sempre fizeram parte da dinâmica das línguas, mas o abuso dos de origem inglesa extremou-se nos últimos anos e faz parte de um processo de colonização cultural e mental, que menoriza, cretiniza e infantiliza – embora poucos pareçam incomodar-se. Talvez já tenham reparado nos ‘wine&tapas’ (em vez de vinho e petiscos), os ‘brunch all day’, as ‘typical portuguese tapas’, etc. (a lista é extensa!), pelas ruas da cidade, ou nos ‘players’, ‘think-tanks’, ‘trendsetters’, ‘brand entertainments’, ‘empowerments’, ‘leaderships’, ‘outsourcings’, etc. (a lista é igualmente extensa) pelos jornais, revistas e TVs. É uma invasão insidiosa que vai apagando identidades e destruindo a diversidade (cultural). Um processo inquietantemente semelhante ao que sucede no mundo natural… E os desfechos catastróficos já estão à vista!
    Nota: o meu uso de palavras inglesas no início do texto foi para devolver a chalaça da última frase do ‘post’… Só para evitar eventuais impropérios…
    Álvaro Fonseca (Lisboa)
    P.S. Pelo menos os ‘Jardins Abertos’, que acontecem também este fim de semana, não são ‘Open-Jardins’…

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