A ética republicana quê?!

Correndo a comunicação social, escutando a vox populi, passando os olhos pelas redes sociais, a ética republicana parece ser coisa que pouco diz à maioria das pessoas quando se pronunciam acerca da actual situação política.
Duvido, seriamente, que Montenegro seja penalizado pelo que fez na trapalhada novelesca da Spinumviva, e tudo quanto ela representa do que não se deve fazer na política. Sendo que em qualquer país nórdico, um PM que mantivesse no seu património uma empresa com avenças de privados com interesses em concessões públicas, era lhe aberta a porta de saída das traseiras. Isto, se não saísse pelo seu próprio pé.
É certo que a cada cavadela, as minhocas que ainda vierem a surgir, poderão mudar o rumo da percepção popular acerca dos acontecimentos. Como, também, à imagem e semelhança de tantos outros escândalos do passado, o ponto de saturação popular é fácil de ser atingido, na lógica do “ainda andam com essa história?!”.
Em Portugal, infelizmente, ainda existe uma espécie uma espécie de tolerância face a comportamentos eticamente reprováveis, quando não criminosos. Na lógica do “rouba mas faz obra” ou “se estivesse lá outro, fazia igual”, etc.
Privilegia-se a esperteza em detrimento da inteligência, a habilidade em detrimento da competência, pilares do desenrasque.
Assim, não raras vezes quem provocou eleições, foi penalizado nos resultados eleitorais. Na lógica de “Eles” não se entendem e o pessoal tem que ir votar?! E tudo porque Montenegro tinha uma imobiliária e ganhava a vida?! Gastar dinheiro com eleições?! “Eles” que se entendam!
Talvez por isso, Luís Montenegro achou suficiente passar a sua participação na empresa para a mulher. Como jurista sabia, e sabe, muito bem, que tal cosmética representaria mudar algo para que tudo ficasse igual. É que, face à facturação e à clientela, extinguir a empresa estava, esteve e está, fora de hipótese, como é bom de ver. O risco valeria – talvez valha mesmo – a pena. E, correndo mal, está bom de ver que basta recorrer à habitual cartilha de gestão do medo: bradam-se os perigos da “instabilidade”, repetem-se à exaustão as palavras “crise política” e “responsabilidade”, e trata-se de arranjar a quem dar com a culpa nas costas por haver eleições. Sem prescindir do clássico que já se começou a escutar do “pouco barulho e deixem-nos trabalhar!”
A haver eleições legislativas e pelas razões subjacentes, o momento deveria ser de capital importância para se formar um juízo crítico sobre os valores éticos da governação. Para se estabelecer limites e compromissos. O que em nada impediria de se discutir opções políticas para o SNS, a habitação, a segurança, o ensino, a justiça, etc. Mas, duvido, seriamente, que sirvam para qualquer uma destas coisas da República.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Tendo a concordar consigo. O eleitorado vai voltar a dar a vitória a Montenegro, mesmo depois das irregularidades que cometeu. A falta de ética está enraizada em quase toda a nossa classe política, apesar de clamarem todos os dias por ela.
    O povo tem sempre razão, mesmo quando é insano.

    • Figueiredo says:

      O dr. Luís Esteves foi eleito líder do Partido Social Democrata com apenas 16.179 votos (97.45%) num partido com 41.863 militantes aptos a votar, tendo a abstenção sido de 60%:

      Luís Montenegro reeleito presidente do PSD com 97,45% dos votos https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/20240907-1312-luis-montenegro-reeleito-presidente-do-psd-com-9745-dos-votos
      Lisboa e Porto com mais de 84% de abstenção na vitória de Montenegro
      https://www.dn.pt/politica/lisboa-e-porto-com-mais-de-84-de-abstencao-na-vitoria-de-montenegro

      Nas Eleições Legislativas de 2024 o PSD liderado pelo dr. Luís Esteves perdeu as Eleições – alcançou somente 1.814.021 votos – com 28.2% para a Maioria Silenciosa dos Portugueses representados pela Abstenção que venceu esse Acto Eleitoral com 4.344.437 Eleitores (40.16%).

      O número da Abstenção (40.16%) nestas Eleições Legislativas de 2024 não corresponde à verdade, foi superior, assim como o número da Abstenção nas Eleições Legislativas de 2022.

      Conclusão, o Sr.º Primeiro-Ministro, Luís Esteves, para além de não ter o apoio da maioria dos militantes do PSD, não tem também o apoio da maioria dos Portugueses, posto isto, em quê que o dr. Rui Naldinho se baseia para afirmar que «…O eleitorado vai voltar a dar a vitória a Montenegro…»?

      Visto que se calhar vamos ter Eleições, é preciso antes que as mesmas ocorram alterar a Lei Eleitoral de maneira a impedir que os Estrangeiros possam votar nas Eleições Presidenciais, Autárquicas, Legislativas, e Referendos, somente os Portugueses de Raça/Sangue e os seus descendentes podem ter direito a voto, caso contrário vai novamente haver fraude eleitoral com os Estrangeiros a votar para substituir os votos em falta da Maioria Silenciosa dos Portugueses representados pela Abstenção:

      PT apela a comunidade brasileira para que vote à esquerda
      https://observador.pt/2024/03/08/pt-apela-a-comunidade-brasileira-para-que-vote-a-esquerda/
      Brasileiros em Portugal mobilizam-se para as eleições legislativas
      https://www.dn.pt/2647201781/brasileiros-em-portugal-mobilizam-se-para-eleicoes-legislativas/
      Seita ‘vende’ 100 mil votos ao PSD
      https://www.sapo.pt/jornais/nacional/10256/2023-12-20

      É preciso também legislar para impedir os Estrangeiros de exercerem qualquer tipo de cargo político em Portugal, e proibi-los de exercer qualquer tipo de actividade política, sindical, de associação, ou de manifestação.

      • Rui Naldinho says:

        O universo da imigração tem gente de várias etnias, raças, credos, e estractos sócio económicos. Dessa forma não me parece que o voto do brasileiro rico e porventura bolsonarista, ou mesmo do evangélico, seja por demais mais valorizado do que o voto do negro do Mali, ou do cingalês, pobre, a trabalhar no UBER, na apanha da fruta ou azeitona.
        Tal como cá, o voto do indigente, do pobre, ou remediado, vale o mesmo que o voto rico.

        • Figueiredo says:

          Você não está a responder à pergunta dr. Rui Naldinho.

          Quanto ao restante do seu comentário, você não vê a gravidade do problema, estamos a falar de fraude eleitoral, de importação de votantes/eleitores, com os Estrangeiros a serem deslocados em massa para Portugal sem qualquer critério ou justificação desde 2012 para substituir os votos em falta da Maioria Silenciosa dos Portugueses representados pela Abstenção.

          Se a Lei Eleitoral não for alterada para impedir que os Estrangeiros possam votar a democracia não sobreviverá, o que é que você prefere: salvar a democracia enquanto ainda há tempo ou uma ditadura?

          «…brasileiro rico…»

          O que é que interessa a riqueza do Brasileiro? Então agora o Brasileiro também não pode ser rico!? Não me diga que tem inveja.

          «…bolsonarista…»

          Ó homem o Sr.º Jair Bolsonaro é Brasileiro, foi candidato às Eleições no Brasil e Presidente desse País, nós estamos a falar de Portugal.

          «…do negro do Mali, ou do cingalês…»

          O Africano do Mali vota e participa da vida política, económica, e social do seu País, a República do Mali, assim como o Cingalês participa da vida política, económica, e social do seu País, o Sri-Lanka, é com as suas Pátrias que eles têm de se preocupar e votar nas suas Eleições, não é com Portugal que é o País dos Portugueses.

          «…trabalhar no UBER…»

          As empresas de estafetas são usadas como fachada pelo tráfico/consumo de droga, o crime, e para fazer o controle das ruas das Cidades, Vilas, e Aldeias de Portugal assim como dos movimentos dos Portugueses naturais das mesmas, são também usadas para justificar a presença de Estrangeiros em Portugal através de empregos de fachada, e efectuar a privatização e ocupação indevida dos espaços e vias públicas, tudo isto com o apoio dos Executivos que governam as Câmaras Municipais e contra a vontade dos Portugueses naturais dessas localidades.

          «…na apanha da fruta ou azeitona…»

          Estamos no Século XXI, a apanha da fruta e da azeitona agora é mecanizada.

      • Cidadãos são cidadãos, piores do que nativos com atitude de meninos especiais é difícil. Se estão tão chateados, é deixar de apoiar rebentá-los e condená-los à fome às dezenas de milhões, que aturar-nos também não é a sua preferência. Isso e sair da união europeia.
        Nenhum dos dois é agenda de ninguém, conveniente.

  2. JgMenos says:

    Algum dos coirões na política alguma vez propôs condicionar o acesso às funções públicas a quem, tendo uma actividade privada legítima tivesse de dela prescindir, mais, de a fazer desaparecer?
    Nunca votei no PSD, mas fá-lo-ei para penalizar esta FDP* crónica.

    • POIS! says:

      Pois claro!

      Posso testemunhar! Vosselência nunca propôs tal coisa!

      Pois vote, e depressa! Não perca mais esta oportunidade de ser absolutamente reacionário! (*)

      (*) E vá lá: é Menos um no Venturoso Quarto Pastorinho. Ainda bem! Cá ‘pra mim podia já fazer as malas… podia aproveitar as do gabinete do Chalupa das Ilhas, se é que a PJ já as devolveu…

    • “Todo este esterco à volta de uma família que os comentadeiros querem que faça voto de miséria para o chefe poder ser PM por algum tempos.
      Vão para a PQP!”

      O que mudou numa semana?

    • Tuga says:

      Estimado Salazarento menor

      A quem é que o caríssimo está a tentar chamar de burro.?
      Ninguém iria criticar o senhor PM se ele tivesse um café, ou uma loja de pronto a vestir ou qualquer outra actividade comercial ou industrial
      O problema dele e pelos vistos dos seus apoiantes no PPD/PSD é ainda não terem percebido que o produto que a sua empresa vende é pura e simplesmente influencia e a venda desse produto tem um nome. Mais complicado se torna quando o vendedor é o próprio PM.
      Há que chamar os bois pelos nomes

  3. Se os eleitores compraram a estória de que se não é ilegal, está tudo bem, então a democracia já acabou, porque é impossível legislar toda a chico-espertice para usar o estado para os interesses próprios – muito mais num regime que sacraliza a mesma num tal de empreendedorismo, além da propriedade privada.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      “Se os portugueses comprarem”???

      Quantas vezes já assistimos ao número “Está tudo dentro da lei”, ou ao “Vamos deixar a Justiça trabalhar” (sabendo, de antemão, que a Justiça não vai fazer, porque não quer, porque não consegue, ou porque, simplesmente, não a deixam).

      O Sócrates já foiu julgado? Já pagou pelos cseus crimes?

      É óbvio (pelo menos para mim) que, em Portugal, existe um grave problema de falta de ética (também não sei o que é “ética republicana”, porque o termo ÉTICA é suficientemente abrangente para dispensar adjectivos) na vida política. Não é de agora – eu diria que é DE SEMPRE. A sensação de impunidade foi contribuindo para que o problema alastrasse e de agravasse.

      Portuga (assim como toda a Europa) tem uma grave défice de políticos com dimensão moral e ética e estatura política que os torne capazes de liderar e governar. É lamentável, mas a situação a que chegámos leva-nos a ter de escolher entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro. Confesso que essa perspectiva me deixa deprimido.

      • Não sei o que é que um tem a ver com o outro, mas, sim, os portugueses compraram. Até porque é difícil fazê-los “pagar pelos seus crimes” quando só se conhecem várias narrativas fantasiosas sobre estes.

        • Fernando Manuel Rodrigues says:

          “Narrativas fantasiosas”, huh? OK, fiquemos por aqui.

  4. Tuga says:

    Coisas estranhas a que ninguém dentro do assunto quer responder, mas que são de resposta fácil mas talvez incomoda?

    porque é que o PSD nas últimas eleições para o Parlamento, gastou 35 mil euros no casino de espinho da Sol verde , durante a campanha eleitoral ?
    a resposta simples é: uma mão lava a outra

    E vai o País para eleições porque ninguém dá esta resposta muito simples, mas pouco abonatória de um Primeiro Ministro

    • POIS! says:

      Porque eram necessários 60 quartos (ouvi eu!) para a logística dos organizadores de caravanas.

      O procedimento era este: saiam de Espinho, faziam a caravana e voltavam para Espinho. Era uma espécie de campo de férias caravanesco.

      Há! E pormenor importante: para aguentarem os duros almoços de carne assada, os caravanistas regressavam ao Solverde para seguirem uma rigorosa dieta à base de sardinhas.

      Eram uns 10 cabazes por dia, o que justifica uma boa parte dos 35 mil euros.

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