Se fosse abafado ficaria tudo bem

Repare-se no detalhe:

Questionado pela Lusa, Hermínio Rodrigues referiu: “Os esclarecimentos não foram dados porque tínhamos a expetativa de que o problema fosse resolvido antes do final do ano”, o que acabou por não se verificar.  [CM]

Ficámos a saber que, para o presidente desta empresa municipal responsável pelo Centro Escolar de Alcobaça, se não se souber, não será preciso informar. Eis o padrão de transparência desta PPP.

Agora atente-se num detalhe. O imóvel foi avaliado pelo fisco em 2.8 milhões de euros. Mas a Câmara Municipal de Alcobaça assumiu uma renda de 63.5 milhões de euros pela utilização deste imóvel durante 23 anos. Nada mau. Depois admiram-se por o TC ter sucessivamente recusado o visto a esta negociata.

Ainda outra coisa engraçada nisto, em mais um caso onde o Estado é bombeiro dos privados, como nesta PPP detida em 51% por privados, é, no entender do vice-presidente da CMA, Hermínio Rodrigues, a solução para a dívida de IVA que levou à penhora  dever ser paga pela CGD.

Mais um esquema ligado à Parque Escolar inventada pelo governo de Sócrates para ter obras no período eleitoral e agora manobrado por uma Câmara PSD. Ganham todos, desde que você pague.

Um poço sem fundo chamado Parque Escolar

Do Grupo Lena às suspeitas de corrupção, o infame Parque Escolar vê-se agora envolvido num potencial conluio em formato de cartel no fornecimento de contentores. Quando acaba este filme?

E aquela coisa chamada garantia?

Obras feitas à pressa para ganhar a eleição, com a marca da grandiloquência socrática e mesmo a jeito para tomarem o lugar do plano furado de 2005 das duas grandes obras (aeroporto + TVG). Vai uma aposta que 2014 nos trará outras obras também?

“A rezar para que não chova”

Na Escola Básica e Secundária de Barroselas (Viana do Castelo), há quadros interactivos, videovigilância, computadores e… muita chuvinha nas aulas.

Um aparente bem-estar, mas apenas tecnológico, porque os alunos queixam-se de salas muito frias de inverno e muito quentes de verão, o tecto na cantina degradado, cortiça cheia de humidade e a água entra mesmo pelo quadro eléctrico. A Parque Escolar tarda a fazer novas obras… (DN, 22/10/2012)

Muito português (as aparências iludem).

Empreiteiros beneficiados diz o Tribunal de Contas

Custos dispararam nas obras da Parque Escolar. Os relatórios do TC estão disponíveis para Passos Manuel e para a João de Castro.

Maria de Lurdes Rodrigues, construções Mota Engil ilimitadas

Para a climatização foram pagos mais de dois milhões de euros, mas conforme a auditoria apurou os equipamentos estão desligados “dadas as dificuldades orçamentais da escola face ao aumento das despesas de funcionamento, o que contribuiu também para a falta de qualidade do ar nas salas de aulas, por existência de ventilação natural.

Com tanta coelhice à solta a malta vai-se esquecendo de como para o PS investimento público significa roubar o público para beneficiar o amigo privado.  Saiu mais um relatório do Tribunal de Contas sobre empreitadas concretas da Parque Escolar. A confirmação do óbvio, e confesso que nesta altura do campeonato ando mais curioso sobre as catástrofes arquitectónicas, quanto às “derrapagens” estamos conversados. A legislação garantidora de que esta gente nunca será julgada e condenada com penalizações proporcionais ao prejuízo causado não será alterada, as campanhas eleitorais e os empregos pós-governo custam a todos. Ou melhor, até pode ser, mas para isso era preciso um governo de gente honesta, e convenhamos que nessa altura faria muito menos falta.

na imagem, da CML, os criminosos inauguram o local do crime.

Só não se privatizam a si próprios porque ninguém os quer (a propósito da privatização do Centro Infantil de Valbom)

O Centro Infantil de Valbom, propriedade da Segurança Social até hoje, vai ser privatizado. A partir de 1 de Setembro de 2012, nada restará de uma história de mais de 30 anos a não ser as paredes.
Directora, equipa pedagógica, educadoras de infância, auxiliares, restantes funcionários – vão todos embora. Para onde, não se sabe muito bem, porque a Segurança Social vai privatizar todos os infantários que ainda estão nas suas mãos.
Não se pense que o Centro Infantil de Valbom é um infantário qualquer. Não, não é um daqueles Centros Escolares que o Daniel Oliveira tanto venera. Não é um depósito de crianças. Não é um monte de betão.
Tem vida, tem alma, tem ar livre, muito ar livre. São 10 mil metros quadrados de jardins e de parque infantil para as nossas crianças brincarem. Só a caixa de areia do Centro Infantil de Valbom é maior do que o espaço livre desses Centros Escolares horrendos com que Sócrates infestou o país.
Tem hortas. 3 hortas. Uma por cada sala do pré-escolar em funcionamento. Alfaces, repolhos, couves roxas – tudo plantado, tratado e colhido pelas nossas crianças. [Read more…]

A festa

Confesso que já tinha saudades desta senhora.

Apesar das coisas boas que algumas pessoas continuam a ver no seu trabalho e sobre as quais já escrevi no Aventar, vi sempre (defeito meu!) um ódio naqueles olhos de alguém que acorda todos os dias com uma má disposição tremenda.

E a dificuldade em defender as suas políticas continua cada vez mais evidente. Então agora, a Parque Escolar foi uma FESTA? Será que vi e ouvi bem? Uma Festa?

Valha-me S. Gregório, ouviria eu agora em Rio Tinto. Deixo outra festa para esquecer tal peça. [Read more…]

O delírio

Parque Escolar “é um exemplo de boa prática de gestão”, afirmou MLR

Outros exemplos de excelência: Madeira e BPN.  Pelo menos foi o que me contou ontem um sujeito enquanto me atirava areia para os olhos.

Já Sabem Onde Podem Enfiar o Manifesto

Está na moda a impunidade feliz. Ex-políticos vivem regalados depois de anos de Roubo, mas um Roubo naturalmente destinado à impunidade dos deuses. A impunidade das preciosas e douradas mãos de suas excelências intocáveis, os políticos, comparados connosco, a ralé que bem pode perder o 13.º e o 14.º e imputar a perda não à gestão danosa dos Governos de Saque Socratista, mas ao manso Passos. E no entanto, a impunidade vai toda para os políticos das licenciaturas instantâneas, os políticos do poder de aprovar o tal outlet em zona protegida de flamingos e o poder de aprová-lo à última da hora pantanosa, certamente sem luvas no processo. [Read more…]

A parque escolar

em números, para que o investimento na Escola Pública não seja colocado ao nível do Isaltino. Já agora, será que agora ele vai preso?

Dificultês

o texto que eu gostaria de ter escrito sobre o eduquês de Nuno Crato e as contas da Parque Escolar, por Rui Tavares.

A paz dos anestesiados

 Santana Castilho *

À paz dos cemitérios que reina na Educação serve bem a paz dos anestesiados que domina os professores. Dois acontecimentos permitem glosar o tema e extrapolá-lo para a situação do país. Refiro-me à alteração do normativo que regula o concurso dos professores e à situação da Parque Escolar. Comecemos pelo primeiro caso. Nuno Crato exultou com o acordo a que chegou com seis sindicatos. Os sindicalistas orgulharam-se com as alterações que conseguiram entre a primeira proposta do ministério e o texto final. De comum têm serem parceiros de uma comédia de disfarces e de um jogo de ilusões. Ouvi-los reconduz-nos às longas noites eleitorais, em que todos ganham. Crato não resolveu um único problema dos que se arrastam há décadas. Dirigentes de sindicatos, onde há mais chefes que índios, esqueceram-se que o exercício não era comparar a primeira proposta do ministério com o texto final. Era comparar a lei vigente com a que vai ser aprovada. Se o tivessem feito, não assinariam. Pela simples razão que, salvo um ou outro detalhe menor, os professores perdem em todos os pontos do acordo. Particularizo com os dois exemplos mais relevantes, que uma análise total não cabe no espaço exíguo desta crónica: [Read more…]

Um desenho escolar, sem parque de estacionamento

Parece que Nuno Crato mentiu, inflacionando, os desvios financeiros da Parque Escolar. Irrelevante: depois de Maria de Lurdes Rodrigues e sucessora um ministro da educação que não minta até podia ser demitido do cargo. Não se tornou tradição: faz parte da função.

Quanto ao essencial da coisa parque escolar a essência nem são os desvios e a forma esquisita como foram distribuídas as empreitadas e escolhidos os arquitectos, mais trafulhice menos trafulhice isso é rotina. Quando se passa a propriedade das escolas portuguesas para uma empresa pública há um único é óbvio objectivo: privatizar, tal como se pretendia com as estradas.

O plano de Maria de Lurdes Rodrigues sempre foi esse: um modelo de gestão empresarial, uma classe profissional domesticada e barata, uma primeira experiência de municipalização e seguia-se a progressiva privatização pura e dura, ou pensam que as câmaras tinham dinheiro para pagar as rendas à PE?

Prova dos nove: o que faz hoje Maria de Lurdes Rodrigues, depois de meio-perdida a batalha? Alguma vez presidirá à FLAD alguém que não veja na empresa e no mercado a religião de todos os dias? [Read more…]

Parque Escolar: tanto por saber

A revolução levada a cabo pela Parque Escolar teve intuitos meramente eleitoralistas, uma vez que a Educação nunca foi uma prioridade de José Sócrates. Reconstruir escolas constituiu, para o actual exilado parisiense, uma ocasião de inaugurar, mostrando obra.

A avaliação completa do impacte de toda essa revolução continua por fazer e deverá incluir referências ao aumento brutal dos gastos energéticos graças a opções delirantes, como as de criar salas sem luz natural, para além do recurso a materiais importados mais caros do que outros de qualidade similar produzidos em Portugal ou a aquisição de equipamentos cuja manutenção poderá estar além dor orçamentos depauperados das escolas.

A reflexão sobre todo este processo não pode, evidentemente, descurar a importância do investimento público e, sobretudo, a necessidade de que os edifícios escolares estejam em condições, no mínimo, dignas, o que não é o mesmo que dizer que era fundamental transformar tantas e tantas escolas em estaleiros, que serviram, muitas vezes, para que arquitectos ignorantes impusessem projectos irrealistas, ao arrepio dos pareceres de quem conhece o terreno, prática habitual.

No entanto, se o processo da Parque Escolar, tal como foi conduzido por Sócrates, constituiu um disparate, a iminente extinção da empresa não deveria significar o fim das obras nas muitas escolas em que elas são necessárias.

Portugal, no entanto, é um caso de bipolaridade governativa, em que, por ausência de planeamento ou por opções ideológicas, se faz a mais ou a menos, fugindo-se, sempre, à medida justa.

Daniel Oliveira, advogado da Parque Escolar, contraria aqui os números apresentados por Nuno Crato, a propósito da auditoria da Inspecção Geral de Finanças. A ser verdade o que diz o primeiro, por tendencioso que seja, continuamos perante um derrapagem orçamental, o que é grave, e é igualmente grave que o Ministro da Educação se possa ter enganado tanto nos valores dessa derrapagem.

Os interessados em ler as conclusões da auditoria podem fazê-lo aqui.

O Que Fracciona a Deputação Socratesiana

Sabe-se que o grupo parlamentar do PS está apostado na defesa da herança Sócrates a propósito da vergonhosa-insultuosa derrapagem da Parque Escolar, EPE. Mas está dividido no grau e extensão dessa defesa tribal. Como defender um sinal, entre muitos outros, do despesismo e do descontrolo, ainda por cima em contra-ciclo, dos anos socratesianos? Como defender o lastro socratesiano que representa ainda mais dívida, ainda mais derrapagem e infinita insensibilidade objectiva com os contribuintes portugueses, insensibilidade engendrada no mundo à parte, optimístico e fantasista, que o Primadonna Playboy Parisiense criou para si?! Os deputados socialistas, entre os quais o zeloso deputado Paulo Campos e o deputado leal Zorrinho, podem dourar como quiserem a pílula amargosa do Partido Socratesiano, partido descarado, desastrado, trágico, de evidente Desgoverno e Favoritismo: o Primadonna Playboy Parisiense que falte explicar aos portugueses será a seu tempo explicado em teses de vários tomos. Sugere-se-lhes que se poupem à canseira.

Sem aeroporto nem TGV, era preciso ganhar a eleição noutro lado

Os custos com a electricidade mais do que triplicaram em muitas das escolas intervencionadas pela Parque Escolar. Na sua resposta ao relatório da auditoria levada a cabo pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), a empresa justificou a situação com as novas regras de eficiência energética, aprovadas em 2006.

No seu relatório, a IGF conclui, contudo, que foram também utilizadas “soluções técnicas com custo ou qualidade excessivos, face à finalidade da obra”. Entre os exemplos apontados figuram a “aplicação de iluminação decorativa”, “utilização exagerada de equipamentos de halogéneo”, “instalação de potências eléctricas demasiado elevadas”, “duplicação de sistemas móveis de audiovisuais”, “dependência excessiva da ventilação mecânica”, e “uso massivo de estores eléctricos”.

Ao nível da construção, foram também utilizados materiais com custo excessivo. [… A IGF] lembra ainda que se registou uma degradação rápida de vários dos materiais utilizados. [Público]

A eficiência energética levar à triplicação dos custos de electricidade é um bocado ineficiente. Mas nós fechamos os olhos perante a areia que nos atiram, não há problema. Tenho ouvido repetidamente falar nas janelas que não foram feitas para abrir. A excessiva ventilação mecânica e a factura eléctrica, mais do que a iluminação decorativa, explicam muito.

Caro e efémero. Mas a tempo de dar obra para a eleição que se avizinhava. E o que importa é ganhar, não é?

PS: Poderá alguém pedir um comentário ao sr. Albino Almeida, que ainda há um ano e picos reagia mais rápido do que a sombra?

Vamos Todos Unir o PS

Alguns comentadores iluminados viram no famoso prefácio de Cavaco não um mas o factor de união do PS escaqueirado internamente e deslealíssimo ao “líder” Seguro, criando esta pastilha jornalística peregrina: a de que o ataque cavaquiano feroz ao Primadonna conseguiu unir o partido. Mas deve perguntar-se o que pode unir os Portugueses nesta hora aflitiva, numa união igualmente negativa. A noção de que o PS segundo Sócrates, portanto ele e o resto do gangue, governou segundo uma perspectiva de saque intensivo. É isso que não foge dos olhos agora que os Administradores da Parque Escolar, EPE (entidade pública empresarial), se demitiram, cercados de balanços e contas a indiciar absurdos abomináveis contra os contribuintes, balúrdios inqualificáveis e derrapagens asquerosas, pelo menos para um País com gente a privar-se de tanto, a passar fome [falo por mim que ando há semanas a comer pão com pão, um bife de pão com acompanhamento de pão au molho de pão recesso com entremeada de broa]. Entre alugar espaços em Lisboa na ordem dos 2,5 milhões de euros mensais e derrapagens na ordem dos 447%, lesando o Estado em muitos milhões de euros, a Parque Escolar não hesitou. Nem o diabo.

Demitiram-se? não chega

Diz que a administração da Parque Escolar se demitiu. Não se sabe é quando o Tribunal de Contas publica o que tem a publicar, notifica o Ministério Público e este age em conformidade. Esta gente deitou fora, não fez o que tinha a fazer (recuperar o parque escolar), não criou empregos, distribuiu pelas grandes empresas e ateliers e cometeu vários crimes de lesa-património, histórico e ambiental.

Foi isto a Parque Escolar, um exemplo de topo do socratismo a brincar com o investimento público a caminho da privatização do ensino, desígnio supremo de Maria de Lurdes Rodrigues, única razão que explica a complacência com que Nuno Crato os tratou ao longo destes meses. Vai uma aposta em como a seguir vamos ouvir falar da privatização da empresa que já é dona de dezenas de edifícios públicos?

A fotografia foi publicada pelo Paulo Guinote e feita aquando da intervenção da Parque Escolar no Liceu Gil Vicente. Embora alguém ali tenha comentado “Estes azulejos foram descobertos quando se procedeu a escavações com vista à actual remodelação da escola Gil Vicente. Foram retirados e encontram-se no Museu do Azulejo para serem recuperados.“, o mínimo que se lê na imagem é: prospecção arqueológica, não se faz? No governo que mandou o Museu Nacional de Arqueologia para onde não pode estar deve ter sido um acto de coerência política.

 

Professores recebem formação em artes circenses

Escolas da Parque Escolar estão para arrendar na Internet

Para garantir a animação das festas que poderão decorrer nas escolas, a partir de agora, os professores receberão formação em artes circenses, para que possam desempenhar funções como palhaços ou malabaristas, o que já faziam, de facto, podendo, agora, fazê-lo, de direito. Para além disso, aqueles que já foram considerados “os inúteis mais bem pagos do país” poderão, finalmente, ver o seu horário de trabalho preenchido.

Pudemos, ainda, apurar que o Ministério está a ponderar a hipótese de acabar com as aulas, o que permitira rentabilizar melhor os espaços escolares.

O desígnio de Crato é cortar

Santana Castilho *

Nuno Crato encheu de nada e de cortes três páginas deste jornal. Lê-lo a 31 de Outubro traveste-lhe a graça para Nuno Cortes. Quando não identifica medidas para cortar, responde que não sabe. Nuno Nada, tão-pouco destoava para sua nova graça. Que desgraça!

Tirando o desígnio de castrar, despedir e poupar, não há na entrevista a mais ligeira ideia consistente sobre Educação. Perguntado sobre como se vai cumprir a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, responde com profundidade: “Está tudo em aberto”. Interrogado sobre a verdadeira grandeza da redução orçamental, riposta com rigor: “Depende do quadro que se leia”. Questionado sobre o número de professores estritamente necessário, que antes havia invocado, é preciso: “É um bocado menos do que temos hoje. Não consigo quantificar”. Solicitado a esclarecer o objectivo que propõe para um novo modelo de financiamento do ensino superior, que acabara de preconizar, repete-se: “Está tudo em aberto”. À insistência dos entrevistadores, que querem conhecer os critérios a incluir no tal modelo, responde filosoficamente: “Vamos pensar nisso”. Quando lhe perguntam se já começou a pagar as bolsas de estudo, é negativamente claro: “ Ainda não”. Quando lhe perguntam se tem ideia de quantos alunos perdem o direito à bolsa, é claro, negativamente: “Ainda não”.

Estamos a estudar”, “estamos a ver”, “estamos a identificar”, “temos de ver” “temos que pensar” e “vamos ter de repensar” são fragmentos frásicos abundantes na entrevista, que ilustram a vacuidade predominante. Mas há passagens concretas, que patenteiam impreparação, ignorância e manipulação da realidade. Passo a fundamentar. [Read more…]

A má obra da Parque Escolar

O Tiago Mota Saraiva desmonta mais uma socretinice do Daniel Oliveira, agora defensor cego da Parque Escolar.

Acrescento que a Parque Escolar enquanto dona de obra demonstrou uma incompetência que chega a tocar as raias do ridículo. Dos pavilhões onde chove, e a culpa é do clima à ausência de estacionamento (não me venham com a conversinha dos professores usarem transportes públicos: a carta de condução e a propriedade de um veículo automóvel é hoje obrigatória na profissão, e chega a ter indirectamente força de lei) ao aumento do consumo energético:

Daniel Oliveira titulou seu artigo “As escolas públicas querem-se velhas e frias” com uma ironia que lhe acerta no pé.

Não se trata de mera incompetência: é dos livros que o dono da obra tem de conhecer muito bem o local onde se implanta e as funções a que se destina. Não é o caso da Parque Escolar e as direcções das escolas foram na maior parte dos casos completamente afastadas do seu planeamento e execução. Se é verdade que um bom arquitecto, ou engenheiro, se preocuparia com isso, nem sempre sucedeu. Como também é dos livros, a catástrofe está à vista, e como bem sabemos, é irreversível.

Dívida pública

A Parque Escolar, as obras sem dinheiro e a dívida escondida

 

Como se sabe, há uma técnica clássica para se resolverem problemas nas contas públicas. Dizem que foi descaradamente usada na Grécia para falcatruar o défice mas que cá isso não aconteceu. Apesar do falso grande feito nas contas públicas, do truque dos dividendos da PT e da venda de património do Estado ao próprio Estado, o qual a seguir o Estado vai alugar a esse mesmo Estado. Fora isto, nada de especial. Cá não se escondem elefantes brancos debaixo do tapete.

Ódios?!

sondagem da Intercampus para PÚBLICO e TVIO spin master da actualidade pretende lançar na arena mediática a ideia de que quem se opõe à sua visão de governação o faz por ódio. Por ódio?! Será que correr para fazer empréstimos a juros exorbitantes para conseguir pagar salários tem algo a ver com ódio? 36.8% dos sondados parecem concordar com esta abordagem. Pois que tenham o que merecem. Só lamento que a minha carteira tenha que contribuir para estes desvairos (como este da Parque Escolar , só para citar um).

O consumo energético nas escolas “intervencionadas” aumentou

A requalificação das escolas, através da Parque Escolar, é um dos tópicos enunciados por José Sócrates, quando quer demonstrar quão magnífica foi a sua governação. O vídeo que aqui é publicado já tem uns dias, mas merece ser visto e ouvido com muita atenção, porque será fácil chegar à conclusão de que estamos na presença de mais um exemplo de gestão danosa dos dois últimos governos.

A comunicação social, essa entidade difusa que substituiu o jornalismo, já não investiga, reproduz. Se investigasse, descobriria, por exemplo, que, no Grande Porto, há uma escola que passou a pagar por mês aquilo que pagava anualmente em água e luz ou uma outra em que a sala dos professores, a sala de trabalho dos professores ou a sala da direcção não têm luz natural, o que implica ter as luzes acesas todo o dia (o que não acontecia dantes).

Parque Escolar

Temos referido o Caso Parque Escolar no Aventar, embora este não seja um blogue especializado em casos de polícia.

O excelente trabalho do Tiago Mota Saraiva no 5 Dias conseguiu colocar na agenda da comunicação social mais esta passeata do governo rumo à privatização do ensino.

Assim não posso deixar sem resposta o seu apelo para que divulguemos a petição sobre o tema que corre na Rede. Leia. E se concordar assine. O costume.

Mais um golpe, mais um roubo

No Aventar os xutos na bola, com a rúbrica FUTaventar entrou tarde e ainda há quem resista à discussão, talvez com algum sentimento elitista considerando que a bola é coisa de pobre! É sim senhor! E ainda bem que existe porque tudo o resto é muito mais vergonhoso.
Atente-se:
Gaia: a Escola António Sérgio fica no centro da cidade, bem juntinho ao hospital, ao novo hotel; A Secundária de Canidelo, junto ao nó do fojo a meio caminho entre a VCI e a praia…
Gondomar: a Secundária é absolutamente central na sua localização…
No Porto… Em Lisboa…
Temos estas localizações todas nas mãos de uma coisa a que chamam Parque Escolar. Esta coisa, se calhar uma sucateira ou uma PT ou… vai ficar com todas estas escolas secundárias na mão. Não tarda nada, temos as escolas com poucos alunos, os terrenos fora das mãos do estado e algum boy a lucrar milhões.

Por estas e por outros é que prefiro falar e escrever sobre o Simão.

É a privatização do ensino, pois é

O Público desvenda hoje o fascinante mundo da privatização dos edifícios escolares.

No que parecia ser uma medida correcta do governo em termos de investimento público, renovar as instalações escolares, já sabíamos pelo Tiago Mota Saraiva e pelo Paulo Guinote que nem tudo ia bem: obras mal inspeccionadas, contratação de gabinetes de arquitectura e das grandes empresas de construção civil em moldes no mínimo suspeitos.

Agora descobre-se que a Parque Escolar ficará proprietária dos edifícios onde interveio, e que assim poderá vender os terrenos “excedentários”, normalmente localizados em locais bem apetecíveis para a especulação imobiliária.

Melhor ainda: o aluguer dos espaços escolares, uma das poucas fontes de auto-financiamento das escolas, reverterá em 50% para a Parque Escolar.

Sobre a qualidade das intervenções, quando

Na D. Pedro V pagaram, em Dezembro, seis vezes mais do que em igual período do ano passado. De 600 euros a factura de electricidade passou para mais de três mil.

pergunta-se como, já que a ideia era precisamente a inversa, isolar os edifícios de molde a baixar os custos de aquecimento.

É a privatização do ensino em marcha, no que toca aos edifícios, que quanto ao resto Maria de Lurdes Rodrigues lançou o tratamento de choque que o irá justificar politicamente.

No mesmo Público Rui Tavares escreve que Sócrates é do centro-esquerda. Boa piada.

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