Marine Le Pen e o terramoto que poderá virar o jogo a favor de Putin

Mentiria se dissesse que não estou preocupado. É claro que estou preocupado. Como deve estar preocupado qualquer um que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu e na democracia liberal. E na nossa segurança colectiva. A possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu equivale a escancarar os corredores mais restritos da UE e da NATO a Vladimir Putin, altera a balança de poder no conselho de segurança da ONU e coloca um dos exércitos mais poderosos do mundo, com capacidade nuclear, sob tutela de alguém que moderou a linguagem para ganhar as eleições, mas que foi a mesma pessoa que, a propósito de Putin, afirmou o seguinte:

Noto que o governo de Putin é muito popular entre os russos, visto que é constantemente reeleito.

Marine Le Pen sabe, como qualquer pessoa que não se tenha convertido numa avestruz, que as eleições russas não são livres nem democráticas. São uma encenação. Existem até bons vídeos da última, onde vemos todos os métodos de fraude eleitoral expostos. Mas Le Pen prefere dar o peito às balas pela narrativa do Kremlin, porque os milhões que recebeu da oligarquia russa não se vão pagar sozinhos.

Esta é a mesma Le Pen que assegura que a sua linha política é a de Trump e Putin. Que teceu rasgados elogios à intervenção russa na Síria, que resultou na total destruição de Aleppo. Que entende que a Federação não representa uma ameaça militar para a Europa e que a Ucrânia faz parte da esfera de influência de Moscovo. Que defende o fim da UE e da NATO. Não preciso de estar alinhado com o ideário de Macron para saber que votaria nele sem pestanejar. Entre um adversário político e um inimigo, a escolha é simples e não demora um segundo a fazer.

Comments

  1. Vinagre says:

    És mais tonto que as maracas de António Machin.

  2. jose Micaelo says:

    O ocidente tem poder demais…..Altura de dividir

    • JgMenos says:

      Tens toda a razão!
      Em democracia os treteiros têm dificuldades em ascender, há demasiado escrutínio… já para os lados de Moscovo a grande tradição é recitar a ladaínha e lamber o cú ao chefe!


  3. As esquerdas simplórias teimam em criticar a forma activa, empenhada, como o ocidente está a actuar neste caso dos refugiados ucraniano, comparando-a com o forma contida, contidas reservas, com que tem actuado no caso da migração (anáquica e discutível) a dos migrantes mais escurinhos e com origem em países muçulmanos.
    Em França, na campanha eleitoral em curso, aonde aquela experiência de humanismo distorcido criou problemas sociais pacifica e democraticamente insolúveis, o tema foi gritantemente evitado por Macron.
    A ver vamos, os resultados eleitorais, hoje e o futuro.

    • Paulo Marques says:

      A única crítica a apontar ao tratamento dos refugiados ucranianos é que o “empenho” não dura, nem pode, já que se nem os SEFs por aí fora mudaram, muito menos o resto das condições. Sejam negros, castanhos, ou os temporariamente amados eslavos, continuaram a ser os supostos alvos de reformas que vão continuar a doer a todos.

  4. Marques Aarão says:

    O abanão de que o nosso podre sistema está a precisar não poderia vir de Le Pen ?

    • Paulo Marques says:

      Pode sempre, o podre há-de cair de uma forma ou de outra. O resultado é imprevisível de qualquer forma, mas é provável que corra melhor se for de outra maneira.

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