Regresso ao Futuro

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[António Alves, Maquinista]

Vivemos na Ferrovia Nacional um momento que se pode considerar histórico.
Aquilo que na filosofia da ciência se chama uma ruptura epistemológica. Estas acontecem quando um obstáculo inconsciente ao pensamento científico é completamente rompido ou quebrado. É o que acontece nos dias que correm no mundo ferroviário português. Um conjunto de factores concatenaram-se para que isso fosse possível: um ministro dedicado e consciente do papel da Ferrovia no futuro do país, um Conselho de Administração da CP tecnicamente competente e empenhado em fazer renascer o Caminho de Ferro e, até, uma mudança de linha, mas sem rejeitar a sua História e mantendo uma continuidade com ela coerente, no mais importante sindicato operacional do setor, o dos Maquinistas.
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O tudólogo d’Entre Douro e Minho

[maquinistas.org]

Chegou ao nosso conhecimento esta pérola do tudismo, actividade muito peculiar da cultura Portuguesa, onde alguém, que não percebe absolutamente nada de um determinado assunto, se põe a fazer opinações de fundo sobre o mesmo na imprensa. Não que ponhamos em causa o irrevogável direito de o fazer, que defendemos solenemente, mas sim a obrigação moral que quem está no mundo da política tem de se pautar como um exemplo ético para a sociedade (nem que seja de aparências!).

Ricardo Santos, Engenheiro de Software, ex-líder da JSD Paredes, candidato vencido à concelhia de Paredes do seu partido, membro da Assembleia Municipal de Paredes e aparentemente tudólogo de serviço à coluna de opinião do Verdadeiro Olhar, emanou o seu parecer sobre o projecto da linha do Vale do Sousa através da referida publicação. E, do alto da sua sapiência de tudólogo, aparentemente não gostou… [Read more…]

O estado a que a CP chegou

José Manuel Rosendo

Ponham um mapa em cima da mesa e decidam qual é a rede de ferrovia que querem para o país. E depois digam-nos. E, já agora, porque é indispensável, digam-nos que CP querem.
Falar da CP, confesso, integra uma grande componente afectiva. Talvez por isso, a situação vergonhosa do transporte ferroviário em Portugal potencia aquela sensação de “vergonha alheia” que por vezes nos invade a alma. Quando se fala da CP é isso que sinto: uma grande vergonha (alheia) pela situação a que a empresa chegou.

Passo a explicar: sou filho, neto, sobrinho, primo e tenho muitos amigos ferroviários. Nasci numa terra – Pinhal Novo – que, também ela, cresceu a partir de uma “Estação de comboios”. Ainda hoje – embora pela negativa – a linha ferroviária marca a vida de Pinhal Novo, cortando-a literalmente a meio. A electrificação da via e a anulação de passagens de nível deixou-nos duas pontes – de difícil utilização pedonal – e um túnel que convém evitar, principalmente durante a noite. Cerca de 30 mil habitantes divididos pelas linhas do comboio. [Read more…]

CP: como destruir um serviço público para vender a preço de saldo

Imagem: Público via Maquinistas.org

A situação actual em que se encontra a CP é vergonhosa e indigna de um país desenvolvido da Europa Ocidental. Num momento em que os nossos parceiros europeus investem na ferrovia, em Portugal assistimos à degradação de infraestruturas e equipamentos, às constantes supressões de comboios, atrasos e avarias, enquanto a imprensa afiliada aos interesses privados trata de doutrinar a opinião pública, estendendo a passadeira vermelha para a “inevitável” privatização.

As grandes empresas ferroviárias europeias, claro, estão já com os olhos postos em Portugal. Porque o negócio da ferrovia nacional é atractivo e, bem gerido – não confundir com a gestão medíocre de boys partidários – será seguramente um negócio lucrativo. Para não falar nos subsídios públicos que virão indexados ao negócio. E nas cativações do Dr. Centeno, que deixarão de dar o ar da sua graça. É que já estamos em Agosto, e dos 44 milhões de euros (quase nada) previstos no OE18 para investimentos da CP, pouco mais de 10% foi executado. Assim é fácil destruir um serviço público.

Oh! Passos vai aprender e leva o Álvaro!

Linha Sines-Badajoz não tem continuidade no lado espanhol. As promessas de Passos e do incapaz Álvaro quanto à ligação ferroviária de Sines a França e Norte da Europa, afinal, não são, assim, tão exequíveis. A necedade dos ignorantes impõe-se à necessidade do falar informado e com seriedade.

Figueres Alt Empordà

O “TGV” (o original) anda em testes na Catalunha (Espanha); dentro muito em breve será possível viajar em comboios de alta velocidade entre Málaga e Londres, Bruxelas, Amesterdão e Colónia. Entretanto, constrói-se também a nova estação central de Barcelona La Sagrera.