Manuais Escolares

debater-escola-publica-e1467571337416Há, no nosso país um conjunto de pessoas com uma capacidade fantástica de saberem tudo, sobre tudo. Aliás, há quem diga que a TVI conseguiu colocar um desses a Presidente, mas eu não acredito.

Por maioria de razão, até a Ferreira Leite, por ter sido um dia mãe, achou que podia ser uma excelente Ministra da Educação.

E, trago até si, caro leitor (e cara leitora, para o politicamente correcto, tão em moda) esta reflexão introdutória porque há coisas sobre as quais sou um perfeito ignorante. Não sei falar Castelhano como o Jorge Jesus e estou longe de conseguir miúdas giras como o Pinto da Costa, isto só para citar dois exemplos.

Sobre Manuais Escolares também. É uma daquelas áreas que abordo com algum receio porque me parece que os lugares comuns existentes nas Praças da República deste país não têm permitido uma reflexão séria sobre o modelo. Entendam este texto como um contributo para um debate que poderá e deverá continuar até na caixa de comentários.

Começo por vos deixar a ligação para o site oficial do Ministério da Educação onde podem consultar toda a informação disponível e perceber como está tudo mais que regulamentado. Na prática e para abreviar a prosa, existe um calendário de adopções definido pelo Ministério da Educação, as editoras apresentam aos Professores as suas propostas e depois, em cada escola (ou agrupamento) o grupo de docentes responsável por leccionar cada uma das disciplinas escolhe o manual que entende ser mais adequado. A fase seguinte passa pela aquisição dos respectivos. Agora, no primeiro ano com oferta do Ministério da Educação, com a presença de inúmeras câmaras municipais na oferta de manuais no 1º ciclo, havendo ainda casos em que a colaboração das autarquias com os pais se alarga até ao 3º ciclo. Este envolvimento do governo e do poder municipal na aquisição dos manuais é uma demonstração da dificuldade que esta factura representa para as famílias, a quem compete uma parte demasiado importante desta despesa.

E, a pergunta que quase todos fazem é: não é possível ter uma política de manuais escolares que permita uma despesa menor às famílias? [Read more…]

Editora Leya confirma inutilidade do acordo ortográfico

Segundo muitos defensores do chamado acordo ortográfico (AO90), o mundo lusófono, por obra e graça de tão fantástico instrumento, iria ficar coberto de edições únicas. Basta lembrar o que disseram Fernando Cristóvão e Evanildo Bechara, entre outros.

A editora Leya é praticante da religião acordista e, depois de ter comprado meio mundo editorial em Portugal, estendeu os seus negócios ao Brasil. Tal circunstância poderia servir, portanto, para confirmar que as edições brasileira e portuguesa das mesmas obras seriam completamente iguais.

A propósito, Thais Marques, directora de marketing da Leya no Brasil, produz estas surpreendentes declarações:

A facilidade do idioma comum, segundo a diretora, não pode ser apontada como um facilitador, já que muitas obras seguem passando por um processo de “abrasileiramento” ou, ao contrário, quando se trata de obras brasileiras levadas a Portugal.

“Não adaptamos obras literárias, mas livros de ficção comerciais continuam a ter de passar por uma edição, para ser ‘abrasileirados'”, comenta, a acrescentar que os direitos de publicação de obras estrangeiras, por exemplo, são feitos país a país e muitos títulos que são da Leya no Brasil, não o são em Portugal.

O português utilizado é um pouco estranho, com uma “facilidade” que não é “um facilitador” ou a referência a um contrário de “abrasileiramento” que poderá corresponder a um “desabrasileiramento”. Independentemente disso, é fácil perceber que a Leya não tem edições iguais para os dois países e Thais Marques chega ao ponto de afirmar que, no fundo, estamos separados por uma língua comum.

Nada de novo: o poder dos levianos é o prejuízo dos cidadãos. Enquanto os primeiros brincam aos acordos, os outros são reduzidos a mexilhão, vítimas de uma instabilidade ortográfica que é filha de uma quimera.

O negócio dos Manuais Escolares

As editoras fazem todas o mesmo!
As mães ou os papãs encomendam os respectivos manuais das principais disciplinas do 5ºano, por exemplo (dispensa-se os facultativos, é menos essa despesa) e, sendo de 17,50 € o preço médio de cada um, o valor total da conta a pagar será cerca de 90 €.
Mas a «coisa» está muito bem feita: a ASA, a Santillana, a Porto Editora e a Texto, neste caso, têm preparada uma folhinha com uma «Recomendação Pedágógica» que vem embrulhada num plástico, hermeticamente fechado, juntamente com o Manual mais dois produtos que o pai e a mãe não estavam à espera (na lista que a escola fornece não são referidos): Cd-Rom e Caderno de Actividades.
Pois é, o problema é que não são oferecidos com o Manual. Estes dois produtos custam quase tanto como o manual. Assim, a conta que seria de menos de 90€ é, para quem estiver distraído, quase 160 €.
Ah! A folhinha diz o seguinte:
Recomendamos a utilização conjunta destes produtos como forma de facilitar a aprendizagem dos alunos e contribuir para o sucesso escolar. Trata-se apenas de uma recomendação, pelo que os produtos podem ser sempre vendidos separadamente por simples opção, sem que acresça qualquer encargo ao adquirente.
 
Pois esta «recomendação» das editoras, tão preocupadas com o sucesso e a aprendizagem dos alunos, custa aos pais cerca de 70 € a mais do que é o essencial.
Claro que na papelaria /livraria/ hipermecado não vão chamar a atenção para isto…
Esteja atento quando fôr comprar os livros / material escolar dos seus filhos. É o «gastem, gastem, comprem, comprem»!
 
P.S. Não ficava bem comigo mesmo se não desabafasse…Desculpem.
 
  

Afinal, são mesmo os músicos os que mais perdem com a pirataria

lucros-musica

Hoje tenho de me penitenciar. Errei. Admito que terá sido por desconhecimento, mas não fui mal intencionado. No passado disse e escrevi que não eram os músicos os mais prejudicados pela pirataria de música. Errei. Os músicos são, de facto, os mais prejudicados.

A imagem do disquinho que acompanha este texto permite verificar que são os músicos, artistas individuais ou bandas, aqueles que menos recebem. Todos os outros agentes em redor da indústria da música ganham mais com a capacidade técnica e criatividade dos artistas. Sim, daqueles que ganham menos. Logo, quanto mais pirataria menos recebem os artistas.

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