A voz do dono

Cavaco ouve banqueiros.

No Insurgente andam a ler os os Donos de Portugal

Concluindo o óbvio: o grande capitalismo português é filho dos governantes. Os outros nem enteados.

Donos de Portugal

No meio de 24h que a RTP2 vai dedicar a documentários (privatiza-a, filho privatiza-a, que a malta depois nacionaliza e dá-te um cortador de relva) pela 1h 30 deverá estrear o documentário de Jorge Costa Donos de Portugal.

O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins – afirmam-se sobre a mesma base.
Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

Esta noite não vou ver, é de festa. Mas amanhã estará num computador perto de todos nós (tás a ver, relvinhas, tu privatizas, nós nacionalizamos-te).

Os ricos e leituras recomendadas para pobres

Esta coisa de os ricos terem percebido que a austeridade não lhes dá jeito nenhum e por isso desistiram de investir em Portugal (o mais importante ângulo do caso Pingo Doce/Holanda e por isso mesmo o mais ocultado) deu direito a mais uma enxurrada de púdicas defesas dos criadores de riqueza, generosos inventores de empregos, gente honrada e trabalhadora. Nuns casos falam assim por má-fé, noutros por ignorância.

A estes últimos recomendo mais uma vez a leitura de Os Donos de Portugal. Está lá tudo: na generalidade dos casos em Portugal as grandes fortunas fizeram-se à pala do estado, da capacidade de influenciar governos e outras trafulhices mais variadas. Percebe-se que na maioria é gente sem escrúpulos, para quem negociar com o Hitler ou Pinochet pode ser o ex-líbris da família Espírito Santo e o lado para onde melhor dormem.

Quanto à forma como a comunicação social tem lidado com este e outros casos sugiro a leitura de A subserviência dos jornalistas perante o poder económico, uma boa sistematização do Daniel Oliveira.

Capitalismo à portuguesa

A reportagem da TVI – Portagens nas Scut ruinosas para o Estado é um edificante exemplo do empreendedorismo nacional. Encostadinhos ao estado, sem riscos, vivendo de rendas. Passeando-se entre o governo e os negócios. Sempre foi assim. São os Donos de Portugal.