Mais uns fatitos

Qu’ils soient sacrés par les foules, ces hommes
Qui scrutèrent les faits pour en tirer les lois,
Qui soumirent le monde à la mesure, et, comme
Un roc hérissé d’or, ont renversé l’effroi.

Émile Verhaeren

É um escândalo!

— Rodolfo Reis, 19/2/2017

***

dre2122017

Nótula: Segundo amigo atento, este meu texto mereceu algures a melhor atenção, através de uma adaptação. Não dei por ela, mas acredito no meu amigo. Durante os últimos dias, além do The Handbook of Portuguese Linguistics, tenho lido a imprensa alemã, uns poemas do Verhaeren e regressei a uma selecção de textos cá de casa e ao Sainte-Beuve sobre o Voltaire — exactamente, o Sainte-Beuve, aquele que «n’a étudié Voltaire ni comme philosophe, ni comme historien, ni commme poète, ni comme auteur dramatique, ni comme romancier», como escreveu Allem. Efectivamente, além do Aventar, do Público e de alguns textos técnicos para o meu trabalho, não tenho lido muita coisa em português. Quando tiver tempo e pachorra, debruçar-me-ei sobre o assunto indicado pelo meu amigo. Continuação de uma óptima semana.

***

A retenção do título, a repercussão e a comunicação do fato

Is there no standard anymore?

— Darrell, Paul, Anselmo & Brown, “Walk

Les résonances se dispersent sur les différents plans de notre vie dans le monde, le retentissement nous appelle à un approfondissement de notre propre existence.

— Gaston Bachelard, “La poétique de l’espace

***

2015-02-24-viewbridge4-thumb

Fonte: Huffington Post UK (http://huff.to/2cxBstp)

Ao contrário daquilo que acontece na Psicanálise, com a imagem a ser estudada em função das suas origens, a imagem fenomenológica é analisada em função dos efeitos produzidos. Lembrei-me disto, a propósito do Diário da República de hoje, no qual encontrei «reter o título», pouco depois de o «le retentissement nous appelle à un approfondissement de notre propre existence», de Bachelard, ter reaparecido nuns papéis que ando a arrumar. Sendo verdade que esta retenção nada tem a ver com a repercussão (retentissement → retentir = re- + tentir) de Bachelard, também é verdade que na ressonância ouvimos um poema, mas na repercussão esse poema é nosso. Diz Bachelard.

Quanto ao sítio do costume, como podemos verificar, não há novidades.

dre1992016

***

O carreto contra balanço e o correto balanço

jimenez

(http://bit.ly/20xxpQE)

Je n’ignore pas combien il est malpropre de parler de soi, et quel blâme on s’attire. Mais, en parlant de moi, ce n’est pas de moi que je parle.

— Jean Cocteau, Démarche d’un poète (introduction, édition et notes par David Gullentops), Paris, Éditions Grasset & Fasquelle,  2013, p. 103

***

Algures, no Facebook (sim, está na moda), Maltez refere-se a “correto balanço“. Curiosamente, até hoje, em português europeu, só encontrara “carreto contra balanço”.

carreto contra balanço__a

Exactamente: carreto contra balanço. Correto balanço, em português europeu? Não conhecia.

No mesmo texto, Maltez escreve: «desenha a respetiva estratégia de autoridade». Efectivamente, respetiva/respectiva. Sim, isso já conhecia.