Afinal, são mesmo os músicos os que mais perdem com a pirataria

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Hoje tenho de me penitenciar. Errei. Admito que terá sido por desconhecimento, mas não fui mal intencionado. No passado disse e escrevi que não eram os músicos os mais prejudicados pela pirataria de música. Errei. Os músicos são, de facto, os mais prejudicados.

A imagem do disquinho que acompanha este texto permite verificar que são os músicos, artistas individuais ou bandas, aqueles que menos recebem. Todos os outros agentes em redor da indústria da música ganham mais com a capacidade técnica e criatividade dos artistas. Sim, daqueles que ganham menos. Logo, quanto mais pirataria menos recebem os artistas.

No passado cometi o sacrilégio de pensar que quem mais berrava contra os piratas, os sanguessugas da indústria musical, isto é, as grandes produtoras e etiquetas do sector, era quem mais tinha a perder. Enganei-me. Afinal, mesmo com a pirataria ficam sempre com a maior parte. Melhor: a muito maior parte. Por isso, nunca perdem. Podem é não ganhar tanto. Mas, ainda assim, ganham muito mais que quem faz música.

As minhas desculpas aos artistas. Afinal, são eles mesmos, no fim da cadeia, aqueles que menos ganham, os mais prejudicados pela pirataria.

Quanto a mim, vou ali buscar a corda para a colocar ao pescoço…

Comments

  1. Albano Coelho says:

    Não, caro José, engana-se agora e estava certo antes. É raro hoje em dia que o artista receba qualquer percentagem sobre as vendas dos suportes da sua obra. O mais vulgar é que tenham que comprar o primeiro lote de CDs e é se querem ver a sua obra editada que os tubarões da indústria não arriscam. Em Portugal apenas um punhado de finórios como o António Manuel Ribeiro (UHF) ou Xutos (note já aqui uma diferença, AMR no primeiro exemplo, o coletivo no segundo) ainda recebem alguns trocos sobre as respetivas edições mas quase ninguém mais. Pelo contrário, nalguns casos, a pirataria ajuda os artistas. Exemplifico: Prefiro que sejam distribuídas 15.000 cópias do meu CD (bom, daquele que ainda não gravei) e que mais tarde isso se traduza numa afluência de mais 1.000 ao próximo concerto (talvez mais) do que vender 500 cópias ganhando 1 cêntimo por unidade e ter menos de 200 assistentes no concerto. Claro que o ideal seria vender muito e ter muito público mas só poucos, tão poucos que me sobram dedos ao contar, conseguem esses resultados. Para um artista underground é preferível ter a sua obra divulgada o mais possível do que aferrar-se a cobrar misérias de vendas de CDs. Não se engane. Há outros modelos, nomeadamente as edições de autor com ou sem venda de MP3 a preço justo, que são muito mais rentáveis para os artistas do que o modelo tracional. Querem os tubarões manter o negócio? Têm que dar o “algo mais” que a pirataria não dá: brindes com o CD tal como no último de Justin Bieber, esse sim modelo (de edição) a seguir.


  2. Concordo Albano. O meu texto apostava na ironia tendo em conta o que escrevi há quase um ano (ver link). Como é evidente, os músicos ganham mais dinheiro nos concertos que nos discos. E, claro, nos direitos de autor, embora num médio-longo prazo.

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