Super Bock Vírus

[Francisco Salvador Figueiredo]

Como eu gosto das coisas à portuguesa, decidi trocar o nome Corona por Super Bock. Além de dar uma maior leveza ao assunto, podemos mostrar orgulho em termos a nossa influência no nome de uma epidemia mundial. É Portugal, pá! E que o André Ventura não veja isto, porque ainda me rouba a ideia. Mas todos sabemos que isto de roubar ideias é mais estilo Bloco.

Os nossos governantes começaram confiantes. Defenderam que Portugal estava preparado para receber esta doença. Lá estamos nós e a nossa mania de sermos hospitaleiros… Um SNS que deixa pessoas a morrer à espera de uma consulta estar preparado para receber uma epidemia de tal tamanho? Só acredito no dia em que o FC Porto, na mesma semana, perder com o Caldas e ganhar ao Barcelona.

Depois de o governo afirmar que os nossos hospitais estavam preparados, devem ter ido todos brincar com os seus unicórnios enquanto descobriam um pote de ouro no fim do arco-íris. Isto foi o antes. Quando nós somos os maiores. Bastou haver dois casos de Super Bock vírus… E o resultado? Pessoa fechada na casa de banho de centro de saúde por suspeita de Super Bock Vírus, dizia uma manchete. Mas tinham duas camas apenas para pessoas infetadas? Já vi hostels com melhores condições e mais eficazes.

Tudo isto parece uma brincadeira. Mas é bem mais grave do que isso. É o Estado garantir que possas levar o teu felpudo a um restaurante, mas não garantir minimamente a tua segurança. É um Estado a prejudicar as pessoas em nome de uma ideologia. É um Estado que não aceita a ajuda do colega do lado para fazer um desenho em Educação Visual, mas que insiste que aquele retrato dá para positiva. É um Estado forte na presença e fraco para nós. É um estado que nos está a levar para o sonho socialista, que não deve passar de ser o país menos desenvolvido da Europa. Acorda, Portugal.

Os chineses estão a fazer tudo bem, de certeza

Sou tão infantil como sempre fui e morrerei assim. Um dos sintomas da minha infantilidade é o espanto que me provocam as certezas absolutas de que o espaço público está cheio. O espaço público, esclareça-se, pode ser um café com dois clientes bêbedos, uma conferência de imprensa do primeiro-ministro ou o fascinante mundo das teorias da conspiração que está espalhado pelas redes sociais virtuais.

Há pouco fiquei a saber que, segundo a directora-geral de saúde, os chineses estão a fazer tudo o que deve ser feito para combater o vírus da moda. Não consigo perceber como é que, mesmo sendo uma pessoa tão informada, alguém consegue afirmar, a milhares de quilómetros de distância, que há uma nação inteira a fazer o que deve ser feito. Eu, confesso, não faço a mínima ideia se os vizinhos do lado lavam as mãos depois de fazerem as necessidades ou outra coisa qualquer desnecessária.

Isto faz-me lembrar outros tópicos da certeza absoluta, com ocorrências como “os portugueses sabem que…”, regurgitado por políticos espectacularmente omniscientes, ou “Deus quer que…”, afirmado por pessoas que têm ligação directa à Providência.

O meu espanto infantil, portanto, mantém-se, mas a minha ingenuidade desapareceu: antigamente, ficava com a impressão de que as pessoas das certezas absolutas possuíam um saber igualmente absoluto; hoje, sei que são tão ignorantes como eu. Esta certeza não me deveria trazer tanta tranquilidade, mas a minha leveza quase leviandade leva-me a viver neste tédio de saber que não controlo nada, pelo que tenho de me conformar por estar no lugar do morto.

Ébola em Espanha

Falta de formação, caos, improvisação: a denúncia já tinha sido feita há semanas por um dos enfermeiros, no seu blogue.

A linguagem é um vírus*, a Troika também

Apanhei um “potential security risk which can be modified maliciously by virus“, o raio que os parta, um ddespesa.dll, que me mandou um mail, como se viesse para o Aventar, com este interessante conteúdo, tipo andam para aí uns gajos a contar o que se passa na Agenda de Trabalho do FMI em forma de ataque informático. Fica aqui, nestas cenas nem todos os antivirus funcionam, estejam prevenidos, farei relato de mais ataques:

IMF: Portugal Expenditure Review Process Workshop Agenda

No passado dia 6 de Novembro de 2012, no edifício do Ministério das Finanças, foi ministrado pelo IMF um workshop de modo o explicar o que deverá ser dito para justificar a necessidade do corte de 4 000 M€ nas despesas do Estado.

O workshop  foi ministrado pelo inglês Richard Hughes e pelo australiano Jason Harris, tendo contado também com as intervenções do Dr. Tiago Espinhanço Gomes (Assessor do Ministro de Estado e das Finanças), do Dr. Paulo Leiria (ESAME) e do Dr. Pedro Ginjeira do Nascimento (ESAME). [Read more…]

Vírus mortíferos criados em laboratório

Cientistas holandeses induziram mutações no vírus H5N1 da gripe da aves e transformaram-no num vírus capaz de de ser tão transmissível entre humanos como, por exemplo, o da gripe sazonal. Este vírus, no entanto, é altamente letal e estima-se que possa matar seis de cada dez pessoas  infectadas. Ainda que tenha alguns defensores, as condições de segurança teriam que ser tão apertadas que, fatalmente, um dia algo correria mal. Como diz a lei de Murphy, se pode dar errado, um dia dará seguramente.

Não é só ter meios, tecnologia e “brilhantismo” intelectual capaz de elaborar teorias científicas inovadoras. Bom senso precisa-se, e muito.

Sem Internet no Alentejo e na Vida – Uf!

Vida serena, a de Ribeira das Vinhas, minha aldeia adoptiva. Tem cerca de quatro dezenas de casas dispersas. Nem sempre habitadas. Parte da população é flutuante. Os residentes fixos, ao todo, não excedem três dezenas e meia, com poucas crianças. Vivem na companhia de galinhas, patos, perus, coelhos, ovelhas e o porco; sim, o pobre porco condenado à matança no ritual da festança anual – Ah! E os inevitáveis cães. Amanham a terra e praticam a agricultura de subsistência.

Alfacinha de gema, sinto-me filho daquela aldeia alentejana. Hoje não tem sequer um estabelecimento aberto. O último a encerrar foi ‘a venda’ do senhor ‘Maneli’. Não escapou ao furacão feroz e omnipresente das superfícies modernas, na cidade mais próxima. Com o fecho da loja, evaporaram-se os fins de tarde regados a tinto ou cerveja, acompanhados de torresmos caseiros, azeitonas e do casqueiro alentejano; e ainda de farpas e queixumes contra políticos, esquecidos daquela gente. Excepto em tempos de campanha eleitoral, claro.

O espírito de aldeão transformou-se em deleite do meu dia-a-dia alentejano, embora tenha de percorrer 3 km, até Galveias, para tomar um café. É um hábito mais, cumprido sem sacrifício, diga-se. Dois dedos de conversa no café e, de regresso a casa, repito uma das praxes diárias. Acciono o portátil, acedo à Internet. Só que naquela malfadada tarde, e de súbito, a ‘net’ despejou-me ou despejou-se do computador. Verifico o ‘modem’ e confirmo a existência do sinal, via ADSL. “Bom, a merda do computador pifou!”, desabafo de mim para mim. Desfalcado de meios de sobrevivência de cibernauta, fiquei destroçado e em ebulição. Tive vontade de destruir tudo à minha volta. Ímpeto passageiro.

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Haiti:

Para garantir que a ajuda continua a chegar sem problemas, os EUA assumiram o controlo do aeroporto de Port-au-Prince, onde a cada 20 minutos aterra um avião e para onde partiu esta tarde um C-130 português. Apesar deste fluxo contínuo de ajuda que continua a chegar ao Haiti de muitos países do mundo, toda a ajuda parece ficar aquém das necessidades da população“. (O testemunho de uma portuguesa).

Espero que tudo o que se está a fazer no Haiti possa ajudar as vítimas e a reconstrução deste país mas, notícias como ESTA são reveladoras da natureza de algumas pessoas…