Universidade Católica ocupada por radicais de esquerda

A Universidade Católica, home of the brave, poderá ter sido ocupada, com a violência que tal acarreta, por radicais de esquerda ao serviço da Geringonça. Só isso explica a apresentação de tais dados, aritmeticamente impossíveis, sobre o crescimento do PIB português no ano corrente. As estimativas da universidade apontam para um crescimento de 2,4% em 2017, algo que não pode ser verdade, pelo menos a julgar pelas profecias apocalípticas do culto de Belzebu, sempre rigorosas. Nem o governo consegue ser tão optimista, pelo que não podemos estar perante outra coisa que não seja um grande embuste, fabricado no lodo soviético-venezuelano em que o país se encontra aprisionado, refém de comunistas e bloquistas, onde investidor algum porá o seu dinheiro. A claustrofobia democrática é assustadora. Não demorará muito até que estejamos a lutar por sacos de arroz no corredor de um supermercado vazio. O horror.

Gráfico: INE e UCatólica via Jornal de Negócios

Para os ressabiados, com amor

PSD

Aplausos para mais uma emissão de dívida pública bem sucedida, apesar do dilúvio bíblico que se aproxima? Pouco provável, principalmente vindo de quem faz do “whisful thinking catastrofista” a sua forma de combate político, independentemente dos números do crescimento económico arrasarem por completo a sua estratégia. Alguém está a precisar de mais uns quantos fazedores de opinião nas TV’s e de mais meia-dúzia de jornais servis. O ministério da propaganda não está a dar conta do recado.

Foto: José Coelho/Lusa@RTP

Arrebentamento

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“Quem acredita num crescimento infinito num planeta fisicamente finito, ou é louco, ou economista” – David Attenborough

Marcha Mundial do Clima em Lisboa, 29.11.2015, 15 horas, Martim Moniz

Pensar o conceito de crescimento

«A esquerda pode e deve ser pioneira na defesa da prosperidade em lugar do crescimento económico. Este conceito prova ser tão mais necessário quanto as desigualdades não param de aumentar, em Portugal e no planeta.»
[«Esquerda e Ecologia», Jorge Pinto, n’O Irrevogável]

Europa austeritária: uma década de crescimento perdida

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«No final de 2017, com sorte alcançaremos o nível de PIB de 2007.»
[Thomas Piketty]

Já não se fazem radicais de esquerda como antigamente

PIB grego cresce 0,8% no segundo trimestre.

Contos para crianças VII: a retoma

FMI diz que aceleração actual do crescimento se deve a factores temporários e que Portugal arrisca abrandamento do investimento e exportações já a partir do próximo ano.” (Público)

Contos para crianças II: o crescimento económico

Segundo o Expresso, que cita dados do “professor” FMI, Portugal será a sétima economia mais lenta do mundo no período 2011-20. O Fundo prevê que Portugal seja ultrapassado pela Grécia em termos de PIB per capita até 2020.

Senhores capitalistas, seus acólitos neoliberais e beneficiários do sistema em declínio descontrolado:

acabou-se o «crescimento» “à maluca”.
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António, recebi a tua carta.

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Fui encontrá-la no chão da entrada, onde aterram até que alguém os apanhe os envelopes que o carteiro enfia por debaixo da porta da rua. Havia outra, imaginas de quem, não é? Lá dentro estava um texto em Português acordizado, razão bastante, caso não houvesse outras, para não passar das primeiras linhas. Não aguento ver assim tratada a única pátria que conheço, compreendes?

No verso do teu envelope, lá estava aquela frase a afirmar na sua importância maiúscula que «PORTUGAL PRECISA DE SI.» Quando, depois das viagens formadoras da juventude, voltei para Portugal, fi-lo a achar isso mesmo: que Portugal, onde estava tudo por fazer, precisava de mim, mesmo se na justa medida em que também eu precisava de Portugal, pelas razões de superlativo mistério que fizeram com que uma imigrante (ou estrangeirada, chama-lhe o que quiseres António) se ligasse a este lugar mental ainda tão novinha, e desafiando as mais avisadas advertências que me exortavam a abraçar outra pátria.

Volto à tua carta: abri-a, lá te descobri na imagem de cabeçalho junto a uma réplica dessa frase: «PORTUGAL PRECISA DE SI». Pronto, afinal sempre era verdade. [Read more…]

Passos trocados

Diz a sabedoria popular que é preciso saber dançar consoante a música. Todavia, o que é popular causa enorme engulho à Extrema-Direita que está no poder. Sim, digo Extrema-Direita porque esta Direita não aceita a crítica nem a contestação, e mesmo quando recua, como na TSU, faz em amuo e com insulto, mimando os empresários de medrosos e de ignorantes. Numa exercitada arrogância, este Governo insiste em fazer o que não resulta, porque entende que não é ele quem está mal, é todo o resto do país. Para este Governo não há opiniões, pontos de vista ou alternativas: há aliados ou inimigos. E se o povo não se alia ao Governo, então é inimigo. Quem não está com o Governo está contra ele. E quem está contra o Governo não merece mais do que ser tratado de medroso ou ignorante, ou da sua condição de desempregado ser considerada como zona de conforto, ou de lhe ser apontada a emigração como futuro. Porque o Governo teima em querer dançar contra a banda, em ignorar a música da orquestra e insiste numa desconcertante coreografia de má execução orçamental, de falhanço retumbante de combate ao défice, de ausência de modelo económico adequado à realidade do país, de total ausência de medidas criadoras de emprego, de empobrecimento da classe média, etc. E faz tudo isto com passos de quem quer crescimento económico, com uma população com cada vez menos dinheiro para gastar; de quem quer a reconversão das empresas para a exportação sem apresentar caminhos, como se, por exemplo, a construção civil – grande base de emprego em Portugal – passasse, por magia, a produzir caravanas, rulotes, atrelados ou tendas de campismo ao invés de apartamentos ou moradias; de quem quer que as empresas sejam financiadas, mas sem obrigar a banca retirá-las da asfixia de falta de liquidez em que a esmagadora maioria se encontra, antes pondo os trabalhadores a financiar os patrões. Esta Direita de passos trocados, insiste na sua dança porque acha que a orquestra toda é que está errada e que os demais que dançam no baile e com quem colide, também. Todos estão errados, menos ela. E o pior é que não pensa nem age assim por mero capricho, é mesmo por convicção. E é isso que a torna verdadeiramente perigosa.

O longo caminho europeu para o suicídio

Quando a Alemanha começa a provar do seu próprio veneno, o G20 vem defender menos austeridade para a Europa e o FMI começa a dizer que são necessárias medidas para combater a recessão e o desemprego

“As reformas estruturais devem ser implementadas agora como âncora das perspectivas de crescimento de médio prazo, mas têm de ser complementadas para dinamizar o crescimento no curto prazo”

Ora, sabendo nós que as medidas da troika – onde o FMI se inclui – previam uma diminuição da procura e um aumento do desemprego, este tipo de discurso parece esquizofrénico e cheio de sinais de sentido contrário.

Como não é previsível que o FMI prove o seu próprio veneno, resta-nos esperar que, por uma vez, alguma lucidez se instale, instigada pelos países extra-europeus.

Porque os europeus, deixados sozinhos ou na companhia do FMI, vão continuar, gota a gota, a suicidar-se lentamente.

Escreveu um comunicado porque ao vivo não disfarçava a gargalhada

Olivier Rehn acredita que Portugal regressa ao crescimento positivo no próximo ano.

Agenda para o crescimento: uma cena tipo coiso

Na Califórnia imaginária do século XIX da minha infância, acompanhei Zorro, o valente mascarado; no Portugal infinitamente merdíocre em que vivo, não conseguimos arranjar mais do que um Zorrinho. O primeiro usava a espada para ensanguentar com um Z decidido o peito dos opressores; o nosso Zorrinho serve-se da caneta de tinta permanente para traçar um Z vaidoso e vão com que finge não oprimir.

Zorrinho, por ser pequenino, descobre, na adenda agendada, uma grandeza épica: depois de ter participado, durante seis anos, numa agenda de encolhimento do país, simula acreditar no poder mágico da escrita e obriga a maioria a inscrever as palavras “crescimento” e “emprego” num tratado orçamental que provocará o inverso, o que será explicado a seu tempo com culpas para a meteorologia ou descobrindo um desalinhamento planetário. [Read more…]

Os irredutíveis vacilantes

François Hollande (de quem não espero, aliás, amanhãs que cantem) ainda não tomou posse mas já começou a mudar a paisagem política europeia. A Alemanha, por exemplo, dá agora mostras – apesar da sua aparente irredutível posição face à disciplina orçamental – de poder vir a ser mais flexível do que tem afirmado recentemente. As instituições europeias, idem. O governo português espera que Merkel se mova para se mover também, num desempoeirado exercício mimético, mostrando que as únicas convicções que possui são as que o governo germânico for adoptando. Para já, com o PS a surfar a onda Hollande, o PSD prepara-se para engolir o que ainda há duas semanas afirmava ser inaceitável.

Ao contrário de tudo o que vinham afirmando, estes governos parecem encontrar agora soluções que negavam existir e descobrem margens de flexibilidade onde ontem afirmavam haver apenas rigidez. [Read more…]

FMI rasga memorando, adeus troika

A diretora-geral do FMI considerou como prioritário evitar a recaída na recessão do que endireitar à força as contas públicas no curto prazo, comentou a Eurointelligence. Viragem ao crescimento, em vez de austeridade, como prioridade, acrescentou esta agência europeia de informação. “Dito de um modo simples, as políticas macroeconómicas devem apoiar o crescimento. E a política monetária deve, também, manter-se altamente ‘acomodativa’, pois o risco de recessão ultrapassa o risco de inflação”, segundo as palavras da própria.

A citação é do Expresso, não é do Inimigo Público. E agora? Estava tudo a correr tão bem, a austeridade até ia chegar aos muito ricos… se calhar foi por causa disso. E nada a temer: arranja-se já um escândalo para Christine Lagarde. Trabalhadores da hotelaria de todo o mundo, cuidai-vos.

as crianças crescem

(texto em quatro andamentos, escrito velozmente ao som de Tchaikovsky)

Piano concert 1 em B Flat Minor

Bem sei que estamos em época de eleições, de lutas políticas, de enganos e mentiras, ou dos mais lutadores que lutam pela justiça e a igualdade. Como Babeuf em 1785, assassinado pelo seu candor em 1795, guilhotinado pelas pessoas do seu partido por falar a verdade, como o nosso Primeiro-ministro demissionário. Não há quem nos governe nem sabemos quando vamos ter um governo apropriado para nós salvar da falência que caiu sobre nós por causa dos próprios governantes. Vamos esquecer e falar do mais importante na vida: as crianças e a sua educação. Se for homem de fé, diria: haja deus para salvar as nossas crianças da hecatombe causada pelos que pretendem governar-nos…

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saber

dizem por aí que o saber nunca é demais

Parte de um livro meu em edição….

Queira lembrar o leitor, que denomino tempo à cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. Pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962) – todos eles mestres meus também, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto

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a ilusão de sermos pais

 

Acrescentado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais, texto completo aqui.

 
 1. Sermos pais.

Devo reconhecer que não sei se este deve ser o primeiro ponto da matéria a tratar, esta de se ser autor da vida biológica, emotiva e intelectual de uma nova geração. Preciso reconhecer que o conceito de paternidade, me tem sido impingido pela cultura na qual vivo, a romana ocidental. Bem como, gosto dizer que paternidade, a meu ver, inclui os dois géneros, como hoje em dia se define. Definição criada na luta dos finais do Século XX e estes anos do Século XXI, começada com a luta denominada Sufragista de finais do Século XIX. Épocas, todas elas, para definir uma igualdade entre seres humanos de genitais diferentes: falo e vagina, mamas que oferecem leite e amamentam, bem como mamas estéreis para criar. Talvez, ambas, para exibir de forma erótica e seduzir uma ou outra pessoa – do mesmo sexo ou de sexo diferente.

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o crescimento das crianças (introdução)

a escola era uma sala da paróquia.Vilatuxe cresceu, e escola também

Introdução

 

1 Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trina e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois.  E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam ás pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em

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o itinerário da criança

lembrança do debate entre pais e educadores em Castelo de Paiva

Aos pais sem crianças e às crianças sem pais.

1. Ser feito.

A frase, ser feito, parece ser a reiteração de uma ideia sistemática ao longo dos meus textos. Não é por acaso que a reitero, quer em ensaios, quer em artigos quer, ainda, e com maior latitude, nos meus livros. É reiterada até estarmos certos de como é que um ser humano se faz, na curta e duradoura infância, na dinâmica e repentina puberdade que abre a flor da vida de adulto. Ou, simplesmente, em adulto. Mas, será que os adultos, já grandalhões, também são feitos? Ou será que o adulto, como diz Alice Miller, que sempre lembro, leva em si uma criança. Ser feito é heterogéneo, é, diria, um processo que ocorre ao longo da vida. Um adulto é uma criança sempre a crescer até regredir. É como uma metamorfose. Uma criança é a semente processual do adulto, a base do que será como pessoa no futuro. Porém, Alice Miller e Melanie Klein, entendem que o adulto é resultado da criança, hipótese que não seria novidade se não acrescentassem a ideia da influência silenciosa que a infância tem no adulto. Todavia, ser feito é um processo sempre em desenvolvimento, que nunca pára, e que, por conveniência para as nossas contas e para deslindar responsabilidades, o mundo erudito e do poder tem classificado em ciclos com uma certa responsabilidade para a lei ver. E os pais também. Difícil questão esta de se ser feito. Já foi problema em 1633 com o jesuíta Athanasius Kirchen ao dizer que o mundo era uma sucessiva evolução, que a terra girava em torno do sol e que a Arca de Noé era a evolução das espécies, corroborando assim o sistema heliocêntrico do frade Nicholaus Copérnico que em 1530 já tinha falado de forma atrevida de que a terra não era o centro do universo contudo, para não ser queimado, negou a sua convicção, acrescentando, ao assinar a acta de retractação: ” e no entanto, move-se”. O contexto faz da frase uma infantilidade ou uma verdade. A época ajuda, ou não, a entender o que se pensa e se descobre. Porém, ser feito é difícil de explanar. Ser feito já era complexo quando a união era sacramental e para toda a vida e entre homens e mulheres não parentes. Nos nossos dias assistimos a uniões de facto entre pessoas do mesmo ou diferente sexo, que procriam ou adoptam. Haja felicidade na nossa cultura por sermos capazes de optar tal e qual sentimos. Haja paciência para dizer que ser feito é um processo delicado no ritual sacramental ou no factual. Ser feito é a criação de um indivíduo. Capaz de optar, de (se) amar e de respeitar, em consequência, aos outros. Tão simples quanto isso, mas tão complexo por se esquecerem os feitores de pessoas da existência de um contexto que acaba por nunca ser verdade no tempo do feito, mas uma tese anos depois. Respeitada e cuidada. Ser feito tem sido um andar para trás e para a frente no processo educativo dos seres humanos. Processo simples, caso se saiba como começa o processo de confecção do ser humano.

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PEC – aprovado ?

Algumas frases da Comissão Europeia acerca do fantástico PEC português que, como habitualmente, vai fazer escola:

” A crise global apanhou a economia portuguesa numa fase de crescimento anémico, que dura há quase uma década, reflexo de debilidades estruturais, em especial de uma baixa produtividade e de um baixo potencial crescimento”

“Uma melhoria sustentada dos resultados económicos requererá ajustamentos consideráveis”

” Para diminuir o desequilibrio externo será necessário rebalancear as bases do crescimento económico, reorientando-as para o sector exportador através de ganhos estruturais de competitividade e de menores custos laborais por comparação com os seus parceiros comerciais”

“Para além de acabar com as medidas temporárias de estímulo à economia, a Lei do Orçamento para 2010 não apresenta novas medidas mensuráveis de consolidação orçamental”

” A evolução do rácio da dívida deverá ser menos favorável do que a projectada no PEC”

” O recurso crescente a parcerias público.privadas deu origem a tantas obrigações financeiras futuras (nomeadamente com impacto para além do período abrangido pelo PEC) que deveriam estar previstas medidas de sustentabilidade fiscal no quadro de planos a longo prazo”

” As previsões de crescimento de receita e de contenção de da despesa podem ser dificeis de alcançar com base nas medidas anunciadas, e isso pode já acontecer já em 2010.”

Entretanto, chegam-nos lá de fora notícias que Portugal está na calha para ser o próximo objectivo dos especuladores, atentos à fragilidade da situação económica-financeira, que Sócrates nos vende como um exemplo a seguir.

PEC – Programa de Empobrecimento Comum

O PEC está aí debaixo das críticas de todos com excepção dos socialistas que, como é seu timbre, desde que Sócrates deu à costa, vêm coisas que mais ninguém vê!

O PEC empurra o país para o empobrecimento como já aqui dissemos, retira dinheiro às famílias e corta no investimento público, o que reduz a “voltagem” de dois motores da economia. Sempre aqui estivemos contra os megainvestimentos , sem correspondência real no desemprego e na criação de riqueza, mas estivemos sempre a favor de investimento de proximidade, que dá emprego e cria riqueza.

O TGV foi cortado, pelo menos na “conversa” oficial, mas 900 Milhões de euros continuam inscritos no Orçamento. O que faz lá esta verba tão importante se o TGV foi adiado? Dizem os socialistas que se trata de não perder as verbas da UE, o que a oposição rebate dizendo que tem garantias da UE que estas verbas podem ser reinscritas noutros programas.

No essencial, as instituições de notação financeira, já vieram dizer o que pensam de um país que não cresce, que não cria riqueza. A classificação do país desce enquanto os juros da dívida externa monstra sobem!

Com o crescimento que se espera para a economia, o desemprego vai subir mais 2% até 2012, o que quer dizer que vamos atingir a cota do 12%. Para quem começou a prometer que ia criar 150 000 empregos, não está mal!

Um crescimento miserável…

Crescer 0.7% no PIB é mais ou menos o que vão crescer os outros parceiros, mas a má notícia é que não são as exportações a puxar pela economia, é o consumo interno.

E como é o consumo interno só serve para agravar o défice externo, o crescimento devia vir das exportações e do investimento.

Tudo que já  se sabia, o crescimento potencial da última década foi muito mau e da que vem aí vai ser tão mau ou pior, as fragilidades estruturais mantêm-se, mas o Ministro da Finanças passa pelo assunto “como cão por vinha vindimada” .

O diagnóstico há muito que está feito mas as medidas não são tomadas, tocam em interesses instalados, é mais fácil andar a deitar dinheiro para cima dos problemas, o que se “meteu” no BPN é o dobro do que se guardou para o resto da economia.

Entretanto, a Moody’s ( instituição internacional de notação financeira) já deixou o aviso, e os mercados reagiram muito mal, o crédito já esta a encarecer para o país.

Mudando ao sabor dos “tempos”, andam aí uns “pandegos” que dizem que nada disto é grave porque nos outros países a coisa não é muito diferente, é tudo resultado da crise internacional (suponho mesmo que na década de 90 já era da crise que ainda não havia), mas não conseguem explicar é porque o nosso país é o mais pobre e o mais injusto! E que por isso mesmo é imperativo que cresçamos mais que os outros, estamos mais abaixo, assim o fosso mantem-se e alarga-se.

Mas isso são tudo coisas que não interessam nada!

Socialmente explosivo

Como vai ser quando as ajudas excepcionais forem retiradas?

 

Ou o país vai aguentar este nível de subsídios por mais quanto tempo ?

 

É certo que o nosso crescimento não é nenhum. O nosso crescimento potencial ( o que seria possível se todas os factores existentes estivessem em pleno) não ultrapassa os 1%. Ora, é dos livros, que só acima dos 2% a economia começa a criar emprego. Isto não acontecerá antes de dois ou três anos, poderá haver alguma retoma mas nada de significativo. Então se o déficite, já é o que é, como vamos sair desta? 

 

A despesa só diminuirá mexendo em quem já vive com muitas dificuldades, a receita só com aumento de impostos, o que é um garrote para a economia, mesmo os investimentos a serem agora lançados só ajudam daqui a um ou dois anos. Como se sai daqui?

 

Não se sai! Sócrates não fez nada para resolver a profunda crise em que Portugal está mergulhado há vários anos e que não tem nada a ver com  a crise internacional. É uma crise nossa, muito nossa e não desaparece por virtudes mágicas. Nada se fez nos últimos dez anos para renovar o tecido empresarial, orientá-lo para os bens transaccionáveis e exportáveis.

 

O país está no caminho do empobrecimento, o caminho é muito estreito e Sócrates, com a sua fixação nos grandes negócios e nas grandes empresas que operam unicamente no mercado interno, corre o risco de produzir tumultos sociais se aligeirar os subsídios de apoio social!

 

Mas vai pagá-los como ? 

 

A herança socialista

No Expresso:

 

Um buraco negro de cinco anos em que Portugal andou a marcar passo e a engordar o estado, que vai sair da crise mais pesado que nunca. Desde a década de noventa, Estado empresas e famílias andam a gastar acima das possibilidades e o fim da linha está cada vez mais próximo. A economia nacional, que já teve quase dez anos de fraco crescimento, pode continuar a marcar passo mais uns anos.

 

Como é que se resolve esta complicada equação que mistura ingredientes esplosivos como fraco crescimento económico, desemprego elevado e contas públicas desequilibradas?

 

Não há espaço para aumento de impostos e o caminho tem que ser emagrecer o Estado. Temos que ir à raiz do problema, temos despesa pública a mais. Devíamos congelar a dívida pública ao nível de 2008 durante dois ou três anos.

 

Mas onde há flexibilidade para congelar despesa? Nas pensões e nas despesas de saúde mas aí quem aguenta a factura são os mais pobres! A irresponsabilidade pode levar a isso.

 

A dívida externa está nos 100%, se não fosse estarmos no Euro a festa já tinha acabado.

A crise internacional está quase a acabar fica a nacional que dura há vários anos, e esta só se resolve com a criação de riqueza, com a produção de bens transaccionáveis de exportação e que substituem importações.

 

Mas para isso é preciso muito trabalho, determinação e competir em mercados muito exigentes. É dificil e meritório, é mais fácil fazer obras públicas !

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