D. Dinis – já ouviram falar?

Há 750 anos, nasceu um dos maiores poetas portugueses. Os pais chamaram-lhe Dinis e, para além de poeta, foi rei de Portugal, marido de uma santa e fundador da Universidade em Portugal. Hoje, graças à constante revolução curricular em que vive a Educação, é possível a qualquer cidadão português passar por uma escolaridade de 12 anos e não ler um único poema de D. Dinis, para além de ser muito provável não saber sequer quem foi D. Dinis.

O consumo energético nas escolas “intervencionadas” aumentou

A requalificação das escolas, através da Parque Escolar, é um dos tópicos enunciados por José Sócrates, quando quer demonstrar quão magnífica foi a sua governação. O vídeo que aqui é publicado já tem uns dias, mas merece ser visto e ouvido com muita atenção, porque será fácil chegar à conclusão de que estamos na presença de mais um exemplo de gestão danosa dos dois últimos governos.

A comunicação social, essa entidade difusa que substituiu o jornalismo, já não investiga, reproduz. Se investigasse, descobriria, por exemplo, que, no Grande Porto, há uma escola que passou a pagar por mês aquilo que pagava anualmente em água e luz ou uma outra em que a sala dos professores, a sala de trabalho dos professores ou a sala da direcção não têm luz natural, o que implica ter as luzes acesas todo o dia (o que não acontecia dantes).

Ana Maria Bettencourt: outro membro da coligação negativa contra a Educação

 

Em entrevista ao Público de ontem (não disponível na Internet), Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, reaparece para voltar a dizer o que já disse várias vezes. Entre outras coisas, diz que não pode haver tanto abandono e tanta reprovação, que as escolas devem detectar e apoiar com celeridade os alunos com problemas e que “não se pode contar com as famílias”.

Relativamente aos dois primeiros pontos, nada a opor. O problema é que isso exige recursos humanos suficientes, o que não acontece em escolas com falta de psicólogos e de assistentes sociais, com falta de tempo para o trabalho individual dos professores, com um estatuto do aluno que serve para mascarar o abandono escolar, com a diminuição do número de funcionários não docentes, com o amontoamento de escolas em mega-agrupamentos, entre muitos outros aspectos. Um Conselho Nacional de Educação teria de chamar a atenção do governo para todas estas questões, mas, para isso, teria de ser um organismo independente e não uma instituição que serve para produzir estudos e conclusões que sustentem as políticas educativas desse mesmo governo.

Depois, já não é a primeira vez que Ana Maria Bettencourt aparece a desvalorizar a importância das famílias no sucesso escolar dos alunos, caminhando ao contrário da ideia de que é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança. A senhora, servil como habitualmente, pretende acentuar a ideia de que os governos devem reduzir ao mínimo políticas sociais, como já tive ocasião de afirmar aqui.

Entretanto, nesta reportagem, ficamos a saber que o sucesso dos alunos apoiados pela EPIS (uma instituição de contornos suspeitos, é certo) está também ligado à mediação que é feita entre professores, alunos e famílias. Estranhamente, um dos parceiros da EPIS é o Ministério da Educação. Em que ficamos? Contamos com as famílias ou não?

A importância do Latim

Eles conhecem os deuses gregos e falam latim

A sociedade e a escola portuguesas têm vindo a esquecer a importância das Humanidades, o que tem contribuído para sonegar à grande maioria dos jovens um conhecimento mínimo acerca das raízes da cultura portuguesa, com tudo o que isso implica de elementos da cultura europeia, o que, por sua vez, historicamente, os obrigaria a olhar para Atenas, Roma, Jerusalém e Meca, para não tornarmos esta lista extenuante.

A propósito deste problema, seria importante referir, entre outras causas, a desvalorização da Literatura no Secundário ou da História no Básico e no Secundário. O que esta notícia vem lembrar é a importância do ensino precoce do Latim, que, nos últimos anos, tem passado de Língua aparentemente morta a disciplina em estado efectivamente comatoso.

Reler esta notícia de 2008 serve para confirmar que a Educação em Portugal tem estado entregue a inimigos do saber e do conhecimento. A propósito da diminuição de alunos a aprender Latim, dizia, então, em dialecto educonomês, Valter Lemos: “Temos professores para ensinar Latim, mas não há procura. O problema existe nas línguas clássicas no geral e até em algumas línguas modernas. Tem a ver com as expectativas e os interesses das famílias.” Não seria, então, de sujeitar a escolha do currículo a uma sondagem às famílias?

As práticas das escolas referidas na notícia merecem-me os maiores elogios e não deveriam estar dependentes de nenhuma espécie de autonomia: o ensino do Latim deveria ser obrigatório.