Hoje esgotámos os recursos naturais da Terra para 2021

Este ano, apenas foram necessários sete meses para que a humanidade esgotasse os recursos naturais que o planeta Terra consegue produzir num ano. A partir de hoje estamos a viver acima da biocapacidade da Terra. O Dia de Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) deste ano chega a 29 de Julho, três semanas antes do que em 2020. Em 1970, ele acontecia em Dezembro. Desde então, cada ano acontece mais cedo.

Actualmente, seriam necessárias 1,7 Terras para satisfazer as nossas balofas necessidades de consumo.

Enquanto não for enterrado este absurdo paradigma de desenvolvimento com crescimento infinito e estancada a sede insaciável de negócio, vamos continuar a destruir um património que não é nosso. Impunemente. Criminosamente.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    este absurdo paradigma de desenvolvimento com crescimento infinito

    Parte do “absurdo paradigma” deve-se simplesmente ao contínuo e “infinito” crescimento populacional.

    O Homem é como qualquer outro animal, continua a reproduzir-se sem parar até esgotar completamente os recursos (=alimentos) do seu ambiente.

    Se por exemplo se coloca numa ilha deserta uns veados, sem se ter o cuidado de colocar também alguns lobos, então é certo e sabido (já se fez a experiência) que os veados se reproduzirão sem parar até que toda a ilha está completamente pelada, praticamente sem erva, e os veados estão todos magríssimos e a morrer à fome, por serem de mais e terem esgotado os recursos alimentares da ilha.

    • Note-se que... says:

      A grande diferença entre o Homem (ainda se pode sizer assim ou é machismo patriarcal?), ao contrário do veado e dos outros animais, tem a capacidade de compreender a situação em que se está a colocar.

      Aparentemente a semelhança é que ainda assim, tal como o veado, não é capaz de inverter o rumo gerindo o seu consumo de forma racional… O que não surpreende enquanto não se botar mão a regular o marketing com que se bombardeia impunemente os “consumidores”.

    • Paulo Marques says:

      Venham mais Covids, que este foi fraquinho.

  2. Filipe Bastos says:

    O capitalismo, se virmos bem, é algo infantil. É uma maneira infantil de organizar a economia e a sociedade.

    Tentar produzir, consumir e possuir o mais possível. Não há limite. O único cálculo, a única preocupação: lucrar neste ano mais do que no anterior. Sempre mais. Como o cancro, só sabe crescer.

    As crianças pequenas são também assim. Só sabem que querem ter sempre mais brinquedos. Não querem saber como e onde são feitos, quem os faz e sob que condições, ou para onde irão depois. É uma visão imediatista e infantil da vida e do mundo.

    É normal as crianças serem assim, não sabem mais. Mas é suposto evoluírem e aprenderem. A direita e o capitalismo permitem-lhes nunca evoluir. São a racionalização do egoísmo e da ganância.

    • Paulo Marques says:

      Em teoria, a definição de capitalismo não implica a ganância egocêntrica, mas a prática tem sido essa, defendida até ao tutano por quem menos percebe como funciona o dinheiro, quanto mais o sistema.
      E era bom que não haja equivalência, graças aos estados perceberem o seu poder com base em MMT ou coisa do género, porque a alternativa acerta na crítica, mas a alternativa tem alguns problemas de implementação – nem que muitos sejam de influência externa, mas a resposta à diplomacia armada também tem que estar no plano.

  3. J. M. Freitas says:

    Os problemas ambientais derivam todos de haver humanos a mais. Apesar disso assistimos a constantes apelos ao aumento da natalidade para ….. tratar bem os idosos. É uma falácia, com a capacidade de produção que há hoje nada disso é preciso. Note-se que hoje existem cerca de 8 biliões de pessoas. Há poucos anos havia 2 biliões. E vai duplicar em breve. Se não se tomarem medias racionais a população vai de certeza diminuir através de guerras, pandemias e fomes. Além da população excessiva há outro problema: o desperdício. Veja-se que hoje deita-se fora o que ainda poderia durar muitos anos. Exemplos: automóveis, vestuário (sobretudo feminino) etc., etc.
    Hoje o problema não é produzir, é consumir e estragar. Por isso se inventou a publicidade: para nos convencer a consumir mais e mais. Apelar ao consumidor que se contenha não resulta. Vão por aí os ambientalistas e vegans que passam o tempo a pregar moral inutilmente. O problema tem de se atacar ao nível da produção e não do consumidor pregando-lhe que seja poupado (o que contraria a publicidade que é mais poderosa). Quem não ouvir esta opinião vai assistir (ou os seus descendentes) a muito sofrimento porque é possível viverem mais uns biliões mas, por exemplo, 500 biliões não parece possível. E se nada for feito lá chegaremos aos 500 …..

    • Paulo Marques says:

      Para isso era preciso destrinçar o capital dos recursos e deixar de os equivaler; tendo em conta que continua tudo a falar em “dinheiro dos contribuintes”, boa sorte com isso, a desigualdade é mesmo para aumentar para não afugentar os “criadores de emprego”.

  4. J. M. Freitas says:

    Filipe Bastos: eu concordo consigo.

  5. Elvimonte says:

    “Este ano, apenas foram necessários sete meses para que a humanidade esgotasse os recursos naturais que o planeta Terra consegue produzir num ano.”

    Mais uma vez a camarada Ana “cassete” Moreno a assumir o papel de catequista das madrassas.

    Mas quem é mediu “os recursos naturais que o planeta Terra consegue produzir num ano”?
    Ninguém mediu porque essa medição não é exequível. E se ninguém mediu porque não é possível medir, estamos a falar de quê?
    Estamos a falar da cassete/catequese aprendida nas madrassas com que a camarada Ana “casste” Moreno nos pretende catequisar.

    Se os recursos naturais para este ano já se esgotaram vai ser Marte a fazer um empréstimo? E as colheitas que ainda não se fizeram e se vão prolongar até ao Outono não contam para este ano? O arroz, o milho, as batatas, os melões, etc. já só contam para o ano?

    É tanta a ignorância, o chorilho de disparates é tão extenso que só me resta remeter a camarada Ana “cassete” Moreno para a grande crise do estrume de cavalo do final do século XIX.

    “This became known as the ‘Great Horse Manure Crisis of 1894’. The terrible situation was debated in 1898 at the world’s first international urban planning conference in New York, but no solution could be found. It seemed urban civilization was doomed.”
    Postulava-se nessa conferência de 1898 que dentro de pouco tempo as grandes cidades seriam submersas por camadas diárias de estrume com cerca de 2 metros de altura.

    Agora as crises são outras, também elas enormes e ameaçadoras da civilização, só que o estrume não é tão visível apesar da quantidade de moscas ser incomensuravelmente maior.

    • POIS! says:

      Pois tudo se confirma!

      Vejam o penúltimo parágrafo: é o Elvimonte a falar de esterco!

      Digam lá que não confere!

    • Alberto says:

      Malthus vive!!!! A evolução tecnológica não entra na equação ( dirigida e potenciada pela vontade de ganhar dinheiro) .

      A forma de captação de energia solar vai melhorar, seremos capazes de produzir muitos mais alimentos em menos espaço ( carne artificial, insectos, etc) deixaremos de queimar combustíveis fósseis não porque acabaram mas porque ficaram obsoletos.

      Algumas destas análises parecem saídas do séc. XIX: Como podem as pessoas continuar a pensar que conseguimos crescer se já não há mais onde guardar a bosta dos cavalos? Entretanto aparece o carro e a bosta deixa de ser problema.

      As projeções da ONU são da estabilização da população para meados só século ( qdo os atuais pobres ficarem remediados como nós).

      Da mesma forma que a Idade da pedra não acabou por falta de perdas, a Idade do petróleo não irá acabar por falta de petróleo.

      Leituras úteis:
      https://99percentinvisible.org/article/cities-paved-dung-urban-design-great-horse-manure-crisis-1894/

      https://www.un.org/development/desa/publications/world-population-prospects-2019-highlights.html

      • Paulo Marques says:

        E se não houverem milagres tecnológicos para que tudo continue na mesma porque também há limites de cobalto, lítio, e por aí fora, incluindo água potável?
        É que era bom que fosse rápido, a agricultura não gosta muito de mudanças.

    • Paulo Marques says:

      Toda a gente sabe que o único recurso que acaba todos os anos é que é criado a pedido num computador, os outros são infinitos.
      É evidente que a medida é tosca, à boa maneira economista, dependente de variáveis desconhecidas, mas também é evidente que há limites algures, e que esperar por vários milagres, e não só um como nos fertilizantes, é ter muita fé. Principalmente quando se conhecem vários mecanismos de feedback negativo.

  6. J. M. Freitas says:

    Elvimonte:
    Não tenha dúvidas a respeito do crescimento da população. É exponencial. Leia o exemplo acima dos veados.
    Para chegarmos a 8 biliões demorou séculos mas para dobrar vai demorar muito menos. E (se nada for feito e o crescimento continuar) há-de chegar altura em que dobra num mês, depois num dia, depois em 10 minutos, etc. Só não é verdade se algo se alterar. Se se continuar a crescer e se as pessoas responderem positivamente ao apelo para aumentar a natalidade o desastre é certo. Se continuar o desperdício propositado, pior. Antes de dobrar ao ritmo em que falo, acontecerá algo difícil de adivinhar que vai causar grande sofrimento. Talvez, doenças, guerras, mortes inexplicáveis, incapacidade de reprodução….
    Concordo consigo que o exemplo que menciona sete meses para que a humanidade esgote os recursos naturais é forçado e é das tais propagandas que desacreditam quem fala seriamente.

    • Elvimonte says:

      J.M. Freitas, conheço a curva de crescimento populacional. Mas também tenho conhecimento disto:

      a) nos últimos 50 anos a taxa de natalidade global reduziu-se a metade

      Fertility Rate – Our World in Data
      by M Roser · 2014 · Cited by 78 — Over the last 50 years the global fertility rate has halved. …

      b) as contagens de espermatozóides estão a diminuir há décadas

      [Evolution of male fertility in the last twenty years] – PubMed…
      by J Auger, 1997, Cited by 10 — After the meta-analysis by Carlsen et al. (1992) showing a decline in human sperm count over the last 50 years…

      c) a produtividade agrícola por unidade de área tem vindo a crescer há decadas

      “U.S. average corn yields have increased from approximately 1.6 tonnes/ha in the first third of the 20th century to today’s approximately 9.5 tonnes/ha. ”

      E também tenho conhecimento, entre outras, das previsões eco-apocalípticas dos últimos 60 anos, de que lhe deixo alguns exemplos:

      1967: Dire Famine Forecast By 1975
      1969: Everyone Will Disappear In a Cloud Of Blue Steam By 1989
      1970: Ice Age By 2000
      1970: America Subject to Water Rationing By 1974 and Food Rationing By 1980
      1971: New Ice Age Coming By 2020 or 2030
      1972: New Ice Age By 2070
      1974: Space Satellites Show New Ice Age Coming Fast
      1974: Another Ice Age?
      1974: Ozone Depletion a ‘Great Peril to Life (data and graph)
      1976: Scientific Consensus Planet Cooling, Famines imminent
      1980: Acid Rain Kills Life In Lakes (additional link)
      1978: No End in Sight to 30-Year Cooling Trend (additional link)
      1988: Regional Droughts (that never happened) in 1990s
      1988: Temperatures in DC Will Hit Record Highs
      1988: Maldive Islands will Be Underwater by 2018 (they’re not)
      1989: Rising Sea Levels will Obliterate Nations if Nothing Done by 2000
      1989: New York City’s West Side Highway Underwater by 2019
      2000: Children Won’t Know what Snow Is
      2002: Famine In 10 Years If We Don’t Give Up Eating Fish, Meat, and Dairy
      2004: Britain will Be Siberia by 2024
      2008: Arctic will Be Ice Free by 2018
      2008: Climate Genius Al Gore Predicts Ice-Free Arctic by 2013
      2009: Climate Genius Prince Charles Says we Have 96 Months to Save World
      2009: UK Prime Minister Says 50 Days to ‘Save The Planet From Catastrophe’
      2009: Climate Genius Al Gore Moves 2013 Prediction of Ice-Free Arctic to 2014
      2013: Arctic Ice-Free by 2015 (additional link)
      ( in “50 years of failed doomsday, eco-pocalyptic predictions; the so-called ‘experts’ are 0-50”)

      O que lhe posso dizer é que há pessoas que acreditam piamente nas mentiras com que nos querem enganar. Umas querem atenção, outras reconhecimento, outras são apenas idiotas (in)úteis. Mas há quem não acredite e pretenda apenas ganhar dinheiro a vender a banha da cobra que nos vai salvar da catástrofe. Essas pessoas precisam que os outros acreditem na catástrofe iminente porque só assim ganham dinheiro.

      • Alberto says:

        Obrigado pela racionalidade. É mesmo uma catequese.

        • POIS! says:

          Pois, por isso o comparsa cartuxo Elvimonte é mesmo conhecido pelo…

          Elvimonte Pisga, pois basta pôr-se em cima de um banquinho e avista logo a Terra Prometida, assim chamada por ser formada por resmas de contratos-promessa de lotes urbanizados.

          Além da pregação diária (usando sempre pregos-rebite do melhor aço), aos domingos dá catequese, onde há racionalidade reforçada. Passe por lá e tem direito V. Exa. ao dobro da ração.

      • Paulo Marques says:

        A única coisa que isso prova é que o clickbait não é novo; a ciência era outra.

      • POIS! says:

        Pois, realmente, os espermatozoides já são cada vez menos.

        Mas o pior é que há gente que, depois de uma corrida desesperada, onde vale tudo menos tirar caudas, que os desgraçados têm de ganhar para entrar no óvulo, ainda há gentinha que, instruída pela esquerdaria feminista, lhes fecha a porta nas cabecinhas.

        Coitadinhos, ficam todos cá fora a cantar as janeiras a pensar que já lá está um dentro, mas não! Foram burlados!

        Só de pensar nisto fico com vontade de passar o resto da vida a chorar! É indecente!


  7. E, sobretudo, os ocidentais precisam começar a comer menos, muito menos, batatas fritas, iogurtes e toda uma panoplia de coisas comemos apenas porque temos podemos e nos dá prazer. Mas……………..o que fazer a tanta gente que irá ficar desempregada se este turbilhão galopante de produção levar travões ? Não sei, nem sequer imagino. Mas sei que é preciso.

    • Paulo Marques says:

      Acabar com o jogo de cadeiras da empregabilidade com horários mais curtos de trabalho e garantia de emprego em coisas não pagas que criam riqueza, libertando os recursos necessários acabando com o que causar maior desperdício.

  8. J. M. Freitas says:

    ” que fazer a tanta gente que irá ficar desempregada se este turbilhão galopante de produção levar travões ?”
    Se se mantiver o capitalismo será um desastre. Talvez o seu fim.
    Comer menos e pior, discordo. O que me aflige é deitar fora um carro que funciona ou uma peça de vestuário só porque se lançou nova moda ou novo modelo. E muitas outras coisas, incluindo a indústria de armamento. Não podemos adivinhar o futuro. Prognósticos só no fim do jogo (frase de um grande sábio). Mas que o crescimento não pode continuar como até aqui, isso é certo. Absolutamente certo (se existe alguma coisa absoluta).

  9. Ana Moreno says:

    “Os alimentos são outra área importante — segundo a GFN, metade da biocapacidade da Terra é usada apenas para nos manter alimentados. Mas muito desse alimento é perdido devido a ineficiências durante o processo de produção, ou desperdício. Estima-se que 30% a 40% dos alimentos nos EUA acabem em aterros sanitários a cada ano.

    Eliminando a perda e o desperdício de alimentos, reduzindo o consumo de carne e escolhendo alimentos cultivados com práticas agrícolas mais sustentáveis e menos dependentes de combustíveis fósseis, outro mês poderia ser adicionado à conta de biocapacidade da Terra. Mudar para dietas mais baseadas em vegetais, por exemplo, poderia ajudar a reduzir as emissões relacionadas aos alimentos em até 70% até 2050, de acordo com um recente relatório preliminar divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.”
    https://www.dw.com/pt-br/dia-da-sobrecarga-da-terra-chega-mais-cedo/a-58677471

  10. J. M. Freitas says:

    Na minha opinião a diminuição de desperdícios é positivo mas é simples paliativo que serve para adiar os problemas.

    “a) nos últimos 50 anos a taxa de natalidade global reduziu-se a metade
    ………
    b) as contagens de espermatozóides estão a diminuir há décadas”
    Se isto acontecer ao ritmo suficiente pode ser a solução. Mas os apelos ao aumento de natalidade são muito frequentes. Se a população seguir esses apelos …. é suicídio.

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