Odorico Paraguaçu é o Secretário de Estado da Energia

Odorico Paraguaçu é uma personagem aparentemente ficcional (porque é a realidade que, de tão absurda, parece verdadeira ficção). Odorico ganhou as eleições para a prefeitura de Sucupira, graças ao seu verbo e à promessa de criar um cemitério. Este espaço, depois de inaugurado, ficou às moscas, porque as pessoas insistiam em não morrer, para raiva e desgosto do prefeito.

João Galamba, uma criação socrática reciclada por António Costa, deslocou-se ao concelho da Guarda, na qualidade de Secretário de Estado da Energia, e, anunciando investimentos na região de uma empresa chinesa conhecida por EDP, levantou o queixo na direcção dos munícipes, exigindo-lhes que consumam mais, quase anunciando que, caso não o façam, serão mal agradecidos. Se coubesse ao Estado abrir bordéis, sendo Galamba secretário de Estado da prostituição, imagino o que estaria a exigir, neste momento, aos habitantes da Guarda.

Já se imagina, entretanto, nos lares egitanienses, as reprimendas que os pais passarão a dirigir aos filhos: “Então tu, minha besta quadrada, vens para a sala e apagas a luz da cozinha? Tu queres a ruína da Three Gorges, queres que o senhor Mexia tenha menos uma gravata  e que o senhor Galamba receba um puxão de orelhas do senhor primeiro-ministro? Vá lá acender a luz e aproveita e liga dois aquecedores, já! O que é que disseste?! Estamos no Verão? Ó rapaz, tu até me tiras do sério, pá! Vais já de castigo para o teu quarto e ligas o computador, a televisão e a playstation! Eu que veja que está escuro, meu animal!”

Dias Gomes está às voltas na tumba, triste por descobrir que, afinal, a realidade é um guionista verdadeiramente genial: Galamba será menos tétrico, mas não fica atrás de Odorico.

A má obra da Parque Escolar

O Tiago Mota Saraiva desmonta mais uma socretinice do Daniel Oliveira, agora defensor cego da Parque Escolar.

Acrescento que a Parque Escolar enquanto dona de obra demonstrou uma incompetência que chega a tocar as raias do ridículo. Dos pavilhões onde chove, e a culpa é do clima à ausência de estacionamento (não me venham com a conversinha dos professores usarem transportes públicos: a carta de condução e a propriedade de um veículo automóvel é hoje obrigatória na profissão, e chega a ter indirectamente força de lei) ao aumento do consumo energético:

Daniel Oliveira titulou seu artigo “As escolas públicas querem-se velhas e frias” com uma ironia que lhe acerta no pé.

Não se trata de mera incompetência: é dos livros que o dono da obra tem de conhecer muito bem o local onde se implanta e as funções a que se destina. Não é o caso da Parque Escolar e as direcções das escolas foram na maior parte dos casos completamente afastadas do seu planeamento e execução. Se é verdade que um bom arquitecto, ou engenheiro, se preocuparia com isso, nem sempre sucedeu. Como também é dos livros, a catástrofe está à vista, e como bem sabemos, é irreversível.

Energia: e se fechassem as portas?

Quanto é que pouparíamos em consumo energético se todas as portas de todos os estabelecimentos comerciais estivessem sempre fechadas, vá lá, encostadas?

No pico do Verão ou do Inverno irrita-me passar as portas escancaradas de uma loja e encontrar lá dentro uma temperatura completamente diferente. Pior só a mania de abrir janelas quando está calor “para arejar”, como se o calor não entrasse e fizessem o mesmo quando está frio.

Para que as lojas fechassem as portas, estando abertas ao público seria necessário impô-lo por lei: ninguém fecha a sua porque temos este hábito e porta fechada significa loja encerrada. É um código, e só se resolve com um novo código. Não sei quanto se pouparia em consumo de energia se um governo tomasse tal medida. Mas calculo que outra tanto perderia a EDP em lucros. Donde, assunto mesmo encerrado.

O consumo energético nas escolas “intervencionadas” aumentou

A requalificação das escolas, através da Parque Escolar, é um dos tópicos enunciados por José Sócrates, quando quer demonstrar quão magnífica foi a sua governação. O vídeo que aqui é publicado já tem uns dias, mas merece ser visto e ouvido com muita atenção, porque será fácil chegar à conclusão de que estamos na presença de mais um exemplo de gestão danosa dos dois últimos governos.

A comunicação social, essa entidade difusa que substituiu o jornalismo, já não investiga, reproduz. Se investigasse, descobriria, por exemplo, que, no Grande Porto, há uma escola que passou a pagar por mês aquilo que pagava anualmente em água e luz ou uma outra em que a sala dos professores, a sala de trabalho dos professores ou a sala da direcção não têm luz natural, o que implica ter as luzes acesas todo o dia (o que não acontecia dantes).