Controlo da Pandemia – Irresponsabilidade insana

O Presidente da República, o Primeiro-Ministro, os órgãos de comunicação social e boa parte dos cidadãos serão co-responsáveis pela insana ausência de medidas de controlo da pandemia na Área Metropolitana de Lisboa, que poderá seriamente colocar em risco a manutenção de Portugal como país seguro para o turismo.
Reconheço a validade dos argumentos do Presidente e do Primeiro-Ministro: de que a vacinação já efectuada permite que os novos infectados não representem risco de vida ou sequer de internamento, uma vez que os sectores etários de risco mais elevado ou já morreram ou estão vacinados, e que, por tal, poderemos não ser tão severos no controlo da pandemia e que, por outro lado, não podemos adiar mais a recuperação económica de muitos sectores que foram obrigados a parar.
Trata-se de um sério erro de perspectiva, seja do ponto de vista sanitário, seja do ponto de vista económico, porque os critérios utilizados pela União Europeia para classificar os seus membros como destino seguro não contemplam esses argumentos.

Portugal avança no desconfinamento

Recordemos esses critérios estabelecidos a 20 de Maio de 2021:

1 – Máximo de 75 novos casos de COVID-19 por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias;
2 – Comprovar estabilidade ou decréscimo de novas infecções em comparação com a média móvel de 14 dias;
3 – Ter realizado mais de 300 testes por 100.000 habitantes na semana anterior, se os dados estiverem disponíveis no ECDC;
4 – Ter menos de 4% de resultados positivos entre todos os testes feitos na semana anterior, se houver dados no ECDC;
5 – Não forem detectadas novas cepas de COVID-19 no país, em particular as variantes preocupantes do vírus.

Como constatamos, a Área Metropolitana de Lisboa está longe de conseguir cumprir com a maioria desses critérios e, como não somos um país regionalizado, esses dados influenciam todo o país relativamente ao número de novas infecções por 100.00 habitantes e ao “R”, o risco de contágio.

Esta insanidade de não ter voltado a confinar a Área Metropolitana de Lisboa teve por consequência imediata o descontrolo da pandemia e, em muito breve prazo, a pior das consequências económicas – sairmos do grupo de países considerados seguros.

Com a época alta a iniciar e com uma economia tão dependente do turismo, Portugal poderá vir a pagar um preço bem elevado, tal como já aconteceu no ano passado, com os países europeus a procurar outros destinos para as suas férias!
Nem de propósito, enquanto escrevia este artigo aconteceu o que temia – Reino Unido retira a luz verde a Portugal como destino seguro.

Isto é de uma insanidade que me escapa por completo, um desastre para a recuperação económica, perpetrada por quem diz à boca cheia pretender a recuperação económica enquanto a nega de forma tão soez!

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Fale com os colegas libertários que defendem que devia ser assim desde Janeiro, que eu vou para o nabal ver se chove.

  2. Filipe Bastos says:

    Disto é que o Paulo gosta: muita histeria covideira.

    Como se vê pelo downgrade de Portugal no paranóico semáforo inglês, está longe de estar só. E sem o turismo, sem magotes de bifes bêbados, de que vai a malta viver?

    Será que podemos todos ser gestores, consultores, marketers ou programadores a mamar ricos salários em casa? Futeboleiros? Gamers? Influencers? Funcionários públicos?

    • Paulo Marques says:

      De têxteis, metalúrgicas, montagem de barcos, carros e kayaks, cortiça, farmacêuticas, cultivo escravo e não escravo, etc, etc? Ou acha, afinal, que não é de desconfinar tendo hospitais com ampla capacidade, por várias razões, ao contrário do que disse durante o último ano?
      Para nos preocuparmos com um país disfuncional, que diz uma coisa uma semana e outra na seguinte, já basta o nosso. E a Alemanha, mas essa nem é preciso passar a hora. E o Boris lá vai obrigar os ingleses a ficar em casa no verão, com a malta vacinada? Na.
      Já agora, quem viu as freguesias notou que os casos estão, pelo contrário, em zonas de Erasmus e de trabalhadores temporários. E os ingleses, constantemente testados e practicamente em contacto só com o seu grupo, já foram, +- dentro do tempo da incubação.

      Quer isto dizer que não foi uma trapalhada? Não. Mas também não foi o caos a avassalar as cidades, são um bocado grandes.

      • Filipe Bastos says:

        Tudo foi uma trapalhada. Do início até agora. E se ao início ainda podiam ter alguma desculpa, por ser novidade e tal, há muito que a perderam.

        A questão, como bem sabe, é a excepção descarada aos bêbados ingleses. V. ignora sempre não só a incompetência, como sobretudo a hipocrisia deste governo sucateiro.

        Foi o mesmo no ‘focus group’ do Bosta após a tragédia de Pedrógão: para si nada de estranho, nada de grave. Tal a sua tolerância a filhos da puta.

  3. Execrável Mundo Novo says:

    “Irresponsabilidade insana” é este artigo, por vários motivos:

    1 – O número de casos só é relevante em função dos casos serem graves, não faz sentido confinar pessoas (muito menos as saudáveis/assintomáticas) se a doença não provoca internamentos ou mortes…

    2 – O “R” não é índice de contágio, é uma taxa de transmissibilidade. E esta só é relevante se os contágios tiverem relação directa com os casos graves (algo que se verifica cada vez menos devido à vacinação).

    3 – Contacto não implica contágio.

    4 – Contágio não implica doença.

    5 – Doença não implica doença grave.

    Irresponsabilidade insana é querer confinar tudo em função de uma minoria cada vez menos significativa, como se confinar não tivesse custos enormes tanto económicos como de saúde pública (já foi insano o suficiente durante mais de um ano só se avaliarem os custos da doença sem os pesar com os custos da “cura”)…

    PS – “Descontrolo da pandemia”? A sério? Se está a hiperventilar com a situação actual, não sei como não teve um colapso nervoso no inverno que passou…

    PPS – Se um dia destes tivermos 1000 casos diários por cada 100 mil habitantes, mas nenhum caso necessitar de internamento, vamos insistir em confinar porque a UE definiu que o limite é de 75 e se dá por contente ao ignorar a cada vez menor gravidade/letalidade da doença… É isso!?!? Não será o número de internamentos por 100 mil habitantes um critério muito mais relevante nesta altura!?!?

  4. Sarcasmo says:

    Os membros de certa religião, na Índia, ouviram dos seus chefes religiosos que a forma mais eficaz de se protegerem contra o “bicho” era untarem-se com merda de vaca.

    Se amanhã os chefes religiosos do autor deste artigo (a tal UE perante quem ele ajoelha) vierem estabelecer como critério que pelo menos 50% dos locais precisem comer merda duas vezes ao dia para os respectivos países constarem da lista verde, suponho que o autor passe a comer merda 3 vezes ao dia, só para garantir que fez a sua parte e não é um dos co-responsáveis pela ausência de medidas de controlo que advirá da irresponsabilidade insana dos que se recusarem a comê-la. Sim, que é seguramente insano quem se recuse a comer merda em salvaguarda desse bem maior que é a presença do país na lista verde do turismo.

    Agora questionar a insanidade dos critérios do chefe religioso, isso é que não se pode, isso é que era insanidade!

    • Paulo Marques says:

      Merda de vaca, não sei, mas zinco e cloroquina houve muitos que comeram; um ou dois até partiram a lixívia.


  5. Oh maralhal. Aqui há algo que me escapa. Quando a vacinação está no auge, é quando sobem os casos. Aí há gato e do grande. Ná! É mais uma história muito mal contada. Olá se é!!!!

    • Paulo Marques says:

      Não é quando está no auge, é quando se desconfina a meses do fim. E é parvo porque a estratégia europeia sempre foi esta, preocupar unicamente com a capacidade hospitalar, ainda por cima no Reino Unido.

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