A bolsa ou a vida?

Num mundo em que a econometria é a fita métrica de tudo, nada pode estar fora da economia, tudo é PIB, crescimento e outras virtudes absolutas. A economia, já se sabe, passou a viver convencida de que é uma ciência exacta, esquecendo-se das suas raízes humanas e sociais. Aliás, deixou de se falar em sociedade, porque tudo é economia.

Nesta visão dominante, o que dá vida à economia são as empresas. Tudo o resto é, na prática, considerado um peso que as empresas, estoicamente, arrastam às costas. Deste modo, poderemos dizer que a sociedade precisa de serviços públicos, como escolas ou hospitais; a economia diz-nos que os serviços públicos são parasitas (a não ser que escolas e hospitais sejam privados ou privatizados – aí, passam a ser economia, mesmo que não sirvam uma grande parte da sociedade).

Viver em pandemia ou com pandemia acrescentou problemas às certezas absolutas que subordinam tudo à economia. Se é verdade que o confinamento afecta a economia, não é menos verdade que o vírus afecta a sociedade (e também a economia). [Read more…]

Marcelo Rebelo de Sousa, o desertor

Qual é mesmo a pena por deserçāo?

Super Bock Vírus

[Francisco Salvador Figueiredo]

Como eu gosto das coisas à portuguesa, decidi trocar o nome Corona por Super Bock. Além de dar uma maior leveza ao assunto, podemos mostrar orgulho em termos a nossa influência no nome de uma epidemia mundial. É Portugal, pá! E que o André Ventura não veja isto, porque ainda me rouba a ideia. Mas todos sabemos que isto de roubar ideias é mais estilo Bloco.

Os nossos governantes começaram confiantes. Defenderam que Portugal estava preparado para receber esta doença. Lá estamos nós e a nossa mania de sermos hospitaleiros… Um SNS que deixa pessoas a morrer à espera de uma consulta estar preparado para receber uma epidemia de tal tamanho? Só acredito no dia em que o FC Porto, na mesma semana, perder com o Caldas e ganhar ao Barcelona.

Depois de o governo afirmar que os nossos hospitais estavam preparados, devem ter ido todos brincar com os seus unicórnios enquanto descobriam um pote de ouro no fim do arco-íris. Isto foi o antes. Quando nós somos os maiores. Bastou haver dois casos de Super Bock vírus… E o resultado? Pessoa fechada na casa de banho de centro de saúde por suspeita de Super Bock Vírus, dizia uma manchete. Mas tinham duas camas apenas para pessoas infetadas? Já vi hostels com melhores condições e mais eficazes.

Tudo isto parece uma brincadeira. Mas é bem mais grave do que isso. É o Estado garantir que possas levar o teu felpudo a um restaurante, mas não garantir minimamente a tua segurança. É um Estado a prejudicar as pessoas em nome de uma ideologia. É um Estado que não aceita a ajuda do colega do lado para fazer um desenho em Educação Visual, mas que insiste que aquele retrato dá para positiva. É um Estado forte na presença e fraco para nós. É um estado que nos está a levar para o sonho socialista, que não deve passar de ser o país menos desenvolvido da Europa. Acorda, Portugal.

Make America great again, ou o dia em que Trump levou com uma cerveja em cheio na cara

Uma salva de palmas para a equipa de marketing da cerveja Corona!