Até Sempre…

Retiro-me do Aventar. Não por qualquer outra razão que não seja a minha falta de tempo e motivação. Na verdade, fui muito bem acolhida e sempre muito bem tratada… também por isso, gostei de ter participado neste projecto plural mas, seria injusto integrar este colectivo sem nele participar a um ritmo que não corresponde nem a metade daquele a que escrevem. Continuarei com o meu blogue pessoal, A Nossa Candeia, que me requer trabalho e atenção para que possa ir mantendo a chama. Sei que não interpretarão mal a minha decisão porque imagino que todos estranhem eu ir aqui escrevendo tão pouco. Obrigado pelo vosso civismo. Continuaremos a ler-nos e a visitar-nos, espero eu. Um agradecimento especial ao Ricardo, ao Luís Moreira, ao Carlos Fonseca, ao João Cardoso, ao A.Pedro Correia, ao Adão e ao Fernando Moreira. Um abraço amigo a todos.

Bem-hajam… e Até sempre!

O Mago Saramago

“Mago da Palavra” foi como lhe chamou a Real Academia de Espanha… acrescente-se: de coração português! Felizmente, como disse ontem à RTP, Fernando Dacosta, o Governo do nosso país dignificou-se, dignificou-nos e dignificou o Escritor, o Cidadão e o Nobel da Literatura, com honras de Estado e 2 dias de luto nacional… de Saramago conservaremos sempre a imagem e a memória de um Homem frontal, corajoso, afectuoso e lúcido como poucos que nos honra com o legado de uma Obra Maior do que podemos, para já e apesar de tudo, pensar…

(Sobre José Saramago escrevi também aqui, aqui e aqui)

Condenar Israel – Apoiar a Palestina!

Chocante e inqualificável é o mínimo que se pode dizer da actuação de Israel contra os activistas pró-palestinianos que tentavam fazer chegar alguma ajuda humanitária a Gaza. A persistência do cerco e a agressividade sistémica contra os territórios ocupados da Palestina, faz lembrar métodos de extermínio dissimulados que não passarão incólumes na História, reconhecido que é o exercício abusivo do terrorismo de Estado de Israel. É urgente que o povo israelita e a comunidade judaica dê o rosto e a voz contra esta permanente violação dos Direitos Humanos, sob pena da comunidade internacional, pelo menos, em termos de sociedade civil, deixar de reconhecer a legitimidade do Estado de Direito de Israel… porque, em pleno século XXI, Israel não fará o mundo recuar nos seus princípios democráticos, na defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito, pela persistência patológica do seu desempenho como Estado agressor. Enquanto Israel mantiver esta postura de tudo atacar (consequência de uma deformação cultural assente no medo e incentivada, política e socialmente, pela manipulação doentia de um trauma materializado na catarse de uma permanente lógica de guerra), as palavras de ordem continuarão a ser: Solidariedade com a Palestina, Já! Solidariedade com a Palestina, Sempre!

(Este texto foi também publicado AQUI)

O povo saiu à rua…

Ontem, a manifestação da CGTP juntou, em Lisboa, centenas de milhar de pessoas que, vindas de todo o país, partiram de diversas concentrações disseminadas pela cidade para, a partir do Marquês de Pombal, descerem a Avenida da Liberdade até aos Restauradores. Das interpelações feitas aos participantes mostradas pelas televisões é digno de nota o tom pacífico e o sentido cívico revelado. Não se tratou de uma manifestação política marcada por sentimentos agressivos como muitas outras. Não! Tratou-se de uma expressão pública de descontentamento e de urgente chamada de atenção para o impacto social das medidas económicas adoptadas. Por isso, as declarações da UGT, tal como disse à TVI, o seu ex-dirigente Torres Couto, não se identificam com o sentir dos cidadãos, desempregados e trabalhadores. A manifestação de ontem foi um sinal claro de que o activismo cívico e o sentido de participação democrática estão ainda vivos, em Portugal. Estranho seria se assim não fosse e, a assim não ser, só poderia significar que os portugueses vivem suficientemente bem para poder suportar os custos da austeridade, sem sérias e até graves dificuldades. Não é o caso. Os portugueses, além de cerca de 600 mil desempregados, vivem, em significativa percentagem, no limiar da pobreza não denotada apenas ao nível dos seus salários mas, pela correlação com as suas taxas de endividamento e o custo de vida que, de facto!, lhes reduz, o poder de compra. Mais do que uma manifestação contra o Governo, esta manifestação foi contra a política económico-financeira que, a partir da Europa, afecta de forma agravada os países do Sul, cujas economias apresentam debilidades estruturais que, em alturas de crise, denotam com evidência os custos desses problemas. Por isso, seria justo e sinal de boa-fé que, ao invés de ignorar a autenticidade e a dimensão do sentir da população, o Governo revisse algumas das medidas adoptadas recentemente, designadamente, a que se refere a cortes nos apoios sociais aos mais fragilizados pelo desemprego ou pelo auferir de salários muito baixos. Para além do reforço fiscal junto dos grandes agentes financeiros, como a banca!, pensar em questões como as que, hoje, o DN exemplifica, é, de facto, prioritário (ler AQUI).

Austeridade…

As debilidades estruturais da economia portuguesa foram agravadas de forma incontornável (independentemente dos argumentos demagógicos de uma oposição que insiste em reduzir o problema a um único culpado, a saber, o Governo), primeiro pela crise financeira internacional que deflagrou no Verão de 2009 e depois por uma das suas mais abrangentes sequelas políticas, ou seja, pela actual crise do Euro. Por isso, o reforço do PEC e o anúncio das medidas de austeridade que ontem foram divulgadas e explicadas ao país, não surpreendeu ninguém, sendo aliás, de registar que a maior parte dos cidadãos estava já preparada para receber piores notícias designadamente porque, tal como já acontecera relativamente ao contributo que a comunicação social portuguesa deu para a dimensão assumida pela especulação dos mercados que, abusivamente e perigosamente, acentuou a comparação nacional com a grega, desta vez, também, não faltaram vozes a criar o pânico, salientando hipóteses que, felizmente!, não chegaram a concretizar-se – pelo menos nos moldes em que chegaram a ser apresentadas: cortes brutais nos subsídios de desemprego, retenção dos subsídios de férias e de Natal, etc., etc., etc.. [Read more…]

Um País Novo…

Era um país de chuva e lama, com caminhos de terra batida fustigada pelo temporal da pobreza e da miséria a fazer de rosto público dos dias, onde os homens e as mulheres levantavam a cabeça na imagem dos valores éticos de então, cansados de fome e de tristeza… Era um país onde o futuro se parecia com a reprodução de si próprio, visto a um espelho estático, contrário à vida e sossegado no reflexo a preto e branco da ausência de expectativas… Era um país sem pão e sem palavras gritadas ao vento, onde a poesia parara à porta das prisões e onde o sonho se elevava apenas sob os véus das senhoras nas igrejas ao domingo, em missas que ninguém ouvia mas que todos cumpriam por bem-parecer, expressão de uma obediência incondicional e cega, sem sentido, à ordem pôdre das coisas que poucos ousavam pensar… Era um país moribundo numa casa a cheirar a mofo, velha, abandonada e fechada sobre si mesma até que um dia “os capitães da areia” atiraram, certeiros, as pedras que lhe quebraram os vidros sujos das janelas empoeiradas… e, pela calada da noite, sobreveio essa luminosa madrugada que, em 25 de Abril de 1974, devolveu a um Povo o direito não só à existência mas, à vida, à liberdade e à esperança! Viva o 25 de Abril!

25 de Abril, Sempre!

  

Em Cartaz: Um PSD ensandecido…

Manuela Ferreira Leite anunciara a suspensão da democracia… por isso, não poderá ser surpreendente para quem nela acreditou, o facto de, para quem nunca reconheceu seriedade e credibilidade às suas palavras, o PSD, enquanto organização partidária denotar agora sinais inequívocos que o demonstram ensandecido. Primeiro, os delegados só puderam participar activamente nos trabalhos do Congresso (ainda que, em democracia, um Congresso partidário se presuma como Forum onde a participação é equitativa e apenas sujeita às inscrições prévias acessíveis a todos); depois, foram as sanções para quem “falar mal” dos líderes, sanções que culminam com a expulsão dos críticos!!!… A loucura total!… para abrir os trabalhos e para os fechar… com coerência, está à vista! Faz, por isso, sentido que o populismo do discurso dispersivo do Presidente da CM Caldas da Rainha tenha galvanizado o Congresso… apesar de ter dito coisas espantosas para quem defende o projecto PPD-PSD (que nem me atrevo a designar por social-democrata!); como, por exemplo: “(…) onde é que Sá Carneiro aceitava, Dra. Manuela Ferreira Leite, que os mercados mandassem no Orçamento ou na Assembleia da República? (…)”… e, provavelmente, faz também sentido que Rui Machete tenha declarado (corroborando a tese simplória da ainda líder, sobre o facto das regras, quando existem, serem para cumprir mesmo se é de uma versão da “Lei da Rolha” que se fala), que se não trata de uma medida persecutória!!!… Palavras para quê? … eles falam por si!… e sim, são artistas portugueses cuja marca de pasta dentífrica, mesmo se medicinal, é seguramente venenosa para a Democracia e para a sociedade portuguesa!

(Também Aqui)

Do Sentido do 8 de Março…

No dia 8 de Março de 1857, um grupo de operárias têxteis, em Nova Iorque, decidiu fazer greve, ocupando, para o efeito, a respectiva fábrica. Reivindicando a redução do horário de trabalho de 16 para 10 horas e  contestando o facto de receberem apenas um terço do salário pago aos homens,  pela prestação do mesmo trabalho, as operárias foram fechadas nas instalações dessa fábrica em que veio a deflagrar um incêndio e, nesse dia de luta pela igualdade de direitos laborais, morreram cerca de 130 mulheres.

153 anos depois, apesar do reconhecimento internacional dos Direitos das Mulheres, da Igualdade de Oportunidades e do combate a todas as formas de discriminação de que se destaca, pela sua transversalidade, a discriminação em função do sexo, as mulheres continuam, em muitos sectores de actividade, a não ter o produto do seu trabalho reconhecido em igualdade de circunstâncias com o sexo masculino. E se esta realidade ocorre ainda no Ocidente, no planeta é esta a realidade maioritária do mundo laboral. [Read more…]

Para começar…

Em tempo próprio, quase em simultâneo com a estreia nas salas portuguesas de “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll numa realização cinematográfica de Tim Burton, chego hoje, no mundo das aventuras da blogosfera, ao Aventar. Cabe-me, por isso, antes de mais, agradecer o convite para participar neste espaço de escrita e expressar a minha alegria pela partilha que agora inauguro e a que darei continuidade mais frequente a partir de Abril. Depois da minha apresentação feita, gentilmente, pelo Ricardo Santos Pinto  (ver aqui) e da notícia de hoje do jornal Público (ver aqui),  devo ainda esclarecer, neste primeiro momento, que sou uma cidadã de esquerda e que a expressão do meu apoio a algumas políticas do actual Governo se deve, não a incondicionais defesas partidárias ou ideológicas mas antes, a considerações que ajuizo em termos de interesse nacional e governabilidade possível (isto é, viável)  no actual contexto económico-político europeu.  Depois desta pequena nota introdutória, quero agora partilhar convosco, de forma breve, uma reflexão que considero urgente sobre um novo e cuidado olhar que é preciso desenvolver em relação ao património histórico e etnológico que, no nosso país, tão incipiente tratamento e valorização efectiva merece… para o efeito, sugiro a leitura de 2 textos que servem, simultaneamente, para se relembrar a natureza dinâmica do conhecimento e o facto de, no século XXI, não ser admissível, num país que se pretende moderno e desenvolvido, ter uma cultura científica enfeudada a pequenos, tradicionais e escolásticos núcleos de poder que se esgotam na gestão das existências… um destes textos refere uma importante descoberta em território nacional (ver aqui) enquanto o outro nos remete para uma realidade arqueológica mediterrânica (ver aqui) que cultura e etno-história portuguesas não podem continuar a ignorar.