Na falta de palavras, o título fica: Alfredo Quintana!

Vai defender, vai defender. Esta não passa. Viste? Eu disse-te, pá!

Sou capaz de já ter dito isto umas milhares de vezes na bancada atrás da baliza no nosso pavilhão. Por vezes, com dezenas de pessoas à volta. Outras vezes, com meia dúzia. E algumas, até sozinho. Numa tarde de sábado às 18h ou numa noite de quarta-feira às 21h, pouco importava. E depois desta espécie de adivinhação, tu correspondias e as colunas do Dragão gritavam QUINTANA! E se o momento fosse digno de tal, lá te viravas para a bancada para festejar como se um golo fosse.

Vou regulamente às modalidades desde 2014, desde os meus 14 anos. Desde sempre vi o Quintana entre os postes. Era um exemplo de profissionalismo, mas também de portismo. A entrega a cada lance fazia com que cada um de nós o idolatrasse. Era muito mais do que um guarda-redes, era muito mais do que um atleta de andebol, era a personificação daquilo que acreditamos de uma forma religiosa que é a mística do Futebol Clube do Porto. No fundo, todos nós achamos que o nosso é melhor do que os outros. E todos nós gostamos de ter um Quintana. E todos nós gostamos de ter rivais como o Quintana. Todos nós gostamos de pessoas leais, mesmo que essa lealdade não seja dedicada a nós.

Por vezes, nos meus momentos mais vazios, penso se não perdi muito tempo a ir ao pavilhão, para jogos que acabavam com diferenças de 20 golos. Hoje, penso no que perdi ao não ir ver alguns desses jogos.

Ontem, a vida pregou-te esta partida. Sempre te distinguiste pelos teus bons valores. Agora, é a nossa vez de honrar o teu bom nome.

Lamento que uma família tão bonita tenha ficado sem o seu número 1. Sem aquele que todos nós temos como um verdadeiro gajo porreiro que emana felicidade por onde passa.

Obrigado, Alfredo Quintana.

 

 

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    “Por vezes, nos meus momentos mais vazios, penso se não perdi muito tempo a ir ao pavilhão… Hoje, penso no que perdi ao não ir ver alguns desses jogos.”

    A resposta, Francisco: perdeu mais umas horas de comunhão e catarse colectiva, de identificação parola com uma entidade que se está nas tintas para si e todos que a idolatram.

    Perdeu mais uns momentos de satisfação pelo esforço de outrém, pela glória de outrém, pela fama, regalias e remuneração obscena (mais no futebol que no andebol) de outrém.

    Perdeu, enfim, a oportunidade de trocar aquilo que fez ou que podia ter feito – ler, escrever, reflectir, namorar, estudar, viajar – por mais uns vivas, uns ‘vai defender!’ e uns ‘ganhámos!’, urros vazios desta era de adeptos e espectadores, carneiros sempre deslumbrados, fiéis consumidores de jogadores e celebridades que jamais conhecerão – mas que choram como se fossem amigos.

    As minhas condolências pela sua perda.

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