Oitos de março

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O Dia Internacional da Mulher foi estabelecido a partir da data de uma greve de operárias nova iorquinas, em 8 de Março de 1857. Ou talvez não. Rezam algumas crónicas que patrões e polícias trancaram as mulheres dentro da fábrica, lançaram-lhe fogo, e 129 morreram carbonizadas.
Embora factos como este tenham sucedido mais de uma vez num século XIX liberal, quando os patrões faziam mesmo o que queriam, existe um misto de lenda e história na escolha da data.

Prefiro outra lenda, a do Pão e das Rosas, por vezes misturada com as do 8 de Março, que tem origem num poema com o mesmo nome da autoria de James Oppenheim, publicado em Dezembro de 1911, e oferecido às “mulheres do Oeste”. Está geralmente associado a uma greve do sector têxtil em Lawrence, Massachusetts, em Janeiro-Março de 1912, e que ficou conhecida pela Greve das Rosas e do Pão. A greve de Lawrence, que uniu dezenas de comunidades imigrantes foi, em grande parte, conduzida por mulheres. Muitos afirmam que, durante a greve, algumas das mulheres transportavam um cartaz que dizia Queremos pão mas também queremos rosas! Não existem provas fiáveis que o confirmem, e esta afirmação foi rejeitada por alguns veteranos da greve de Lawrence, provavelmente homens, está-se mesmo a ver. [Read more…]

Dia das Vítimas de Discriminação Religiosa

mulherDesde ontem que, cada vez que abro o Facebook, essa rede social que há quem «odeie» e veja como «agência de namoros», sou inundada com publicações a elogiar as mulheres, dizendo o quanto somos fantásticas, especiais, únicas e mais uma série de lugares-comum, elogios quase sempre partilhados ou redigidos por mulheres.
Hoje, como sempre, não vou escrever coisas bonitas sobre as mulheres. Não me vou, directa ou indirectamente, elogiar. Sou mulher, como milhões de outras, da mesma forma que milhões de homens são homens. Não especialmente meiga, carinhosa, delicada, companheira, amiga, etc. [Read more…]

Se não fosse 8 de Março

Se não fosse 8 de Março, eu saberia escrever sobre ti. Quem?

Tu, a que partiu? A que ficou? A que sorri? A que sofre? A forte, que nada parece afectar? A frágil, que mesmo assim é o meu castelo? A que é a minha vida? As que foram? A que me deixou? A mãe, as mães que tive? As madrinhas dos meus sonhos? Tu, o sol das minhas noites, o luar dos meus dias? Tu, a de uma noite, de muitos dias, de sempre? Tu, a recordação de outro tempo? Tu, a perene, o exemplo, a genica e o ânimo?

Se não fosse 8 de Março, eu saberia escrever sobre ti. Não importa quem. [Read more…]

Pão e Rosas

Para todas as mulheres que lutaram pelo pão, mas também por rosas. Muito em particular por uma amiga que hoje nos deixou.

 

Hoje é o Dia Internacional da Mulher

O DIA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR

É hoje o dia que, mundialmente, se consagrou ser o da Mulher, e já existe há cem anos.

Na realidade não deveria existir tal dia, uma vez que o facto de existir, por si só, coloca a mulher numa posição de inferioridade.

Existe o dia da árvore, o dia do doente disto e da doença daquilo, da protecção deste e daquele aspecto, e por aí fora num chorrilho de dias consagrado a este ou aquele. Existem esses dias dedicados, desde que se viu que seria preciso proteger alguma coisa.

A Mulher não deveria precisar de um dia destinado a lembrarmo-nos dela. Também não deveria haver um dia dedicado ao Homem (embora haja e quase ninguém saiba quando é). Não é preciso. [Read more…]

bom,

1.       aceder a um convite circular que até tem tanto que ver com círculos, que são do meu domínio (é público), pareceu-me nem largo nem apertado, mas justo.

2.       não me foi imposto um tema, e portanto, sinto-me muito à-vontade nesta minha renovada margem de manobra.

3.       para o pré não vai dar tempo. pode ser o pró?

4.       palavra de ordem: oito

5.       classificação: zero

o que vou dizer é para ser tomado na aceitação literal.

vejamos: se andarmos aos círculos por dentro do algarismo zero, necessariamente somos centrifugados, puxados aos extremos da área demarcada e, por consequência o gravito, cujas curvas enfeitam o quadro da mente na periferia do campo visual. quando se transforma numa obsessão, a força centrípeta forma um buraco negro no olho central, que tudo vê, no ralo que tudo sorve, estão as tormentas e as provações da consciência interdita a si própria. devemos ter cuidado.  não é só com o centro, com o vórtice do turbilhão que devemos ter cuidado, claro…  há na periferia perigos estranhos como duendes… movimentos fugazes das sombras, oscilações das caudas, folhas trémulas. isso pode gerar alienação. estar alienada pode acabar com a solidão. sim. o fim da solidão pode ser o começo da multiplicação. uma espécie de reprodução do espírito por cissiparidade. divide-se como uma célula, separando uma parte de si mesmo para formar outro exactamente igual a si.

hoje é dia zero com nó bem apertado no centro.

e se perdermos a consciência? a consciência não pode faltar a nenhum dos produtos ela é o núcleo, embora por vezes seja invisível , está lá. por exemplo: a esfinge não sabe que eu não lhe posso ler os acentos gráficos e que as suas palavras têm mais interrogações do que deviam; uma vez que “a” é prefixo de negação e que uma dupla negativa faz cair a negação e cria uma afirmativa, o contrário de azul seria aazul, logo zul. se zul é o contrário de azul, deve ser o seu inverso, portanto, amarelo.

quando não nos lembramos de como nos sentimos, perdemos a consciência. não por solidão, mas por excesso de companhia, o mais provável é não sentir, de todo.

concluo portanto que hoje é dia oito em nó, solitário, consciente, amarelo e circular.

carolina – echos & espheras

Dia Internacional da Mulher, 8 de Março


Faço homenagem pública às mulheres da minha vida: à minha avó Joaquina Rosa (falecida em 1980), à minha mãe e à minha irmã. Deram-me vida, amor, carinho… ensinaram-me a crescer, a olhar com o coração… ensinaram-me a não desperdiçar o tempo… ensinaram-me como as quedas nos indicam novos caminhos…

“querendo podes vencer… querendo podes ser feliz”

Saudades avó… Obrigada mãe. Obrigada irmã

a sempre vossa Mimi

Mulher/Homem=ser humano – 8 de Março – Dia do Ser Humano

Assim como tenho dificuldade em me despir em público, assim tenho dificuldade em falar seriamente de mim enquanto ser humano feminino. Sempre desejei ser vista como se não tivesse diferenças exteriores entre os outros todos seres humanos. Igual a todos os homens e igual a todas as mulheres. Um ser humano, sem mais. Mas até hoje nunca pude, nunca mo permitiram.
Com o meu lento envelhecer por fora e desanimar por dentro, esperei com ânsia os momentos em que pudesse ver vista – ouvida – sem que os meus sinais exteriores de feminino trouxessem ruído à conversa na ágora – lugar ideal de partilha de saberes e ideias sem pré conceitos. Desejava (ainda espero que seja possível) que o meu rosto se torne transparente, que o meu sorriso para a vida e os outros seja invisível, para que a palavra possa finalmente ocupar todo o espaço.
Desagrada-me que haja um dia da mulher, porque me afasta da identidade lata de ser humano. Desagrada-me que quando caminho na rua, ou estou no meu local de trabalho, ou bebo chá na praça do Povo em Xangai, ou viajo de comboio por Itália, haja um modelo de comportamento – por mais amplo que seja, que me esteja atribuído e que esperam que cumpra. O castigo do incumprimento tem sido também muito penoso – ser vista como fora do Normal,  imprevisível, ilegível, sempre dito com benevolência, como se uma criança mal comportada ainda fosse.
Há/houve ainda a violência, que me proibiu espaços e tempos, que me fechou portas e opiniões, que me roubou futuros. Deploro essas perdas, deploro ter-me cruzado com pessoas capazes de violências surdas e declaradas, a coberto dos paradigmas sociais.
Este discurso serve para os homens também, os que desejavam ser conhecidos a amados por o que são e não por aquilo que se espera deles. É válido para entender os excluídos de todas as categorias e prateleiras sociais, gavetas e armários.
Quem sou? Um ser humano em viagem.
Ilda Rodrigues

Conheço algumas mulheres fortes


Mulheres que sabem dar.
Mulheres que sentem.
Mulheres que nunca recebem.
Mulheres que gostam de viver.
Mulheres que não têm medo.
Mulheres de poucas palavras.
Mulheres que caem e levantam-se.
Mulheres que passam despercebidas.
Mulheres que estão sozinhas porque são fortes.

Tindergirl

Aquilo que me chateia nos homens

Pedido o post do pré 8 de Março, que não sei mas deve ser um dia da mulher qualquer (como se algum dia existisse um especial para nós) – a propósito, ainda não fizeram uma greve por não haver um dia do homem? Adiante… deveria esperar-se que nesse dia esses homens que blogam no Aventar fizessem uma coisita especial para a mulher, tal como enviar um bruto ramo de flores para cada uma das amigas, mas claro, isso via net não tinha interesse nenhum: desapertem os cordões à bolsa e mandem por aqueles correios expressos que nos surpreendem em casa logo de madrugada, para ficarmos bem-dispostas, a pensar: quem foi o sacana que me fez levantar tão cedo.

Ora bem, supondo que na verdade esse dia é o dia da mulher, apetece-me falar daquilo que me chateia nos homens. Aproveitadores de todas as situações como lhes compete, depois que a mulher resolveu reclamar pelos mesmos direitos, passaram a achar que o cavalheirismo não fazia parte das obrigações deles. E vai daí, perdemos o direito de passar à frente quando entramos numa porta, de andar pelo lado interior dos passeios, de nos pagarem o café que bebemos na mesma mesa, e por aí fora que a esta hora da manhã não me lembro de mais nada.

Outra situação completamente catastrófica, é estar num supermercado a tentar colocar um saco de 20 kg num carrinho, que ainda por cima tem rodas e não pára quieto, e passarem por mim uma data de homens cheios de músculo e fazerem de conta que não vêm a minha dificuldade (já pensei que quando tivesse de fazer esse tipo de compras teria de colocar uma cabeleira loira e usar uma bruta minissaia; um dia experimento a ver se já tenho ajuda masculina). Melhor de tudo, é que é sempre outra mulher que se oferece para ajudar.

Bem, está feito o post que me deu na real gana… e agora, seja o dia 8 da mulher ou não, vamos ver se não levo com uma carrada de respostas ultra masculinas (não gosto do termo machista)…  porque afinal, tenham dó, sou apenas uma mulher.

MJoão Rijo

Do Sentido do 8 de Março…

No dia 8 de Março de 1857, um grupo de operárias têxteis, em Nova Iorque, decidiu fazer greve, ocupando, para o efeito, a respectiva fábrica. Reivindicando a redução do horário de trabalho de 16 para 10 horas e  contestando o facto de receberem apenas um terço do salário pago aos homens,  pela prestação do mesmo trabalho, as operárias foram fechadas nas instalações dessa fábrica em que veio a deflagrar um incêndio e, nesse dia de luta pela igualdade de direitos laborais, morreram cerca de 130 mulheres.

153 anos depois, apesar do reconhecimento internacional dos Direitos das Mulheres, da Igualdade de Oportunidades e do combate a todas as formas de discriminação de que se destaca, pela sua transversalidade, a discriminação em função do sexo, as mulheres continuam, em muitos sectores de actividade, a não ter o produto do seu trabalho reconhecido em igualdade de circunstâncias com o sexo masculino. E se esta realidade ocorre ainda no Ocidente, no planeta é esta a realidade maioritária do mundo laboral. [Read more…]

Enquanto houver…

– uma mulher vítima de violência doméstica faz todo o sentido o dia 8 de Março!
– uma mulher encostada num canto da sociedade faz todo o sentido o dia 8 de Março!
– uma mulher que não possa ir à escola faz todo o sentido o dia 8 de Março!
– uma mulher a ser explorada por um patrão faz todo o sentido o dia 8 de Março!
E…
E…

Martinho da Vila para vos desejar um FELIZ dia da MULHER!

Dia Internacional da Mulher…no Aventar:

A questão parece simples sendo verdadeiramente complexa: a Mulher precisa de um dia internacional? A Mulher ocidental certamente que não mas existe mundo para lá do nosso quintal.

Independente da opinião de cada um sobre a matéria, a realidade é simples: o dia existe. Por existir, entendeu a equipa do Aventar (por maioria) que o mesmo merece um Aventar especial. Assim decidido, cada um fez o seu trabalho e amanhã, excepcionalmente, os machos deste espaço folgam.

No dia 8 de Março temos um Aventar exclusivamente no feminino. Elas ditam as regras, escrevem as postas e nós remetemo-nos à nossa verdadeira insignificância, quietinhos, a salivar pelo dia 9 e a gastar as balas nas caixas de comentários.

Vai ser um Aventar diferente. Estilo “turma do bolinha” ao contrário: menino não posta!

8 de Março de 2010

8 de Março, Dia da Mulher

O DIA QUE NÃO DEVERIA CONTINUAR A EXISTIR
.

É amanhã o dia que, mundialmente, se consagrou ser o da Mulher.

Na realidade não deveria existir tal dia, uma vez que o facto de existir, por si só, coloca a mulher numa posição de inferioridade.

Existe o dia da árvore, o dia do doente disto e da doença daquilo, da protecção deste e daquele aspecto, e por aí fora num chorrilho de dias consagrado a este ou aquele. Existem esses dias dedicados, desde que se viu que seria preciso proteger alguma coisa.

A Mulher não deveria precisar de um dia destinado a lembrarmo-nos dela. Não há um dia dedicado ao Homem. Não é preciso. [Read more…]

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