A vida entre carimbos

Há a vida plena de riscos, vivida sobre a lâmina, pulsante, imprevisível, trágica e hilariante, e há a vida tal como é vivida no cartório notarial. A vida no cartório toma o seu tempo e segue os seus caminhos, que se traduzem inevitavelmente em fotocópias, registos, declarações, certidões, actas de deliberação, certidões de teor, registos prediais.

No notário, nada é súbito. Nem a morte, para tomarmos o exemplo mais extremo. Uma pessoa pode estar morta, inegavelmente morta, mas só o estará deveras quando o óbito tiver sido declarado na Conservatória do Registo Civil, e logo em seguida nas Finanças. Não se está morto sem que os documentos, muitos documentos, o comprovem. Se há pulso ou não, se os pulmões aceitam ar e o devolvem ou não, isso é matéria que só interessa no mundo de lá de fora. Dentro do notário é preciso certidões. São elas que traçam a linha entre a vida e a morte. [Read more…]

As certidões a fechar o círculo

Diz o Sol que há conversas de Sócrates com Vara a pedir dinheiro para a campanha socialista das últimas eleições.

 

É para isto que servem as empresas públicas e os boys, que vão pagando as nomeações políticas com estas comissões de negócios "à sucata", desculpem, à socapa.

 

Sócrates vai dizendo que não sabe de nada, e quando sabe, é campanha negra. Esta teia fecha-se ferozmente quando é apanhada,  há cumplicidades perigosas e o poder dá poder, passe a evidência,  veja-se a embrulhada em que estão metidos o PGR e o Presidente do Tribunal Superior de Justiça, a ver qual dos dois dá o passo para o pântano em que se transformou a Justiça.

 

Levanta-se uma certidão e lá está Sócrates, em todas, e se não é ele são os amigos, ou os familiares e ele de nada sabe, escolhe as palavras "oficialmente", mente à Assembleia da República e os outros é que estão a "politizar" um assunto que é da Justiça.

 

Deixem a Justiça funcionar, a tal que o PS e o PSD ataram de pés e mãos, para não a deixarem ir a lado nenhum, só faltava a sociedade civil não ter opinião, já tivemos isso durante 40 anos sabemos "ler a partitura".

 

É possível este homem continuar como Primeiro Ministro? Felizmente as  escutas vão todas ser escarrapachadas nos jornais.

 

E não tenham pena, o PS fez isto a muita gente !

Certidões às Pinguinhas

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A CONTA GOTAS

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Como se fora um pagamento a pretações, as certidões importantes, vão chegando. Umas agora, outras daqui a dias, outras passado quase um mês.

Ninguém entende, mas, se pensarmos bem, até é fácil de explicar. Se observarmos atentamente quais são os intervenientes, chegamos lá.

Sócrates I, O Arrogante, foi ouvido a falar ao telemóvel, com o seu amigo Vara. Ele pensava que não, mas foi. Durante meses, consegui-se que as transcrições do que se ouviu, ficassem no segredo dos deuses. As eleições, vinham a caminho. Depois, Sócrates II, O Dialogador, ganhou-as. Já não era possível esconder por mais tempo, o que alguns sabiam, e a notícia veio a lume. As certidões do que se ouviu, tinham que ser apresentadas, mas as resistências que sempre existem nestes casos, continuaram a fazer o seu papel, e…. é o que se vê. Chegam às pinguinhas, a quem de direito.

Entretanto, uma tempestade se anuncia. As escutas estão provocar uma guerra no Parlamento. Segundo Ferreira Leite, o nosso Primeiro deve explicações ao País. Por outro lado, os defensores oficiais do chefe do governo, este não se sente obrigado a fazê-lo, já que se tratou de conversas privadas entre amigos. E ainda vão dizendo que a líder Social Democrata faz com essa exigência, baixa política.

A ideia de chamar ao que se está a passar, campanha negra, quer regressar, mas parece que desta vez não surtirá o efeito desejado. Não há ou haverá campanha negra para ninguém. A vitimização, que fez carreira no anterior governo, não deverá medrar neste.

O sr Pinto de Sousa, entretanto, respira de alívio, por breves momentos, porque se disse que o que se ouviu, não vale de nada. Foi ouvido sem autorização. Mas a opinião pública é que não se vai deixar levar por lorpa, desta vez. O não valer de nada, não iliba ninguém.

E imagine-se, até o Presidente está preocupado!

Também eu estou preocupado, e por essa razão pergunto:

– Se as conversas detectadas e gravadas fossem de outrem que não o nosso Primeiro, e o outro interlocutor fosse da mesma forma o sr Vara, teriam ido para o arquivo vertical (mais conhecido por lixo)?

Face a estas preocupações, e com um certo aproveitamento político ouvem-se por aí, nos cafés e esplanadas (apesar do frio vão conversar e fumar para lá), vozes anónimas e também das outras, a perguntar:

– Com mais este caso a juntar a todos os outros, será que o nosso Primeiro, deveria ser substituído?

– O partido que ganhou as eleições, deveria indigitar outra personagem?

E até há quem responda e diga que sim!

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