O Orçamento Suplementar para 2020 é uma treta

Europe has now become the world’s beating heart of solidarity.
Ursula von der Leyen

Wir haben jetzt angeboten, daß 1000 freie… freiberufliche Interpreten
Florika Fink-Hooijer

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Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA [https://bit.ly/2CrHxJP]

De saída do Governo, não satisfeito com um OE2020 que é uma mentira e uma vergonha, Centeno anexou-lhe um Orçamento Suplementar que é uma treta. Este Orçamento Suplementar da treta, aprovado anteontem, foi apresentado pelo estreante ministro João Leão. O PS votou a favor e fez mal. O PSD, o BE, o PCP, os Verdes, o PAN e Joacine Katar Moreira abstiveram-se e fizeram mal. O CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal votaram bem, mas infelizmente não foi pelas melhores razões ortográficas. Efectivamente, o pacote anteontem aprovado faz jus ao caos orçamental iniciado com o OE2012, provocado por gente deslumbrada com a RCM n.º 8/2011 que o Governo decidu mandar pôr em cima de uma oliveira, para gáudio dos crentes.

Aquilo que anteontem se aprovou na Assembleia da República foi uma proposta (pdf), onde se refere, por exemplo:

  • respetivo sector de atividade” (p. 35);
  • “entidades do sector público” (p. 38);
  • “solidariedade sobre o setor bancário” (p. 41);
  • “suportada pelo setor financeiro à que onera os demais setores” (p. 41);
  • “passivos por ativos não desreconhecidos em operações de titularização” (p. 43);
  • “Ambiente e Ação Climática” (p. 28).

A proposta traz com ela mapas (pdf), nos quais encontramos “RESPECTIVOS SERVIÇOS SOCIAIS” (p. 2).

Além disso, temos o sempre esclarecedor relatório (pdf), no qual podemos rever estas deliciosas e correctíssimas grafias:

  • acção social” (p. 10);
  • activos financeiros (excepto privatizações)” (p. 14).

O pacote anteontem aprovado é uma enjoativa salada orçamental suplementar e deveria fazer corar de vergonha quem a aprovou e quem com ela é conivente.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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O confinamento voluntário do poder político português

O que quer que aconteça na vida não se reduz nunca ao facto do seu acontecer.
— António de Castro Caeiro, ‘Epidemia’ e ‘pandemia’: manifestações de totalidade (pdf)

I believe it was inevitable
VH

nothing but an ego[‘s]-trip, yeah!
Bach

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Em primeiro lugar, esta comparação entre Cristiano Ronaldo e o ministro das Finanças — seja ele Centeno, seja ele Leão, seja ela Alburquerque ou seja ele Gaspar — é inadmissível e ridícula. A culpa inicial é de Schäuble, sim, mas não vale a pena perpetuar o delírio: já chegam as vaidades patrocinadas pelo Expresso. Estou de acordo com Tennessee Williams, não nos devemos intrometer nas vaidades dos homens — embora o maravilhoso dramaturgo só tenha chegado a esta conclusão depois de satisfeito com a tareia dada à ego-trip de Menotti. No entanto, a vaidade de um maestro ainda é como o outro: mas um ministro, efectivamente, não é um maestro.

Passando àquilo que interessa, sabemos que é inevitável. Abre-se o Diário da República e… ei-los.

Continuai no vosso confinamento voluntário, encolhei os ombros, assobiai para o ar, tapai o sol com a peneira, escrevei Orçamentos do Estado vergonhosos, dai-nos música sobre a língua, blá, blá, blá, e, principalmente, mantei-vos no vosso buraquinho, muito escondidinhos, bem distantes da realidade, para que o vosso faz-de-conta tenha um ar bastante sincero.

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Nótula: Segue-se um desabafo em forma de nótula, com reactivação dos primeiros apontamentos para este meu texto publicado na Torpor. Por mero acaso, tropecei neste debate entre Jack Lang e Éric Zemmour. Estava tudo a correr relativamente bem, até aparecer a história do pai de Zemmour. Enquanto os intelectuais que se pronunciam sobre tradução se mantiverem preguiçosamente encostados ao bordão do traduttore tradittore, continuaremos a assistir a debates vazios, travados por quem insiste em discutir pela rama assuntos efectivamente sérios. Como podereis reparar, o “traduire, c’est trahir” de Zemmour é acompanhado por aquela expressão corporal do “não se fala mais sobre o assunto“. Como diria Finkielkraut, “cette arrogance est absolument insupportable”. Quando políticos discutem língua, já se sabe que há despistes, mas, francamente, “idiot utile” (ou “inutile”, vai dar ao mesmo) não se admite e a réplica “idiot calculé“, passados uns dias, é igualmente inaceitável.

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Os ratos são os primeiros a abandonar o barco

Mário Centeno sai do Governo.

Mário Centeno permanece no Governo

Efectivamente. Apesar de o OE2020 ser uma mentira e uma vergonha.

«Centeno admite recessão», mas os Açores admitiram receção

OK. Efectivamente, convém que Centeno esclareça a *receção económica dos colegas dos Açores. Eis o pdf (pp. 15 e 16). Exactamente.

O Orçamento do Estado para 2020 é uma mentira

We keep saying we’ve arrived at psychogenesis, but we actually continue to be working obviously with linguistic models. Here is Lacan telling us the unconscious resembles a language, that it’s structured like a language; Brooks telling us that it’s the verbal structure arising out of the relationship between metaphor and metonymy that constitutes the narrative text. We keep sitting around twiddling our thumbs, waiting for somebody to say something about the psychogenesis of the text.
Paul Fry

Mentira!
Joacine Katar Moreira

Purpose of sampling distribution You’d like to estimate the proportion of all students in your school who are fluent in more than one language. You poll a random sample of 50 students and get a sample proportion of 0.12. Explain why the standard deviation of the sampling distribution of the sample proportion gives you useful information to help gauge how close this sample proportion is to the unknown population proportion.
Agresti, Franklin & Klingenberg

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Já sabíamos que o Orçamento do Estado para 2020 era uma vergonha merecedora de chumbo. A farsa ortográfica promovida pelo poder político teve hoje um episódio simbólico: depois de ter confirmado a promulgação do OE2020, Mário Centeno anunciou que esta vergonha ortográfica entraria em vigor no dia 1 de Abril. Exactamente: 1 de Abril. Excelente escolha. Ovação de pé.

Aliás, a mentira ortográfica continua de vento em popa no sítio do costume.

Saúde para todos e, embora haja le printemps qui chante, por favor, restez à la maison.

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O IVA da electricidade e o IVA da eletricidade

DOROTHY
Toto, I have a feeling we’re not in Kansas anymore.
The Wizard of Oz

Wovoka had a vision, his words went far and wide.
Death Cult

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A decisão sobre o IVA da electricidade foi um dos grandes temas desta semana. Todavia, a pergunta impõe-se: aquilo que os deputados votaram foi o IVA da electricidade ou o IVA da eletricidade? Sim, porque, não são exactamente a mesma coisa e, se bem vos lembrais, ambas aparecem no Orçamento do Estado para 2020. Tendo em conta alguma tradição (“não responde“, “não responde“, “não responde“), ficaremos provavelmente sem saber se é electicidade ou eletricidade.

© psdesign1 / Fotolia [http://bit.ly/2veNZQq]

No fim de contas, importa é mostrar que os actos são dinâmicos — às vezes, até há música — e dar tempo de antena a despropositadas vaidades. Aquilo que está em causa é vender o produto e a imagem dos autores do produto: a péssima qualidade do produto efectivamente não interessa.

Quanto ao dilema electricidade/eletricidade, convém igualmente recordar que a supressão do cê da sequência -ct- dá azo a erros em línguas estrangeiras (*fator, *diretion, *eletric). Será possível que um falante/escrevente de português europeu venha um dia a escrever

Development of Analyzing System for Power Fator and Harmonic Diretion in Eletric Power Distribution System using FA Computer,

em vez de

Development of Analyzing System for Power Factor and Harmonic Direction in Electric Power Distribution System using FA Computer?

Tendo em conta os “human fator issues“, os “One Diretion” e a “General Eletric“, sim, é possível.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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Contra o Orçamento do Estado para 2020

Ora, questa frenesia dell’apparire (e la notorietà a ogni costo, anche a prezzo di quello che un tempo era il marchio della vergogna) nasce dalla perdita della vergogna o si perde il senso della vergogna perché il valore dominante è l’apparire, anche a costo di svergognarsi?
Umberto Eco

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Foto: Tiago Petinga/Lusa [http://bit.ly/36HQkRp]

É impossível alguém rever-se no OE2020, a não ser que ande a espalhar o caos ortográfico. Efectivamente, a mixórdia de 1990 tem um dos seus pontos altos anuais no momento em que o ministro das Finanças entrega ao presidente da Assembleia da República um texto que o primeiro obviamente não escreveu e o segundo certamente não lerá. Baseio esta minha hipótese num facto: estes são exactamente os mesmos protagonistas dos momentos simbólicos do OE2016, do OE2017, do OE2018 e do OE2019. Se Mário Centeno e Eduardo Ferro Rodrigues tivessem escrito ou lido as propostas de 2016, 2017, 2018 e 2019, provavelmente não teríamos o caos de 2020 que aqui vos deixo, sob a forma de pequena amostra: [Read more…]

Cristiano Centeno no Real Madrid?

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Fotografia: Julien Warnand/EPA

Centeno vinha de um país pobre, num contexto particularmente delicado. Treinou intensamente, deu nas vistas numa inesperada geringonça, ainda que sem grande futuro, e não demorou muito até que o seu talento despertasse o apetite de grandes emblemas estrangeiros.

Lá fora continuou a dar nas vistas. Tinha a rara habilidade de saber aproveitar os ventos favoráveis para apresentar números históricos, driblando os seus companheiros de equipa mais indisciplinados, ao mesmo tempo que iludia os sócios da instituição com o seu jogo de cintura.  [Read more…]

Autoridade Triturária

Foto: ESTELA SILVA/LUSA

Eu não sou de intrigas, mas quer-me parecer que anda alguém na Autoridade Tributária a querer fazer a folha ao ministro Centeno. Só assim se explica que, no espaço de poucos dias, o fisco tenha desencadeado uma operação terrorista e anunciado outra – ambas rapidamente neutralizadas pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, mas ainda assim deixando um rasto de indignação e de espanto entre o povo em geral e os defensores do Estado de direito em particular. [Read more…]

Contentores políticos

Conheço bem o “Joãozinho”, nome pelo qual é conhecida a ala pediátrica do São João. Já o conhecia antes de ser arma de arremesso eleitoral. Desde que aqueles contentores foram montados, que nunca teve condições para ser ala pediátrica de coisa nenhuma. É uma das maiores vergonhas nacionais e é ilustrativo do SNS cativado do ministro Centeno, que os alemães e os burocratas europeus tanto elogiam. Mas ver o Dr. Negrão, líder da bancada parlamentar do PSD, expressar a sua indignação, porque hoje desceu à terra e descobriu o Joãozinho, é de uma hipocrisia revoltante. Aquilo naquelas condições há anos, durante os quais o partido do senhor nunca mexeu a ponta de uma palha para corrigir situação, e o cavalheiro só agora deu conta. Mais vergonhoso do que a situação no São João, só mesmo a mediocridade da esmagadora maioria da nossa classe política. Temos contentores provisórios onde devíamos ter estadistas.

A Flor e o Espinho de Mário Centeno

Vanishing Act

O jornal Público faz referência à viagem de comboio de Mário Centeno de Lisboa até Vila Nova de Gaia, onde arrancou a campanha do PS para as eleições europeias. O Ministro das Finanças, histórico socialista e aparentemente profundo conhecedor dos símbolos que representam o seu partido, terá dito, segundo o jornal, que trazia consigo apenas uma “rosa, símbolo do PS, que significa a importância do que aí vem, não preciso de mais nada”. Centeno proferiu estas palavras a partir de um púlpito decorado com o punho cerrado que tradicionalmente identifica o partido que representa. Para o cidadão menos atento, a mensagem de Mário Centeno será uma referência poético-botânica sem especial significado, destinada a comover as hostes, num comício de campanha onde as palavras são atiradas como punhos aos corações abertos da claque, sempre pronta a engolir sem mastigar, nunca distinguindo, por isso, o mel do fel do seu penso. Tudo é mel e água pura.

Mas a referência de Centeno não é, na verdade, inocente, nem mero lirismo gratuito. É muito mais do que isso. Infelizmente, não temos tempo para desenvolver aqui o assunto.

Ler aqui:  Eurogroup, The Vanishing Act.

 

A geringonça desconfia dos cidadãos

Não foi com surpresa que ontem vimos o PS, o BE e o PCP a aprovarem na especialidade o fim da inviolabilidade do sigilo bancário, apenas permitido por um juiz, em caso de suspeita de ilícito e a pedido do Ministério Público, como é fundamento basilar de uma Democracia livre. De facto, os partidos que sustentam o actual governo, querem que os bancos passem a informar a Autoridade Fiscal e Aduaneira quem tem mais de 50 mil euros depositados a 31 de Dezembro do ano anterior, embora sem divulgar nem movimentos nem extractos da(s) conta(s).

geringonça

Como o J. Manuel Cordeiro já ontem aqui referiu, o motivo adiantado por Mário Centeno é de que se trata de uma medida de “extrema importância para o combate à fraude e evasão fiscal” e de que os dados apurados “servem como desincentivo à ocultação e têm importante função preventiva”.

Importa dizer, frontalmente e sem qualquer rebuço, que essas explicações são próprias de políticos que desconfiam dos cidadãos [Read more…]

Mário Centeno está em Portugal

O Ministro das Finanças português foi visto, esta quarta-feira, na Assembleia da República.

Mário Centeno e a Geringonça: Cavaco tem razão

Aníbal Cavaco Silva, provavelmente o mais nocivo político português do pós-25 de Abril. Um tumor maligno que, ao longo de 30 anos, medrou sem parar por todo o país, com efeitos que ainda hoje se fazem sentir.
Acredito que nunca tenha tido dúvidas, mas também é verdade que raramente acertou. Daí o meu espanto ao ouvi-lo dizer recentemente, na TSF, duas frases muito acertadas:
– Mário Centeno poderia ser ministro das Finanças em qualquer Governo de Direita.
– É espantosa a facilidade com que PCP e Bloco de Esquerda se vergaram às políticas do PS.
Um Governo que até começou bem, acabando com a vergonha dos contratos de associação no ensino, mas que em termos de políticas de Esquerda a sério se ficou por aí. Se alguém pensava que doravante os poderosos seriam o alvo do PS, enganou-se redondamente.
Estando o PCP e o Bloco reféns do apoio que deram ao Governo, compreende-se até certo ponto que os sucessivos Orçamentos tenham sido viabilizados. Mas aceitar continuadamente o perdão de milhões à Banca e à Energia, que não tem parado de aumentar ao longo da Legislatura, é mais difícil de engolir.
Entre as ajudas aos Bancos e as rendas e rendinhas à EDP, já se foram mais de 40 mil milhões. Só para dar um exemplo, dava para pagar o Rendimento Mínimo durante mais de 130 anos.
E isso transforma a Esquerda em conivente, desde 2015, das políticas neo-liberais do Bloco Central que nos governam há 40 anos.

Orçamento de Estado 2019: que formosa aparência tem a falsidade!

Santana Castilho

O título deste escrito cita Shakespeare. A formosa aparência dos 0,2% de défice é vista como uma falsidade pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que descobriu discrepâncias entre vários documentos referentes ao OE 2019. A mais citada resulta de haver uma diferença de 590 milhões de euros entre a proposta de lei e o relatório, o que originaria um défice de 0,5% em vez de 0,2%. A explicação radica na circunstância de os orçamentos serem sempre exercícios previsionais. Centeno pede ao Parlamento, na proposta de lei, autorização para gastar mais 590 milhões. Mas considera-os, no relatório, cativos sobre consumos intermédios. Para ele, o que importa é o 0,2% de défice. Se as receitas crescerem para além do previsto, talvez os gaste. Se não, não gasta. Mas, aprovada a proposta, já tem a despesa autorizada, porque não gosta de orçamentos rectificativos e não quer falhar os 0,2%. É por isso, e para entreter os parceiros da “geringonça”, que dá uma formosa aparência à falsidade orçamental. É assim que funciona a ditadura financeira de Centeno, visceralmente incompatível com qualquer necessidade social que ameace o défice. O OE 2019 apresenta-se, assim, apenas positivo para as finanças, inibidor para a economia e politicamente negativo.
As chamadas despesas excepcionais representam mais de 10 mil milhões de euros, de que não resultam quaisquer benefícios para o cidadão comum. Outrossim, vão directos para os grandes grupos financeiros e económicos. Aí estão inscritos 1750 milhões para os bancos, 4000 milhões para as participações de capital, 1200 milhões para a Parpública e 1518 milhões relativos a rendas de parcerias público- privadas rodoviárias, quando a UE (Eurostat) estimou que o seu valor actualizado não devia ser superior a 337 milhões. [Read more…]

Pena não ter querido controlar os apetites da EDP

Centeno tem mérito de ter gerido a Geringonça e controlado os apetites

Um excendente de pobrezinhos na Comporta

Fotografia: Joaquim Norte Sousa@Expresso

Um excedente de 1,3 mil milhões nas contas do terceiro trimestre da Administração Pública é o mais recente conseguimento do CR7 do Eurogrupo, Mário Centeno. O resultado, revela o Expresso, é fruto de um crescimento de 5,4% da receita (que é como quem diz os nossos impostos mais umas taxinhas), superior aos 2,2% registados do lado da despesa (parcialmente cativada). Mas um tipo olha para aquilo e pensa “Porra, para quem está habituado e ver tudo no vermelho, um excedentezinho não é nada mau!”.

O que sucede? [Read more…]

Contra o Orçamento do Estado para 2019

We know that this is pretty stable.
— Ian Roberts

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Foto: Manuel de Almeida – Lusa [https://bit.ly/2AceXIF]

Eis o mau hábito instalado nesta casa desde a época 2011/12 (cf. OE2012) e continuado em 2013201420152016, 2017 e 2018. Porquê desde 2012? Exactamente pelo mesmo motivo de o Diário da República nos dar fatos e contatos em barda desde Janeiro de 2012.

Portanto, eis o exercício do costume, com alguns exemplos da proposta e do relatório. Aliás, a amostra que se segue chegaria e sobraria para os deputados chumbarem estes documentos, redigidos por quem impôs uma ortografia que, no fim de contas, não sabe utilizar:

Excetuam-se as entradas em espetáculos de carácter pornográfico ou obsceno, como tal considerados na legislação sobre a matéria (proposta, p. 189);

deduzida dos montantes de receita com caráter pontual ou extraordinário (proposta, p. 72);

Reativou-se a atribuição de Bolsas de Criação Literária (relatório, p. 23);

de forma a torná-la proactiva (relatório, p. 31);

financiamento à agricultura, desenvolvimento rural, pescas e setores conexos, definidas a nível nacional (relatório, p. 23);

entre vários sectores da sociedade e da economia (relatório, p. 139);

no setor público empresarial (relatório, p. 15);

contribuição extraordinária para o sector energético (relatório, p. 277);

relativa à reafetação de parte do PM 65/Lisboa – Colégio de Campolide (proposta, p. 319);

a reafectação de pessoal para o serviço operacional (relatório, p. 34);

competitivos para projetos científicos (proposta, p. 24);

total da despesa no âmbito de projectos (relatório, p. 81);

medidas para tornar efetiva (relatório, p. 81);

Despesa Efectiva excluindo transf. do OE p/ SFA’s (relatório, p. 82);

gastos com contratos de aquisição de serviços no subsetor local (relatório, p. 57);

com reflexo no subsector Estado (proposta, p. 91);

gestão dos transportes urbanos coletivos rodoviários (relatório, p. 190);

Habitação E Serv. Colectivos – Administração E Regulamentação (relatório, p. 125);

por intermédio de centros eletroprodutores (proposta, p. 275);

licenciamento de centros electroprodutores (relatório, p. 185);

dos agentes de proteção civil (relatório, p. 121);

014 – Segurança e Ordem Públicas – Protecção Civil e Luta Contra Incêndios (relatório, p. 119);

desenvolvimento sustentável da ação social (relatório, p. 115);

027 – Segurança E Acção Social – Acção Social (relatório, p. 125);

aumento do número de faturas (relatório, p. 233);

no momento da sua receção  (proposta, p. 203);

Fornecedores – Facturas em recepção e conferência (relatório, p. 279);

com recurso a ativos imobiliários (relatório, p. 39);

exceto no caso dos planos prestacionais (proposta, p. 256);

Aquisição líquida de activos financeiros (excepto privatizações) (relatório, p. 261).

Mário Centeno, o Cristiano Ronaldo de Wolfgang Schäuble

Fotografia: Getty Images via Sábado

Se dúvidas restassem, todas se dissiparam ontem. O Bruno resumiu bem a coisa:

Mário Centeno caucionou os 5 anos de governo Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Albuquerque.

E foi exactamente isso que aconteceu. Centeno teve a sua oportunidade, e usou-a para mostrar ao país e à Europa where his allegiance lies. Centeno, como grande parte do baronato socialista, vive bem com esta Europa ao serviço dos grandes negócios. E as várias fases do so-called resgate grego, bem como as manobras de terrorismo financeiro que o antecederam, foram um grande negócio para muita gente. Excepto para a Grécia. [Read more…]

O vídeo de Centeno sobre a Grécia

A mensagem de Mário Centeno sobre o “fim” do resgate grego suscitou várias reacções, mesmo no interior do PS, sem qualquer substância ou interesse políticos. Umas previsíveis, outras encomendadas, nenhuma foi de encontro ao verdadeiro significado da intervenção do presidente do Eurogrupo e ministro das finanças português. Esse significado é o seguinte:

  1. Mário Centeno caucionou os 5 anos de governo Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Albuquerque.

  2. Mário Centeno fez evaporar o que restava da credibilidade de António Costa, exibindo-o como uma fraude política, alguém que, de facto, enganou centenas de milhares de portugueses – muitos do PS – para chegar a primeiro-ministro.

  3. O que interessa de debate político na Europa trava-se entre Varioufakis e Bannon. O resto é mera sucata civilizacional.

O novo Vítor Constâncio

Se não é, deveria ser.

Se não é, deveria ser inconstitucional, o Ministro das Finanças de Portugal dirigir-se aos seus concidadãos numa língua estrangeira.

Uau, Expresso! Que informação dramática

MC

O Expresso e a sua correspondente em Bruxelas descobriram que Mário Centeno irá em dias seguidos ao Parlamento Europeu. Será que é desta que chega o Diabo? Que informação dramática!

 

A primeira medida de Mário Centeno como líder do Eurogrupo

Pedir 2 bilhetes a Nasser Al-Khelaïfi para o PSG – Dijon do dia 17 de Janeiro. Afinal, o homem vê futebol há 45 anos.

Os bilhetes de Centeno, o IMI dos Vieiras e o Correio da Manhã

Fotografia: Pedro Rocha@O Jogo

Aparentemente, Mário Centeno fez aquilo que a esmagadora maioria dos deputados, secretários de Estado, ministros e outros altos oficiais da República que gostam de ir à bola fazem constantemente: pediu bilhetes para um jogo de futebol. A forma moralista como tal facto foi abordado por alguma imprensa deixou-me a pensar se quem escreveu aquelas coisas vê futebol. Porque se vê, estará com certeza familiarizado com as imagens dos camarotes presidenciais dos três grandes, onde é frequente a presença de figuras do topo da pirâmide do poder. Qual é mesmo a novidade?

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A luz de Centeno

O percurso político do actual ministro das finanças pode considerar-se atípico. Atípico e meteórico. Na verdade, em apenas dois anos, Mário Centeno passou de anónimo técnico do Banco de Portugal – e presidente do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento das Estatísticas Macroeconómicas – a companheiro de selfies da senhora Lili Caneças, Ministro das Finanças da República, Presidente e CR7 do Eurogrupo e cativo da tribuna presidencial do estádio da Luz. Há que reconhecer que não abundam os casos de tão rápida e íngreme escalada social.

Há quem assegure, como é o caso do senhor Primeiro-Ministro, que a rápida ascensão ao estrelato de Mário Centeno se deve exclusivamente ao seu talento invulgar, talento esse que terá ficado demonstrado no milagre operado na economia e nas finanças portuguesas, bem como em diversos indicadores estatísticos – uma das especialidades de Centeno – que dão corpo a esse milagre.

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Mário Centeno já se demitiu?

 

Ministro das Finanças pediu 2 bilhetes a Luís Filipe Vieira, para ver jogo «contra o Porto», apesar de aquele ser arguido do caso BPN por suspeita dos crimes de burla qualificada, de falsificação e branqueamento de capitais.
Recebimento indevido de vantagem dá prisão de 1 a 5 anos.
Dizem que Mário Centeno é o CR7 da política. Cá para mim, é mais o Fábio Veríssimo da política. Já se demitiu?

Ainda agora lá chegou

e já está a causar estragos.

Centemo-nos

A nomeação de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo é não só uma vitória de Portugal, mas uma bela lição ao arrogante holandês Dijsselbloem. É que o salário mínimo em Portugal vai subir para os 580 euros, enquanto na Holanda são apenas 1580.

Como diria o outro: carrega Centeno!