Poesia Trovadoresca

Rebéu béu béu

O ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, entregou como proposta de pagamento da caução dois imóveis no valor de 1,4 milhões de euros.

Para quem só tem, em seu nome, uma casa com palheiro, fica a pergunta: onde foi este pobre homem arranjar estes dois imóveis? Não poderia o Estado reclamar o Estádio da Luz como seu e transformar, definitivamente, o Benfica no clube do regime?

O escárnio a que sujeitam a população portuguesa já só é risível. Portugal, neste momento, é aquela criança que depois de cair de joelhos, se levanta, de lágrimas nos olhos, e diz: “nem doeu…”.

Os clássicos da Literatura no ensino do Português

O Ministro da Educação ter-se-á mostrado favorável à re-inclusão de Camilo Castelo Branco nos programas de Português do Ensino Secundário. Espero que não o tenha feito apenas para ser simpático com o anfitrião, o presidente da Câmara de Famalicão, ou devido ao facto de ser um autor da sua preferência.

Se é certo que a Educação tem sofrido um desgaste brutal, com destaque para os últimos sete anos, a disciplina de Português, o fundamento do currículo, tem sido particularmente atingida por reformas e ajustamentos sucessivos, com oscilações brutais de terminologias linguísticas e com a exclusão do estudo de autores fundamentais da cultura portuguesa, com base em concepções vagas que defendem que a Escola deve ir ao encontro dos interesses dos alunos ou que os deve preparar para o mercado de trabalho, o que tornaria desnecessário o ensino da Literatura Portuguesa. [Read more…]

Poesia trovadoresca: património imaterial da portugalidade

Cantigas medievais galego-portuguesas

Nos últimos anos, graças a interesses empresariais que vogam entre a comunicação social e o turismo, tem havido alguma visibilidade para alguns elementos do património português, o que redundou em iniciativas como as dedicadas às sete maravilhas naturais ou às delícias gastronómicas, para além de ter levado à classificação do Fado como Património Imaterial da Humanidade. Ainda assim, estamos perante momentos de festa e não na presença de políticas de património, como é fácil confirmar pelo atentado da construção da barragem do Tua, entre muitos disparates quotidianos praticados por municípios que desrespeitam ou alteram PDMs conforme as necessidades. [Read more…]

D. Dinis e as flores de verde pinho

Em ano dionisino, aqui fica uma leitura do texto mais conhecido do trovador que reinou entre 1279 e 1325.

-Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
     Ai Deus, e u é?

Ai, flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
     Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pos comigo!
     Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado
aquel que mentiu do que mi ha jurado!
     Ai Deus, e u é?

-Vós me preguntades polo voss’amigo,
e eu ben vos digo que é san’e vivo.
     Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades polo voss’amado,
e eu ben vos digo que é viv’e sano.
     Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é san’e vivo
e seerá vosc’ant’o prazo saído.
     Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é viv’e sano
e seerá vosc’ant’o prazo passado.
     Ai Deus, e u é?
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D. Dinis – já ouviram falar?

Há 750 anos, nasceu um dos maiores poetas portugueses. Os pais chamaram-lhe Dinis e, para além de poeta, foi rei de Portugal, marido de uma santa e fundador da Universidade em Portugal. Hoje, graças à constante revolução curricular em que vive a Educação, é possível a qualquer cidadão português passar por uma escolaridade de 12 anos e não ler um único poema de D. Dinis, para além de ser muito provável não saber sequer quem foi D. Dinis.