Andas com pouco sentido de humor, comentador do Aventar

Como sabes, comentador do Aventar, eu sou de Esquerda. Mas de Esquerda mesmo Esquerda. Não deste PS travestido de Esquerda que hoje governa o país com o apoio da Esquerda mesmo Esquerda. Eu é mais PCP ou Bloco.
Mas desde que deixei de ser um aspirante a betinho do Pinheiro Manso sem qualquer consciência política, nunca mudei.
No blogue, também não. Bati sem descanso em José Sócrates e dei descanso à Direita. Bati como se não houvesse amanhã em Pedro Passos Coelho e esqueci os ontens de José Sócrates. E agora, para dizer a verdade, comentador do Aventar, não quero saber de Pedro Passos Coelho para nada e interessa-me é o que está este Governo a fazer. E sempre que estiver a fazer mal, António Costa há-de levar como levaram os outros. Isto porque tenho uma ideologia, mas não tenho grandes ilusões acerca do ser humano.
Sabes, vou dizer-te um segredo: o meu maior sonho era ver um Governo de Esquerda mesmo Esquerda a governar Portugal. Um Governo do PCP e do Bloco! Mas nesse mesmo dia, estaria na linha da frente para lhe bater sempre que fosse preciso.
Eu não mudei, pois. Mas algo mudou.
É que a certa altura, comentador do Aventar, vinhas para cá fiado de que ias ler coisas de Esquerda. E ultimamente – e como rejubilo! – a Direita voltou finalmente à luta e agora volta a haver um certo equilíbrio.
Isso não deve tirar-te o sentido de humor. Por exemplo: [Read more…]

Em defesa da democracia

Na sua forma actual de partido, o PS foi fundado em 1973, através da transformação da Acção Socialista Portuguesa, que havia sido criada em 1964. Nasceu e cresceu na luta contra o fascismo e pela instauração da democracia. A sua história identifica-se com a resistência à ditadura e a construção de uma democracia pluralista e socialmente avançada. Para o PS, a liberdade foi sempre o elemento essencial do combate por uma sociedade mais solidária, justa e fraterna, mais igualitária e coesa; e o pluralismo das ideias e das opiniões foi sempre a marca característica, não só do seu funcionamento e da sua acção como partido, como também do projecto que concebe para a organização política e social de Portugal e da União Europeia.

in Declaração de Princípios do Partido Socialista

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Pluralismo

Bruno Santos

Mentir, truncar, manipular, omitir ou silenciar, não são exercícios intelectuais ou éticos que possam configurar o conceito de pluralismo.

O pluralismo é a qualidade do que é plural, múltiplo, do que admite a existência do que é diferente, diverso, discordante.

O pluralismo é um dos mais exigentes desafios da Democracia, mas não cabe na sua definição a mentira voluntária, a manipulação, a omissão ou o silenciamento. Não cabe o crime. Não é pluralismo admitir que se possa, por exemplo, assassinar, roubar, falsear os factos. Duas testemunhas podem ter sobre um acidente de trânsito visões plurais, que este travou ou não travou a tempo, que aquele buzinou antes de bater, que ambos tinham prioridade à luz do código da estrada. Isso é pluralismo. Mas nenhuma pode dizer que eram três carros em vez de dois (quando, de facto, eram dois), ou que uma nave extraterrestre desceu sobre o cruzamento e desviou, com um feixe de positrões, um dos veículos, fazendo-o chocar com um holograma e desviando a sua trajectória. Quer dizer, poder, pode, no caso de o acidente se ter dado no Entroncamento.

Mas o Pluralismo depende, a priori, de uma Ética.

Com indiferença, segurança e comprimidos?

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«Não sei como José Eduardo dos Santos dorme à noite. Não sei como Isabel dos Santos dorme à noite. Não sei como milhares de homens e mulheres de negócios dormem à noite. Não sei como o Governo português dorme à noite. E o PCP podia arranjar melhor companhia do que o governo português nesta matéria (…)».
[Alexandra Lucas Coelho no Público]

Vítor Rua: o que ser músico significa

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Imagem daqui

A TSF tem uma rubrica chamada «A Playlist de…» (e a palavra playlist estraga logo tudo). Toda a sorte de mais e menos famosos entregaram já nas mãos da TSF as suas preferências musicais, confidenciando na rádio as histórias e razões ligadas às escolhas que compõem a dita … playlist, assim chamam na TSF à música da vida das pessoas. A ideia – pôr no ar música escolhida por quem a ouve e gosta dela, pelas razões particulares que nos ligam às coisas – é em si boa. É o tipo de programa que fica sempre bem numa rádio que quer ser o espelho da sociedade a que as suas emissões se destinam. É também um dever de pluralidade e de memória, em favor da música de diferentes gerações. A música que cada um ouve é uma parte de si. Para aqueles que não se importam de a partilhar, uma rubrica assim vem a calhar – e sortudos os que possam ouvir com agrado, e se possível empatia, essa música de razões subjectivas que a rádio transmite.

Mas a música que cada um ouve é também uma caixa de mistério, uma escolha que em princípio não responde a nenhuma razão mercantil, e que habitualmente não passa na rádio. Isso é bom, uma lufada de ar fresco na névoa pesada e repetitiva da música para grande consumo com que constantemente nos moem o juízo (mas não foi sempre assim). Claro que melhor ainda seria a rádio deixar-se justamente de playlists, que não servem nem a música nem os verdadeiros músicos (que também os há falsos, em grande número até), mas os interesses intermediários e parasitas da criação musical e das indústrias que gravitam em torno dela. Sucede que a dado passo também as rádios sucumbiram aos imperativos dos mercadores de discos, concertos e cervejas, e estragaram tudo (mas a XFM existiu mesmo, e não é possível esquecê-la).

Vem tudo isto que já vai longo a propósito da entrevista que Fernando Guimarães, homem da rádio e também do Aventar, fez a Vítor Rua, uma pessoa que aposto que jamais aceitaria participar numa rubrica chamada «A playlist de…». [Read more…]

Oração Para as Minhas Horas de Êxtase

Senhor, meu Deus,
Criador de Todas as Coisas, Visíveis e Invisíveis,
todos os dias vou, com esta minha carne, este meu suor,
estes meus olhos, à procura da Tua Face a fim de entrar em Êxtase.

À brisa do fim da tarde, após ter morto todas as agitações estéreis,
e todas as queixas pelo desconcerto do Mundo e o meu,
sei que Te encontrarei com toda a certeza
no silêncio da grande luz crepuscular
sob o rumor marinho. Só. A sós. [Read more…]

Jeroen, Ordinário Neutralizador de Manifs

Não me doem as opiniões francas e directas de ninguém. Abraço com extremo interesse e paciência os que se me opõem, permaneçam calmos ou não a opor-se-me. Acho divertido escandalizar o Credo da CGTP e estimulante rasgar o Decálogo do PCP, da mesma forma que me fascina a crítica sistemática que se pode fazer com extrema facilidade ao Socialismo Português, o Chupcialismo, à sua retórica de impostura e temor da impopularidade, e sobretudo à fase totalitária recente do Socratismo, cuja abordagem e chamada à colação com esta fase Passista, não sei porquê, desagrada profundamente aos que se ancoram no presente político como o único monólito conveniente como se não houvesse o antecedente político e o grande pedregulho das respectivas responsabilidades. [Read more…]

Egipto: o longo caminho para a democracia

Ismail Serageldin

Ismail Serageldin, o director da nova Biblioteca de Alexandria, esteve recentemente em Portugal para receber o Prémio Calouste Gulbenkian 2013. Entrevistado para o jornal Público, falou daquilo em que acredita: no poder das ideias, e no pluralismo. No seu país vivem-se por estes dias momentos de confronto entre os partidários das velhas e das novas ideias, entre islamistas (que pretendem impor no Egipto a vontade da Irmandade Muçulmana) e todos os outros, que representam cerca de metade dos cidadãos eleitores. Islamistas que não costumam aparecer nos debates promovidos pela Biblioteca Alexandrina, “encontros de teor tendencialmente liberal [e não falamos de economia]”, diz Serageldin, de que compreensivelmente não participam, imaginando talvez que dessa forma essas outras ideias perderão relevância na sociedade. [Read more…]

Aventar, um Blogue Plural

Tem-me acontecido, aqui e ali, ouvir dizer que o Aventar é um blogue de esquerda. Quando respondo que não, que o Aventar foi criado para ser um blogue pluralista onde cabem diferenças ideológicas, de regime, religiosas, raciais e etc., acabo por ouvir dizer: se não é, parece.

Parece quando parece, digo eu, depende da vontade dos aventadores escreverem ou não, sobre o que acharem, quando acharem. A casa tem algumas regras, claro, mas são poucas, o resto depende da liberdade e iniciativa de quem cá mora.

Os últimos dias têm, de resto, ilustrado bem o pluralismo do Aventar: o Carlos Garcês Osório acha que o direito à greve não faz sentido nos dias de hoje, o João Paulo acha que faz. O Fernando Moreira de Sá pensa que a história de Pedro Rosa Mendes está mal contada, o João José Cardoso pensa o contrário. O José Magalhães pede um rei, o João José Cardoso recorda os regicidas. O Ricardo Santos Pinto ataca a política de betão do plano nacional de barragens e atira-se a Francisco José Viegas, o José Magalhães defende a política de betão na Madeira e louva Alberto João Jardim. [Read more…]

Peticionar também é preciso

De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica.

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E também a não esquecer a Petição pelo  Fim da atribuição, antes dos 65 anos, das pensões de reforma aos detentores de cargos públicos e políticos, bem como da sua acumulação.

Somewhere over the rainbow (um ano de Aventar)

Não fui um dos fundadores do Aventar. Apenas comecei a publicar regularmente em Junho. Nestes dez meses, muita coisa mudou. Por exemplo, eu mudei a maneira de apreciar os blogues (de céptico passei a blogo dependente) e, por outro lado, o Aventar também foi paulatinamente mudando. Quanto a mim para melhor.

A qualidade média dos posts parece-me ter subido. Um regionalismo e um clubismo exagerados, com que deparei à chegada, estão bastante atenuados. O Aventar está mais pluralista do que era no Verão passado. Mas tem ainda margem de progressão. Eu diria que era necessário erradicar completamente a futebolite e o regionalismo excessivo, sem abdicar de analisar o futebol com serenidade e objectividade e de discutir com seriedade a questão da regionalização. O Aventar deve ser um blogue de todo o País, em que um algarvio e um minhoto se sintam tão à vontade como um tripeiro ou um alfacinha. [Read more…]

Uma perspectiva islâmica no Aventar

Mesquita do Sultão Hassan e a de Al-Rifai por feaemarco.

As primeiras palavras com que o visitante depara na página de entrada do Aventar são as seguintes: Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar. Blogue pluralista.

Pois somos cada vez mais pluralistas e expomos ao vento, a partir de hoje, com um novo aventador. Frederico Mendes Paula é arquitecto, reside no sul do país, é amante e estudioso da cultura árabe, converteu-se ao Islão.

Pedi-lhe umas linhas de apresentação e recebi o texto que a seguir publico na íntegra. Em vista do mesmo, não é necessário que eu faça as introduções. Melhor do que ninguém, Frederico  apresenta-se a si próprio:

“Desde meados dos anos 70 que me senti atraído pela cultura Árabe/Islâmica, tendo frequentado o curso de Árabe Clássico e Cultura Muçulmana da Universidade Nova de Lisboa até ao 3º nível (1978-1980).

Desde 1975 que comecei a visitar regularmente Marrocos, tendo também passado 3 semanas na Tunísia em 1982 a fazer um estudo sobre a habitação degradada na Cidade de Tunis, integrado num curso pós-graduação que frequentei na Holanda.

Publiquei em 1997 um livro sobre Lagos no Período Árabe.

Mantenho desde essa altura uma grande ligação com Marrocos, país que visitei umas quantas dezenas de vezes (49 mais precisamente), não só em turismo como profissionalmente, concretamente tendo sido enviado em 2001 pela Câmara Municipal de Lagos a Al-Hoceima para estabelecer protocolos de cooperação com dois municípios dessa província (Ait Youssef Ouali e Imzouren) e reunião com o Governador da Província, participado como conferencista num curso pós graduação sobre Arqueologia / Património Arquitectónico e Natural / Turismo Cultural na Universidade de Tetuan em 2005 e no III Seminário Luso-Marroquino em 2007 em Marrakeche com uma comunicação sobre a Influência Islâmica nas Técnicas Tradicionais de Construção no Sul de Portugal. [Read more…]

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