LT2 – SIGLA PARA UM LUTO

No próximo fim-de-semana, decorre em Paredes o EuroHockey Indoor Championship II, Men, com a participação das equipas da Croácia, Eslováquia, Espanha, Polónia, Portugal, Turquia e Ucrânia.

Na última participação nesta prova, em Lucerna, em 2019, imediatamente antes de a pandemia ter alastrado ao mundo, a selecção portuguesa esteve a escassos segundos de ser promovida ao Championship I, a divisão maior do hóquei de sala europeu.

Na prova que se inicia, amanhã, dia 14, para além da Polónia e Ucrânia, que foram despromovidas da divisão acima e expectavelmente com ritmo competitivo superior ao nosso, acresce que, com o crescendo de importância da variante indoor a nível mundial, teremos em Paredes desde logo a Espanha, que em 2009 entrou pela divisão mais baixa, tendo sido promovida, como era esperado, em função do peso que o hóquei espanhol tem no mundo. Um pouco como, também em 2019, aconteceu com a selecção feminina que, na Eslováquia, teve pela frente exactamente a Espanha e a Irlanda.

Portugal inicia contra a Eslováquia, dia 14, às 12h15, seguindo-se, no mesmo dia, às 17h00, o embate com a Ucrânia. No sábado, pelas 14h00, defrontamos a Turquia e, pelas, 18h30, a Espanha. No domingo, jogamos com a Polónia, às 12h00, e com a Croácia às 15h45, o último jogo da prova.

Inicialmente previsto para ser disputado por oito selecções, a pandemia entreteve-se a jogar às escondidas com a EHF (que praticamente, em cima da hora, varreu o calendário indoor, adiando-o para Dezembro, mas mantendo o campeonato em Portugal) e com a Organização nacional, permanecendo até ontem a dúvida, com a publicação da última versão do calendário de jogos, em que “demos então pela falta” da Itália, sem grandes explicações, nas redes sociais.

Dito sobre as incidências, que devem ter tirado do sério os responsáveis por apresentarem à Europa a excelência das organizações made in Portugal, orgulho da Federação Portuguesa de Hóquei, de há vários anos a esta parte, esta prova, mais uma vez sob os auspícios do Município de Paredes, que tem sido exemplar, traz-nos, o primeiro grande teste à capacidade de superação após o fatídico acidente na Ponte 25 de Abril, que vitimou, praticamente há dois meses, o capitão absoluto do hóquei português, Luís Tavares, o carismático número 2, iniciais e número que deram origem à sigla com que colegas, responsáveis e toda a comunidade hoquista  pretendem eternizar a sua grande influência, o seu magnífico exemplo e uma inultrapassável identidade com a equipa de todos nós, disponibilidade inteira que sempre demonstrou mesmo quando a modalidade o levou à Alemanha e à Holanda para aí jogar.

Esta selecção agrega alguns dos seus maiores amigos, alguns verdadeiros irmãos, que precisam urgentemente de fazer a catarse e transformar uma inexcedível dor e revolta – esse dominador sentimento de uma perda avassaladora – em motivação extra, como um sétimo jogador que pairará sobre o campo a guiar as camisolas das quinas, rijas como ele era.

Fazer o luto e vencer será a mensagem perfeita ao Luís Tavares, e ele merece que todos nos suplantemos, cada qual no seu sítio, na bancada, no banco ou no campo. Ninguém melhor do que os seus irmãos desta família para o homenagearem como ele merece ser lembrado. Dedicar-lhe uma grande vitória será sempre pouco para o que ele estava disposto a dar ainda a todos nós: como amigo, como colega, como formador, como atleta, como exemplo.

Comments


  1. Espero que tenham sucesso e que sejam notícia, há mais vida em Portugal para além do futebol felizmente, mas muitos fecham os olhos a isso.

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