Os ricos e leituras recomendadas para pobres

Esta coisa de os ricos terem percebido que a austeridade não lhes dá jeito nenhum e por isso desistiram de investir em Portugal (o mais importante ângulo do caso Pingo Doce/Holanda e por isso mesmo o mais ocultado) deu direito a mais uma enxurrada de púdicas defesas dos criadores de riqueza, generosos inventores de empregos, gente honrada e trabalhadora. Nuns casos falam assim por má-fé, noutros por ignorância.

A estes últimos recomendo mais uma vez a leitura de Os Donos de Portugal. Está lá tudo: na generalidade dos casos em Portugal as grandes fortunas fizeram-se à pala do estado, da capacidade de influenciar governos e outras trafulhices mais variadas. Percebe-se que na maioria é gente sem escrúpulos, para quem negociar com o Hitler ou Pinochet pode ser o ex-líbris da família Espírito Santo e o lado para onde melhor dormem.

Quanto à forma como a comunicação social tem lidado com este e outros casos sugiro a leitura de A subserviência dos jornalistas perante o poder económico, uma boa sistematização do Daniel Oliveira.

Comments


  1. Bem a propósito, permita-me a sugestão de leitura breve e exploração de linques (alguns não óbvios) aqui:
    http://umjardimnodeserto.wordpress.com/2012/01/06/a-semana-do-merceeiro-e-dos-trolhas/

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Porque não pensar como já disse tantas vezes, na mudança radical do país desde 1986, comc a entrada na CEE e o cavaquismo de que tantos se fartaram ?? como a semana não começa à 3ª feira, o que se passa hoje não começou o ano passado. Quem não se admirou com tanta “fartura” e com a destruiçãop TOTAL da agricultura e pescas (produção de 75/78 % do necessário, o aparecimento do todo-o-terreno (agora os topos de gama) e o verder das “joias da corôa pela então ministra das finanças, o comprar casa na cidade e praia e alentejo, e a pouco e pouco como era natural, a falência da indústria agro-alimentar e agora, das que restam incluindo serviços- culpar ontem não chega-pensar no ontem não dá para chegar a lado nenhum.Nem vale a pena falar na EXPO ou CCB ou Casa da Música óptimas e necessárias e de direito, mas como e onde foram construídas e quanto custaram e quantas vezes mais se ultrapassou o orçamento inicial – não falando nas IP e muitas outras modernices até saloias e mal feitas- sem falar nos Estádios de futebol- do euro 2004 – porque não fizeram contas e se revoltaram na altura – que fácil é chorar como se diz, e odeio a frase, sobre o leite derramado +++ etc- a a 2ª crise (mas qual crise ??) do petróleo tão recente mas “parecida” com a de 1973 ?? – os jovens nada sabem nem querem saber da história recente como se tudo começassde “esta semana”


  3. Um relatório das medidas de austeridade, da UE, bastante elucidativo:

    http://www.socialsituation.eu/research-notes/SSO2011%20RN2%20Austerity%20measures_final.pdf

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