Tem a certeza que quer falar sobre ligeireza e irresponsabilidade, deputada Cristas?

A ex-ministra que aprovou o projecto de resolução do BES sem saber muito bem do que se tratava, assinando de cruz com a própria admitiu, veio por estes dias acusar o primeiro-ministro de ligeireza e irresponsabilidade no que toca aos temas da Segurança e da Educação. Sobre o primeiro, com o foco de Assunção Cristas a apontar para o impasse nas secretas e para a ameaça terrorista, desconheço a existência de motivos para alarme. Aliás, a falta de notícias sobre o tema leva-me a crer que, das duas uma: ou os serviços de segurança têm sido extremamente eficazes a antecipar e desmontar potenciais ameaças, ou serão os terroristas que não têm grande interesse em gastar os seus parcos recursos no Rectângulo. A ausência de chefia nas secretas, por si só, não me parece motivo de grande preocupação. Com certeza que as suas funções estão asseguradas, ainda que de forma interina. [Read more…]

E quer esta senhora ser presidente da CM de Lisboa

A vida política portuguesa é insólita. Volta e meia temos um destes episódios, bizarros, que nem a maquilhagem mais espessa consegue dissimular, mas aos quais grande parte dos portugueses assistem, impávidos, como se nada fosse. Temos esta senhora, Dra. Assunção Cristas, que lidera um partido, o CDS-PP, que apesar de pequeno, tem enorme influência na banca, nos grandes escritórios de advogados e nas grandes empresas, e que dá uma entrevista ao Público onde confessa, sem grandes rodeios, que estava muito descansada de férias e recebeu um pedido urgente da ministra das Finanças. Era preciso aprovar um decreto-lei, que a senhora Cristas desconhecia por completo, e que assinou de cruz, como se nada fosse. [Read more…]

Abstenção – tempo para resolver

A normalidade eleitoral atira para o fim de 2017 o próximo processo e por isso, parece-me que há algum tempo para proceder a uma actualização dos cadernos eleitorais.

De acordo com os dados disponíveis, estão inscritos nos cadernos eleitorais 9700645 pessoas.

Começo por sublinhar a diferença existente entre esses dados e os que a PORDATA apresenta, exactamente para o mesmo universo: 9746069 (45424 eleitores de diferença, mais do que os votos do Henrique Neto).

Podemos (e devemos) ir buscar todos os dados disponíveis para analisar esta questão, mas há um ou outro que até o Google nos revela: há em Portugal 1506048 jovens com menos de 15 anos (dados de 2014).

Ora, se aos 10 401 000 habitantes se retirarem estes jovens, sem capacidade eleitoral, temos  8894952 habitantes com mais de 15 anos. Sabemos que, destes, alguns são jovens e outros, estrangeiros, não têm (ainda) possibilidade de participarem nas eleições, mas são, de qualquer modo, muito menos que os eleitores.

Em síntese, há uma diferença de 8,7%  entre os eleitores oficiais e o número de pessoas com mais de 15 anos, por isso, há pelo menos esse valor a retirar à lista de eleitores. A abstenção é uma questão de responsabilidade, mas é também uma opção política. É urgente a sua resolução enquanto o tempo das eleições não volta.

Irresponsabilidade, falta de civismo e comportamentos perigosos na campanha do PàF

PaF 1

Para aqueles que não conhecem a via que surge na imagem em cima, trata-se da variante que circunda a cidade de Famalicão, uma via equiparada a auto-estrada onde se aplicam as regras previstas no código da estrada, que sobre a circulação nestas vias referem, podemos ler no site do IMTT:

PARAGEM EM AUTOESTRADA: A paragem em autoestrada é proibida por lei e sancionada com contraordenação muito grave, tal como previsto no artigo 146.º do C.E. Somente em cenários de congestionamento de tráfego ou por emergência, pode-se parar e apenas em situações imperativas devidamente justificadas.

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Paulo Portas, um radical que não se importa de dar cabo de tudo

PPMLA

Durante uma homenagem ao congressista norte-americano luso-descendente Devin Nunes, Paulo Portas aproveitou o palanque para lançar algumas achas eleitoralistas para a fogueira grega:

Há um radicalismo que não se importa de dar cabo de tudo, por razões ideológicas.

Mas nem só de ideologias se fazem os radicalismos que não se importam de dar cabo de tudo. Outros há que dele fazem uso por motivos de ambição pessoal. Quando há exactamente dois anos e um dia atrás Paulo Portas apresentou a sua demissão, na sequência da nomeação da Maria Luís Albuquerque para ocupar o lugar deixado vago por Vítor Gaspar, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmava, em carta dirigida à nação:

Expressei, atempadamente, este ponto de vista [oposição à escolha da actual ministra para o lugar] ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

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Mérdio Soares

Degenera outra vez.

Alemanha separa bancos comerciais da banca de investimento

Por cá devemos estar à espera de autorização do Ricardo Salgado, ou do Fernando ‘Sensibilidade’ Ulrich. (Ver por que motivo isto é importante aqui.)

Cantona, inconsequente como sempre

Se o jogador Eric Cantona alternou nos campos o melhor e o pior de um jogador de futebol, o cidadão Cantona alternou pouco, foi sempre consequente na inconsequência.

E se a proposta de Cantona era populista e demagógica, especialmente vinda de alguém que depende absolutamente dos bancos para guardar a imensa quantidade de dinheiro que possui, o seu autor não se preocupou sequer em ocultar o facto de eticamente estar entre o caracol e a alface. Apelou aos outros, mas levantou dinheiro seu de um banco… e depositou-o noutro.

Eu, se pertencesse a um desses setores ideológicos teatrais de reflexão histriónica, diria que com amigos destes não precisaríamos de inimigos.

Por outro lado, políticos e banqueiros irromperam das suas redomas e chamaram irresponsável ao sr. Cantona. Ora, se bem percebo, os bancos agarraram em todo o dinheiro que tinham e que não tinham, levantaram-no e, abreviando, emprestaram-no sem garantias suficientes.

Os srs. com ar jocoso e responsável não falaram, nessa altura, em irresponsabilidade. É pena, porque se o tivessem feito, ter-nos-iam poupado muitas chatices e preocupações, além das tiradas do Eric. Eis um retrato dos tempos de glória, encomendado pelo próprio.

A EDP não tem culpa…

Não tem culpa do temporal diz um senhor com um ar muito sério, os postes foram feitos para aguentarem ventos  até100 kms/h, se houver ventos acima dessa velocidade a culpa é dos prejudicados que levam com os postes em cima.

Isto é, a EDP coloca os postes por cima dos bens do pobre cidadão, que não é tido nem achado e depois ele que aguente com os postes e com os prejuízos.

Esta é a forma como estas empresas monopolistas, que ganham milhões no mercado interno sem concorrência, que absorvem as mais valias de quem trabalha, olham para o cidadão/contribuinte.

A falta de respeito pelas pessoas está aqui bem retratada por este senhor que não tem vergonha de apresentar uma justificação destas. É a irresponsabilidade, a prepotência, isto é uma forma rasteira de alijar responsabilidades, por uma empresa gigante que pratica os preços que quer a ponto de andar a investir em energia verde nos US, enquanto em Portugal constrói barragens e compra carvão ao estrangeiro.

É como andar de carro à chuva, bater num carro estacionado e depois apresentar a factura ao temporal. O prejudicado esse, vai ao totta…