Pluralismo

Bruno Santos

Mentir, truncar, manipular, omitir ou silenciar, não são exercícios intelectuais ou éticos que possam configurar o conceito de pluralismo.

O pluralismo é a qualidade do que é plural, múltiplo, do que admite a existência do que é diferente, diverso, discordante.

O pluralismo é um dos mais exigentes desafios da Democracia, mas não cabe na sua definição a mentira voluntária, a manipulação, a omissão ou o silenciamento. Não cabe o crime. Não é pluralismo admitir que se possa, por exemplo, assassinar, roubar, falsear os factos. Duas testemunhas podem ter sobre um acidente de trânsito visões plurais, que este travou ou não travou a tempo, que aquele buzinou antes de bater, que ambos tinham prioridade à luz do código da estrada. Isso é pluralismo. Mas nenhuma pode dizer que eram três carros em vez de dois (quando, de facto, eram dois), ou que uma nave extraterrestre desceu sobre o cruzamento e desviou, com um feixe de positrões, um dos veículos, fazendo-o chocar com um holograma e desviando a sua trajectória. Quer dizer, poder, pode, no caso de o acidente se ter dado no Entroncamento.

Mas o Pluralismo depende, a priori, de uma Ética.

Raul Vaz e o Contraditório

A Antena 1 emite às sextas às 19 um programa de comentário político (nos dias em que não haja bola, porque prioridades são prioridades), o Contraditório, no qual participam actualmente Ana Sá Lopes, Luís Delgado e Raul Vaz.

A ideia do programa consiste em apresentar os temas da semana e ouvir as interpretações dos comentadores, cobrindo o espectro político, apesar da particularidade de dois dos comentadores se posicionarem à direita (o Luís e o Raul), o que limita a variedade de opiniões.

É precisamente na diversidade das opiniões onde entra o tema “Raul Vaz” deste post. Não preciso de concordar com as leituras de cada comentador mas acho interessante ouvir os diversos pontos de vista, até para olhar para os problemas por diferentes ângulos. Neste aspecto, tem sido regra, em todas as emissões, Raul Vaz interromper as análises da Ana Sá Lopes, seja com breves à partes e bocas dignas do (mau) comportamento dos deputados nos debates parlamentares, seja inclusivamente com longas interrupções, que subtraem o tempo que seria da Ana. Numa das últimas emissões,  a do dia  10 do corrente, o boicote do Raul ao comentário da Ana atingiu proporções inéditas, com constantes interrupções e repetidamente a falar por cima da análise da sua colega de programa. No programa de ontem tal voltou a acontecer, se bem que em menor proporção. [Read more…]

Vão cair que nem patinhos, vai uma aposta?

Mr. Peabody and His Wayback Machine

Há dez anos começava o programa Contraditório, da Antena 1, durante o efémero governo de Santana Lopes. Na passada sexta-feira, fez-se neste programa uma retrospectiva e, veja-se só, estamos em 2014 a viver 2004.

Uma repetição que nos atingiu passado uma década foi o caos no início do ano lectivo. Mas, tal como não há mal que não piore, desta vez o experimentalismo, expressão do ministro, foi a prometida implosão, não do ministério, mas da estabilidade. Passado mais de um mês e ainda há alunos sem aulas. [Read more…]

Unir o Partido

Na sequência do quase avanço de António Costa para candidato a candidato a primeiro-ministro, transcrevo parte do programa Contraditório, da Antena 1, no qual Ana Sá Lopes disserta sobre o conceito “unir o partido” (edição de 1 de Fevereiro de 2013, após o minuto 25:33 – áudio). A história é interessante, pelo que achei que valia a pena passar a escrito o que como tal não foi pensado.

Unir o Partido, o que é que é unir o Parido? Quando o Raul era meu chefe no Público costumava-me mandar às vezes aos sábados para as reuniões dos Sampaístas  Os Sampaístas – houve uma guerra terrível, fratricida. O Guterres ganhou as eleições,  houve uma guerra terrível e os Sampaístas tinham um grupo organizado. Mas era mesmo organizado, não era como estes que se reúnem nos almoços, nos jantares e nas esquinas. Faziam reuniões onde os jornalistas iam e falavam no final. O Sr. João Cravinho liderava, estava lá o Dr. Ferro Rodrigues, o Dr. Alberto Martins, várias pessoas.

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A face oculta de Carlos Magno


O que leva um jornalista aparentemente inteligente como Carlos Magno a comparar o caso Monica Lewinsky ao caso das escutas que envolvem o primeiro-ministro?
Aconteceu ontem no «Contraditório», programa da Antena 1 onde participam também Ana Sá Lopes e Luis Delgado?
Carlos Magno não sabe – ou não quer saber – qual é a diferença entre actos privados da vida privada pessoa e actos privados da vida pública?
Pois eu explico: se o primeiro-ministro combina ao telefone um encontro amoroso com a «Rainha das Meias», esse encontro não deve ser público – é um acto privado da vida privada. Ora, se o primeiro-ministro combina ao telefone o silenciamento de um canal de televisão, isso é um acto feito em privado nas que tem a ver com a vida pública e que, por isso, deve ser público. Porque não diz respeito à vida privada do primeiro-ministro.
Sempre gostei de Carlos Magno, mesmo quando lhe chamavam caixeiro-viajante (programa na SIC com Paulo Alves Guerra) e em especial na fase dos programas que fazia na TSF com o professor «Não é?». Mas nunca compreendi, nos últimos anos, a feroz defesa que sempre fez de José Sócrates. Defende-o em todas as circunstâncias, compara o que não tem comparação, parece um desses socratistas cegos que não vê nem quer ver.